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Esta é a história do dia da Rádio Observador: a nacionalidade de Pichardo foi comprada?
Eu fico contente que ele traga, mas isto espelha o quê? Interesse de quem? Foi interesse de quem? Quem lucrou com isso? Foi Portugal. Claro, a curto prazo. O investimento foi feito a curto prazo. Foi comprado um atleta para poder ter resultados a curto prazo.
Comprado é uma palavra forte.
Mas é como é.
Em entrevista ao "Em 40 Minutos" da Rádio Observador, Nelson Evra é muito duro em relação a Pedro Pablo Pichardo e ao processo de naturalização do atleta, que no início deste mês conquistou para Portugal a medalha de ouro nos Europeus de pista coberta no triplo salto. Pichardo respondeu no Instagram. Entre outras coisas, disse, e cito: "Quando dizes que fui comprado, estás-me a faltar ao respeito. Não sou uma prostituta, nem sou como tu, que saíste mal do clube porque te ofereceram mais." Diz ainda Pedro Pablo Pichardo, e citamos: "Nunca foste a minha referência como atleta, nem como pessoa." Quando começou e como se chegou a este azedume entre dois campeões? E as queixas de Nelson Evra têm algum fundamento? Vou conversar com o editor de desporto do Observador, Bruno Roseiro. Eu sou o Ricardo Conceição e esta é a história do dia. Bem-vindo, Bruno.
Olá, Ricardo.
Vamos começar esta história talvez pela apresentação das personagens. São dois campeões, mas vamos começar pelo campeão olímpico, Nelson Evra.
Quarto campeão olímpico português, apenas e só. E destruiu aquela ideia que nós tínhamos que só conseguimos ganhar medalhas olímpicas de ouro a correr. No final, também já conseguimos a saltar. Portanto, tínhamos Carlos Lopes, tínhamos Rosa Mota, tínhamos Fernanda Ribeiro. A partir de 2008, começamos a ter Nelson Evra também.
No triplo salto.
Falhou o salto, mas ganhou o título. Nelson Evra é campeão olímpico de triplo salto com 17 metros e 67 centímetros.
Conta-nos um pouquinho a história do Nelson Evra.
O Nelson é de origem cabo-verdiana, nasceu na Costa do Marfim porque o pai na altura estava a trabalhar na Costa do Marfim. Veio para Portugal com sete anos e enfrentou tudo o que é burocracia da máquina portuguesa. Ou seja, até aos 18 anos foi tentando de várias maneiras a sua naturalização para português. Teve a oportunidade de competir por Cabo Verde, teve a oportunidade de competir pela Costa do Marfim. Sempre achou que não fazia sentido porque estudava em Portugal, tinha amigos portugueses, as suas raízes eram mais Odivelas do que qualquer outra coisa. Só aos 18 anos é que começou a representar Portugal e a partir daí foi tendo uma cadência de resultados que facilmente fazia adivinhar aquilo que se tornaria.
Ou seja, a nacionalidade só vem com 18 anos?
11 anos depois. E segundo o próprio, algumas vezes a faltar às aulas para ir tirar a senha do registro central, para ir tratar de todas essas burocracias que só ficaram resolvidas quando ele fez 18 anos.
Eu nunca faltei às aulas. Eu faltei às aulas para tratar de documentos. Eu saía de casa às 04h30 da manhã para tirar senha nos registos centrais. Por isso, eu sinto-me super ofendido quando dizem: "Tu também?" Eu sou mais brincalhona, mas são coisas que me ferem muito. Mexem contigo. Eu digo: "Como é que as pessoas podem dizer isto?"
Nelson Evra tem uma carreira que nos vai enchendo de alegrias, mas depois há a lesão grave, há o problema com o treinador de sempre e ainda a transferência do Benfica para o Sporting. Já sabemos que quando há transferências entre Benfica e Sporting, há sempre problemas, não é?
