Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Eu ouvi a pergunta, mas ela não é a pergunta.

A pergunta para um parecido errados.

Eu respondo-lhe a isso quando me disser aqui olhos nos olhos. Eu às vezes tenho mais para fazer do que estar a responder diariamente.

Estas perguntas são uma antecipação daquelas que a comunicação social vai fazer.

Paulo, grupo 1143 e André Ventura, é a mesma luta?

Olha, parece que sim. Pelo menos no caso desta eleição presidencial, o grupo neonazi que acaba de ser desmantelado pela PJ, tem o mesmo objetivo do Chega e de André Ventura: derrotar o socialismo, derrotando António José Seguro. O grupo 1143, e há coisas que são azar, de alguma maneira, apelou abertamente ao voto em André Ventura na segunda volta e escreveram eles nas redes sociais, dois dias antes de serem detidos. O azar está aqui, o timing. Isto aconteceu num domingo à noite e na terça estavam a ser detidos. Escreveram o seguinte: "Somos um grupo apartidário e aclubístico, mas neste momento Ventura é a única opção que temos para combater o socialismo. E nós sabemos", fim de citação, que combater o socialismo é precisamente o grande mote de André Ventura neste momento. O candidato já comentou este apoio, foi ontem furioso na RTP, tirou ao jornalismo e às perguntas que lhe estavam a ser feitas sobre o assunto. Preferiu isso a distanciar-se inequivocamente deste grupo. E até é estranho que Ventura não comente, porque ele é claramente o candidato que quer meter muita gente na prisão, passa a vida a dizer isso, e que é muito sensível ao tema da segurança. E este é claramente um tema de segurança.

Entretanto, ontem à tarde dava que pensar: está na hora de dar um apito a Aguiar Branco.

Ele merece. E merece mais do que isso, já merece as insígnias da FIFA, de árbitro internacional.

E cartão vermelho e amarelo também.

E cartão vermelho e amarelo. Pedro Henriques podia lhe oferecer o livro dele juntamente com os cartões. Mas para já, Aguiar Branco é árbitro nacional e agora teve de impedir uma ação de campanha de André Ventura, um encontro com jovens que inicialmente esteve agendada para o Parlamento. Mas dizem os organizadores que não era uma ação de campanha, era uma iniciativa do grupo parlamentar do Chega com jovens militantes do partido, na qual André Ventura ia marcar presença. Seria uma ação de campanha escondida com o líder de fora. Lá teve de intervir Aguiar Branco, sem apito, mas com firmeza, a lembrar o óbvio, que os princípios da neutralidade, imparcialidade e igualdade de oportunidades entre candidaturas, é o que está no comunicado da presidência da Assembleia da República, consagrados na Constituição da República Portuguesa, vinculam todas as entidades públicas, incluindo a Assembleia da República e os seus órgãos e serviços. Parecia óbvio, mas Aguiar Branco às vezes a função dele, como a dos árbitros, é lembrar o óbvio.

Aqui ficou lembrado. Entretanto, isto de ser um promotor imobiliário eleito presidente é uma coisa que dá trabalho e pode dar mau resultado.

Dá mau resultado, seguramente. Dá trabalho também. E quando esse presidente eleito é o dos Estados Unidos, no fundo, o mundo todo acaba por pagar por isso. Donald Trump basicamente levou o seu negócio para a Casa Branca e agora, ao que parece, vai vendo tudo numa lógica de metros quadrados, ou neste caso, de quilômetros quadrados. Quer expandir o território, seja a Gronelândia ou o Canadá, quer comprar terreno, pressiona os proprietários para que vendam, porque para ele é tudo uma questão de preço. Já antes, na Faixa de Gaza, ele abordou o conflito pela lente dos projetos imobiliários, o que aquilo podia dar. Aliás, chegou a fazer um vídeo com inteligência artificial.

Com muito dourado.

Com muito dourado. E a mostrar todo o potencial que aquilo tem. Ainda por cima Gaza.

É riviera, não era?

Claro, e tem lá aquela localização junto ao mar.

Tem vista de mar.

Tem vista de mar. São quilômetros de costa, basicamente, o que é sempre uma mais-valia, como nós sabemos. No fundo, ao que parece, aquilo também não é um governo, é uma megaagência da Remax e vamos todos pagando por isso.

Bruno, por falar em imobiliário, está esclarecido o mistério das lojas de souvenir?

Souvenir, já se desconfiava que a proliferação destas lojas de recuerdos, de recordações, no centro das cidades e das maiores cidades, mas não só.

Em Porta si, em Porta sim.

Sim, escondia qualquer coisa. Não era normal. Rui Moreira, que há uns tempos, quando ainda era presidente da Câmara do Porto, e falamos aqui sobre isso, tinha alertado para este problema e a ação que a Câmara Municipal do Porto agora levou a cabo, com o apoio da PSP, mostra mesmo que há lojas de souvenirs que são apenas uma fachada para habitação ilegal e em que os imigrantes, porque são imigrantes que estão lá a viver, vivem em condições precárias, para não dizer desumanas. Neste caso em concreto, nos dois pisos superiores da loja existiam quartos sem luz natural, sem condições de salubridade, sem água, por onde terão passado mais de 50 imigrantes hindustânicos do Bangladesh, da Índia, do Nepal, que pagariam €250 por cama. Pedro Duarte, o atual presidente da Câmara do Porto, prometeu uma solução para estes imigrantes, diz que os serviços sociais da Câmara têm capacidade de resposta para estes casos. E aqui o que vemos são os imigrantes a ser vítimas de redes que os exploram e se aproveitam destas condições de vulnerabilidade. Quando se fala muito da entrada massiva de imigrantes, às vezes esquecemos que o resultado, muitas vezes, é este. Imigrantes que vivem em condições absolutamente desumanas e quem se aproveita disso são estas redes e devíamos olhar com muita atenção para a situação.

Eu ouvi a pergunta, mas ela não é a pergunta.

A pergunta para um parecido errados.

Eu respondo-lhe a isso quando me disser aqui olhos nos olhos. Eu às vezes tenho mais para fazer do que estar a responder diariamente.

Estas perguntas são uma antecipação daquelas que a comunicação social vai fazer.