Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

A luzinha, essas várias luzinhas ao fim do túnel.

Uma luz concreta, exata, ao fundo do túnel.

A luz ao fundo do túnel.

"Well, hey, it's me. I'm finally gonna get my vaccine. I'm so excited!"

Escutamos Dolly Parton, cantora norte-americana que no último ano também doou $1 milhão para ajudar no desenvolvimento da vacina da Moderna. Esta semana, Dolly Parton recebeu a vacina que ajudou a financiar e nesse momento decidiu adaptar uma das suas canções, "Jolene".

"Vaccine, vaccine, I'm begging of you, please don't hesitate. Vaccine, vaccine, vaccine, vaccine, 'cause once you're dead, then that's a bit too late." I know I'm trying to be funny now.

Dolly Parton, com 75 anos, animada no momento de receber a vacina. Momento que aproveitou para incentivar a população norte-americana a aceitar a vacinação contra a Covid-19. Com o primeiro trimestre do ano a chegar à reta final, a vacinação prossegue de forma lenta. As farmacêuticas procuram responder às necessidades e espera-se que nos próximos meses comecem a ser distribuídos fármacos em muita maior quantidade. Em Portugal, cerca de 3% da população já está completamente vacinada, ou seja, recebeu já as duas doses da vacina. A situação pandémica continua a abrandar, tal como a pressão hospitalar, que se aproxima das metas traçadas pelos governantes. Na próxima semana, o governo vai apresentar o plano para o desconfinamento, que vai começar pelas escolas. Mas voltando às vacinas, todos os fármacos que estão a ser administrados não são dirigidos à população mais jovem. É certo que esta fatia da população não tem contraído sintomas mais graves da Covid-19, mas as crianças também ficam infetadas, transportam o vírus e ainda há muitas incertezas sobre os efeitos a longo prazo desta doença. Hoje falamos sobre o impacto da Covid-19 na população mais jovem. Desde o início da pandemia em Portugal, quase 120 mil jovens ficaram infetados pelo SARS-CoV-2, ou seja, 15% dos casos de Covid-19 em Portugal foram identificados entre pessoas com menos de 20 anos. 45 mil casos foram mesmo entre crianças com menos de 10 anos. Ainda assim, os jovens apresentam sintomas mais leves da doença e são raros os casos de vítimas mortais com menos de 20 anos. Ainda há muito por investigar quanto a esta doença. Cientistas de várias partes do globo alertam para possíveis sequelas a longo prazo. Maria João Brito é pediatra e é também coordenadora de Infeciologia do Hospital Dona Estefânia. Hoje ajuda-nos a perceber o que já se sabe sobre o impacto da Covid-19 nas crianças.

Sim?

Doutora Maria João Brito?

Sim, bom dia.

Bom dia. Doutora Maria João Brito, antes de mais, obrigado por se ter juntado a nós aqui na "Luz ao Fundo do Túnel", até porque acredito que esteja com muito trabalho por estes dias.

Sim, agora ainda temos trabalho. Eu penso que está a referir-se relativamente à Covid. Mas nós desde junho, na Unidade de Infeciologia, abrimos não só a Unidade Covid, mas a Unidade de Infeciologia. Portanto, durante todo o ano, habitualmente a unidade tem muito trabalho. Desde que tivemos a pandemia, houve uma altura em que ficámos dedicados exclusivamente à Covid, mas depois a partir de junho do ano passado, começámos também a abrir a outra parte das outras doenças infetocontagiosas em pediatria. E portanto, sim, temos muito trabalho, mas temos metade da unidade com Covid e metade da unidade com doenças infetocontagiosas.

Neste momento, isso ainda se mantém, essa divisão?

Mantém-se, porque ainda temos necessidade de ter uma área dedicada à patologia do Covid. Eu penso que, se tudo correr bem, como nós estamos a ver que os números estão a evoluir bem, eu penso que rapidamente nós poderemos realmente diminuir esta área. Mas as doenças infetocontagiosas no geral vão se manter. Porque as que não existiam voltaram a reaparecer e nesta altura já temos crianças internadas com outras patologias.

Vamos olhar um pouco para esse impacto da Covid-19 nos mais jovens. Falávamos aqui quase de um efeito secundário que esta pandemia veio trazer também, mas neste momento em Portugal, 120 mil jovens já ficaram infetados com SARS-CoV-2, ou seja, população abaixo dos 20 anos, sendo que 45 mil são crianças com menos de nove anos. Ao longo desta pandemia, já teve que lidar com algum caso mais complicado da infeção pelo novo coronavírus entre os jovens?

