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Eu ouvi a pergunta, mas ela não é uma pergunta.

A pergunta parte de um princípio errado.

Eu respondo-lhe a isso quando me disser aqui olhos nos olhos.

Eu às vezes tenho mais para fazer do que estar a responder diariamente.

Estas perguntas são uma antecipação daquelas que a comunicação social vai fazer.

Paulo. A indemnização de Alexandra Reis será a mais cara de sempre.

Se considerarmos todos os custos e não apenas os monetários, está a sair muito cara a muita gente. E não estamos sequer a falar dos € 500 mil que a administradora da TAP recebeu.

Não, é a juntar a isso.

Exatamente. Aliás, este valor de € 500 mil, se estivéssemos a falar de uma empresa privada, seria uma coisa absolutamente banal para a saída de um administrador. Não é uma empresa privada, faz diferença, como é evidente, é dinheiro público, direta ou indiretamente, e daí também o escrutínio todo. Mas para além disso, neste caso, a própria Alexandra Reis já deve estar mais do que arrependida de ter recebido este dinheiro, que aliás cerca de metade já o devolveu depois daquele parecer da Inspeção-Geral de Finanças, porque ninguém gosta de ter o nome badalado e de ficar conhecido publicamente desta maneira. O mesmo obviamente com Pedro Nuno Santos, com o secretário de Estado Hugo Mendes, com o ex-CEO da TAP, Christine Ourmières-Widner, que acabou por sair da empresa demitida à conta disto, o próprio ex-primeiro-ministro António Costa e todas as chatices que isto deu. E já estamos a deixar por metade bicicletas atiradas contra portas no ministério, aquela briga que levou a polícia ao ministério entre o ex-assessor de Pedro Nuno Santos e depois já o gabinete de João Galamba.

Essa foi a parte divertida.

Foi o momento da bicicleta.

Reparem só, isto a propósito de uma indemnização de € 500 mil, que nem é nada, em termos de montantes, de extraordinário.

Computadores.

Computadores levados, sim, à meia-noite em Lisboa. Isto dava um podcast.

Pode não ser a indemnização mais cara de sempre, mas é a mais longa de sempre.

A mais longa, completamente. Estamos a falar disto porque ontem houve novas buscas na TAP, também no escritório de advogados. Até para a nossa justiça, esta indemnização está a sair cara nos recursos que emprega. A minha pergunta que se faz neste momento é: por que é que só três anos depois é que se resolve ver os e-mails e por aí fora? Não se entende. E as dores de cabeça que isto dá para toda a gente. Portanto, muito cara essa indemnização.

O Bruno há pouco estava a ter uma ausência. Olhei para ti e estavas mesmo longe.

Estava longe.

É tão bom quando isso acontece. Já não incomoda. Agora já passou.

Voltei.

Se calhar estavas na península de Setúbal.

Estava, de onde vim.

Ou de onde ias. E há quem não queira. Os obstetras vão ter de ser deslocados a ferros.

Arrancados a ferros do Barreiro.

Como aqueles partos mais difíceis.

E transportados à força, com coletes de força, para Almada. Do Barreiro para Almada, a distância não é grande, não é como se estivessem a enviar médicos para a Ucrânia, mas a ministra quis sossegar os médicos que patrioticamente já ameaçavam rescindir com o SNS. Não há despacho nenhum a ser preparado para obrigar os médicos a essa tenebrosa deslocação, visto garantido pela ministra ontem no Parlamento, mas alguma coisa está a ser cozinhada pelo ministério, porque o tal despacho que está a ser preparado, afinal prevê uma compensação para os médicos que se desloquem de um hospital para o outro, se quiserem. Portanto, há aqui esta nuance. Mas parece que os médicos, pelo menos aqueles que já falaram, não querem, não estão dispostos a isso. Há uns que já não são obrigados, por terem mais de 55 anos, a fazer urgências, e dos outros dois, uma, pelo menos, ameaçou que se ia embora do SNS se fosse obrigada a esta deslocação do Barreiro para Almada. Vamos ver se o despacho da ministra faz com que este caso se despache.

E que compensações é que vai ter.

Que compensações, e depois, isso também vai estabelecer um precedente.

Para os outros casos.

Que outros vão exigir o mesmo.

Vimos ontem, claro.

Claro. De resto, como a ministra ontem explicou, estes incentivos podem espalhar-se ao resto do país. Vamos ver. Isto às vezes é um problema. A ciência às vezes atrapalha, não é? Pelo menos para alguns políticos.

Só atrapalha. De facto, a ciência.

Tu tinhas feito agora meia maratona aqui, de um lado para o outro.

Chatice, de facto.

Incomoda.

Incomoda.

Arreia.

Donald Trump, por exemplo, veja-se o caso dele, ele e a sua equipa continuam muito de pé atrás com tudo que sejam vacinas e por aí fora, e outros medicamentos.

Vou falar sobre isso.

Eles têm muitas dúvidas sobre isto tudo. Agora atiraram diretamente ao paracetamol e ligam este composto ao aumento de casos de autismo infantil, que de facto, dizem as estatísticas, os casos de autismo infantil têm aumentado bastante nos Estados Unidos. Dizem que há aqui uma relação direta entre o paracetamol tomado pelas grávidas, durante a gravidez, como é evidente, e o autismo, depois, de crianças muito pequenas. Só que há um problema, esta ligação é indiferente aos estudos científicos que têm sido feitos, que não suportam esta ligação, mas o presidente dos Estados Unidos já deu o seu veredicto numa conferência de imprensa onde anunciou, e ele disse mesmo, uma das maiores descobertas médicas da história do país. Ele não faz por menos. A empresa que fabrica o Tylenol, que é o medicamento à base de paracetamol mais vendido nos Estados Unidos, já está de cabelos em pé, como é evidente. E estamos aqui, no reino da irresponsabilidade, em que se fazem estas coisas desta forma, sem haver base científica.

Eu investigava a participação em empresas concorrentes do paracetamol.

Bruno, mulher ao mar, mulheres ao leme?

É isso. Uma mulher anda por aí no mar e outras mulheres agora assumem a condução do Bloco de Esquerda. Diz-se que o poder detesta o vazio, depende do vazio. O que se sabe é que, diz o povo: "Patrão fora, dia santo na loja", e Mariana Mortágua já está fora há algum tempo. A loja, é verdade, tem cada vez menos movimento, mas não exageremos, o Bloco de Esquerda ainda está vivo. Respira com dificuldade, está mais ou menos ligado às máquinas politicamente, mas lá vai dando os sinais. E agora não só foi anunciada a substituição de Mariana Mortágua no Parlamento por Andreia Galvão, como também foi convocada Marisa Matias para mais uma missão, neste caso de liderar o partido na campanha das autárquicas, enquanto Mariana Mortágua continua mais ou menos à deriva pelo Mediterrâneo.

Eu ouvi a pergunta, mas ela não é uma pergunta.

A pergunta parte de um princípio errado.

Eu respondo-lhe a isso quando me disser aqui olhos nos olhos.

Eu às vezes tenho mais para fazer do que estar a responder diariamente.

Estas perguntas são uma antecipação daquelas que a comunicação social vai fazer.