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É difícil.

Eu acho que a sua questão é muito importante.

Eu não lhe vou responder essa pergunta, porque não me apetece.

Ficará eventualmente a pergunta no ar.

É uma boa pergunta essa.

Paulo Ferreira e Júli Magalhães. Esta terça-feira falamos de turistas a mais, o que nos falta ouvir. Comunicação em estéreo, mas começamos com reunite aguda.

É isso, para perguntar se seremos nós os campeões das reuniões.

Júli, isso vem a propósito dos problemas na saúde.

É mesmo. Ontem foi uma tarde de reuniões. Tarde não, manhã, tarde e noite entre Ministério de Saúde e agentes de saúde. E o que é que pode ter sido esclarecido ontem, já ninguém saiba. Salários baixos, médicos e enfermeiros exaustos, falta de recursos humanos que não permitem ocupar todas as escalas, falta de condições de trabalho. Enfim, há quantos meses ou anos andamos a ouvir isto? Basta o governo ouvir as rádios, ler os jornais, ver televisão, para saber que ordens de administrações hospitalares, médicos e enfermeiros há muito que se queixam e que alertam para o que vai mal no Serviço Nacional de Saúde. Mas nada como fazer reuniões para ficar tudo tratado e nada resolvido. Um problema nosso, que é cultural.

Sem dúvida. E se António Costa já tinha Marcelo, por que sentiu necessidade de contratar João Cepeda?

Esse é o novo responsável pela comunicação do governo, que acaba de chegar ao cargo.

Pois, exato. E a pergunta que se coloca é mesmo essa: como é que o novo responsável pela comunicação do governo se vai coordenar com Marcelo para que não se atropelarem os dois na defesa das posições oficiais. O Presidente da República tem sido muito eficaz a apagar fogos do governo, diz que os problemas da saúde são pontuais, depois deixa mensagens de alento ao país, esperando que no verão esteja tudo bem já. Por vezes até desvia atenções quando há coisas complicadas para o futebol e desatar a comentar futebol. Portanto, quem tem um director de comunicação destes, precisa de outro? António Costa podia de facto ter pensado melhor e tinha aqui poupado uns trocos a todos nós.

Nem mais. E o que é que nos falta mais ler e ouvir?

O que foi tão surpreendente desta vez, Júli?

O Tribunal de Évora libertou um professor de inglês de Setúbal, que era alegadamente acusado de fazer carícias por baixo da roupa a crianças de sete anos. Ora, depois de acusado, a defesa recorreu para a relação, que levantou a pena porque considera carícias por baixo da roupa têm cariz sexual, mas não constituem crime de abuso sexual. Nem foi preciso ler mais nada. Imagino o que pensarão os pais das meninas a quem o professor fez carícias por baixo da roupa, mas por cima ou por baixo da roupa não parece nada normal alguém fazer carícias a crianças de sete anos. Mas enfim, o Tribunal da Relação de Évora lá terá as suas razões e os seus argumentos.

Não devíamos começar a alertar os turistas para não virem para Portugal porque não estamos mesmo preparados para os receber.

Ontem houve de novo longas horas de espera para entrar no aeroporto de Lisboa.

É, é uma situação sempre vergonhosa, não é? E quando se repete quase diariamente, como tem sido o caso, já estamos mais no reino da incompetência, do desleixo e da incapacidade de facto de resolver, de executar soluções. E ontem coube à inspectora Ana Vieira, do SEF, dar a cara pelo caos. E o que disse Ana Vieira? Disse isto: "Muito honestamente, não estávamos preparados para este aumento exponencial de turismo e de passageiros". Claro que não. Alguém sabe quantos aviões vão aterrar hoje, amanhã e depois em Lisboa e quantos passageiros esses aviões vão transportar? A decisão de apanhar um avião, como sabemos, é repentina. Cada passageiro acorda de manhã, vai a correr apanhar um avião para um aeroporto, apanha um avião qualquer, como sabemos. É assim como quem se levanta do sofá e vai à cozinha beber um copo de água. Se as coisas funcionam assim, como é que se pode prever uma coisa destas?

Exatamente. Ainda bem que faz essa pergunta. Sempre com o Paulo Ferreira e Júli Magalhães nas manhãs 360 e a qualquer hora em podcast.

A questão é difícil.

Eu acho que a sua questão é muito importante.

Eu não lhe vou responder essa pergunta, porque não me apetece.

Ficará eventualmente a pergunta no ar.

É uma boa pergunta essa.