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Este podcast tem o apoio da gama Audi e-tron.
Esta é a história do dia da Rádio Observador. João Cotrim de Figueiredo precipitou-se?
Eu não sei o que as pessoas vão achar, eu não controlo isso. Só posso dizer que da minha parte, pelo contrário, é uma forma de mostrar desapego ao poder.
Num domingo à tarde, João Cotrim de Figueiredo anuncia que vai sair da liderança da Iniciativa Liberal. As razões, diz Cotrim de Figueiredo, são pessoais e estratégicas. Nesse mesmo domingo em que surpreendeu muitas pessoas, o líder, agora demissionário, apressa-se a anunciar que apoia um candidato.
Eu gosto muito do Rui Rocha. É um deputado que tem demonstrado enorme capacidade de intervenção política, enorme assertividade, muita inteligência e é uma pessoa com uma enorme capacidade de energia, combatividade. Tem aquele apelo popular, aquilo à popularia que é importante e penso que pode crescer na Iniciativa Liberal, portanto gosto muito.
Cotrim de Figueiredo foi deputado único da Iniciativa Liberal e acumulou a função com a liderança do partido. Em janeiro, a IL consegue praticamente 5% dos votos e torna-se na quarta força política num Parlamento em que o CDS perde a representação. Nove meses depois das eleições, o líder anuncia que se vai embora. O que se passa? Quais são as razões que levam a esta decisão? E esta saída poderá dar ou tirar força à Iniciativa Liberal? Vou conversar com a jornalista de política do Observador, Inês André Figueiredo, que acompanha este partido. Eu sou o Ricardo Conceição e esta é a história do dia. Bem-vinda, Inês.
Obrigada, Ricardo.
Em declarações à Rádio Observador no domingo, o próprio João Cotrim de Figueiredo dizia que não é normal sair.
Que um líder de um partido cuja vida está a correr bem, que está estável, um partido que tem sucessos eleitorais recentes, com um líder que goza de alguma popularidade, decidir não se recandidatar.
Inês, afinal, que razões levaram a esta decisão?
João Cotrim de Figueiredo apresentou razões pessoais e razões internas do partido, da Iniciativa Liberal, para sair da liderança. Vamos começar por estas últimas. Desde 2019, já há três anos, com a saída de Carlos Guimarães Pinto da liderança da Iniciativa Liberal, numa altura em que Cotrim de Figueiredo foi eleito deputado único e Carlos Guimarães Pinto, agora também deputado, nessa altura não conseguiu ser eleito pelo Porto e saiu da liderança da Iniciativa Liberal. E nessa altura, as eleições internas do partido ficaram desalinhadas com o resto. Por quê? A Iniciativa Liberal começou a eleger num ano a comissão executiva e no outro ano os órgãos oficiais do partido, nomeadamente o Conselho Nacional. Isto levava a que todos os anos houvesse espaços para confrontos internos. João Cotrim de Figueiredo explicou isto e justificou dessa forma, ou seja, disse que o partido tinha de começar a focar-se nas lutas internas e que não podia ser apanhado desprevenido em qualquer ocasião.
O partido não pode ser apanhado desprevenido e ter uma liderança que, no meu caso, não se podia prolongar para além de 2026, por uma questão de idade, uma questão de disponibilidade minha.
E depois há também as razões pessoais.
Há sim. Primeiro, a idade e depois os anos de mandato. Vamos fazer contas como Cotrim de Figueiredo fez.
Vamos lá.
Basicamente, o presidente da Iniciativa Liberal tem 61 anos neste momento e está à frente do partido há três. Na cabeça de Cotrim de Figueiredo, caso esta decisão não fosse tomada agora, já não dava tempo à próxima liderança do partido para se preparar para o novo ciclo eleitoral. Ora, o novo ciclo eleitoral começa na Madeira, nas eleições regionais, no final de 2023. Por que este pensamento? Porque se se começasse este ciclo, na cabeça de Cotrim, teria de levar até o fim, ou seja, até às legislativas de 2026, onde seria a eleição para o novo governo. Nesta altura, Cotrim de Figueiredo teria 65 anos e sete anos de mandato. Caso cumprisse esse mandato na Assembleia da República, neste caso, previsivelmente como deputado, já seriam 11 anos à frente da Iniciativa Liberal. Ora, Cotrim de Figueiredo não queria nenhum destes cenários, por duas razões: a oficial, e a que apresentou agora, é que não é normal um líder liberal estar tanto tempo à frente de um partido. Onze anos seria muito tempo na visão de Cotrim de Figueiredo. A outra, e que há muito conhecida no interior do partido, pelos altos dirigentes do partido, é que Cotrim, quando aceitou ser candidato a deputado, disse que só ficaria durante quatro anos. A verdade é que muita coisa mudou desde aí. Temos de ter noção disso e temos de ter noção que as coisas mudaram. Houve eleições antecipadas, a Iniciativa Liberal ganhou deputados, ficou o quarto maior partido da oposição, mas na verdade, estes quatro anos de que Cotrim falava estão dentro deste pacote. Cotrim de Figueiredo está há três anos na liderança.