Sim, são normais e este é o grande problema da própria cultura desportiva em Portugal. É extremamente dominada pela clubite. Ainda agora, podemos ter um exemplo muito claro. Em Inglaterra, houve um problema Lineker, BBC. Se nós olharmos, todos os clubes, todos os jogadores, todos os comentadores, fossem eles afetos de qualquer clube, estiveram solidários com Gary Lineker. Passados quatro, cinco dias, Gary Lineker já vai apresentar o programa que é seu. Em Portugal, não. Em Portugal funciona-se ao contrário. Ou seja, as coisas só são boas quando favorecem determinado clube. E esse acabou por ser o problema de Nelson Evra. Ou seja, a sua carreira entre 2016 e 2017 começa a virar com essa transferência, sendo que coincide também com um acumular de tensão que havia entre Pedro Pablo Pichardo e a federação cubana, que levou a que desertasse de um estágio também em abril de 2017. Houve aqui quase uma tempestade perfeita para haver uma autêntica viragem naquilo que era o panorama nacional no triplo salto, e passarmos a ter um herói que conseguiu ainda ter uma segunda vida, porque Nelson Evra consegue a medalha de bronze em 2015 no Campeonato do Mundo, e passamos a ter uma outra figura, Pedro Pablo Pichardo, que curiosamente ficou em segundo nesse Campeonato do Mundo 2015.
Mas consegue essa nova vida devido a uma lesão grave que teve.
Sim, ele teve uma lesão gravíssima, aliás, no triplo salto Para as pessoas perceberem o quão complicado é o triplo salto, quando tu assentas o pé no primeiro salto, tens o equivalente ao peso do teu corpo vezes 20, para tu teres noção do quão difícil é. E uma fratura da tíbia para um saltador do triplo salto é algo muito complicado. E ele era já um exemplo pelas suas conquistas e pela sua perseverança, porque é necessário abdicar de muita coisa para se chegar onde ele chegou. E voltou a ser exemplo pela capacidade que ele teve de regeneração. Ou seja, ele foi percebendo o seu corpo, foi percebendo que se calhar já não conseguia fazer aquilo que fazia em Osaka ou em Pequim, mas foi conseguindo chegar às medalhas internacionais. A partir do momento em que falha aquele que para mim é talvez a maior desilusão em termos de carreira, que é não ter conseguido uma medalha olímpica em 2016, tem uma frase que é: "A preparação não foi feita provavelmente da forma mais correta. Ou seja, o meu treinador apostou na pista coberta, queria que eu tivesse mais ritmo competitivo, se calhar fizemos mal." E a partir daí há o divórcio com João Ganso, que foi seu treinador de sempre, era muito mais do que um treinador, era quase uma espécie de um segundo pai, até em termos familiares. Há a separação do Benfica, com todo o litígio que depois isso levou, e há, meses depois, um novo rival. E há aqui um ponto muito curioso, que é: quando nós vamos recuperar as notícias dessa altura, Pedro Pablo Pichardo deserta do estágio que há em Estugarda da seleção cubana, porque vai ter com o pai à Suécia. E naquela altura aquilo que nós escrevíamos era: "Nelson Évora deixou de ter um adversário no Campeonato do Mundo de Londres." O que ninguém imaginava é que já estava a ser pensado Pedro Pablo Pichardo ser o maior adversário de Nelson Évora, fosse em termos nacionais, na competição Benfica-Sporting, fosse em termos internacionais, porque ambos iriam começar a competir por Portugal.
E atualmente onde e como está Nelson Évora?
Atualmente continua a treinar em Espanha, tem 38 anos e eu sou sincero, eu sigo atletismo e muitas vezes eu não sei em que provas é que ele anda. Sei que ele tem uma ambição pessoal: ainda chegar a Paris.
Bruno, vamos aqui dar um salto no espaço e no tempo, um duplo salto talvez. Como é que Pichardo aparece primeiro no Benfica e depois na seleção de atletismo?
