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Eu ouvi a pergunta, mas ela não é pergunta.
Eu percebo as vossas perguntas, mas vamos com calma, está bem? Não quero que ninguém se magoe.
Eu respondo-lhe a isso quando me disser aqui olhos nos olhos.
Eu às vezes tenho mais que fazer do que estar a responder diariamente.
Calma, Jesus.
E então, como é que acabou o resultado? Que tal foi o debate do estado da Nação?
Em quanto é que ficou?
Em quanto é que ficou? Eu acho que foi mais para o empate, mas com muita educação.
Muito. Ao menos isso.
Muita educação, mas educação com letra maiúscula. A verdade é que também não foi dos piores na educação, no trato. Já vimos pior. Curiosamente, na primeira intervenção, Luís Montenegro, que falou durante meia hora, fugiu ao tema da educação e optou por atacar a oposição. Atacou o PS por não ter resolvido os problemas do país nos oito anos de governação de António Costa e atacou o Chega por se unir ao partido que tanto criticou no passado. Mas como era inevitável, a oposição trouxe o tema dos exames nacionais para o debate, falou em caos e a partir daí Montenegro e o governo tiveram de trocar o ataque pela defesa cerrada, não só de Fernando Alexandre, mas também de Luís Neves, o ministro da Administração Interna. O governo, a partir daí, jogou ao ataque, mas fechadinho lá atrás, porque o mais importante, com o autocarro estacionado. O autocarro ao outro lado.
Ui.
O importante era não perder.
Bruno, o país está pior, mas o primeiro-ministro está bem?
Foi Luís Montenegro, se bem se lembra, para aí em 2014, que proferiu as imortais palavras: "A vida das pessoas não está melhor, mas a do país está muito melhor". E não é que os portugueses até compreendem esta lógica do primeiro-ministro? Que outra razão poderá haver para que considerem que o país no último ano está pior e para que mesmo assim deem uma nota positiva a Luís Montenegro? Pronto, é verdade, é só uma sondagem, a positiva não é muito alta, 10,2. Será que a nota baixa-
Será que entra?
Depois dos exames, se há revisão da nota. Mas os restantes líderes partidários nem chegam à positiva. José Luís Carneiro, se arredondarmos os 9,8, ainda se safa, mas os outros chumbam todos. E até se dá o caso de a terceira melhor nota ser de um líder que já não é, Rui Tavares. Já não é ou se calhar é. Enfim, o país está pior, é a sentença dos portugueses, mas a culpa não será de Montenegro. Isto é o que se pode retirar desta sondagem.
Então também se pode retirar que o primeiro-ministro pode dormir descansado?
Nem por isso. Pode dormir, mas com um olho aberto, porque a oposição está atenta ao descontentamento dos portugueses com o rumo do país. Podem até dar positivo ao primeiro-ministro, mas quando sacam do cartão para pagar as contas, não devem ficar muito animados. José Luís Carneiro tem consciência da insatisfação e se não quer provocar uma crise política, porque os portugueses também querem estabilidade, isto é muito confuso, quer pelo menos o secretário-geral do PS morder os calcanhares a Luís Montenegro, apostando numa estratégia de desgaste à espera de uma altura mais conveniente. O problema dos exames nacionais veio dar mais munições ao líder do PS, que, no entanto, também não as quer desperdiçar, porque lhe podem fazer falta no futuro. Prevê-se nos próximos tempos uma guerra de atrito, cujo desfecho também dependerá da estratégia que André Ventura optar por seguir. E ontem ouvimo-lo pedir que o governo avance com uma moção de confiança. Esperto, certo. E tudo isto faz com que o sono do primeiro-ministro não seja assim tão descansado quanto ele desejaria.
E voltamos às urgências fechadas.
É, o tema dos exames nacionais ainda deve estar aqui para mais umas semanas, mas precisamos de novos focos de atenção, até porque estão aí as férias, e em período de férias, já sabemos, voltam os constrangimentos nas urgências. A urgência de obstetrícia do Hospital de Santarém é a primeira a fechar, já a partir do próximo domingo e durante quatro dias, mas já hoje funcionará com constrangimentos, recebendo apenas as grávidas encaminhadas pelo Centro de Orientação de Doentes Urgentes e em determinados períodos. Há outras urgências com dificuldades, o que significa, claro, dificuldades para as utentes e muita atenção das utentes às escalas. É preciso ir ao portal do SNS para ver que urgências é que estão a funcionar. E aos poucos começamos a voltar às célebres e muito portuguesas urgências intermitentes.
Eu ouvi a pergunta, mas ela não é pergunta.
Eu percebo as vossas perguntas, mas vamos com calma, está bem? Não quero que ninguém se magoe.
Eu respondo-lhe a isso quando me disser aqui olhos nos olhos.
Eu às vezes tenho mais que fazer do que estar a responder diariamente.
Calma, Jesus.