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IRS, Segurança Social, prémio salarial, IRS Jovem, Portal das Finanças, todos estes conceitos que parecem um bicho de sete cabeças quando começamos a trabalhar, quando começamos a ser jovens adultos. Parece que é imensa coisa e que não sabemos por onde nos virar, onde está toda a informação. E eu decidi: vamos nos sentar aqui com uma contabilista e responder a todas as nossas perguntas sobre este tema. Trouxe aqui hoje a Bruna Fernandes, que é mais conhecida na internet por A Contabilista, e ela descomplica todos os temas de fiscalidade, de contabilidade. E a ideia é: eu trouxe aqui todas as minhas dúvidas, todas as minhas questões, e trocar isto por miúdos, de forma descomplicada. Eu espero que seja interessante, que vos ajude. Tocamos em vários pontos além de IRS e tudo isto. Tocamos também na parte dos investimentos, de como declarar todas essas questões. Portanto, acho que está um episódio bastante completo e eu espero muito que vos ajude também. Não é fácil, eu sei, mas amiga, faz parte. Encontramo-nos domingo à hora do costume. Para o episódio de hoje, o que eu pensei? Eu nunca trouxe aqui tema de contabilidade, fiscalidade, nada do gênero. Já falei, vai umas três vezes de finanças pessoais, falamos um bocadinho de dinheiro. Quem me acompanha é muito público jovem, mais ou menos entre 25, 35, a média é por aí. E o que eu pensei? Trazermos aqui descomplicar a contabilidade, que é aquilo que tu fazes no teu digital. De forma leve, de forma fácil de perceber, considerando que o público que vai assistir isto provavelmente está a começar a trabalhar ou trabalha há pouco tempo, portanto, jovens adultos que estamos a tentar perceber como fazer as coisas e acabamos por, se calhar, nem estudar nada disso na escola. Eu, por exemplo, tirei Economia, mas vamos falar para quem tirou Letras e não percebe absolutamente nada disto. Eu queria começar por perguntar quais é que tu achas que são, daquilo que tu vês enquanto clientes e pessoas que te acompanham, quais são os maiores erros que nós, jovens adultos, cometemos hoje em dia quando começamos a entrar no mercado de trabalho, no que toca à contabilidade e fiscalidade?
Primeiro, não procurar a informação de forma correta. Especialmente agora, que se começa a usar muito o ChatGPT, eu costumo dizer, ele é incrível se soubermos perguntar as coisas certas. Isso é igual a quando ligamos para a Segurança Social ou para a Autoridade Tributária. Se nós não perguntamos as coisas certas, provavelmente a resposta também não vai ser a melhor. Portanto, esse é o primeiro ponto. O segundo, entramos muito com a ideia: "Não gosto disto, isto é chato, eu não quero nada fazer isto". Quando nós começamos a lidar com dinheiro, está sempre associado os impostos. Não dá para ter uma coisa sem a outra. Portanto, meu conselho é, logo de início, não achem que é a pior coisa do mundo, que é uma seca, que é horrível, porque isso vai dificultar a forma depois de nós procurarmos a informação e até de estarmos a gostar de saber aquilo. O meu conselho é sempre: vamos ver isto por outro ponto de vista. Faz parte, vamos ver o lado positivo, que é se eu aprender, vou conseguir saber mais coisas e pagar menos impostos. Portanto, isto é fixe.
De que forma é que achas que isto muda a nossa relação com o dinheiro?
Eu acho que quando começamos a ver dinheiro a sair, preocupamo-nos mais com a parte do ganhar, porque custa-nos, e começamos a ver: "Ok, eu se calhar consigo ainda fazer mais do que aquilo que sai." Eu sou muito dessa política. Tudo que saia, eu tenho que fazer em dobro, no mínimo, para contrabalançar. Nós quando começamos a olhar para o dinheiro de outra forma, dói-nos mais quando ele está a sair e ficamos: "Ok, eu tenho que estar atenta a isto, porque eu não quero estar a pagar alguma coisa em vão." E começamos a olhar, eu costumo dizer, quando nós vamos para os impostos, esqueçam, aquilo dá uma viravolta à nossa vida, porque é aquilo que mais nos assusta. Se a partir dali começamos a lidar bem com aquilo, não há mais nada que, quando se fala de dinheiro, que custe. Tudo se torna mais fácil.
Achas que muitas vezes focamo-nos em, imagina, temos um balde, tentar encher mais o balde em vez de tapar os buracos?
Sim.
Se calhar um bocadinho por aí, não é?
Às vezes estamos à procura de ganhar mais e às vezes com coisas mínimas, nós ganhamos logo na hora. Ver contratos, pedir um aumento salarial, ver condições, contratos que temos, subscrições mensais que nós temos e que acabamos por ignorar. E aí, muitas vezes, facilmente conseguimos negociar, seja seguros de carro, da casa, quem tenha a proteção da casa, tudo dá para renegociar e às vezes são mais €20 por mês que se calhar nem estávamos a ver. Então são aquelas coisinhas pequeninas que dá sempre para estar a analisar. Agora é assim, quando estamos focados em ganhar mais, eu tenho o lado muito dessa moeda. Eu estou focada no meu negócio, que é o que me traz maior entrada de dinheiro. Agora, se vou estar a perder tempo nesta fase da minha vida. Isto vai depender de cada pessoa. Agora, os jovens têm que estar a ver tudo que está a sair, tem que estar a ser medido. Porque numa fase inicial, se calhar, não estamos a ganhar tanto como daqui a cinco, 10, 15 anos. Com 30, 35, 40, espera-se que se esteja a ganhar mais dinheiro do que no início da carreira. Então, o foco deve ser registar tudo. E hoje em dia com as aplicações é tão fácil. No meu tempo era no papelzinho e ia-se apontando, depois passava-se para a folha do Excel. Hoje em dia até temos o Google Sheet logo no telemóvel, é rápido, anotamos logo tudo. Mas as aplicações do banco, a maior parte já tem essa funcionalidade, ou então uma app qualquer, que a maior parte é gratuita, também dá para...
Estás a dizer apontar gastos, é isso?
Apontar gastos, sim. Isso é o principal foco da parte de gerir dinheiro, porque se nós não sabemos o que está a sair, como é que sabemos quanto é que estamos a poupar ao final do mês? A partir daí, criar objetivos. Para mim, ganhar dinheiro tem que ser com objetivos Ganhar e poupar nos dois lados, porque senão estamos a fazer por quê? O que nos faz trabalhar mais, que não tem que ser trabalhar mais para ganhar mais, mas trabalhar com maior inteligência.
Mas diz isso, imagina, porque tens um negócio. Se falarmos para uma realidade de um jovem que trabalha por conta de outrem e que está a trabalhar para subir na carreira, no fundo, para ser promovido.
Eu costumo dizer, nós trabalhamos todos para algum objetivo. Nós mesmo quando trabalhamos por conta de outrem, o nosso negócio é a nossa vida. É igual. Temos que ter objetivos focados na mesma. Eu costumo dizer: "Estou a trabalhar para os outros." Não, tu estás a trabalhar para ti. Estás a trabalhar para os teus objetivos pessoais. E eu gosto muito dessa vertente. Quando entra alguém, eu quero saber qual é os objetivos daquela pessoa para eu ajudar a conquistar. Por quê? Porque vai ficar mais feliz. É igual. Eu também tenho o meu negócio. O meu negócio não cresce para o negócio em si, ele está a alimentar os meus objetivos pessoais.
Claro.
É igual, mesmo que trabalhe por conta própria ou para outras pessoas, nós todos alimentamos os nossos objetivos pessoais, seja comprar uma casa, reforma antecipada, ir viajar, o que seja. Cada um tem os seus objetivos pessoais, senão estamos a fazer o quê?
Teus objetivos sempre foram os mesmos ou vão mudando?
Não, todos os anos muda.
Acho que nós muitas vezes temos dificuldade em aceitar isso.
Sim.
Aceitar que o meu sonho era este e agora já não é.
Acho que com a idade isso vai mudar um bocadinho. Acho que no início temos essa perceção. Atenção, eu tenho muitos objetivos, alguns para longo prazo e outros para curto prazo, e não tem mal nenhum alguns mudarem. É o que eu digo, eu tenho um objetivo que é ser feliz. Eu acho que é tão básico, mas às vezes estamos sempre: "Vou ganhar, quero fazer um milhão", mas se um milhão de euros não me traz felicidade, estou a ir contra o meu objetivo inicial, o principal de todos. Eu acho que às vezes isto no meio dos negócios e do trabalho, esquecemo-nos de que esse é o objetivo.
No dia a dia acaba por passar um bocadinho ao lado, porque estamos tão focados em crescer tudo. E tudo precisa de crescer.
