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Não é fácil, eu sei. Mas, amiga, faz parte. Encontramo-nos domingo à hora do costume?

Eu disse-te: "Comecei a ver o episódio da Fátima Lopes", e tu disseste: "Eu gostava que tu visses o do Peter para tirares umas notas e debatermos esse assunto". E eu tirei umas notas. Acho que não vamos ter tempo para discuti-las todas.

Não, diz só uma ou outra.

Ele disse: "Procurar na bolha". E eu super concordo.

Fazes isso?

Não é uma questão de fazer, pelo contrário, mas foi algo que se calhar já aprendi.

Aprendeste? Ou seja, já tiveste uma experiência em que fora da bolha não correu bem?

Sim, acho que não é uma regra, não me rejo por essa regra. Para mim, não é uma regra. Só que faz bué sentido se pensares, porque eu já estive com pessoas muito diferentes de mim. Olha uma coisa simples: uma pessoa que não come carne. Já estive com uma pessoa que não come carne.

Estás a falar para relações?

Para relações.

Amorosas.

Estava a falar de relações.

Estás a dizer ter o mesmo tipo de lifestyle e de valores.

Ter o mesmo tipo de lifestyle, fazer desporto. Comer carne pode parecer uma estupidez, mas depois no dia a dia da relação, de cozinhar, fazer marmitas. E eu acho que o procurar na bolha faz bué sentido, mas para relações casuais...

Eu concordo com ele que a cena de fugires totalmente é exótico.

Bué exótico.

Mas não é para uma relação, depois a longo prazo vai chocar muito.

Nesse sentido, eu super concordo com ele.

Os amigos vão chocar, a família vai chocar, não se vai tudo integrar facilmente. Isso concordo.

Ya, foi nesse sentido. Para uma relação, faz sentido.

Achei que estávamos a falar numa cena de fugir da bolha para conhecer amigos. Achei que estavas nesse tópico, mas para relações, percebo.

Não, que ele depois até deu um paralelismo com o qual eu também concordei, que é: na amizade concorda em ser fora da bolha e pessoas muito diferentes, porque se complementam.

Sim, porque eu até disse: "Mas não achas giro eu ser uma pessoa bué metódica"-

Type A.

Type A e estar com uma pessoa type B e isso é giro para a amizade. Para a relação, se calhar pode não resultar.

E fez-me sentido. Eu tenho amigos muito diferentes de mim e outros mais parecidos, mas depois há uma complementaridade. Eu acho que os valores base têm que ser sempre similares, não é?

Olha, por acaso um exemplo, há uns tempos estava a falar de um casal amigo que eu conheço, em que eles são os dois extremamente desarrumados e extremamente pouco limpos.

Aí é bem.

Imagina, por exemplo, neste caso, eu acho que isto daqui, teres uma personalidade, uma pessoa muito mais limpinha, mais arrumada com outra que se calhar um bocadinho mais diferente, vai chocar, mas vai melhorar os dois. E acho que serem os dois maus num sentido e noutro, torna as cenas obsessivas.

Obsessivas e sujas.

Um lado sujas, outro lado obsessivas. Estás a perceber o que eu quero dizer?

Estou a perceber, sim.

Portanto, eu acho que depende dos aspetos. Há aspetos em que o equilíbrio vai sempre resultar melhor.

Nós também estamos a levar isto a extremos opostos. Claro que tem que haver diferenças para que exista complementaridade numa relação amorosa. Não podem ser duas pessoas obcecadas pela mesma coisa. Aliás, houve um exemplo de um casal que tiveste aqui no podcast, e eu acho que eles resultam porque existe um equilíbrio. Ele é obcecado com ser o número um.

O João Almeida.

O João Almeida, do Hyrox. E ela aceitou, e o Pedro também fala disto, aceitou ser a pessoa que ao longo destes anos lhe vai dar esse suporte, vai ser a ajuda dele e vai tratar do back office, da gestão, das campanhas.

