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A questão é difícil.
Eu acho que a sua questão é muito importante.
Eu não lhe vou responder essa pergunta, porque não me apetece.
Ficará eventualmente a pergunta no ar.
É uma boa pergunta, essa.
E esta quarta-feira falamos de polémicas dos 25. Todos querem passar cartão, somos uns exagerados. Mas começamos por guerras mediáticas. Bruno, Cristina Ferreira vai ter de indenizar a SIC?
Primeiro, um bocadinho de contexto, Maria João. O caso remonta a 2020, quando Cristina Ferreira rescindiu unilateralmente o contrato com a SIC, contrato esse que vigorava até 2022. A SIC apresentou queixa contra a apresentadora por quebra abrupta e surpreendente do contrato e ontem o Tribunal de Sintra deu razão à estação televisiva. Quer dizer, Cristina Ferreira foi absolvida, mas a sua empresa, a Mor Ponto Limitada, de que é coproprietária com o pai, foi condenada ao pagamento de mais de € 3 milhões à SIC. A absolvição da apresentadora foi justificada pelo tribunal com o facto de o contrato de prestação de serviços ter sido celebrado entre a SIC e a empresa, não se confundindo esta com a sua sócia maioritária e gerente. Claro que isto é apenas o primeiro round de uma batalha que se adivinha longa, mas para já, o tribunal condenou a empresa de Cristina a indenizar a SIC. Vamos esperar pelos próximos capítulos.
Vamos. E sobre os capítulos da crise política, esses anúncios foram manifestamente exagerados, Paulo?
Ao que tudo indica, sim. Desde os resultados das eleições legislativas em março, que se especulava que este governo não chegaria longe, porventura não chegaria ao Natal, podia ser até o peru de Natal, em termos políticos, quem sabe até ficava logo ali pela discussão do orçamento e isto obviamente se sobrevivesse ainda por cima o calor do verão. Portanto, tinha ali uma sentença de morte muito rápida para ser executada. E o motivo dessa sentença era a fraca maioria, obviamente, a maioria relativa que a AD tem no Parlamento. Pois agora, após as eleições europeias, ouve-se muita gente a dizer que a possibilidade de crise política está afastada, que Marcelo pode guardar a bomba atómica na gaveta e que o PS até já parece disponível para viabilizar o orçamento. Mas afinal o que é que se passou nas europeias? A AD teve uma vitória retumbante a ponto, basicamente, de colocar a oposição na ordem? Não, sabemos que não. A AD teve pelo menos uma vitória? Também não. Perderam as eleições e os principais protagonistas mudaram o discurso na noite eleitoral. Também não se notou, quer de um lado, quer de outro. Portanto, se nada mudou, então por que as ameaças de crise desapareceram? Provavelmente porque era uma obra de alguma imaginação prévia. Recomenda-se, portanto, alguma calma a toda a gente. Deixem este tema andar.
Calma, não. Nada de calma. O novo cartão de cidadão, Bruno, conta tudo.
Está aí.
Que novidade é que tem?
Algumas novidades. Mas isto agora toda a gente vai querer ter um cartão de cidadão destes novos, porque o novo modelo dispensa a utilização de leitores de cartões e devido à tecnologia contactless, até pode vir a ser utilizado como título de transporte. Imaginem a entrar no metro e a passar o vosso cartão de cidadão. É um novo mundo que está à nossa frente. Esta atualização já tinha sido anunciada pelo anterior governo do PS, que prometia um cartão mais completo, mais seguro, mais digital e claro, muito inovador. A fotografia no cartão passa a ser maior. Não sei se isto é propriamente uma grande evolução.
Isso é uma coisa boa.
Estão mais giras estas fotografias.
Ficamos bem.
Pronto, ficamos sempre com aquele ar de quem foi preso. Mas isso possibilita uma identificação mais fácil do titular do cartão. O chip passa para a parte de trás do cartão. Não sei se também é uma grande inovação.
Ainda bem. Eu não tenho o chip.
Mas atenção, a segurança é um ponto essencial. Este cartão tem um fundo anticópia, tem elementos que só são visíveis com raios ultravioleta e tem uma janela transparente feita de um material inovador que muda de cor conforme o fundo. Até eu, que detesto cartões, já quero este novo cartão. Resta saber é se a demora para tirar o cartão é das antigas.
Exatamente, se mantém.
Não é assim tão moderna, contudo.
Vai haver muita gente a trocar o cartão ainda válido durante muitos anos por um novo cartão. Lembra-se das materialidades dos carros?
Com o tempo que demora, eu acho que vai ser difícil. Paulo, e afinal, quem se vai recusar a comemorar também o 25 de novembro?
Olha, daqui a cerca de meio ano, no próprio dia 25 de novembro, vamos ter a resposta a essa pergunta quando se realizar no Parlamento, então, a primeira comemoração oficial da data. A proposta dessa sessão solene foi feita pelo CDS e foi aprovada pelos partidos no Parlamento, pelos partidos mais à direita, mas a proposta também para que 25 de novembro passe a ser feriado foi rejeitada. Sobre esta, apenas o CDS e o CHEGA votaram a favor. Esta é uma daquelas discussões um pouco estéreis. Assinalar o 25 de novembro não substitui nem diminui em nada o 25 de abril. Aliás, o 25 de novembro só existiu porque antes disso houve claramente o momento fundador do 25 de abril, mas numa discussão de trincheiras, obviamente, tudo serve. Portanto, daqui a uns meses vamos saber quem tem medo do 25 de novembro.
A questão é difícil.
Eu acho que a sua questão é muito importante.
Eu não lhe vou responder essa pergunta, porque não me apetece.
Ficará eventualmente a pergunta no ar.
É uma boa pergunta, essa.