E agora é tudo, é sempre uma reviravolta, às vezes só apetece desligar. Por isso é que eu digo, adoro dormir. Porque é quando desligo e quando as pessoas dizem: "Não gosto de dormir, porque é uma perda de tempo." Eu digo: "Eu adoro." É o meu momento, quando eu vou para a cama, eu estou mesmo contente, ali na minha almofadinha e pensar, porque quando vamos dormir, no dia a seguir, eu tenho muitos problemas para lidar. E quando tenho muitos problemas, digo: "Vou dormir, porque amanhã eu resolvo." Amanhã eu resolvo, vai estar tudo ok, precisa de limpar a mente.
Olha, no que toca à contabilidade, tu achas que nós devíamos estudar isso na escola? Contabilidade básica, fiscalidade básica. Somos lançados assim, me parece.
A básica, sim. Entender como é que funciona, imagina, o IVA há de ser sempre igual, sabemos que é uma porcentagem, por que se paga, etc. IRS, a mesma coisa, acho que os escalões não vão mudar. A forma inicial, sim, para termos a base. Agora, tudo em pormenor, imagina, fazer uma declaração de IRS. Eu sou contra, porque provavelmente ela não tem mudado muito desde que foi a parte digital, não tem mudado muito. Mas, se calhar, imagina, estudar isto no básico, no nono ano, não acho que faça sentido nenhum.
Mas se calhar no secundário ter uma cadeira, uma disciplina que explique o básico, o que é.
No 12º ano, sim, mas da minha experiência, se eles não forem logo para o mercado de trabalho, perde-se muita coisa ali. Primeiro, não vão estar com vontade de aprender aquilo, portanto, acho que acaba por ser um bocadinho perda de tempo. Estou a dizer, o básico, sim. E nós já temos em algumas cadeiras de matemática. Se calhar é que não estávamos atentos. Eu acho que o ensino está todo errado desde o início. Nós preparamos para exames, em vez de preparar para a vida. Ou seja, nós não entendemos porque estamos a fazer aquele tipo de coisas. E se calhar, eu hoje em dia, a fazer DIYs, a montar um móvel, a matemática era útil no dia a dia. E acho que nós só preparamos para exames. Exames, estresse, ansiedade, já estamos a meter os miúdos, que agora ainda é pior, se calhar, na minha altura, e eu acho que devíamos preparar para a vida. Portanto, entender que vamos ter impostos, que vamos ter juros, empréstimos, faz muito mais sentido.
Sim, é esse tipo de coisas que eu acho que faz falta.
Faz todo sentido.
E mesmo, eu falei aqui há pouco de finanças pessoais, que eu acho que também era superimportante ter uma disciplina de como gerir melhor o teu dinheiro.
Eu acho que devemos ter uma cadeira de vida, de cozinhar. Ou seja, não tínhamos que estar tudo bem que a nossa família tem essa parte, mas nós não podemos garantir que todos vão ter estabilidade em casa para ter os pais a ensinar esse tipo de coisas, porque nem todos vão ter essa realidade. Então acho que era muito giro termos na escola desde miúdos como se fosse uma relação.
Como ser adulto.
Como ser adulto. Portanto, preparar esse tipo de situações e incluir os impostos, quase que: "Olha, vais viver sozinho e vais ter de aprender a fazer esse tipo de coisa." Ou seja, vais receber, isto tudo em dinheiro falso, mas vais receber o salário, tens que gerir as tuas despesas, mas isto seria até durante uma cadeira que tinham todos os dias, meia hora, uma hora, todos os dias iam ter aquela cadeira, fazia parte do currículo. Acho que era muito mais interessante, porque eles iam aprender as coisas de adulto. Obviamente que não se vai pedir a uma criança as mesmas coisas que se pede a alguém que estava no 12º ano, mas deveria existir esse tipo de cadeira e aí, sim, incluir a parte de "olha, vais ter que ir ao banco e vais ter que fazer um empréstimo, vais ter que saber que documentos é que tens que enviar, vais ter que fazer um seguro."
Sim, explicar o que são os juros, explicar tudo isso.
Isso era bem mais interessante, interativo, ou seja, se tornar uma coisa didática para que a pessoa tenha vontade de aprender. Por que o que acontece? No meio de todas as cadeiras que já têm, se for esse tipo de cadeiras ou não é obrigatória Ou não precisam de estudar para exame. Parece que estão tão programados-
São aquelas que vão para lá brincar
...estão tão programados para decorar que não sabem que faz parte para ser útil no dia a dia. Porque quando somos adultos sabemos que estudamos alguma coisa porque queremos, para facilitar o nosso dia a dia e quando somos mais jovens, não, é só para passar no exame, para ter boa nota e siga.
Sim, há tanta coisa que eu agora olho para trás e, por exemplo, mesmo na minha licenciatura, Economia, eu sinto que passou muita coisa ao lado, porque estava a viver outra fase da minha vida.
Decoraste e deste a informação.
Estava a falar com as minhas amigas, que também estudaram comigo, e estávamos a chegar à conclusão que se fosse hoje em dia, nós tínhamos aprendido tão mais. Temos outra cabeça, mas o que é que podemos fazer? Estamos na altura em que se calhar fazia sentido aquela abordagem à vida.
E é muito isso. Eu tenho essa relação e já fui criticada, que digo: "Não, não acho que faça sentido ensinar a fazer uma declaração de IRS." Claro que os básicos, tens um salário, uma parte vai para a Segurança Social, por que paga Segurança Social.
Sim, isso eu acho que é importante.
Eu falo muito do "Ninguém recebe IRS." As despesas não fazem aumentar o teu reembolso de IRS.
Já vamos falar isso agora aqui à frente.
E as pessoas ficam: "Calma, por que estás a dizer isso?" As pessoas que ainda dizem isso, calma, que ela deve ter alguma lógica, que não estava a fazer este tipo de anúncio. E há outras que é: "Estás a enganar as pessoas." Se eu estou a dizer é porque tenho um fundamento por trás, senão não ia estar a dizer isto. E se ensinassem isso na escola facilitava muito a vida. Até esta ideia de desabituar de ter reembolso de IRS, que nos próximos anos acredito que vai ser essa a realidade, que o governo está a mudar um bocadinho, mas facilitava muito mais a vida. Imagina, nós estamos habituados, os nossos pais fazem por nós, os professores, temos sempre alguém a ensinar-nos e a comandar um pouco a nossa vida. Eu sou contra ser o patrão, a entidade empregadora, a entregar os nossos descontos, ou seja, a fazer o pagamento. Eu entendo, por uma questão de facilidade, mas eu não acho que faça sentido. Nós deveríamos receber o nosso valor que foi acordado e os nossos descontos, estarmos nós a fazer essa transferência, a sentir na pele essa dor, porque depois só se negocia líquido. E eu costumo dizer, o líquido é bom e mau, porque imagina, a taxa de retenção muda e até é zero. Não ganhas mais por isso, porque tu acordaste líquido. Depois no IRS podes ter uma surpresa, como aconteceu a muitas pessoas neste último ano. Portanto, eu costumo dizer, não devia ser nem líquido, nem bruto, é o valor que eu acordei. É 1300 € mais extras, mais não sei o quê, é o que me vai cair na conta. A seguir, eu sou lidador, tenho que pagar 11% à Segurança Social e depois aqui o IRS. Aquilo até tinha um simulador ou fazia automaticamente, até podia estar no salário uma referência Multibanco e a pessoa a um débito direto sabia: "Olha, vai-te sair da tua conta por débito direto este valor." Mas a pessoa sentir que: "Ok, eu acordei isto com o meu patrão e a seguir tenho que descontar isto", porque ele próprio já tem que pagar.
Individualmente é muito mais claro para onde está a ir o teu dinheiro.
Começamos a lidar de uma forma melhor e se calhar temos noção daquilo que efetivamente estamos a pagar, que eu acho que muitas pessoas não têm. Eu vejo muita gente a comparar com outros países. "Aqui pago muito menos", e eu vou ver, e não, ainda paga mais. Só que as pessoas não tinham ideia de quanto é que estavam a pagar de IRS, porque fazem a conta ao mês, não fazem ao ano. Não sei se chega a milhares, mas chega na casa das centenas de benefícios fiscais que nós temos e que todos os dias estamos a ter direito a eles, só que nós não sabemos. A maior parte.
Pois.
Quando começamos a ter a dor de pagar impostos, vamos fazer o quê? Procurar por esses benefícios para pagar menos. Porque muita gente que me dizem: "IRS automático é que é a melhor cena, eu quero o IRS automático." Ou seja, só me procuram: "Olha, este ano não tenho IRS automático, preciso de ti." E eu: "Já devias ter conta o IRS automático." Por uma questão de facilidade, sim, só que as pessoas não vão ver a sua declaração de IRS. Se tu não vires tudo o que é possível preencher, como é que tu sabes se estás a beneficiar de alguma coisa ou não? Se nem sabes, clica lá no botão que se lixe.
Pois é isso, eu acho que também falando de jovens adultos, quando entras no mercado de trabalho, acaba por ser um bocado assustador a quantidade de informação que tu tens de saber e onde procurar. E era isso que estavas a falar no início. Eu acho que também não podemos culpar os jovens de desinformação. Nós somos assim lançados e de repente tens de saber tudo sobre tudo.