As duas coisas acabam por estar juntas. O Pedro Pablo Pichardo quando começou no triplo salto era claramente um fenómeno, ninguém tinha dúvidas que iria ser o melhor do mundo. Foi enfrentando vários problemas com a federação cubana. Primeiro, o pai ficou sem a licença para ser treinador. Ele pediu para não ser treinado pelo Ricardo Ponce, que era o seu treinador na altura, e para trabalhar com o pai, essa hipótese não lhe foi concedida. E em 2016 tem uma situação limite, que é quando ele próprio não se sente bem, quando lhe fazem em Itália exames e percebe que tem uma lesão, e é quando está também na Vila Olímpica e diz ao comitê cubano: "Eu não tenho condições para saltar." E há uma equipa de médicos que é enviada, curiosamente, pelo filho de Fidel Castro, que era o responsável pelas equipas médicas cubanas, que faz exames a Pedro Pablo Pichardo na Vila Olímpica, no Rio de Janeiro, e dizem: "Ele vai ter de competir, apesar de ter uma fratura." Ele recusa-se a competir. Aliás, o pai diz: "O meu filho não vai competir com uma fratura." Ele foi de imediato reencaminhado para Cuba. Aparece em termos oficiais como desistência, digamos assim, ou seja, quase como se se estivesse lesionado, quando, na verdade, ele foi "corrido" para Cuba por se ter recusado a saltar. E a partir daí, vários países, sobretudo no mundo do atletismo, é muito fácil saber essas coisas, começaram a perceber: há aqui uma hipótese de naturalização. O Azerbaijão, que já tinha naturalizado o Alexis Copello e o Bahrain pagava uma fortuna para ter Pablo Pichardo. A Federação Italiana e a Federação Espanhola fizeram também sondagens para perceber até que ponto é que seria possível contar com ele. E quando ele estava na Suécia, depois de 30 horas de carro com o pai, que estava também já na Suécia, porque só aí é que poderia treinar, porque entretanto em Cuba deixou de poder ter essa possibilidade. Dentro das propostas todas, surge a proposta do Benfica com a possibilidade de naturalização para a seleção nacional e foi essa que ele aceitou, também pelas proximidades de clima, da própria vida que havia entre Havana e Lisboa.
Isto é, há duas propostas em um: clube, Benfica e Portugal. É isso?
Sim, havia essa possibilidade e havia um terceiro objetivo além desse dois em um. O Benfica conseguia finalmente cobrir o vazio que tinha desde a saída de Nelson Évora, que foi uma saída que foi em tudo marcante em termos de rivalidade.
Já voltamos à conversa com o editor de desporto Bruno Roseiro. Vamos tentar perceber como decorreu o processo de naturalização de Pedro Pablo Pichardo e as razões para tanto azedume. O Sargento na Cela 7 estreia hoje. Estreia já esta terça-feira. É o primeiro de seis episódios e já está disponível tanto no site do Observador como nas plataformas de podcast: Spotify, Apple Podcast ou Google Podcast. O Sargento na Cela 7 é uma série em áudio que conta a história de António Lobato, o português que mais tempo passou em cativeiro na guerra em África. Foram sete anos e meio em condições terríveis. É uma história de guerra, mas é também uma história de amor e é também a história da operação secreta lançada para resgatar prisioneiros de guerra portugueses. Uma operação que provocou centenas de mortos. A história é narrada pelo ator PP Rapazotti e a banda sonora original que estamos aqui a ouvir é do Noiserf. Já está disponível o primeiro episódio. Eu já ouvi. Eu sei, sou muito suspeito nesta matéria, mas está mesmo bom. O sargento na cela sete, basta clicar em seguir para não perder nenhum episódio. Estamos de regresso à conversa com o editor de desporto do Observador, Bruno Roseiro.
Eu suponho e penso que tenha sido pela mudança de nacionalidade. A única coisa que acho. De resto, eu nunca tive problema com isso nenhum.
Bruno, onde é que começou este azedume entre estes dois campeões?
Eu dir-te-ia o óbvio, e é o que toda a gente vai dizer, que é: em 2016, Nelson Évora sai a mal do Benfica, em 2017, Pichardo chega a mal para Nelson Évora e a bem para o Benfica, mas em 2015, daquilo que entretanto conseguimos perceber, já havia uma espécie de luta de galos, uma luta de egos entre Pablo Pichardo e Nelson Évora. No Campeonato do Mundo de 2015, o Christian Taylor, norte-americano, ganhou à vontade, faz um salto que é ainda hoje o segundo melhor salto de sempre, a oito centímetros do recorde do mundo. E havia já uma luta-
Estamos a falar de 18,20?
Dezoito vinte e um. Pouca coisa. Dezoito vinte e um conseguido no último salto e foi isso que tirou a medalha de ouro ao Pedro Paulo Pichardo.
Incrível.