Em dezembro, Cotrim de Figueiredo dizia aqui na Rádio Observador que ouve a almofada.
Qual é a pessoa que mais ouve quando tem que tomar uma decisão política difícil?
Não é uma pessoa, é uma coisa, é a minha almofada.
Mas também confessava, nesta entrevista, que sentia que deveria ter dado mais atenção a outros pormenores.
Eu estou relativamente descontente com a forma como conseguimos organizar o partido para
As batalhas que se avizinham. E isso tem muito a ver com a pressão de tempo que um deputado único tem no partido recente, que não tem muitos recursos, etc. Portanto, eu, nestas conversas com a almofada, acho que devia ter dado mais atenção a alguns aspetos organizativos internos do partido.
Inês André Figueiredo, que falhanços são estes que fala Cotrim Figueiredo?
Devo admitir que neste momento dava muito jeito sabermos aquilo que a almofada de Cotrim Figueiredo sabe. Infelizmente, não sabemos, por isso vamos tentar jogar um pouco mais pelo seguro na análise e principalmente ouvir as pessoas que rodeiam o líder da Iniciativa Liberal e os seus adversários. Ora, o partido estava a passar por um bom momento. A verdade é esta: teve um ótimo resultado eleitoral, passou de um deputado único para oito, tem um grupo parlamentar que não tem dado propriamente problemas ao partido. E Cotrim Figueiredo foi até na última sondagem conhecida, considerado o líder partidário mais popular. Ou seja, com tudo isto, só olhando para dentro do partido é que podemos encontrar falhanços, como Cotrim dizia, ou algo equivalente. A oposição interna tem se feito ouvir cada vez mais. Havia rumores de que as coisas não estavam bem e, pelos vistos, não eram só rumores, até porque esta candidatura de Carla Castro, da deputada da Iniciativa Liberal, está desalinhada com a de Rui Rocha, que foi apoiada pela de Cotrim Figueiredo logo após ser apresentada. E esta é a prova de que, de facto, alguma coisa se passava. Se era ou não relevante para isto acontecer, para Cotrim Figueiredo deixar a liderança, não sabemos, ainda vamos ter de perceber, mas se não houvesse nenhum desalinhamento, agora não havia duas candidaturas dentro da mesma comissão executiva, dentro do mesmo grupo parlamentar. E vamos ver uma coisa, Cotrim Figueiredo teve muita importância na escolha dos candidatos para as eleições, ou seja, isto foram escolhas de Cotrim Figueiredo.
Mas pegando nisso, Inês, o partido consegue passar de um para oito deputados. Cotrim é reconhecido pelos portugueses na rua.
A Iniciativa Liberal, como já percebemos, decidiu passar a competir com o Chega no estilo de truculência e má educação democrática, como intervém no debate público. E percebo que o doutor João Cotrim Figueiredo não se sentisse à vontade nesse estilo de luta livre no meio do lamaçal.
Vem agora António Costa adensar essas dúvidas sobre os caminhos que o partido pode tomar ou estará já a tomar.
Sim, mas há aqui uma coisa importante que é: a Iniciativa Liberal sempre fez questão de se distanciar do Chega, às vezes até mais do que o próprio PSD, principalmente na altura de Rui Rio. Mas António Costa, principalmente nesta legislatura, tem tentado ferir, digamos assim, os liberais com esta alegada aproximação. Até quando disse, e recordamo-nos num dos primeiros debates, que João Cotrim Figueiredo estava mais próximo, agora desta vez, do tom agressivo de André Ventura. Foi claro para toda a gente que estava a assistir ao debate, até pela expressão facial de João Cotrim Figueiredo, que o líder da Iniciativa Liberal não gostou disto, mas apesar destas acusações, e se olharmos às propostas, à forma de estar no próprio partido, à forma de falar, nada faz prever esta sugestão de António Costa, nem nada faz prever que a Iniciativa Liberal se tenha transformado num Chega ou esteja a ir atrás do Chega por razões de populismo.