Eu tenho uma coisa muito gira, que quando eu criei o meu curso, a minha faixa etária, também tínhamos falado aqui um bocadinho antes sobre isso, é dos 25 aos 40. É assim o meu público, a faixa etária dele. Então o que acontece? Tenho muita gente dessas idades a fazer o meu curso. E qual é o meu objetivo? Quando a pessoa entra, eu mando mesmo um e-mail a dizer isso tudo, que é obrigada por teres dado este passo, porque contigo eu consigo apanhar três gerações. Que é tu vais ajudar os teus pais, que nunca tiveram acesso a tanta informação como nós temos hoje em dia, ajuda-os, por favor, a entenderem melhor o seu IRS e começa a fazer todos os anos o IRS com os teus filhos. Mesmo que sejam pequeninos, começa a habituar que uma vez por ano vais tratar da declaração com eles. Por isso é que eu sou muito apologista do ninguém sabe fazer melhor o IRS do que tu próprio, porque tu sabes toda a tua situação familiar, sabes tudo o que fazes no teu dia a dia e que pode ter ou não impacto no IRS. E começas a criar esta necessidade de eles aprenderem. Como eu disse, nós não conseguimos garantir que todos vão ter este lado da sua família, por isso é que a escola tem que ter esse papel também, mas se conseguirmos que a maior parte das famílias comecem a fazer o IRS em conjunto, quando os jovens vão para o mercado de trabalho, já vão com essa vertente, já sabem. Até para negociar. A primeira vez que vão a uma entrevista é assustador A pessoa nem negoceia, acorda e pronto. "Eu aceito, eu quero é começar a trabalhar."
É ganhar alguma coisa.
Então nem sabem muito bem quanto é que vão receber. Eu nunca nem vi.
Brutos? Líquidos? O que é isso?
Líquidos, o que é isso? Eu digo, muita gente nunca viu um recibo de vencimento. "Eu vejo no e-mail." Não, então tens que pedir. Tens de ver o que está no teu recibo de vencimento. "Olha, este mês está diferente, eu não sei por quê." Vai ao recibo de vencimento, imagina se está errado. São pessoas humanas. Se tu não reclamas, a pessoa pode não reparar ou pode só ver dali a uns meses, porque sei lá, na contabilidade, se calhar, repararam depois. Então é necessário nós olharmos para o que nos estão a pagar, olhar para o recibo de vencimento, entender por que não está lá por obra do Espírito Santo. Tem tudo uma razão e dá muito trabalho fazer aquele tipo de coisas.
Sim, no fundo, somos nós os responsáveis por querer saber.
E entender que faz parte da vida adulta. Bem-vindos.
Olha, vamos entrar aqui um bocadinho em IRS. O que mudou no IRS em 2025 e o que vai mudar em 2026? E está a chegar aí o Natal. Eu não sei quanto a vocês, mas eu sou aquela pessoa que faz as prendas de Natal todas com imensa antecedência, porque eu não gosto de deixar tudo para a última hora e prefiro mil vezes comprar as coisas online para me facilitar. E hoje a minha recomendação é a AboutYou, que eu já falei aqui em últimos episódios, que está de novo conosco neste mês de dezembro para vos dar também um desconto para vocês poderem aproveitar para vocês ou para presentes de Natal, 20% de desconto no site todo da AboutYou, que basicamente é uma plataforma multimarca, mais de 1500 marcas, desde Nike, Adidas, Tommy Hilfiger, Levi's, muitas coisas diferentes que podem comprar para vocês, para vos oferecer um presente de Natal a vocês ou então para a vossa família e amigos. Tem então o código de desconto de 20% que é NATALMARI20, que eu vou deixar aqui o código todo em caps lock e também todas as informações na descrição, mas fica aqui a minha recomendação, porque é muito mais fácil fazer todas as compras em casa, no conforto, ainda por cima com esta chuva que não apetece sair, nem ir a shoppings, nem ir a lado nenhum. Portanto, fazer as compras todas em casa e depois tem uma vantagem, que temos os 30 dias de devolução. Ainda vamos a tempo de oferecer e as pessoas poderem ainda fazer as trocas dentro do tempo. E também tem outra vantagem muito grande em termos de métodos de pagamento, porque com a Klarna ou o pagamento à cobrança, dá para pagar em 30 dias ou fazer os pagamentos em prestações, que acaba por ajudar muito, principalmente nesta fase do Natal, que são muitos gastos e é muito difícil fazer a gestão do orçamento. Portanto, fica aqui a minha recomendação. O código está aqui e as informações todas na descrição.
Em 2026, pouca coisa, graças a Deus. Mas por isso é que eu digo, muita gente diz: "Muda muita coisa, não vale a pena aprender." Coitada de mim, se mudasse tudo e mais alguma coisa. Eu passo a vida a estudar, mas não fazia mais nada. Uma das coisas excelentes foi finalmente o IRS Jovem e posso dizer que não mudou nada para 2026. Há cinco anos que eu esperava isto. O IRS Jovem surgiu em 2020 e teve muitas mudanças. A maior parte, se calhar, eu tenho 30 anos, nunca tinha conseguido usufruir e finalmente agora vou aqui dois anos ainda usufruir. O que acontece? Ele mudou e agora o único requisito é ter menos de 35 anos de idade. Dois, são dois requisitos. E o outro é não ter mais de 10 declarações de IRS submetidas. Como é que lá em casa podem ver se têm ou não? É muito fácil. Abrem o portal das finanças, sem medos. Não há que ter medo, é um site como outro qualquer. Nós, jovens, somos bem capazes de fazer uma search lá no site. Aquilo tem uma barra de pesquisa, e colocamos IRS. Clicamos no primeiro link e vai nos aparecer numa aba à esquerda uma opção que é "Obter comprovativos". E pronto, é só contar quantos é que estão lá. Vamos imaginar que a pessoa tem três IRS lá, e este ano o que vai entregar agora vai ser o quarto. Pronto, esta é a única maneira de saberem em que ano de IRS Jovem é que vão estar. Eu, por exemplo, tenho oito declarações entregues, tenho 30 anos, portanto, a minha próxima declaração, que vai ser a de 2025, vai ser o meu nono ano para efeitos de IRS Jovem. E eu nunca tive direito ao primeiro oitavo. Por quê? Porque com as regras anteriores, eu nunca tive direito, porque tinha um requisito que era ter terminado um ciclo de estudos igual ou superior a nível quatro. O que é isso? É o ensino técnico. Quem tirou o 12º de ir logo trabalhar. Podia ir para a faculdade, obviamente, mas o objetivo era ir logo começar a trabalhar.
Um ensino profissional, não é?
É isso, eu estava à procura do nome, ensino profissional. A partir daí, já tinha direito. Só que, o que dizia a lei? O primeiro ano após terminar o ciclo de estudos era quando se ia aplicar o IRS Jovem. Ou seja, eu terminei a minha licenciatura em 2016, o meu primeiro ano foi 2017, quando comecei a trabalhar. O que acontece? Só surgiu o IRS Jovem em 2020, então eu já não tive direito. Mas se, por exemplo, tivesse terminado o mestrado em 2020, 2021 poderia ter sido o meu primeiro ano, pois a idade era mais baixa, era 26 anos para ser o primeiro ano, portanto, tinha ali algumas situações que impediam muita gente de ter direito e agora eles facilitaram. É muito fácil. Pronto, 35 anos, vê quantos IRS é que tem entregues e a pessoa vai conseguir ver se tem direito ou não. O que precisa de fazer? Avisar a entidade patronal, porque ela não adivinha. Se não disser: "Olha, estou no meu quinto ano de IRS Jovem", o que eles vão fazer? Vão aplicar a taxa de retenção sem qualquer benefício. O que isso significa? Quando chegar a altura de fazer a declaração de IRS, vai sentir muito bem, porque vai ter ali um reembolso para aí de mil euros. Só que escusava, e fica todo contente, só que escusava de estar a pagar tanto ao mês. Nós só temos reembolso porque andamos todos os meses a pagar alguma coisa. Por isso é que eu digo, ninguém recebe IRS. E eu costumo dizer, pagar é muito melhor. E aqui começamos na relação com o dinheiro, que esta é que custa mais. Pagar IRS, costumo dizer, é para os corajosos, mas é só porque não estamos habituados, porque fomos ensinados a ter reembolso como se fosse uma prenda. Basicamente, andaram a ficar com dinheiro nosso, que não era suposto. Eu costumo dizer, o IRS é o único que estamos habituados a receber em vez de pagar. Mas isto tem lógica, os impostos pagam-se, que eu saiba. E neste estamos sempre à espera de pagar a mais para depois ter reembolso. Eu costumo dizer: alguém gosta de pagar dinheiro a mais?
Lá está, é porque nós não estamos a ter consciência porque está a sair, o salário líquido e bruto.