Olhe, esta doença na idade pediátrica, felizmente, não tem nenhuma repercussão semelhante à que se passa na idade adulta. Portanto, este vírus poupa desde o início a idade pediátrica e devo lhe dizer que antes deste SARS-CoV-2, o primeiro vírus SARS que apareceu no mundo, não atingiu a idade pediátrica e, portanto, nós até estaríamos à espera, dada a semelhança que este vírus tem com o anterior, que não houvesse repercussão na idade pediátrica. Isto não foi o que aconteceu. Houve realmente crianças infetadas, mas o que mesmo se verificou é que dentro dessa população de crianças infetadas, e como disse muito bem, uma grande maioria, uma pequena percentagem foi necessário internar e teve alguma doença que inspirou mais cuidados. Mas felizmente, é um vírus que poupa a idade pediátrica. Vamos falar, por exemplo, de mortalidade, quer dizer, ou mesmo da necessidade de internamento. Não é comparável com a idade adulta, felizmente. Sim, há algumas crianças que tiveram que ser internadas com formas raras dessa manifestação da doença do Covid. Algumas têm necessidade de uma maior vigilância, inspiram mais cuidados, outras não. Temos ainda uma situação que acontece na idade pediátrica, que às vezes tivemos que internar outras crianças com outras patologias e que, quando vão ser internadas, faz-se o teste e dão positivas. Elas são internadas por outro motivo, por exemplo, um doente cirúrgico precisa de uma cirurgia, vai fazer o seu teste e dá positivo, mas nós não lhe podemos rotular de Covid. É um doente que tem uma outra doença e que tem realmente um teste positivo.

Queria perceber também o impacto de provocar outras patologias nas crianças ou patologias que não eram visíveis, que esta infecção pode vir a provocar a longo prazo na população mais jovem. Quer dizer, pode provocar em toda a população, mas a população mais jovem também não tem sido tão estudada nesta pandemia.

Sim. A longo prazo não podemos saber. Ninguém hoje pode afirmar que sabe o que vai passar a longo prazo, porque este é um vírus novo e não há tempo ainda para nós podermos avaliar o que se passa a longo prazo. O que acontece é que algumas manifestações raras da doença, e vou falar de uma manifestação que é muito midiática, que é o MIS-C, que é uma síndrome multi-inflamatória sistémica que afeta vários órgãos. Dentro desse quadro, com uma afecção de vários órgãos, essas crianças e adolescentes depois têm que ser seguidos em consulta e aquilo que a gente sabe até hoje, e vamos procurar, é depois ver se há problemas a nível respiratório, a nível cardíaco, a nível renal. E o que nós temos realmente verificado é que as crianças precisam de um acompanhamento mais próximo da alta, até para recuperar, fazerem fisioterapia, e depois que algumas delas não podem ter atividade física durante uns meses, enquanto a sua parte cardíaca não normaliza. Se isto vai ficar por seis meses, vai ficar por um ano, se vai desaparecer, eu francamente não lhe poderei dizer, porque não há tempo ainda para nós podermos avaliar isto. O que nós fizemos no Hospital Dona Estefânia, fizemos alguns protocolos com a pediatria, infectiologia, com outras especialidades, nomeadamente com alergologia, para se fazer as provas de função respiratória, com a cardiologia pediátrica, para ser a parte das cicatrizes cardíacas e da atividade física. E estamos nessa altura a seguir as poucas crianças, devo lhe dizer que este número é um número, felizmente, muito pequeno, que passaram realmente por esta situação. Portanto, para lhe dar uma ideia dos números que aconteceram até hoje em Portugal de infecção por SARS-CoV-2 e por internamentos por Covid, nós estamos a falar deste grupo de patologias que são preocupantes, mas que são raras. Nós no Hospital Dona Estefânia, desde há um ano, tivemos 34 casos desses MIS-C. Portanto, como vê, é um número, no ano, é um número pequeno, felizmente.

Portanto, casos de crianças que acabaram por ter uma sequela mais grave desta pandemia.

Sim, mas nós só podemos chamar sequelas quando o paciente já tem mais de um ano. E o que acontece é que nós estamos agora a fazer um ano de pandemia. Portanto, nós podemos chamar complicações, situações que acontecem no imediato ou no imediato após a doença, mas as sequelas têm que se ver a longo prazo.

Neste momento, há algum tipo de acompanhamento que seja dado a crianças que fiquem infetadas ou que testem positivo? Há algum acompanhamento que seja feito periodicamente ou apenas surge esse acompanhamento depois de aparecer algum sintoma mais tarde, depois desse teste positivo?

Olhe, na Estefânia passaram, eu não vou dizer hoje o número certo, mas eu acho que é 830 casos desde o primeiro caso no dia 7 de março. Está quase a fazer um ano. Dessas 830 crianças, nós seguimos na consulta de infectiologia, crianças que tiveram internadas, não seguimos todas, não seguimos os que não precisaram de internamento.

Quantas é que tiveram internadas?