Já voltamos à conversa com a jornalista Inês André Figueiredo sobre quem são, afinal, estes candidatos à liderança e sobre o futuro da própria Iniciativa Liberal.
Sim, a gama Audi e-tron é 100% elétrica, mas é mais do que isso. Leva-nos mais longe do que imaginamos. Encontra no silêncio o ritmo perfeito. Faz-nos olhar duas vezes se formos suficientemente rápidos. Por isso, sim, a gama Audi e-tron é 100% elétrica e entre outras coisas fantásticas, apoia esta história do dia. Audi, o futuro é uma atitude.
Estamos de regresso à conversa com a jornalista Inês André Figueiredo. Inês, ouvimos no arranque do episódio Cotrim de Figueiredo anunciar, ainda no domingo, o apoio a Rui Rocha. Ora, Tiago Maia Gonçalves, na Rádio Observador, estranhou o timing.
E ele não pode ignorar que o tempo e o modo como fez este apoio condiciona as escolhas dos membros do partido.
Foi no Semáforo Político, que está disponível em podcast. Quem, Inês, na Iniciativa Liberal, já sabia da saída de Cotrim?
Muito pouca gente, Ricardo. Sabemos que Cotrim Figueiredo falou com algumas pessoas do núcleo duro, principalmente para procurar uma solução para o suceder. Cotrim Figueiredo disse e repetiu diversas vezes nas entrevistas a seguir à decisão que não queria criar um vazio de poder. Mas a verdade é que a maioria das pessoas da comissão executiva foi realmente apanhada de surpresa naquela reunião de domingo. O sentimento foi geral, não vamos ter dúvidas disso. Aliás, houve mesmo algumas pessoas que sabiam da decisão, que já tinham falado com Cotrim Figueiredo. Volto a dizer, o núcleo destas pessoas é muito reduzido. Houve pessoas que souberam muito em cima da hora.
Sabemos quem são?
Não sabemos quem são, mas houve pessoas que, ainda assim, e apesar de saberem que a decisão estava tomada, ficaram surpreendidas com o timing. O anúncio de Cotrim Figueiredo naquele dia caiu como uma bomba.
Não deixa de ser estranho e parecer que há aqui, pelo menos, uma decisão cozinhada com o conhecimento de Rui Rocha, porque neste caso há já dois candidatos assumidos. À hora que estamos a gravar esta conversa, ao final da tarde de terça-feira, há dois candidatos assumidos e Carla Castro parece surpreendida, ou não
Sim, sem dúvida. Carla Castro foi uma dessas pessoas que foi apanhada surpreendida com este anúncio e a prova disso é que demorou mais a reagir do que Rui Rocha, o outro deputado liberal que acabou por ter o apoio de Cotrim Figueiredo. Ainda assim, podemos dizer que Carla Castro talvez não tenha sido assim tão demorada a apresentar uma solução como se previa de alguém a quem nunca este cenário tivesse passado pela cabeça.
Já vamos olhar mais em pormenor para a candidatura de Carla Castro. Vamos olhar para estes candidatos. Vamos começar talvez por Rui Rocha, que foi o primeiro a entrar na corrida. Entrevistado na Vixi Suave, na Rádio Observador, há menos de um mês, dizia que Cotrim Figueiredo faz parte do futuro da Iniciativa Liberal.
Estamos a falar de liderança?
Sim.
Eu acho que o João Cotrim Figueiredo faz parte do trajeto feito até aqui e deve fazer parte do trajeto futuro da Iniciativa Liberal.
Mas Inês, parece que algo mudou ou não?
O que mudou foi João Cotrim Figueiredo, pelo menos é isso que percebemos. Cotrim Figueiredo resolveu anunciar a decisão quando quase ninguém estava à espera. Mas eu também diria que isto é um pouco normal no líder da Iniciativa Liberal, muito habituado a gerir empresas, como bem sabemos, muito mais do que partidos políticos. Só entrou na vida política quando se tornou liberal, muito confiante das suas decisões, pelo que sabemos, e do timing. Com certeza que dificilmente volta atrás numa decisão e apesar de naquela reunião se ter falado se isto era ou não uma decisão definitiva, Cotrim Figueiredo estava certo e vai continuar certo de que não vai ser candidato.