Exatamente, estamos habituados a "eu quero é isto, não quero preocupações". Quanto menos eu tiver que lidar com isto, melhor. Em vez de estar a olhar: "Ok, será que eu estou a beneficiar de tudo?" Claro que a retenção não existe a opção de reter ou não reter, é contigo. Deveria ser assim. Cada um devia ter a escolha de não estar a adiantar dinheiro. Eu sou capaz de gerir as minhas finanças para no próximo ano, se der 2000 € a pagar, eu estou pronta para pagar. O problema é que o Estado sabe que a maior parte não consegue lidar com isto e o que vai acontecer? Quando chegar a altura de pagar, não vai ter dinheiro, vai ter que pagar em prestações, pagar juros, vai ter uma dívida com o Estado. E para isso não acontecer, eles tornam-se nossos paizinhos e dizem: "Eu giro por ti, eu fico com o teu dinheiro e depois pode ou não dar reembolso, se der a pagar, não vai ser um valor muito elevado."
Olha, e o prémio salarial, a devolução das propinas?
Exatamente. Isso foi uma medida. Eu costumo dizer, bem-vindos à vida adulta, o que hoje é verdade, amanhã pode não ser, especialmente num país em que temos alguma instabilidade política. O prémio salarial foi uma medida do Partido Socialista e que o PSD não gosta muito. Então o que aconteceu? Era suposto ter aberto em 2025, para as pessoas que terminaram o ano passado poderem pedir. Só que ainda não abriu.
Mas em que consiste, na prática?
Aquilo é uma devolução das propinas, ou seja, a pessoa andou a pagar a licenciatura, o mestrado, o doutorado.
É 100%?
Sim. Depende do valor, mas sim, em alguns casos era 100%. Não sei se vai existir um valor diferente para estantes, eles vão ajustar, porque entretanto diminuiu, entretanto vai aumentar cerca de 10 ou 20 € outra vez. Portanto, não sei como é que vai ser, por quê? Porque as candidaturas não estão abertas. E atenção, quando eu digo pagou, não tem necessariamente que ter sido a pessoa a pagar. Pode ter tido bolsa, nada é igual, recebe na mesma. Alguém pagou a licenciatura. E o que acontece? A pessoa terminou em 2024, em 2025, supostamente o que está na lei, é que pode pedir a devolução. Terminou a licenciatura, isso foi três anos, depois depende dos cursos, se é três, se é quatro anos, não interessa o tempo que demorou. Pode ter demorado 10 anos, se a licenciatura é de três, recebe três anos. No caso, 697 € por cada ano. Ou seja, se já estivesse aberto os pedidos, eu ia receber em 2025, 697, 2026, 697 e 2027, outra vez.
Mas tem limite de data em que terminaram a faculdade?
É a idade, tem que ter 35 anos no ano que está a receber, digamos assim. Portanto, imagina, se vai pedir e já tem 35, já não vai receber. Agora imagina, tem 32, pode não receber o último ano se já tiver 35 anos. O que acontece agora? Como o PSD não gostava muito desta medida, mas ela está legislada e ele não a revogou, também se calhar para ter votos. O que acontece? Eles sempre disseram que não fazia sentido o prémio salarial com o IRS jovem. Por que não fazia sentido?
Um ou outro, não é?
Por que não fazia sentido?
O que compensa mais.
Porque mexia muito na despesa do Estado. Eles têm que ter limites e tu que estudaste Economia.
São dois benefícios.
Ou seja, aqui a balança deles tem que estar a despesa pública com as entradas. O que acontece aqui? Eles disseram: "Ok, nós vamos mantê-lo, mas tem que escolher." É um ou outro. Como é que vai ser essa escolha? Nós não sabemos ainda. Eu espero, quando souber, vou estar a partilhar também nas redes sociais, até porque as pessoas vêm à procura, isto não é a minha área. O prémio salarial, eles é que associaram isto ao Portal das Finanças, porque não tinha que ser com contabilistas, só que sempre que envolvem Portal das Finanças, lá vêm ter com a contabilista. Está bem, eu vou estudar e vou ajudar aqui a malta. O que acontece? Nós não sabemos ainda como é que vai ser no próximo ano, é preciso estar muito atentos. Eu inclusivamente fiz vídeos para o YouTube, eles estão disponíveis de forma totalmente gratuita, portanto, podem consultar. Eu falei muito sobre como é que poderão fazer esta escolha no próximo ano. Ela não vai ser fácil. Eu não sei como é que as pessoas vão ter essa opção. Ou seja, o meu conselho é: façam sempre o pedido do prémio, porque senão não fazia sentido, porque se o IRS Jovem é 10 anos, por eu pedir o prémio, eu ia logo perder 10 anos, não fazia qualquer sentido. Eu acho que é uma escolha anual. Na declaração de IRS, eu vou optar ou não pelo IRS Jovem. E pronto, se eu não optei, tenho direito ao prémio salarial.
Isto é que é fazer contas de acordo com o caso.
Exatamente. E agora, as contas é que vai ser um bocadinho mais complicado. Por quê? Primeiro, a pessoa está a descontar ao mês pelo IRS Jovem, se comunicou à entidade patronal. O que aconteceu? Vai estar a descontar menos. Depois, é normal que dê a pagar, porque andou a descontar menos, depois fez a escolha se queria o IRS Jovem ou não na altura da declaração, é normal que depois vai dar a pagar. Não têm que ficar assustados com isso, porque a ideia é: onde é que eu vou buscar mais dinheiro? Vamos fazer aqui pela lógica. Eu vou receber de prémio salarial €697. O que eu tenho de fazer? Vou simular o meu IRS, que conseguem simular no portal das finanças. Vou simular. Com o IRS Jovem, vamos dizer que o meu imposto dava 500 € de reembolso. Se eu tirar o IRS Jovem, pode dar a pagar €100. Qual é a diferença aqui de um para o outro? €600. Se eu antes tinha o reembolso de 500 e agora vou pagar, houve aqui uma diferença de 600. Só que o prémio salarial é 697. É melhor o prémio salarial, dá mais 97 €. Imagina, sabemos que aqueles casos em que ganham salário mínimo ou naquele ano ganharam menos que o salário mínimo vezes 14 meses, é sempre este valor anual que nós temos que ter em conta. Esse caso não paga IRS. O que acontece? Não paga IRS, o IRS Jovem é um benefício que diminui o valor a pagar de IRS. Se a pessoa não paga, não vamos diminuir nada a zero. Não tem benefício nenhum.
Tanto prémio salarial.
Prémio salarial. Esse é clarinho como a água. O problema é: uma pessoa que ganhe 1500 € por mês, brutos. À partida, se calhar, ia compensar o IRS Jovem. Depois também depende em que ano é que está o IRS Jovem. Temos pessoas que já trabalham há alguns anos, eram trabalhadores estudantes, portanto já têm IRS se calhar entregues de forma sozinha. Quando entregam com os pais não conta para o IRS Jovem. É declarações sozinhas, que aparece no vosso NIF no portal das finanças. O que acontece aqui? Por lógica, de uma forma geral, ia parecer que não tinha qualquer benefício no prémio salarial. Só que vamos imaginar que a pessoa pagou a faculdade, está no NIF dela e teve muitas despesas. Isto chama-se as deduções à coleta. Foram bastante altas e isso fez com que o IRS dela, mesmo sem IRS Jovem, já fosse baixinho. Então vai compensar o prémio salarial em vez do IRS Jovem. Eu costumo dizer que o IRS é muito complicado, só que é complicado para nos beneficiar, porque ele é diferente de pessoa para pessoa. Se a pessoa teve uma doença grave, ficou com uma incapacidade durante uns X anos, vai ser diferente de alguém que não tem. Imaginem um cancro. Eu por acaso tenho infelizmente conhecido pessoas muito jovens com cancro. Essas pessoas ficam com cinco anos de incapacidade após terem feitos tratamentos.
Sim, cada caso é um caso.
Portanto, cada vez mais, infelizmente, temos essas situações, isto por estar aqui a olhar para os jovens. E essa pessoa não ia beneficiar do prémio salarial, por exemplo. Não fazia sentido. Mas o que eu costumo dizer? Imaginem, tem uma situação específica na família, procurem, as palavras-chave é: isto dá benefício no IRS. E perguntem sempre dessa forma, estão a entender? Quando nós começamos, imagina, eu não sei se sabe a despesa ou não, procuro. Seja no ChatGPT, seja no Google, ele vai procurar no código. Eu costumo dizer, eu não ensino nada a ninguém, isto está tudo legislado, eu só tento trazer a informação de forma mais simplificada. E lá está.
Sim, a informação que tu partilhas acaba por ser muito mais abrangente.