Mas eu acho que eles são os dois, podem ser em pontos diferentes, mas são os dois type A e os dois obcecados.

Certo.

Um bocadinho, até certo ponto.

Mas houve uma parte da relação que teve que abdicar de certas coisas em prol da outra.

Mas isso acontece sempre.

E ao contrário também.

Isso vai sempre acontecer.

Certo. Mas o que eu quero dizer é que, de forma geral, naquilo que é o conceito de procurar na bolha para uma relação, faz mais sentido do que serem duas pessoas completamente diferentes, porque isso vai ter um impacto na relação. É o que eu acho, pelo menos da minha experiência.

E se calhar vais ter de mudar muita coisa na tua vida e até em ti para conseguires adaptar a outra pessoa e vice-versa. É suposto mudarem coisas e adaptarem-se em conjunto, mas não é suposto tu teres de mudar completamente quem tu és para conseguir encaixar na vida da outra pessoa.

Nem faz sentido. Sabes que eu próprio em relações, eu sou uma pessoa que a minha vida ocupa muito espaço dentro de uma relação, porque tenho bué coisas a acontecer, se calhar um bocadinho ao que tu, não sei se tu também sentes isso ou se te identificas. E por vezes, eu meio que até me sinto, se calhar culpado é a palavra, de sentir que às vezes é tudo sobre o meu sonho, o meu projeto, a minha vida, e isso até me faz sentir mal. Só que, por outro lado, se eu fosse arranjar uma pessoa tão obce-

Achas que és egocêntrico?

Não, não acho mesmo. Até porque se eu fosse egocêntrico, acho que não teria a capacidade de fazer este raciocínio. E o medo de tornar as coisas sobre mim é que me assusta. E eu trago isso para cima da relação e às vezes eu sou o primeiro a dizer: "Senti que esta semana foi bué sobre o estúdio, o podcast, o isto, o aquilo. Estás-te a sentir assoberbada?" Já aconteceu. Pronto, e depois recebo o feedback do outro lado e às vezes até a pessoa me diz: "Aliás, isso até é o que me faz admirar-te, é o que me faz gostar de ti". Só que eu, por vezes, sinto que ocupa muito espaço.

Por acaso, o Peter também falou de uma questão que é: ambição na relação, em que tu tens de estar com uma pessoa que tem o mesmo nível de ambição que tu, porque senão vai sempre acontecer de estarem em níveis desproporcionais. E ele acredita que para conseguires continuar a puxar para cima, também tens de ter uma pessoa que também esteja a lutar pela sua cena. Ou então assumes que claramente a outra pessoa, que não é uma pessoa tão ambiciosa, está ok em ficar nesse papel mais secundário, enquanto tu lutas pelos teus sonhos e a pessoa te vai ajudar a os alcançares. Mas essa pessoa também tem de estar ok nessa posição. E tu também tens de estar ok em estar com uma pessoa que não tem tanta ambição como tu.

Isso acho que é o difícil. O que é que faz mais sentido? Porque quando são duas pessoas muito ambiciosas Pode trazer conflito e atrito para a relação.

Achas que choca um bocadinho?

Pode chocar, depende de como eles levem as coisas. Se forem os dois a lutar pelo mesmo sonho, acho que é diferente, porque estão ali em equipa. Depois também entra a parte de: imagina que tu estás com uma pessoa um bocadinho menos ambiciosa que tu e que está ok nesse papel. Será que te vais sentir tão atraída por ele? Porque admiração é amor.

Tu disseste a palavra admiração e isso é importante. Eu acho que ambição e admiração estão muito ligadas. E se tu não sentes que tens uma pessoa ambiciosa o suficiente para te sentires admirado ao teu lado, eu acho que isso vai ser um entrave a longo prazo.

Concordo.