E quem é Rui Rocha?
Rui Rocha, antes de ser deputado da Assembleia da República, era diretor de Recursos Humanos das marcas de têxtil da Sonae. Mas perguntas tu, e bem: por que chegou aqui?
Por que chegou aqui?
Exatamente. Basicamente, Rui Rocha destacou-se muito nas redes sociais. Era um dos liberais mais conhecidos do Twitter. Como sabemos, o Twitter é um think tank da Iniciativa Liberal. Escrevia no blog "O Insurgente", escreveu como colunista em vários jornais e passou do ecrã do computador para as ruas para protagonizar uma campanha que foi muito elogiada em Braga e que levou a Iniciativa Liberal a conquistar mais um deputado na Assembleia da República. Era um dos objetivos, conseguir um deputado em Braga, mas não era certo e durante muito tempo os próprios dirigentes da Iniciativa Liberal acreditaram que podia não acontecer. A par disto, ainda antes de se tornar deputado, aos poucos Rui Rocha foi aparecendo como porta-voz dos liberais em várias circunstâncias. Houve alturas em que já se sabia que ia haver eleições, Cotrim Figueiredo era deputado único e aos poucos começou a haver algumas personagens a aparecer, até muito à distância, na altura da pandemia, a comentar várias coisas. Rui Rocha era um deles.
E em menos de 48 horas surge a outra candidata, Carla Castro, que nas jornadas parlamentares, entrevistada por ti, Inês, dizia que nem se colocava a questão de pensar em disputar a liderança da Iniciativa Liberal.
Sim, perguntei-lhe diretamente se tinha essa ambição. De todo. E insisti: não exclui? Nem sequer é uma questão que se coloca.
Inês, aparentemente a vida dá muitas voltas e em pouco tempo, em menos de um mês, 4 de outubro para ser mais exato, foi quando gravaste esta declaração de Carla Castro.
Sim, eu gostava até de recuar um pouco mais, porque se hoje Carla Castro pode ser vista quase como uma desalinhada, que não está na linha de Cotrim Figueiredo, porque escolheu Rui Rocha, há nove meses ninguém diria. Se olharmos para aquilo que aconteceu antes das eleições legislativas, Carla Castro foi a segunda escolha dos liberais para Lisboa. Era um lugar praticamente certo para ser eleito, logo a seguir a João Cotrim Figueiredo. Se a Iniciativa Liberal tivesse ido pelos mínimos, aqueles objetivos mínimos eram três deputados, dois em Lisboa e um no Porto. Só havia uma bancada de três deputados, por isso Carla Castro seria um deles. Quem a conhece, e já nessa altura dizia, descrevia-a como uma formiga de trabalho, uma espécie de operacional capaz de seguir todos os dossiês. Ela era a pessoa responsável por quase todos os dossiês no gabinete parlamentar, do qual fazia parte quando João Cotrim Figueiredo ainda era deputado. Antes de se tornar deputada, coordenava o gabinete de estudos do partido. E eu gostava de realçar esta parte, porque isto é muito importante e deu a Carla Castro um grande conhecimento do partido, das bases do partido, das pessoas.
Da estrutura.
Exatamente. Ela era a responsável por escolher quem é que colocava em cada dossiê. Isto vai ser muito importante para ela agora, até por causa dos núcleos, porque tendo em conta que Rui Rocha tem o grande aparelho da Iniciativa Liberal, Carla Castro poderá fazer o trabalho contrário e ir pelas bases.
Falta saber uma coisa sobre Carla Castro, Inês. Ela começou a carreira política na Iniciativa Liberal ou teve outras experiências?
Antes desta experiência no gabinete de Cotrim Figueiredo, quando ele era o tal deputado único, Carla Castro trabalhava numa seguradora e nos últimos anos era subdiretora para a área digital.
E podem surgir mais candidatos?