Destas 830, tiveram no total, talvez, 250 internadas. Não é este número preciso, mas é o número que ronda. Talvez 250. Portanto, a maior parte delas são seguidas em casa, ficam em casa, vão à consulta naquela fase em que estão doentes para ver se realmente está tudo bem com elas e depois elas têm alta, digamos assim, e passam a fazer a sua vida normal. Algumas crianças são seguidas por nós quando têm algum tipo de patologia da Covid que nos faz fazer este seguimento a longo prazo. Por exemplo, também acontecem pneumonias de Covid na idade pediátrica. Felizmente são raras, mas elas existem. Portanto, estes doentes, ao fim de três meses ou de seis meses, têm que fazer as suas provas de função respiratória, ver se está tudo bem, se andam alguma medicação ou acompanhamento especial. Portanto, isto é aquilo que nós fazemos. Sim, nós temos uma consulta onde fazemos seguimento destes casos. Depois, relativamente a outra situação, e hoje que se fala muito relativamente aos riscos do desenvolvimento psicológico das crianças, eu devo lhe dizer que eu estive no outro dia numa mesa-redonda com uma psicóloga, com a doutora Mariana Corvo, e foi muito interessante porque ela tem realmente uma visão Que eu acho muito sensata e que vou partilhar consigo. O que ela diz é que realmente esta pandemia fez-nos mal a todos do ponto de vista da ansiedade, do medo, de nos sentirmos angustiados em relação à doença. Mas que as pessoas que poderão vir a ter problemas no futuro são aquelas que de alguma forma já tinham alguma patologia subjacente. Ou seja, em todos os grupos etários, esta situação de ansiedade ocorreu. Aconteceu de certeza consigo, aconteceu comigo. O facto de estarmos privados da nossa vida social, dos nossos contactos, isto não é bom pra ninguém. Agora, ela tem uma visão que reporta e que eu partilho inteiramente, e que me parece muito sensata, como lhe disse, que é: os jovens hoje têm o futuro pela frente e, portanto, um ano de tudo isto que aconteceu nos vários grupos etários provavelmente não terá as mesmas consequências a nível futuro.

Doutora, olhando aqui pra questão das vacinas, como sabemos, não há vacinas que estejam a ser administradas em crianças, pelo menos até aos 16, 18 anos, não há vacinas que estejam a ser administradas pra esse grupo etário. Isto pode provocar que a Covid-19, num futuro, possa ser apenas uma doença que circule entre os mais jovens, uma vez que pode surgir a imunidade entre os mais velhos?

As vacinas são feitas sempre, no geral, com o objetivo de diminuir a morbilidade e a mortalidade. Portanto, as vacinas são dadas para diminuir o número de mortes ou o número de grandes complicações. Ora, no seguimento desta nossa conversa, as grandes complicações e a mortalidade encontra-se em determinados grupos etários. Ou em determinados grupos com patologias bem definidas hoje em dia. E portanto, as vacinas destinam-se, nesta altura, essencialmente, mais uma vez a cumprir o seu papel, que é diminuir a mortalidade e a morbilidade. E é isso que está a ser feito. Relativamente a populações mais jovens, o que nós podemos dizer é que todas as vacinas ou todos os medicamentos só podem ser dados depois de haver ensaios clínicos, e têm que ser dados com segurança e temos que saber que são eficazes em todos os grupos etários. Portanto, nesta altura, dado que a doença não é uma doença muito complicada na idade pediátrica, não foi por aí que se começou.

Não há estudos ainda.

Não há estudos ainda, não há ensaios clínicos. O futuro irá mostrar se nós conseguirmos vacinar as populações de risco, tal e qual como acontece com a gripe. As crianças não são vacinadas pra gripe, no geral. São vacinados os grupos de risco. O que acontece com a gripe? A gripe circula todos os anos. As populações de risco são vacinadas e as populações mais jovens, que não estão vacinadas, habitualmente não são grandemente afetadas por esta doença. Portanto, nesta altura, diga, diga.

Percebo que nesta altura ainda não foram feitos esses estudos para poder vacinar crianças se necessário. Mas olhando para este fator de perigo que surgiu no final do ano passado, as novas variantes, quais é que são os perigos já conhecidos destas novas variantes que vão surgindo, também com atenção para essa idade pediátrica?

Olha, é assim, todos os vírus respiratórios, porque há vírus DNA e vírus RNA, todos estes vírus RNA são vírus imperfeitos, digamos assim. Portanto, todos os vírus respiratórios, no geral, são vírus que vão sofrer mutações. O vírus mais conhecido da população em geral, o vírus da gripe, é um vírus imperfeito. Todos os anos ele muda algumas proteínas da sua superfície e vai se modificando e vai chamando aquilo que as pessoas conhecem como as novas variantes. No fundo, é o mesmo vírus, só que não está completamente igual àquilo que se passou. E vão ser dadas vacinas todos os anos, anualmente, pra esta situação da gripe, porque o vírus muda. Em relação a este vírus, não há, no estado da arte atual, conhecimento científico suficiente pra nós sabermos se estas novas variantes vão ser residuais e passageiras e não nos vão importunar mais no futuro, ou se elas vão ser uma constante à semelhança do que acontece com outros vírus respiratórios.

