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Estamos na Guerra Traduzida da Rádio Observador. Trazemos os destaques da imprensa russa e ucraniana com o jornalista Vasco Maldonado Correia. Boa tarde, Vasco. E vamos começar com os jornais da Ucrânia, que hoje destacam um novo ataque russo em Kryvyi Rih.

Até agora, quatro mortos e sete feridos. É o balanço feito pelo chefe de segurança da região de Dnipro. O ataque aconteceu ao início da tarde desta sexta-feira. A Rússia atingiu a cidade de Kryvyi Rih com uma forte onda de mísseis balísticos. Estamos a falar de uma zona residencial, várias casas e também escolas foram atingidas. Nas redes sociais circulam vídeos de prédios destruídos, outros incendiados, muita poeira, fumo no ar e são audíveis também as sirenes que anunciam o ataque. Entre os mortos contam-se três mulheres e um homem. O presidente ucraniano já reagiu, diz que cada ataque terrorista deste gênero é mais um lembrete de com quem a Ucrânia está a lidar. Afirma também que a Rússia não para por si só, só pode ser travada por uma pressão conjunta, ou seja, pela pressão de todas as pessoas do mundo que valorizam a vida.

E Vasco, o portal TSN conta a história de um homem que ficou viúvo pela segunda vez depois deste ataque.

Uma história trágica que nos chega da guerra. Igor perdeu a mulher depois de um ataque na região de Kherson em 2022, ou seja, no ano em que a Rússia invadiu o território ucraniano. Ora, dois anos depois, Igor voltou a casar. Estava esta semana no carro com a segunda mulher. Iam às compras porque um dos filhos fazia anos e foi nessa altura que a região de Kryvyi Rih foi atingida por vários mísseis. Os destroços mataram a mulher de Igor no local. Esta história é relatada pelo viúvo ao TSN, que descreve ainda o choque da notícia para os três filhos. Diz que há dois anos tiveram de enterrar a própria mãe e agora são obrigados a enterrar a mãe adotiva.

E a administração Biden, como sabemos, está de saída, mas Antony Blinken está confiante de que a equipa de Donald Trump vai conseguir acabar com a guerra na Ucrânia.

É o que diz o ainda chefe da diplomacia norte-americana em conferência de imprensa. Nestes últimos dias no cargo, Blinken acredita que a nova administração na Casa Branca tem os pré-requisitos necessários para ajudar a Ucrânia a chegar a um entendimento com as autoridades russas, chegando assim a um cenário de paz duradoura. A notícia está em manchete no jornal Pravda. O secretário de Estado norte-americano enfatiza que para um bom acordo é preciso chegar a um cessar-fogo que tem de ser estável e duradouro e não pode, por isso, dar a Putin a oportunidade de descansar e retomar a agressão. Para que isso não aconteça, garante Blinken, a administração Biden tem discutido e partilhado planos com a equipa de Donald Trump, que entra em funções, relembro, já na próxima semana. E acrescenta ainda Blinken que o impacto da guerra na economia russa já é perceptível e que o fardo que os Estados Unidos colocaram sobre a Rússia está a tornar-se cada vez mais pesado e está a começar a fazer efeito.

E Vasco, apesar da confiança de Blinken, na imprensa ucraniana, nem todos têm tanto otimismo.

Voltamos ao portal TSN, que traz o relato de um jornalista ucraniano que acredita que muito provavelmente o acordo que acabará por ser alcançado vai trazer termos desfavoráveis para a Ucrânia e, para isso, dá o exemplo da maneira como o conflito no Médio Oriente está a ser resolvido. Vitaly Portnikov explica que a grande tarefa de Zelensky nos próximos meses vai ser explicar a Trump que a paz nos termos de Putin não é apenas um desastre para o Estado, mas também uma vergonha para a Casa Branca e para o novo presidente. Este jornalista acredita que o ego de Donald Trump pode levar a Casa Branca a aceitar qualquer tipo de condições, desde que no fim seja possível anunciar que se chegou a um acordo. E teme, por isso, que a nova administração esteja mais preocupada em tomar decisões e apresentar resultados demasiado rápido, em vez de ter como prioridade uma paz sustentável.