O que eu ensino é isto. Imagina, muita gente paga óculos para ver. Seja óculos sol ou que tenha graduação. Eu não sei se sabiam isto, mas quando vocês estão a validar faturas, não é fatura, isto é outra coisa, quando se entra neste mundo de fazer IRS, tudo que nós consumimos pode ou não dar benefício no IRS. A maior parte não dá. Mas imaginem os óculos com graduação, nós temos receita médica. Por que aquilo pergunta se tem receita médica ou não? Porque tudo que é 6% de IVA ou zero vai automaticamente para saúde, se tiver ativo, se for saúde. Os óculos, a armação pode não ter graduação. Então a armação é 23% o IVA. E quando é 23%, aquilo pergunta se nós temos receita. E nós temos que incluir lá o valor que pagamos pela armação. E se nós colocarmos que tem receita médica, que temos, porque alguém teve que nos dizer qual era a nossa graduação, nós podemos beneficiar daquela despesa ir para despesa de saúde. Ou seja, se eu paguei 100 € pela armação, são 15 € extra que eu tenho para abater ao IRS. Portanto, é este tipo de situações que eu tenho que pesquisar. Comprei isto, tenho benefício. Ou outra coisa, quem tem doença celíaca. As compras de comida para celíacos, sem glúten, entram como despesa de saúde.
Não sabia.
Já saiu, alguém perguntou à Autoridade Tributária, a Autoridade Tributária respondeu, ou seja, até há situações que nós não temos a certeza.
Casos específicos que são mesmo exceções.
E aí tem que se pedir mesmo, é uma informação vinculativa, não é um pedido, não é balcão. Isto também para ficar aqui, para vocês saberem, quando vocês ligam ou perguntam no e-balcão à AT, não tem caráter vinculativo. A pessoa pode vos ter dito a maior asneira possível e não tem culpa. Vocês é que têm culpa. Não foi a pessoa que vos respondeu que tem culpa. Portanto, muita atenção. Eu costumo dizer, para a AT, no mínimo ligar três vezes. Se a resposta for igual das três vezes, ok. Sabemos que toda a gente tem a certeza disso na lei, está clarinho como a água. O resto é pedir uma informação vinculativa para ter a certeza. Não tem qualquer custo se não for caráter urgente. Se for caráter urgente, não faça, só quer meter caro. Não acho que faça sentido.
Já que estamos a falar disto, o que é o e-fatura e por que tanta gente tem ignorado?
O e-fatura, lá está. Eu acho que é muito útil para trocas. Imagina, comprei uma peça de roupa, meto no NIF, porque se precisar trocar, vou à procura da fatura exatamente. Portanto, fica aqui uma dica para isso. Para efeitos de IRS, vai depender, isto é para termos benefícios. O e-fatura é benefícios que nós podemos ter no IRS. O que acontece? A maior parte das despesas não vão contar, por quê? Porque nós temos uma categoria que é despesas gerais Se entrar nessa categoria, a maior parte de nós já tem o máximo possível, que é 250 €. Logo em janeiro, fevereiro, nós já atingimos o máximo e vocês conseguem ver ao ir validar todos os meses, que é o que eu aconselho. Então eu chego a um ponto que faz sentido estar a pedir fatura de roupa, coisas no IKEA, mobília, decoração? Não faz, porque já atingiu o máximo. Pode fazer desta dica que eu dei, que é quando precisamos de uma fatura, vamos procurar a e-fatura, é muito mais fácil de encontrar. "Olha, foi esta fatura, procurei no sistema", para termos essa benesse.
Então o que faz sentido?
O que faz sentido? Olha, tudo que é saúde, coloquem. Educação, até aqui, se é considerado educação, eu acho que sim. Eu considero que sim, comprar livros, FNAC, Wooks desta vida, portanto coloquem NIF porque é 6% dos livros, pode entrar em educação, tudo que é cursos. Depois nós temos renda, obviamente que se vocês tiverem a renda, que vou assumir que sim, do senhorio, também têm benefício, agora é até 900 € por ano. Depois, outra categoria que tem lá, que é a exigência de fatura, que já tive pessoa a perguntar: "Mas eu era obrigado? É que incumpri com a lei quando não pedi fatura." Não, ninguém é obrigado a colocar o seu NIF nas faturas, por causa do RGPD, se vocês não quiserem os vossos dados no documento, não têm de os fornecer. Isto assumindo que é um particular e não para negócio. O que acontece aqui? Na exigência de fatura, por que existiu esta categoria? Porque supostamente o fisco está nos a pedir ajuda para não existir fuga ao fisco nessas categorias, porque ele achava que existia mais nessas áreas. E o que ele fez? "Ok, vocês ajudam-me e nós damos benefício." O que acontece? Nesta categoria, o benefício é pequenino. Não quer dizer que seja mau, mas é só 15% do IVA na maior parte das coisas. Portanto, vão ao restaurante, peçam fatura.
Mas qual é a categoria?
Aqui, exigência de fatura tem vários. Tem restaurantes e hotéis. Depois temos passes mensais, passes mensais é 100% do IVA, portanto coloquem sempre o NIF quando forem. O passe, pronto, a partir de já tenho o NIF, quando vão tirar um, no Porto é o Andante, depois dependendo da vossa localização. Tentem colocar sempre NIF e mesmo quando não dá na hora, geralmente nas letras pequeninas diz como é que podem pedir. Portanto, leiam e tenham esse trabalho extra, porque vai compensar. Um euro todos os meses, ao fim de um ano são 12 € de desconto. Depois temos ginásios, que é 30% do IVA, cabeleireiros, 15% do IVA. Depois temos também jornais e revistas, também dá, 100% do IVA nesses casos. E depois também temos reparação de automóveis, portanto também pedir com contribuinte. Geralmente temos aqui uma situação que é, às vezes, a pessoa diz: "Ah, então vou ter que passar fatura, então o valor que acordei consigo é mais IVA." Isso é ilegal, mas acontece muito.
Mas eles são sempre obrigados a perguntar se nós queremos contribuinte?
São. Porque se não dizem, assumem que a pessoa não quer. Portanto, são sempre obrigados a questionar e se não questionam, eu quero contribuinte na fatura para a pessoa incluir sempre. Na dúvida, o que eu quero dizer quando eu digo: a maior parte do que vocês pedem contribuinte não serve para nada. Não é para vocês não pedirem, é para saberem que aquilo pode não aumentar em nada o vosso reembolso, ou seja, não vai diminuir.
Mas então faz sentido pedir sempre para escapar esses casos?
Mal não faz. A pessoa tem o hábito. Agora imagina, está uma fila do caraças no Natal. Voltar a pedir nas minhas compras? Não, a partir de já tenho 250 naquela categoria, estou a perder tempo, para quê? Percebem? Agora, se for para ter a fatura, se quiser trocar, se daqui a dois anos imaginar: "As minhas calças rasgaram". Não sei se sabem, mas dão-vos o valor na íntegra daquele bem. O que acontece? Se vocês não têm a fatura, eles vão ver o valor mínimo registado, ou seja, se eu paguei 30, mas em promoção ficou a 10, só vão dar um vale ou devolução de 10 €. Se tiverem a fatura, iam receber os 30 € que pagaram pelas calças. Nessa parte eu acho útil, porque eu utilizo dessa forma. Agora, para IRS, não. Agora, tem muitas pessoas que ganham salário mínimo e olham para o valor que está no e-fatura e acham que vão receber aquilo. Aquilo não se recebe, aquilo abate ao IRS. Se o IRS for zero, imaginem que o IRS jovem muitas vezes já é zero, aquele valor que está no e-fatura pouco ou nada serviu.
Olha, e para quem tem várias fontes de rendimento, ou seja, recibos verdes, salário, etc, como é que se organiza tudo isto na prática?
Para IRS, entender, eu acho que nós temos a ideia, e estamos a ver aqui que era bom ensinar isto nas escolas. O IRS é um bolo. Um bolo. Há rendimentos que entram todos para o bolo e são tributados ao que nós chamamos as taxas gerais, que as pessoas ficam muito assustadas quando veem que aquilo agora vai dos 12,5, estou a tentar ver se é a taxa nova de 2026, que mudou as taxas. Foi isso que mudou no IRS. Pronto, as taxas geralmente mudam todos os anos, só que a forma de cálculo é exatamente igual, ou seja, matemática, a calculadora faz aquilo sozinho. Portanto, vai dos 12,5 aos 48% para quem mora no continente. Desculpem queridos açorianos e madeirenses, que as taxas das vossas não sei de cor, mas são mais reduzidas. Também me perguntam: "Ah, quero pagar menos impostos." Estamos aqui tão pertinho, vão para as ilhas.
Vão lá para a Madeira.