Portanto, acho que por mais que choque estarem a construir sonhos diferentes, se estão numa relação em conjunto, vai haver espaço para os dois estarem a lutar pelas suas cenas. E eu não acredito que aquele cenário que ele disse que seria uma opção da pessoa ficar a lutar pelo teu sonho e a bater palmas para ti, acho que não é uma opção. Porque tu não irias ter a admiração por essa pessoa.

Eu próprio também não quero nem procuro isso. Eu não gosto de ter ao meu lado "yes people", "yes men", "yes women". Não quero. Eu até comentei isto noutro dia com um amigo. Os meus amigos, aqueles que estão presentes na minha vida, são os mesmos de há muitos anos, em que agora que um gajo está a começar a ter alguma projeção nas redes e as coisas estão felizmente a começar a acontecer um bocadinho mais, eu quero exatamente manter o mesmo pé no chão. E eu quero manter as mesmas pessoas que me conhecem lá atrás para me dizerem: "Olha, mete-me abaixo, volta para aqui para o teu sítio". Porque se eu quiser realmente só essa validação, eu vou me rodear de pessoas que não interessam para a minha vida. E eu quero que a pessoa que esteja ao meu lado me admire, sim, mas não quero que ela viva em função de mim e dos meus projetos e que esteja lá, como tu disseste, sempre a aplaudir. Tu podes admirar uma pessoa sem que ela seja mega ambiciosa. Há outras formas de admiração, digo eu.

Há várias formas de ambição. Estamos a falar muito de carreira, mas pode ser só na forma de estar na vida, na postura, na disciplina, noutra coisa qualquer.

Porque eu e tu nos movemos muito pela carreira.

Sim, estamos a associar a isso, mas há outras formas.

O que fazemos é muito aquilo que somos, para mim e para ti. E tu falaste isso, creio que com a Fátima, não sei se estou a delirar. Ou num episódio qualquer recente, tu falaste de: achas que somos aquilo que fazemos?

Sim, isso eu falo muitas vezes. O teu label é aquilo que tu fazes, porque eu também cresci com os meus pais a viverem muito para a carreira. E eu acho que os exemplos que também tens em casa também acabam por influenciar muito. E eu sempre, desde nova, sempre me associei a negócios e a querer empreender e a querer fazer a minha cena. Então sempre tive um bocadinho dessa label. Quando deixei de ter a label de ginástica, que era a minha cena, passei para essa label. E é normal, nós fazemos isso e a carreira é o mais óbvio, mas existem outras pessoas que têm a carreira, paga as contas e depois têm outros escapes na vida, outras ambições na vida, outros projetos na vida que nada têm a ver com a carreira, mas têm ambição nesse sentido. Portanto, acho que também está tudo bem. Há várias formas de isso acontecer, mas tu tens de sentir de alguma forma admiração pela pessoa com quem estás. Acho que isso é bem importante.

Até porque eu gosto sempre de fazer este disclaimer, esta cena de estamos nesta vaga do empreendedorismo. Calma, nem toda a gente tem que ser, nem toda a gente tem vontade, nem quer. E ainda bem, nós precisamos de todo o tipo de pessoas no mundo. O Peter até falou disso, denominou as pessoas normais com percursos mais convencionais. E acho que faz sentido, não temos que todos estar no mesmo.

Então foram esses takes que tiraste, também ainda não acabaste de ouvir o episódio.

Ainda não acabei. Estava a entrar na monogamia e poligamia e adorava ter acabado para discutir isso contigo.

Fica para uma próxima.

Fica para uma próxima.

Pronto, vamos entrar, se calhar, em rosa, espinho e semente. Eu já não venho gravar um episódio de Sidekick há bué.

Quando foi o teu último?

Já foi há um mês e meio, capaz.

Tem sido convidados, convidados, convidados?

Tem sido muito mais convidados. E sinto um bocado de falta disto. Hoje de manhã tive terapia e sinto que agora vou ter segunda sessão de terapia.

Let's go. Terceira, porque já almoçamos.

Já almoçamos e já fizemos um pouco de terapia.

Tenho uma coisa a dizer sobre a tua cidade. Estou apaixonado.