Mas já naquela altura havia uma espécie de um duelo, de uma luta de galos, porque Nelson Évora queria mostrar que a geração antiga, que tinha sido campeã olímpica, ainda estava ali a dar cartas e Pedro Paulo Pichardo queria representar essa nova geração que estava a ascender e que queria desafiar o Christian Taylor, que depois teve uma lesão gravíssima e nunca mais voltou a ser o mesmo.
Há aqui uma certa rivalidade desportiva, mas não faz diferença. Se fala comigo ou não, para mim não faz diferença nenhuma. Ele ainda não saltou 18 metros, ele ainda não ganhou a Liga de Diamante.
A grande questão aqui é: Nelson Évora sempre considerou que o Benfica naturalizou Pedro Paulo Pichardo, não por uma espécie de projeto desportivo, mas numa vingança perante a saída dele para o Sporting. Que teve vários contornos, chamadas de Bruno Carvalho, chamadas de Luís Filipe Vieira. Houve processos em tribunal, porque o Benfica dizia que tinha mais um ano de contrato, ele dizia que não. Portanto, foi uma novela muito comprida, que no essencial foi resumida a uma coisa muito simples: ele teve uma oferta para ganhar mais, quis sair, não teve problema em mudar para o rival, foi para o rival. E o Benfica cobriu essa vaga que tinha no triplo salto, para os campeonatos nacionais ter a garantia de oito pontos nas provas também é importante, e garantiu isso com a possibilidade de ter um atleta que poderia também dar muito à seleção. Não é normal, e nós não estávamos habituados a ver um atleta com uma naturalização em 225 dias.
Era isso que te ia perguntar. Afinal, como é que decorreu esse processo?
Foi um processo anormal. Nós não estamos habituados, e basta olhar para o futebol. Normalmente, são jogadores brasileiros, tu só começas a contar com uma possibilidade para a seleção depois de eles cumprirem cinco anos a jogar no nosso campeonato. Neste caso em específico, não houve necessidade de haver esse período. Por um lado, porque era um atleta refugiado e depois, por outro, porque era um caso de interesse nacional. Estas são as razões que levaram oficialmente Pedro Paulo Pichardo, em dezembro de 2017, já ser português. Ele só conseguiu começar a competir pela seleção em 2019, nos Mundiais de 2019, mas isso tem a ver com um período que nesta altura também está a acontecer com um dos principais adversários do Pichardo, que se chama Jordan Dias, também era cubano, naturalizou-se espanhol, só pode entrar a partir de junho de 2024 na seleção.
Ou seja, há outros casos até noutros países, mas o que é que dizem as regras internacionais, por exemplo, sobre isso?
As regras internacionais obrigam a haver uma espécie de período de nojo, digamos assim, entre a representação de um país e de outro. Pedro Paulo Pichardo, em dezembro de 2017, já era um atleta português. No início de 2018, ele já tinha o recorde nacional, que tirou a Nelson Évora, e tirou muito facilmente, porque de facto era um atleta que em condições normais consegue saltar muito mais do que o Nelson Évora, mas só nos Mundiais de 2019 é que representou pela primeira vez Portugal. E há até uma história para se perceber que essa luta de galos que já vinha de trás, que é quando Nelson Évora consegue ser campeão europeu em 2018 e Pedro Paulo Pichardo, entre os parabéns que dá nas redes sociais, não deixa de deixar uma farpa dizendo: "Só ganhaste porque eu ainda não posso competir contra ti".
Também não é bonito.
Sim, não é bonito. E mais, naquela altura, se nós recuarmos ainda um bocadinho mais, o próprio Benfica chegou a fazer um comunicado, neste caso, não sobre a guerra Nelson Évora, Pedro Paulo Pichardo, mas pela maneira como o próprio comentador da RTP falava de Pichardo como se fosse um atleta naturalizado.
Luso-cubano.
Luso-cubano.
Atleta português que perdeu o recorde nacional para um cubano de importação em sete meses, de uma forma completamente escandalosa. Reportamos isso. Incrível o que se tem passado nessa matéria em Portugal.
Mas o Benfica considerou que aquilo era uma espécie de ofensa a menorizar Pedro Paulo Pichardo, como se ele não fosse português como o Nelson Évora. E portanto, em 2018 já tínhamos isso. Em 2019, há o primeiro concurso com ambos a representar Portugal. Ele ficou em quarto, o Nelson não passou das qualificações e a partir daí temos Pedro Paulo Pichardo a dominar por completo o triplo salto a nível europeu, mundial e olímpico.