Vão para as ilhas, ficam lá a maior parte do ano e pronto, já pagam menos impostos. Quem tiver trabalho digital, maravilha, lá o clima é bom também, portanto, vamos lá. Então o que acontece aqui? O IRS é um bolo. Ou seja, se eu trabalhar a contrato e se for abrir uma atividade, trabalhar a recibos verdes, vai entrar as duas para o bolo. O que acontece muitas vezes? Cada um dos rendimentos, quando nós falamos do adiantamento, da retenção, têm limites sobre os quais não há tributação, se não quiserem, naquele momento que estão a receber. No IRS pode existir. Ou seja, nós podemos ter Isenção ou dispensa de retenção na fonte, que é o adiantamento no IRS, mas aquele valor é sujeito a IRS, que depois pode ou não ser tributado. Por exemplo, com o IRS jovem, uma parte não é tributada. Então o que acontece aqui? Imaginem que eu tenho um contrato a part-time em que ganho €600 por mês. Até ao salário mínimo nacional, não há retenção na fonte. Ou seja, não vou pagar nada adiantado daqueles €600. Depois eu tenho um part-time em que ganho €700 por mês a recibos verdes, ou tenho várias faturas, ou seja, posso ter uma loja online e faço €700 por mês. O que acontece aqui? Se eu juntar esses dois rendimentos, provavelmente vai dar um valor ao salário mínimo nacional e vamos assumir que teria de adiantar alguma coisa. Só que como atinge nos recibos verdes até os €15 mil anuais, não é obrigatório fazer a retenção na fonte. Também já vou esclarecer aqui quando é que nos recibos verdes é obrigatório. Então o que acontece aqui? Estes dois rendimentos, isoladamente, não estamos a pagar nada ao Estado. E nós pensamos, se formos ver o valor líquido, estamos habituados ao líquido, altamente, está a me entrar um valor muito alto, entre aspas, no bolso, não estou a pagar quase nada. E até acontece uma coisa, quando nós já descontamos por um lado, ou seja, aqui no contrato de trabalho, obrigatoriamente estamos a descontar para a Segurança Social, neste aqui poderemos ficar dispensado, ou seja, até para a Segurança Social estamos a descontar pouco e entender que se ficarmos de baixa, só vamos receber dos 600.
Claro.
Portanto, atenção que temos que ver os dois lados. Então o que acontece aqui? Vamos chegar ao IRS e vai dar a pagar. E as pessoas não entendem, porque entram os dois rendimentos para o bolo. Ou seja, eles não são tributados de forma isolada. Eles somam um ao outro, vamos encontrar nas taxas de IRS qual é que iríamos aplicar.
Não há retenção, é só no final do ano.
Só o adiantamento, mas o imposto em si é exatamente igual. Imagina, dá a pagar €1.000. Tudo bem, significa que o meu imposto final foi €1.000, já com os benefícios, ter pedido fatura com contribuinte, já com o IRS jovem deu €1.000. Se eu tivesse adiantado 2 mil, ou seja, ao longo do ano andei a perder entretanto €2.000, depois ia ter reembolso de mil. É só entender isto. O pagar existiu sempre, só que em momentos diferentes. E eu digo assim, preferem pagar algo desde janeiro até dezembro e depois esperar, que temos visto que o IRS tem demorado imenso com o IRS jovem a ser validado, temos pessoas que só têm o reembolso em agosto ou setembro. Imaginem o tempo que o dinheiro ficou retido. E aqui entramos noutra situação que é investimentos na bolsa. Cada vez mais os jovens, com também mais informação disponível, investem desde cedo em ETFs, em ações, nem vou para contas poupança, porque isso já é aquilo que é mais fácil de fazer e é sem dúvida por onde se calhar devem começar numa fase inicial se têm muito medo de investir. Mas o que acontece? Criptomoedas, já começamos a ter uma geração que está envolvida nisso. E o que começa? Tempo do dinheiro investido.
Estou a perder dinheiro se só vou receber em agosto, não é?
Porque agora, o Estado agora paga os juros pelo tempo que ficou retido. Não é pelo tempo todo, é só do tempo que tinha que vos dar o reembolso. Portanto, atenção a isso que é muito pouquinho. Em €1.000, sei lá, que seja €10 de juros que teve. Se eu tivesse investido no momento, nunca sabemos qual é o momento certo, mas vamos dizer num ETF, que geralmente as pessoas colocam lá o dinheiro e não olham. Se eu tivesse investido desde janeiro do ano anterior, vejam lá quanto tempo é que não teria. E se cada vez mais pessoas estiverem a falar sobre isto, se calhar, e eu gostava muito disto, podemos chegar a uma altura que se a pessoa não quiser fazer a retenção, não faz. Que seja dada escolha ao contribuinte, porque nós é que mandamos. Se nós dizemos: "Eu quero escolher", o Estado só tem que nos deixar escolher. Porque ele não pode ficar com dinheiro nosso antes do tempo, porque os impostos pagam-se. Portanto, eu estou a falar sobre estas questões, para se calhar daqui a uns anos nós vermos uma realidade completamente diferente quando se fala de IRS.
Eu tomo conta e assim eu sei onde investir o meu dinheiro e depois logo no final do ano eu vou ter esse montante para te pagar.
E é engraçado que, agora vamos complicar aqui um bocadinho, os investimentos na bolsa não entram para o bolo.
Pois eu queria falar desta questão. Imagina que eu tenho uma conta na Revolut, trading, ou outra app qualquer. Eu tenho de declarar isto no IRS? De que forma?
Dependendo do tipo de conta, agora a Revolut já é nacional, o IBAN já pode ser considerado nacional, já não precisa declarar. Isto por quê? Não é no IRS, isto depois quando olhamos para as nossas leis, nós temos uma lei que é a Lei Geral Tributária, que tem várias coisas da vida, do dia a dia. E tem lá uma que diz: se tu abres uma conta bancária no estrangeiro, tu és obrigado a informar a mesma, ou seja, declarar no teu IRS esse IBAN, ou seja, não vais pagar mais imposto por causa disso, que depois entramos noutra lógica, que também quero trazer essa problemática aqui para cima da mesa. Declaração de IRS, que aqui é imposto sobre as pessoas singulares. Daqui a pouco nós estamos a fazer uma declaração informativa, e não uma declaração de imposto. Para que eu vou informar de uma conta bancária? Devia ser numa declaração à parte.
Mas para que é preciso informar?
Porque está na lei, porque eles querem saber se não há aqui branqueamento de capitais. Então eles dizem: "Olha, você é obrigado a dizer que tem essas contas aí no estrangeiro". Por quê? Porque eles não têm forma de saber, a maior parte das vezes.
Então se eu abro uma conta na trading, por exemplo, Trade Republic, acho que também não tem em português.
Tem que colocá-la o IBAN, é só isso.
E imagina que eu invisto em ETFs, ações, que têm dividendos.
Ok, aqui outro ponto, muita gente fala na giro. E é preciso entender isto. Não é por abrir uma conta numa corretora que nós temos que declarar o IBAN. É se essa corretora abre uma conta de depósitos Para o dinheiro que nós recebemos de dividendos e que não retirámos para a nossa conta pessoal, se esse dinheiro está a contabilizar juros enquanto não é investido ou retirado para nós. Por exemplo, eu mando para a tal conta 2 mil €, mas só compro ações de mil €, fica ali mil na carteira.
Sim, o dinheiro que fica ali é quase como se fosse um depósito à ordem.
Exatamente.
Está a render.
E geralmente para isso estar a rentabilizar juros do tempo que não está investido, geralmente é aberta uma conta de depósito para ter esses juros.
Certo.
Então quando isso acontece, geralmente tem um IBAN associado e temos uma conta aberta no estrangeiro em nosso nome. É muito comum na Degiro, porque eles abrem uma conta no banco alemão que é o banco Flatex, acho que é assim. Portanto, esse IBAN nós temos que o declarar, e no caso é no anexo J, que para muitas pessoas, o que é que vai acontecer? Não conseguem ter a simulação do IRS por adicionar esse anexo. Porque há vezes que podem ter rendimentos do estrangeiro e a simulação pode não ser o valor final, porque é apenas uma simulação, como o próprio nome indica. Então o que eu aconselho? Antes de colocarem esse IBAN, faça uma simulação. Depois também um conselho aqui, como os reembolsos, quando tem anexo J, demoram muito, o que eu aconselho? Faça a declaração sem isso e até ao dia 30 de junho, faça a substituição. Ou seja, se já tiveste o reembolso, imagina em maio, fizeste a declaração em abril, em maio tiveste o reembolso, vai logo lá a seguir e coloca o anexo. Por quê? Porque não vai fazer diferença nenhuma em termos de impostos e ainda estás dentro do prazo legal. Claro que depois de substituíres também não iria existir coima, porque na lei está se não lesares o Estado, ou seja, se não deu mais imposto, se aumentou o reembolso, nunca pagas coima.
Se não deu nada, indiferente.
A favor para ti, não estás a lesar o Estado, o Estado é que teoricamente lesou a ti. Então, nesses casos, podem substituir também sem problema nenhum. E aqui, como é o IBAN, é meramente declarativo, não vai mudar nada em imposto. Tem sido o meu conselho, que aqui facilita, porque eu tive mesmo muitas pessoas a só terem o reembolso em setembro e estavam chateadas com isso. E foi esta a solução, que por acaso foi um aluno: "Olha, vou fazer isto, tem mal?" E eu: "Teoricamente, não, não vejo porque não possas fazer isso, ainda por cima dentro do prazo, o Estado nunca te pode chamar a atenção porque cumpriste com o prazo". Nós podemos entregar quantas declarações quisermos até ao dia 30 de junho, no respectivo ano que estamos a entregar a declaração.
