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Eu ouvi a pergunta, mas ela não é uma pergunta.
A pergunta parte de um princípio errado.
Eu respondo-lhe a isso quando me disser aqui olhos nos olhos.
Eu às vezes tenho mais para fazer do que estar a responder diariamente.
Estas perguntas são uma antecipação daquelas que a comunicação social vai fazer.
Pois é, os dados estão lançados para as presidenciais, Bruno.
Alguns dados, Carla, ainda não todos, vamos esperar, mas para já aquilo que se vai sabendo acaba por ser interessante. Já sabíamos, por exemplo, que Rui Rio, antigo líder do PSD, será o mandatário nacional da candidatura de Gouveia e Melo. E agora há aqui uma espécie de resposta de Marques Mendes, com o procedimento inverso. Ele, que foi líder do PSD, convida um independente para mandatário, nem mais nem menos do que Rui Moreira, que também chegou a ser apontado como possível candidato.
Ele próprio admitiu que ia refletir.
E depois disse que não havia condições para isso. Pelo visto, já decidiu qual será o seu candidato, será mandatário de Marques Mendes. Por isso, Rui Moreira vai correr por fora, mais ou menos, vai no carro de apoio a Marques Mendes. E vemos aqui estes dois exemplos que de facto são quase inversos. Se Gouveia e Melo procurou, por um lado, uma caução partidária, indo buscar para mandatário um antigo líder de um dos principais partidos, Marques Mendes apontou para uma figura com grande crédito no meio independente da política, que foi presidente da Câmara do Porto sem representar nenhum dos principais partidos. A questão agora é saber quem é que vai sair a ganhar com a jogada.
Mas isso só em janeiro.
Isso só em janeiro.
Mas isso também mostra que a Câmara do Porto é uma boa fábrica de mandatários nacionais.
Pois, é verdade, os dois últimos.
É que Pedro Bordallo daqui a uns anos vai.
Vai ser mandatário de alguém.
Paulo, e quem te avisa? Teu amigo é?
Há sempre alguém que nos diz: "Tem cuidado."
Canta, Paulo.
São Os Trovante, O Trovante.
O Trovante.
Eles próprios.
Pelo amor de Deus, O Trovante. Vamos lá.
Eles próprios falam no singular.
O que é que eles sabem? Eles são apenas os fundadores.
É mania de terem vontade sobre o nome da banda que eles próprios fundaram.
É como Amado Deus.
Amado Deus, é verdade. Mas é verdade que há sempre alguém que nos diz: "Tem cuidado." E desta vez foi Pedro Nuno Santos que analisou os resultados eleitorais este domingo, das autárquicas, e nas redes sociais deixou uma mensagem forte. E a mensagem forte é que não se iludam com uma alegada e atribuída derrota do Chega. O ex-líder socialista faz as contas, diz que o Chega não perdeu. Por quê? Porque não se podem comparar eleições tão diferentes como as legislativas e as autárquicas. E o recado é para o PS não adormecer, o PS que nas legislativas, como sabemos, foi ultrapassado por pouca margem, mas foi ultrapassado pelo Chega, para o PS não ficar convencido que ultrapassou novamente o Chega, diz Pedro Nuno Santos: "Não enfiemos a cabeça debaixo da areia." É um alerta sensato, porque de facto a leitura destas eleições autárquicas dá para todos os gostos. Depende do ponto de partida e do ponto de comparação, como é evidente.
Claro, se comparas com as legislativas ou se comparas com as últimas autárquicas.
Aliás, Pedro Nuno Santos até faz esse exercício. Se compararmos as legislativas com as autárquicas, o PCP, a CDU foi o partido que mais ganhou, porque tem um resultado que é cerca do dobro de votos.
Tem 300 e tal mil votos agora nas autárquicas, teve cento e tal mil nas legislativas.
O dobro, praticamente, da votação. E ninguém diz que a CDU, nem a própria CDU, digamos, diz que teve a maior vitória destas eleições. Portanto, cuidado com as comparações.
Cuidado com as comparações e cuidado também com estas eleições, porque elas podem ainda não ter acabado.
Vamos ver se há contagens de votos, ainda não está decidido, mas quando há eleições que são taco a taco, que são muito disputadas e que depois acabam na primeira contagem por refletir uma diferença muito curta de votos, são obviamente eleições emocionantes, mas depois abrem espaço para dúvidas e o PS, a CDU e o PSD admitem, de facto, pedir recontagens em Lisboa, em Braga ou em Loulé. No caso de Lisboa, por exemplo, a CDU ficou apenas 11 votos do Chega. João Ferreira teve menos 11 votos e esses 11 votos valem o vereador. O Chega teve dois vereadores precisamente por 11 votos. Tivesse sido ao contrário, era a CDU que elegia um segundo nome além de João Ferreira. Já há, claro, obviamente, trocas de acusações sobre esta possibilidade de pedir recontagens. O Chega já vem dizer que a CDU, no caso de Lisboa, quer ganhar na secretaria aquilo que não ganhou na votação popular. Portanto, vamos ver como é que acaba toda esta discussão e vamos ver, enfim, que não se coloque em causa, obviamente, a integridade do sistema eleitoral, que nunca foi colocado em causa nestes 50 anos, nunca. Isso é uma coisa muito boa que nós temos, de facto. Independentemente das polémicas políticas, nunca se lançou dúvidas sobre a integridade do sistema eleitoral.
FMI, quanto é que nós vamos crescer aqui?
Ninguém sabe, Maria João, ninguém sabe, porque as previsões económicas são uma espécie de astrologia, mas com estudos superiores ou apresentadas assim, ora sobem, ora descem, ajustam-se, desajustam-se e depois acabam por ser como no futebol: prognósticos só no fim do jogo. E em abril, o FMI previa um crescimento de 2% da economia portuguesa para 2025, com uma quebra para 1,7% em 2026, e isto tudo muito abaixo da previsão do governo, que é de 2,3%. Agora o FMI veio ajustar, lá está, um ajustamento, a previsão menos crescimento este ano, de 1,9%, mas um crescimento de 2,1% para 2026. São boas notícias, tanto quanto previsões económicas se podem considerar notícias, sobretudo quando o crescimento previsto para a zona euro também pelo FMI é apenas de 1,1%. Mas isto é o FMI a prever e o melhor é sempre não contar com o ovo, ainda por cima se a galinha de repente pode ir parar à panela.
Eu ouvi a pergunta, mas ela não é uma pergunta.
A pergunta parte de um princípio errado.
Eu respondo-lhe a isso quando me disser aqui olhos nos olhos.
Eu às vezes tenho mais para fazer do que estar a responder diariamente.
Estas perguntas são uma antecipação daquelas que a comunicação social vai fazer.