O conhecimento que temos destas variantes pode atrasar um regresso à normalidade também para as crianças e um possível regresso ao ensino presencial?

Não, eu acho que o ensino vai ser desconfinado. Aliás, o governo vai dar provavelmente o seu plano de desconfinamento, onde estarão incluídas várias atividades a nível nacional e também o regresso às escolas.

Concorda com essa decisão?

De abrir as escolas?

Sim.

Claro! Já mesmo na primeira situação que houve da pandemia nós fechamos tudo e eu concordei plenamente, porque perante o medo e o desconhecido, o que temos que fazer é: temos que nos fechar, perceber bem o que é que se passa e depois abrir, principalmente, ou começando pelos grupos que nós sabemos que mais seguramente não vão disseminar a doença. E foi o que aconteceu inicialmente. A estirpe inicial do vírus mostrou que as crianças eram pouco afetadas e que contagiavam pouco. Crianças, vamos definir que esta situação não é igual em todos os grupos etários. Portanto, uma coisa é estarmos a falar de creches, outra coisa é estarmos a falar do ensino primário, depois do secundário, depois das faculdades. Pronto, isto são situações sempre diferentes, porque claro que nas faculdades ou no ensino secundário, já a partir, por exemplo, dos 14 aos 16 anos A transmissão é muito semelhante à do adulto. Portanto, isso deve ser tudo feito de uma forma faseada. Aliás, como aconteceu inicialmente. Se eu concordo? Sim. As novas variantes, nesta altura, os ingleses chamaram a atenção que esta estirpe britânica parecia ser muito mais contagiosa no geral. Ela também é mais contagiosa na idade pediátrica. E portanto, aquilo que se vai fazer, e eu penso que isso é do âmbito e do conhecimento geral, é que vamos reabrir de forma faseada, mas desta vez com o apoio da testagem, que vai ser feita muito frequentemente para se tentar identificar algum caso positivo e dessa forma quebrar as cadeias de transmissão. Se o plano for este, à medida que vamos reabrindo, vamos testando, identificando os casos, quebrando as cadeias de transmissão, por um lado, e por outro lado, aumentar a vacinação, isso é fundamental. Nós vamos ter que nos vacinar. E eu penso que essa é uma boa estratégia, que pode ajudar aos poucos a entrarmos na vida normal.

Sim. Para terminar, Maria João Brito, gostaria que olhasse para o futuro, já o estava a fazer um pouco. Queria perguntar-lhe o que espera dos próximos meses em relação a toda esta pandemia.

Se nós tivermos uma boa organização deste ponto de vista de ir testando, ir vacinando, e ir informando, porque é muito importante a comunicação que se faz com a população em geral. Porque a população em geral não tem conhecimentos científicos para poder decidir, às vezes, ou entender algumas coisas. E portanto, é fundamental sensibilizar as pessoas, porque eu acho que o ser humano é bom, tem um fundo bom. Aquilo que se passou em janeiro foi altamente perturbador para todos, não só para aqueles que faleceram, mas para os que estavam do lado de cá a ver tudo aquilo que se estava a passar e que foi realmente muito mau. E portanto, todas as pessoas são sensíveis a que não volte a acontecer aquilo que aconteceu em janeiro. Mas nós não devemos partir do medo para que as pessoas tomem atitudes mais cívicas em relação às formas de se comportar. Eu penso que essa atitude deve passar sempre pela informação, pelo esclarecimento, não pelo medo ou assustar as pessoas, mas por esclarecer, porque as pessoas entendem. E portanto, aqui eu acho que os meios de comunicação social têm tido realmente também um papel muito importante no esclarecimento à população em geral.

Maria João Brito vai continuar a acompanhar os doentes mais jovens que ficam infectados com COVID-19. Sabe que ainda há muito trabalho a fazer, principalmente nos estudos quanto às sequelas desta doença. Para já, pede muito cuidado no momento de planear a saída deste longo túnel.

É fundamental termos na memória o que aconteceu, porque a ideia de que as tragédias não se repetem é uma ideia falsa.

Se alguma coisa esta pandemia nos ensinou, foi que só quando todos estiverem a salvo, cada um de nós estará a salvo.

É óbvio, se olharmos agora para trás, para os 12 meses, muitas coisas poderiam ter sido feitas de maneira diferente.

Mais de uma vez tenho falado de verdadeiros heróis e dentro dos heróis, os intensivistas são heróis particularmente qualificados.