E no meio disto tudo, o que é que diz a Federação Portuguesa de Atletismo?
Diz que sim. Diz que sim a tudo, porque tem as medalhas. Aumentou, em vez de quatro, já são cinco campeões olímpicos. Continua a ter tudo a que tem direito também por essas medalhas.
Nós não comprámos atleta nenhum, nunca comprámos. Nunca uma naturalização de um atleta partiu da federação. Nós nunca convidámos nenhum atleta a ser português, nunca
E entretanto houve mais casos Pichardo com uma nuance: como não envolveu guerras Benfica e Sporting, como não envolveu aquela irritante clubite que nós infelizmente temos na sociedade portuguesa, ninguém disse nada. Oriole Dongmo, por exemplo, já ganhou medalhas por Portugal, ninguém disse nada.
Foi rápido também o processo.
E também foi rápido.
Eu sempre digo: Portugal é um país que eu escolhi. E como eu escolhi com a minha cabeça e com tudo, é mesmo para defender com o coração. Eu aqui me sinto mesmo portuguesa.
E o Obikwel, por exemplo?
O Obikwel foi um pouquinho diferente, até porque o Obikwel aproveita o Campeonato do Mundo de Juniores, fica cá, esteve a trabalhar nas obras ainda, ou seja, foi um processo que demorou um pouco mais.
É uma história muito diferente.
Exemplos recentes, Oriole Dongmo, que está a ganhar medalhas por Portugal, também foi um processo acelerado. E agora recentemente, a Arielle Martínez, que chegou à final dos 60 metros nos Europeus de Pista Coberta, que foi a primeira vez que nós tivemos uma representante na final dessa disciplina, também foi um processo mais rápido do que é normal. O que prova que o grande problema aqui é: um, como não envolve Benfica e Sporting, pode ser à vontade e as pessoas entendem. Se envolver, já não entendem. Dois, não há aqui nenhum símbolo nacional beliscado como houve no caso de Pichardo, que no fundo acabou por ser uma sombra daquilo que Nelson Évora tinha sido. Questão, e isso é algo que nem um nem outro ainda não perceberam: Nelson Évora vai ser sempre Nelson Évora e vai ser sempre um campeão olímpico e bicampeão europeu, etc., com um currículo fabuloso. E Pichardo também será sempre campeão olímpico, campeão mundial e campeão europeu. E não vale a pena estarem a atrapalhar-se, porque a única coisa que eles estão a fazer é desgastar aquilo que conseguiram ganhar por mérito próprio.
E Bruno, achas que vai ser possível ver os dois um dia no pódio, um em primeiro, outro em segundo, ou em segundo e em terceiro, ou em primeiro e em terceiro, numa prova internacional, os dois abraçados?
Nunca. Duas razões: uma, eles nunca farão isso por vontade própria. Dois, não mais Nelson Évora voltará ao pódio de uma competição internacional.
E com todos estes pormenores que já conhecemos desta história e também da personalidade destes dois campeões, as acusações de Nelson Évora têm algum fundamento? Pichardo poderá ter tido a nacionalidade comprada?
Pichardo podia ter a nacionalidade que quisesse, optou por ser português. Se em Portugal aceleraram o seu processo, foi justificando com a condição de refugiado e com a condição de interesse nacional. Percebo que Nelson Évora tenha a mágoa de demorar 11 anos até ter a cidadania portuguesa, mas não é contra Pichardo que ele deve falar, é contra quem acelerou a naturalização de Pichardo, e isso é uma coisa completamente diferente.
Obrigado, Bruno.
Obrigado.
Bruno Roseiro é editor de desporto do Observador. Esta foi a história do dia. Ouvimos vários sons registados pela RTP em diversas provas internacionais, nomeadamente as declarações de Pedro Pablo Pichardo. E ainda ouvimos Nelson Évora e o presidente da Federação Portuguesa de Atletismo, Jorge Vieira, em declarações à Rádio Observador. Este episódio contou com a colaboração do jornalista Manuel Rocha Leite, sonoplastia de Beatriz Martel Garcia e a música do genérico é de João Ribeiro. Eu sou o Ricardo Conceição. Até amanhã.