Mas para além de declarar que tens a conta no estrangeiro, imagina, tens ETFs, tens criptomoedas, ou seja, os ganhos, de que forma que tu declaras isso?
Então, vamos separar aqui ETFs e ações. O que acontece? Nós compramos por determinado valor. Se não compramos e nos demos, vamos imaginar que fizemos uma campanha qualquer e recebemos ações. É o valor de mercado na data que vocês receberam, é considerado uma doação. Ok, eu comprei por cinco ou doaram por cinco euros uma ação e eu vendi por 10. Vamos dizer aqui passado cinco meses. Já vamos ver que aqui a parte temporal é importante. Eu vou pagar imposto sobre este ganho, chama-se as mais-valias. Não confundir com as mais-valias.
Só quando eu vender.
Só quando venderes, sim. Aqui, venda de ETFs, ações, só desta situação.
E se eu não vendi e gerou-me dividendos?
Ok, se gerou dividendos, temos duas situações, que é eu recebi o dividendo na conta da corretora, não quer dizer que tenha sido na minha conta pessoal, mas se eu recebi na conta da corretora e eu posso a seguir tirar para mim, vou pagar imposto. Mesmo que eu não tire para mim, a seguir pego nesse dinheiro e compro mais ações, tenho na mesma de pagar imposto sobre aquele ganho. Portanto, vai ser aquele valor, aqui não é uma mais-valia, o próprio valor que eu recebi de dividendo, tanto as mais-valias como os dividendos, geralmente a taxa que se aplica é 28%. Que é o que nós chamamos a taxa liberatória ou específica, ou seja, não entra para o bolo se nós não quisermos aquele rendimento, é esta taxa fixa, pronto. Depois podemos ver se compensa ou não uma coisa que se chama o englobamento, que é o englobamento, juntar aos outros rendimentos que são tributados à taxa geral, que é o tal escalão que vai de 12,5 agora até 48%. Se a minha taxa, imaginem que eu estou no terceiro escalão, eu não sei quanto é que é, vou dizer que é 18%, não faço a mínima que não sei agora decorar as novas taxas. Se é 18%, calma, 18%, se eu estou no terceiro escalão, é menor que 28. Faz sentido englobar, juntar com o meu rendimento do contrato de trabalho, com o meu rendimento de recibos verdes, que entra para o bolo esse tipo de rendimentos. Os investimentos na bolsa não entram para o bolo, só entram se nós optarmos por isso. Então o que acontece aqui, na maior parte dos casos? Isto também em lei nunca há sempre nem nunca. Quando eu digo sempre e nunca, é porque eu tenho a certeza que é mesmo só assim que é raro, 98% das vezes não se pode aplicar, porque há sempre uma exceçãozinha à lei no código. O que acontece aqui? Agora vamos para dividendos, ou seja, um ETF acumulativo, quem está na bolsa sabe o que é isso. Então o que acontece aqui? No ETF acumulativo, o dividendo não chega a cair.
Não, ele é automaticamente reinvestido.
Ou seja, eu não tive a opção de o tirar para a minha conta se quisesse, não existiu sequer essa opção. Então o que acontece aqui? Tem sido opinião de várias pessoas aqui da área, fiscalistas, e a AT também nunca se pronunciou quanto a isso, que nesses casos nós não somos tributados, ou seja, acumula, só quando vendermos aquele ETF um dia é que poderemos ser tributados. Agora, a questão temporal. Quanto mais tempo passar, imagina no ETF, aqui também eu acho que se aplica também aos ETFs, porque aquilo diz instrumentos financeiros na lei, é assim que está a especificar. Quanto mais tempo nós detivermos o ativo antes de vender, neste momento, porque lá está a lei, daqui a 10 anos pode ser diferente, não temos a certeza, mas a taxa é menor. Em vez de ser 28, nós podemos ter uma taxa reduzida até 19,6.
A sério?
Sim, portanto, reduziu, foi em 2023 que mudaram a lei.
Mas quanto tempo disseste?
Menos de dois anos é 28%, entre dois a cinco, se não estou em erro, reduz 2%. Entre cinco a oito anos, reduz outra vez. E mais de oito anos também chegamos aos 19,6. Não sei quanto é a redução, nunca vi em porcentagem. Portanto, quanto mais tempo detivermos um ativo, menos valor vamos pagar sobre ele. Mesmo que englobemos, é a mesma lógica, ou seja, podemos reduzir até 10%, se não estou em erro. Oito ou 10%. Então o que acontece? Eu tenho € 100, se houver aquela redução, em vez de ser tributada sobre € 100, sou tributada sobre 80. Mesmo que englobe, a lógica é a mesma. Agora, criptomoeda. Criptomoeda, durante muito tempo não se tinha que fazer nada, não se declarava, então as pessoas começaram: "Isto é um bocado estranho, não é? Porque estamos habituados a ter que declarar tudo." Então o governo, entretanto, legislou, acho que foi em 2022, 2023, já não tenho a certeza. Legislou e disse: "Ok, na maior parte das situações não vai ter de pagar na mesma, só que é obrigado a declarar." Sempre que vendemos ou saímos do país, ou seja, a saída do país, deixar de ser residente em Portugal equivale a uma venda, mesmo que não tenha acontecido. Nós temos de declarar, não quer dizer que tenhamos de pagar. Temos que declarar que aconteceu ali uma venda. E nesses casos, quando é que vamos pagar imposto se tiver passado menos de 365 dias desde que fizemos essa venda? Ou seja, se detivermos o ativo mais 365 dias, não temos de pagar nada. Declaramos é sempre. Declarar tem que ser sempre feito. Outra situação aqui que é muito comum nas criptomoedas. Mais uma vez, podemos ter recebido como doação, por alguma coisa que nós fizemos e recebemos em criptomoeda. Nunca confundir, imagina, trabalha recibos verdes e pagam em criptomoeda. Isso é diferente. Aí estamos a receber pelo nosso trabalho, é necessário emitir fatura, é necessário fazer tudo direitinho, e aqui é a categoria B, que é dos recibos verdes.
Sim, mas isso é uma exceção.
Uma exceção, sim. Agora, recebi, inscrevi-me numa corretora e recebi a criptomoeda, é o valor de mercado na data, a mesma coisa que um ETF ou uma ação. O que acontece aqui? Muitas vezes nós vendemos a criptomoeda, mas ela ainda não está em moeda para ser transferida para nós. Agora também não sei o termo correto, que eu esqueci.
Pois, eu neste tema não estou nada bem.
Mas o que é das criptomoedas? É stable coin. É isso. Se fica em stable coin, acho que é assim, ainda não dá para passar para dólar e pode novamente comprar outra criptomoeda com a stable coin, porque quem for da área de investimentos, se eu tiver dito alguma coisa errada, por favor, corrija-me aqui. Mas o que acontece aí? Tem sido também a opinião que como aquilo ainda não é considerado moeda para ser tributada. Imaginem, eu vendi uma ação e depois passei para esse tipo de moeda. Essa moeda, a stable coin, o valor dela vai ser o valor da venda da criptomoeda. Imagina, vendi por 100, aquela stable coin vai valer € 100. Entretanto, eu espero 365 dias, aqui é que temos tido dúvidas.
Para não ter de declarar nada.
Desde a compra inicial da moeda, nossa opinião, em geral, tem sido, nossa opinião de fiscalistas, etc, com quem tenho falado, é que começa a contar novamente aquela stable coin, como é uma moeda nova, aquilo começa a ser o dia um, tem que esperar 365 dias ou pelo menos é mais seguro assim, até a AT se pronunciar sobre o tema. Esperamos 365 dias até passar para moeda para não ter tributação. O que acontece aqui? Não esquecer que se usamos essa moeda para comprar coisas, nesse momento é venda, porque já saiu.
30 euros, estás a trocar.
Aí já começa a ser considerado uma venda também. Portanto, aqui há estudo de investimentos. Depois temos os juros, que é igual aos dividendos, ou seja, se tu os recebemos, aqui é os 28%, não há tempo de anos que se espera, anualmente ou de trimestre em trimestre recebemos juros e dividendos. É tributado normal, 28%, ou pode ser englobado. Pronto, acho que neste tempo dos investimentos, neste tema, já falámos.
Não, acho que tiraste todas as minhas dúvidas. Olha, estamos aqui já a chegar ao final. Quando é que tu achas que uma pessoa precisa de um contabilista na vida? É obrigatório ter ou só quando se tem uma empresa? Como é que isso funciona?
