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Esta é a Guerra Traduzida na Rádio Observador. Trazemos todos os dias os destaques da imprensa russa e da imprensa ucraniana. Diana Rosa, boa noite.

Boa noite, Nelson.

Vamos começar pela imprensa da Ucrânia e com as declarações de Volodymyr Zelensky aos jornalistas. Ao início desta noite, o presidente ucraniano nega a existência de um plano de paz de 12 pontos já pré-acordado com a Europa.

Zelenskyy diz até ter ficado surpreendido com o fato de alguém pensar que o Kremlin estaria disposto a negociar a paz. À imprensa, o chefe de Estado explica que o importante é saber se ele, presidente da Ucrânia, viu esse plano. Não, não viu, diz Zelensky, que admite que com esta resposta ficam as dúvidas todas esclarecidas. Afirma, no entanto, que existem várias ideias e propostas europeias relativa a um acordo de paz. Lamenta Zelensky que nenhum líder europeu ou mesmo o presidente dos Estados Unidos possam forçar a Rússia a sentar-se à mesa de negociações.

Esta conferência de imprensa foi antecedida por uma reunião do Estado-Maior ucraniano, onde esteve a consultar os mais recentes relatórios sobre a situação na frente de batalha. Quase um terço de todos os combates e 50% do uso de bombas planeadas pela Rússia estão concentradas em Pokrovsk.

Que é uma zona estratégica no leste do país, que serve como um importante centro de distribuição de equipamentos para a linha da frente. De acordo com Zelensky, citado pelo Ukrinform, em Pokrovsk o inimigo não obteve sucesso nos últimos dias, sendo que, como disseste, Nelson, 30% de todos os confrontos ocorrem nesta região. Admite, no entanto, o presidente ucraniano que a situação está difícil para as tropas do país. O chefe de Estado lembra que actualmente há entre 260 e 300 soldados russos em Pokrovsk, onde opera o Regimento de Assalto Independente número 425, assim como outras brigadas que operam nesta área. No entanto, até agora a Ucrânia garante que as forças de defesa impediram a expansão da presença russa nesta zona da região do Donetsk. A Rússia garante uma informação oposta, mas já vamos falar disso na segunda parte.

Outra novidade transmitida por Zelensky é que até ao final deste mês a Ucrânia vai produzir entre 600 e 800 drones de intercepção por dia.

Vai ser essa a produção diária, Nelson. Mesmo assim, está um pouco abaixo do esperado. O presidente queria que a produção chegasse aos mil interceptores, mas admite que não é uma tarefa fácil, até porque os ataques russos não visam apenas o setor estratégico da Ucrânia. O presidente ucraniano fez saber que embora tenham ocorrido ataques a instalações de produção de armas, todas elas já retomaram as operações. Não ficou perdido nenhum tipo de arma de longo alcance, mas às vezes a produção em massa diminui porque certos componentes acabam por ser atingidos.

E por falar em ataques, a Ucrânia voltou a atingir a refinaria russa de Saratov.

É a terceira vez desde o início do outono. Trata-se de uma refinaria de petróleo no sudoeste da Rússia. Está localizada a cerca de 150 km da fronteira com o Cazaquistão e a aproximadamente 600 a leste da linha da frente ucraniana. O ataque foi levado a cabo na última madrugada. De acordo com o Estado-Maior da Ucrânia, visou ainda diversas instalações logísticas militares russas. O ataque causou um incêndio na área das unidades de refinação de petróleo. Por sua vez, o Ministério da Defesa da Rússia revelou ter interceptado na última noite total de 64 drones provenientes de Kiev, incluindo 29 sobre a região de Saratov. Foram relatadas várias explosões naquela zona. A Ucrânia já tinha atacado as instalações de Saratov no dia 20 de setembro e já no mês passado, dia 16, é o que divulga o Kyiv Independent.

O governo belga sugere que houve espionagem por trás de uma série de drones que sobrevoaram uma base militar do país. É o que adianta o ministro da Defesa da Bélgica.

Os aparelhos aéreos não tripulados sobrevoaram no sábado e no domingo à noite uma base militar no noroeste da Bélgica, onde estão armazenadas armas nucleares norte-americanas. O ministro confirmou que no sábado os drones de pequena dimensão sobrevoaram o complexo militar para testarem as frequências de rádio dos serviços de segurança da Bélgica. O governante afirma que mais tarde surgiram depois drones maiores que tentavam destabilizar a área e também as pessoas que ali residem. Diz que vai ser cauteloso e não vai especular, mas tem uma ideia de onde as eventuais operações de espionagem podem ser provenientes.

Já de seguida, os destaques da imprensa da Rússia.