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"Guerra Traduzida" na Rádio Observador. Vamos olhar para a imprensa dos dois lados deste conflito no leste da Europa. Hoje começamos com a imprensa da Ucrânia. É um trabalho do jornalista Rui Casanova, com colaboração de Tânia Olynyk. Rui, a Ucrânia vai aumentar a produção de armas muito em breve.
É verdade, André, é um anúncio feito pelo secretário do Conselho de Segurança e Defesa Nacional na televisão ucraniana. Oleksii Danilov explica que este aumento de produção vai ser feito por empresas tanto estatais como privadas. Explica que o Estado não vai conseguir resolver esta questão sozinho e, por isso, teve de recorrer a empresas privadas. Oleksii Danilov, do Conselho de Segurança e Defesa Nacional, fala numa operação muito poderosa e numa tarefa conjunta de todas as esferas do Estado. A Ucrânia vai aumentar em breve a produção de armas para fazer face a esta guerra contra a Rússia.
Falamos agora de uma questão essencial nesta guerra, Rui, o apoio dos Estados membros à Ucrânia. O novo primeiro-ministro da Eslováquia volta a sublinhar que não vai manter o apoio militar a Kiev.
Roberto Fico confirma aquilo que prometeu durante a campanha eleitoral. Afirmou que se fosse eleito, não iria manter o apoio militar à Ucrânia. E agora, esta manhã, num discurso perante os membros da Comissão Parlamentar sobre Assuntos Europeus, antes da Cimeira de Líderes em Bruxelas, reafirmou essa mesma promessa. Diz, e passo a citar: "É melhor negociar a paz durante 10 anos do que matar-nos uns aos outros durante 10 anos sem qualquer resultado". São declarações do novo primeiro-ministro da Eslováquia, Roberto Fico, aqui citadas pelo jornal ucraniano Pravda. Além disso, neste discurso, afirmou que não vai apoiar as sanções europeias contra a Rússia sem primeiro avaliar o impacto dessas mesmas sanções nos países da União Europeia, aqui incluindo a própria Eslováquia.
E Rui, olhamos agora para uma sondagem. Aumentou a confiança dos ucranianos em torno de Volodymyr Zelensky.
Sim, 73% dos eleitores ucranianos afirmam que confiam no presidente ucraniano e 54% dos cidadãos confiam também no governo liderado por Denys Shmyhal, o primeiro-ministro ucraniano. São as conclusões de um inquérito, uma sondagem do Instituto Internacional de Sociologia de Kiev, conclusões essas citadas aqui pelo jornal Pravda. Adianta que este estudo foi realizado durante o mês de setembro, a pedido da missão consultiva da União Europeia na Ucrânia. Este estudo fala num efeito de união em torno da bandeira, o que reforça, diz o estudo, a confiança em torno de Volodymyr Zelensky, confiança essa que aumentou significativamente nos últimos meses. Existe uma tendência semelhante no caso da confiança relativa aos ministros do governo liderado por Denys Shmyhal. Já ontem, e aqui só para completar, tínhamos falado também de dados positivos em torno do combate à corrupção na Ucrânia. A maioria dos cidadãos ucranianos acredita e confia que estão a ser tomadas medidas positivas no sentido de combater a corrupção e, como sabemos, esse é um dos fatores decisivos para uma possível adesão da Ucrânia à União Europeia.
E Rui, agora deixamos aqui uma pergunta que é intrínseca àquilo que falamos aqui na "Guerra Traduzida", a imprensa. Como é que fica a confiança dos cidadãos na imprensa de um país que está em guerra?
Olha, André, para responder essa pergunta, vamos à boleia de mais um estudo, mais um inquérito, novamente feito pelo Instituto Internacional de Sociologia de Kiev, que de resto, e aqui só um aparte, faz muitos estudos e sondagens deste gênero e são sempre sondagens que estão em destaque na imprensa ucraniana, desta feita no jornal Pravda, e que nos dizem muito do que se passa na Ucrânia a nível mais social. Para responder à tua pergunta, cerca de metade dos ucranianos confia nos meios de comunicação social do país, ou seja, 49% dos ucranianos confiam nos media do país, 43% não confiam. Portanto, aqui uma espécie de metade, metade. Este estudo foi feito também durante o mês de setembro e destaca também, e aqui é interessante, que os cidadãos ucranianos preferem agora acompanhar as notícias por meios online, por exemplo, a rede social Telegram ou até o YouTube, do que na televisão. É também um reflexo dos dias de hoje e é o resultado de um estudo que nos mostra a confiança dos cidadãos na imprensa de um país em guerra.
Muito interessante e é uma imprensa que vamos continuar a acompanhar aqui na "Guerra Traduzida" e é assim que fechamos esta edição. Já a seguir olhamos para a imprensa ucraniana.