Não é obrigatório ter um contabilista certificado. Para mim, até podia nunca ser obrigatório, porque eu prefiro sempre que venham à minha procura porque querem e não porque são obrigatórios. Só é obrigatório quando alguém que tem um negócio, seja trabalhador independente ou uma sociedade, passa a ter contabilidade organizada. Só nestas situações, desculpem, em sociedade é sempre obrigatório, dependendo do regime em que está, os trabalhadores independentes só é obrigatório quando passam para contabilidade organizada. Nem estou a falar em associações, porque esses também não são obrigados, só quando têm contabilidade organizada. O que acontece aqui? A maior parte de quem é trabalhador independente, numa fase inicial ou até quase sempre, não vão precisar de ter contabilidade organizada. Pode fazer sentido, porque a pessoa já ganha suficientemente bem e pode ter aquele encargo com o contabilista para apoiar. Por quê? Quando nós começamos o nosso negócio a crescer, eu costumo dizer, a maior parte, quando está numa fase inicial ou só trabalha para uma empresa a recibos verdes, os chamados falsos recibos verdes, eu não acho que precise contabilista uma à vença. Pode ter uma consultoria, e hoje em dia já há muitos, eu também faço, mas há muitos que fazem consultoria online, uma coisa rápida, fazem uma reunião, muitas vezes fica gravada, podem assistir.
Para tirar as dúvidas.
Para tirar aquelas dúvidas. O que eu aconselho? Façam uma pesquisa antes, não façam uma consultoria para perguntar como emitir uma fatura. Por quê? Porque cada vez mais a consultoria é um valor mais caro, à volta dos 80 a 150 € com contabilista. Portanto, usem essa consultoria para realmente ir a coisas que Vocês não conseguiram encontrar informação rapidamente, porque emitir fatura já existe muita informação gratuita. Eu própria tenho um livro que podem encontrar nas livrarias todas, manda vir online. Até vou agora atualizá-lo, porque ele foi escrito em 2023, quando saiu. E eu costumo dizer: leiam primeiro um bocadinho, porque a seguir na consultoria vão tirar muito mais valor. Já venham com dúvidas específicas.
Não é para achar a consultoria para fazerem por ti, não é?
Sim, como é que eu entro no portal das finanças e clico em emitir uma fatura? Não tem mal nenhum esse tipo de dúvidas, atenção. Só que já conseguem, imagina, eu já fiz o livro para quando chegam até mim, já venham com dúvidas, que eu vos consiga sanar tudo. Porque senão, o que acontece? Vêm para mim com uma dúvida, eu não consigo numa hora, uma hora e meia, responder a tudo.
Ensinar tudo sobre contabilidade.
Sim, é impossível, não dá. Imagina, a pessoa diz: "Quero abrir atividade". Imagine o que é ir numa sessão, abrir atividade para a pessoa, ensinar a emitir faturas, ensinar como funciona o IRS, ensinar a Segurança Social, ensinar o IVA, o IVA já nem chego lá. Portanto, não dá para falar sobre estes tópicos todos. Enquanto essa pessoa já vem com a parte estudada, já entendi, agora estou aqui na dúvida do IVA, vou trabalhar com clientes estrangeiros. Já é uma dúvida mais específica, já sabe o que pode ter a isenção.
Ou seja, responder a questões mais relacionadas com as exceções do teu caso específico e não coisas que já estão na contabilidade.
Exatamente. "Tenho esta atividade, não encontrei, o que tu achas? Estive a ler um bocadinho, mas estou na dúvida."
Olha, isto vai também encontrar aqui da minha última pergunta para ti, que é: que hábitos e conhecimentos básicos financeiros e de contabilidade tu consideras que sejam essenciais para começar a vida adulta?
Para começar a vida adulta: abrir o portal das finanças sem ter medo, ver o PDF da declaração de IRS, está no Google ou podem ver no portal das finanças também se pesquisarem, mas imprimam mesmo toda a declaração. Não sei quantas páginas são ao todo, mas imprimam e leiam. Ou então clicam em entregar declaração, mesmo que nunca tenham entregado uma, aquilo aparece ou podem pôr em branco, também é possível, e vejam, que se calhar é mais fácil online, todos os campos da declaração. Leiam, não tenham medo, aquilo não vai fazer nada, só estão a fazer uma pesquisa. Leiam tudo que existe lá na declaração, porque o português não é muito difícil. É só ler, sem medo. Eu costumo dizer, não tenham medo, é o principal fator aqui decisivo para vocês terem uma relação boa com as finanças e com os impostos. Depois, eu já tinha dito aqui, registar tudo, porque isso vai ajudar. Registem mesmo o salário, o base, a subscrição de alimentação.
Fazer as continhas todas e ver para onde é que está a ir.
Depois pôr a retenção e a Segurança Social, ver tudo. E depois comparar com o IRS final, o imposto final, que é coleta líquida. Quando vocês olharem para a simulação de IRS, é coleta líquida, o valor que têm que procurar, que é o vosso IRS final. Depois, eu sugeria ler o código de IRS, mas se calhar para a maior parte não é o mais positivo.
Ou seguir-te no Instagram e ver as coisas que tu pões.
Também, mas eu sugeria ler, porque aquilo também é interessante. O código IRS, na minha opinião, é o mais simples até de todas as leis que existem. As pessoas podem não achar, mas eu acho que é o menos complexo, em termos de escrita de lei. Portanto, sugeria, comecem o artigo um, o artigo dois. Vão lendo um bocadinho como se fosse um livro. Não digo um livro à noite, mas sei lá, na hora de almoço vou ler o artigo um. Cinco minutos.
Nós estamos a rir, mas a verdade é que é muito importante e eu acho que a desinformação-
Outra coisa muito importante, já me ia esquecer. Orçamento de Estado, que geralmente o Estado costuma, o governo põe aquilo mais bonitinho, portanto, leiam muito o orçamento de Estado. Eles põem em Power Points da informação que está a ser discutida. Por quê? Porque isso é o que nós discutimos sempre para o ano a seguir. E as pessoas também confundem muito isto. Nós estamos a discutir o orçamento de Estado para o ano seguinte, só que o IRS só entregamos ali a dois anos. Portanto, não se percam nisso. Se vamos entregar o IRS de 2025, vão ler o orçamento de Estado de 2025, não o que está a ser aprovado em outubro para 2026. Andamos sempre a legislar de um ano para o outro, só que depois o IRS, ou seja, os contabilistas andam sempre no passado, caso não saibam, nós andamos sempre no passado.
Até ao final do ano andam sempre...
Tanto nas empresas como nos particulares, andamos sempre. Por quê? Porque na hora seria difícil de ver tudo que vai acontecer no ano, por isso é que nós só entregamos em abril. Se calhar, também sugeria começarmos a entregar IRS mais cedo, em fevereiro, fazer tudo em janeiro, mas isso ia dar. Envolve tanta gente e tantas empresas que seria impossível. Já por isso é que é em abril, que é para dar tempo de preencher todas as declarações que são necessárias. Ou seja, também outra coisa muito útil: sejam críticos. Por que eu digo abram a declaração? Porque a informação que lá está foi pessoas humanas que fizeram e pode ter erros. Portanto, eu já vi muitas vezes erros nos valores comunicados à Segurança Social e às finanças. Também ver os descontos que estão a ser feitos.
O único a beneficiar somos nós, não é?
Na Segurança Social também já podem ver o que está a ser descontado por mês, ver se a vossa entidade patronal está a entregar os vossos descontos, se está tudo direitinho. Podem ver o que recebeu numa baixa, numa reforma, já dá para fazer isso tudo também. Portanto, sugiro realmente interessarem-se por esses temas e mexer. Os portais estão cada vez mais didáticos e nós somos a geração das tecnologias. Portanto, por que um site da AT ou da Segurança Social nos mete medo? Não faz sentido, é ir ver como um site normal, como o Facebook, um site que nós entramos todos os dias, é exatamente igual. É tudo igual.
Vai partir por nós a mudança, não é? Achas que sim?
Sim, eu espero que sim. Eu fico muito contente se algumas das ideias que eu deixei aqui comecem a entrar. E que, como eu costumo dizer, não deixem o Estado ser nosso paizinho, está bem? Nós é que temos que lidar com ele, até para entendermos melhor e podemos, quando vamos discutir estes temas, se nos for dada a oportunidade, sabermos o que estamos a pedir, a negociar e quando há greves e isso, saber o que está a ser discutido.
Boa. Olha, obrigada, Bruna, adorei ter-te aqui, foi muito útil.
Espero que tenha sido.
Não, foi mesmo e acho mesmo de certeza que vai ajudar muita gente a esclarecer pequenas coisas. Obrigada e obrigada por aquilo que fazes também todos os dias a descomplicar a contabilidade, que acho que é importantíssimo.
Espero que sim. É o meu objetivo, é mesmo simplificar a vida a todos e tentar trazer estes temas às redes sociais desde 2020.
Faz falta e estás mesmo a fazer a diferença. Obrigada.
Nada.
Não é fácil, eu sei, mas amiga, faz parte. Encontramo-nos domingo à hora do costume?