Não está fechado, é algo que não sabemos. Há muitas movimentações dentro do partido, até porque, como disse há pouco, a oposição estava a ganhar cada vez mais espaço dentro da Iniciativa Liberal, a tornar-se cada vez mais vocal. Mas a verdade é que nas últimas horas temos assistido aqui a uma quase união de descontentes à volta de Carla Castro. Vamos tentar perceber se isto vai continuar a ser assim, tendo em conta que há uma ala conservadora do partido que quer ganhar espaço e a deputada não era, pelo menos até aqui, uma defensora deste caminho.
Deixa-me pegar nisso para fazer aqui outra pergunta. A Iniciativa Liberal poderá sofrer ajustes ideológicos, quer ganhe um candidato, quer ganhe outro, ou seja, cada um deles representa caminhos diferentes?
É inevitável pensar que ganhando Rui Rocha ou ganhando Carla Castro, possa haver caminhos diferentes. Esta é uma das grandes dúvidas. O que está aqui em causa, mais do que os candidatos É a linha que o partido vai seguir, por quê? Dentro da Iniciativa Liberal, tem havido esta tal oposição, é muito ligada àquilo que a maioria das pessoas chama o liberalismo clássico. São pessoas mais conservadoras, que acreditam na Iniciativa Liberal, principalmente no liberalismo econômico e não tanto a nível social. E este pode ser um dos caminhos a tomar, caso Carla Castro vença. Ou seja, não é certo que aconteça, porque como eu disse há pouco, nada faz prever que a deputada vá pro lado mais conservador. Mas a verdade é que as pessoas que se estão a agrupar a ela são mais conservadoras, parte delas. Não quer dizer que venha a acontecer, e até a própria pode criar um afastamento, dizer: "Eu não quero que essas pessoas me apoiem". Agora, estamos a falar de uma luta para a liderança do partido, seria estranho começar a colocar pessoas de lado. Por isso vamos tentar perceber. Só dizer, Rui Rocha, aparentemente, será uma continuidade da Iniciativa Liberal. Foi uma escolha do ex-líder, ou do até agora líder, e nada indica que possa mudar essa rota. Pelo menos aqui, os membros da Iniciativa Liberal sabem que é uma continuidade. De Carla Castro, estamos mais à espera de ver como é que ela se coloca, perceber qual é que é a moção estratégica que vai apresentar.
Este encostar à box para mudar de piloto quando a corrida aparentemente até está a correr bem, está a causar muita estranheza. Isto pode ameaçar o capital político amealhado até aqui pela Iniciativa Liberal? Como é que o partido está nas sondagens, por exemplo?
Desde que Luís Montenegro começou a ser presidente do PSD, que houve aqui quase uma equivalência na subida das sondagens do PSD e na descida das da Iniciativa Liberal. Ainda assim, a média está mais alta do que quando a Iniciativa Liberal elegeu oito deputados. Agora, também temos de ver uma coisa, a saída de João Cotrim Figueiredo é quase previsível que vai ter aqui um peso nas sondagens. João Cotrim Figueiredo era o líder mais popular a nível partidário, por isso temos de perceber qual é que vai ser o futuro. E mesmo que Rui Rocha consiga recuperar isto no futuro, caso vença, mesmo que Carla Castro consiga recuperar no futuro, a verdade é que João Cotrim Figueiredo teve três anos para chegar a este nível.
E precipitou-se?
Não há uma resposta a essa pergunta, pelo menos por enquanto. Caso o partido sofra com isto, vai ser inevitável apontar o dedo a João Cotrim Figueiredo, que no fundo deixa um partido que estava no bom caminho. E é impensável quase achar que João Cotrim Figueiredo vai ser apaparicado se o partido tiver maus resultados. Pelo contrário, se esta mudança correr bem, houver uma continuidade e o partido tiver bons resultados nas eleições, que no fundo, na política, é isto que conta, vamos perceber que, se calhar, pelo menos como os liberais gostam de dizer, o partido não é feito de protagonistas, como tanto se tem pregado. E deixar aqui uma nota muito interessante: este será o quarto líder da Iniciativa Liberal em cinco anos. Por isso, não estamos a falar de uma mudança assim tão radical dentro deste partido.
Obrigado, Inês.
Obrigada, Ricardo.
Inês André Figueiredo é jornalista da seção de política do Observador e acompanha a vida da Iniciativa Liberal. Esta foi a história do dia. A sonoplastia é do Bernardo Almeida, a música do genérico, do João Ribeiro. Eu sou o Ricardo Conceição. Até amanhã. Este podcast tem o apoio da gama Audi e-tron