Muda-te para cá.

Não posso. Não posso nem quero nesta fase, mas eu adoro o Porto. Eu tenho que dizer isto, eu adoro o Porto. Eu estou aqui há um dia, o calor, a simpatia, a vontade de querer agradar, a hospitalidade das pessoas deste povo não faz sentido. É muito bom, é muito calorento, senti-me abraçado.

Em Lisboa toda a gente tem pressa.

Ninguém te diz bom dia.

É isso, muita distância. Passas e não veem que está lá ninguém, estão a olhar para baixo. É muito assim. Eu notei isso quando me voltei a mudar para cá, foi uma diferença enorme.

E tu disseste há bocado no almoço e é verdade. Meio que só reparas quando sais daquela bolha.

Porque tu começas a agir como eles. Nós não somos de lá, mas eu morei lá e eu sentia que eu já estava a ser essa pessoa, que também entrava e não dizia nada, que ia a uma aula de não sei o quê e não cumprimentava, porque as pessoas não fazem isso. Então tu já sentes que é normal ires lá abrir o teu cacifo, estás na tua, e vens aqui para o Porto e percebes que: "Eu também estava a ser rude como eles".

Ya.

Estou-me a esquecer de onde é que venho.

Sabes que eu já me sinto de Lisboa?

Fazes-te, certo?

São muitos anos lá. Eu já não estou em Coimbra há mesmo muitos anos. 11.

Já tens é de vir mais vezes cá para te lembrares.

Tenho. Eu sempre que venho ao Porto, sempre que cá venho e estou aqui uns dias, penso: "Por que eu não venho cá mais vezes?" É uma estupidez.

Porque vidas a acontecer, a vida corrida.

A vida acontece toda lá.

Olha, qual é que é a tua rosa?

A minha rosa é...

Ou queres começar por...

Não, vamos começar pela rosa. A minha rosa é estar a tirar uns dias de férias. Aliás, estou em pausa de podcast há um mês e meio. Vamos retomar Terça-feira, enquanto entretanto este episódio já saiu. Enfim, retomámos esta semana e a minha rosa é esta: estou a aproveitar as minhas férias como já não fazia há muito tempo. Não viajei. Fui a Sevilha, é verdade, mas como não fui de avião, não contou como viajar na minha cabeça. Mas estou a aproveitá-las. Eu já não aproveitava umas férias há muito tempo. Está a me saber bem. Desliguei, fui a festinhas de eletrônica como eu gosto, estive com os meus amigos, visitei muitos amigos. Está me saber muito bem. Essa é a minha rosa, porque eu já não desfrutava de férias, não parava assim há algum tempo.

Mas conseguiste mesmo desligar 100% do trabalho?

Não consigo, mas o equilíbrio que eu encontrei está me a saber bem. Acho que estou numa boa base.

E espinho?

Espinho, por conta da semente que vem a seguir, sinto que ando um pouco mais...

Queres contar primeiro a semente?

Talvez a semente. A semente é que me despedi.

Let's go!

Despedi-me. Há coisas que eu ainda não vou revelar. Mas despedi-me porque há um trabalho contínuo de há dois anos que tem vindo a ser feito, em paralelo com o meu emprego convencional, e chegou a altura em que eu tinha que tomar uma decisão em que ou continuo a molhar o pezinho na água ou mergulho dentro do lago. E eu não gosto de estar sentado no muro.

Como o teu amigo André diz.

Exatamente. E saltei para dentro da piscina, do lago, do que tu lhe queiras chamar. E pronto, este é o meu primeiro dia. Hoje estamos a gravar uma segunda-feira.

A tua primeira segunda-feira oficial sem trabalho.

Ya.

Como te sentes?

Muito mixed feelings. Eu acho que a ficha ainda não caiu. É a primeira vez que no próximo mês vai chegar o dia 24.

Não vais ter o salário.

E o salário não me vai pingar. O salário vai depender daquilo que eu produza. É engraçado isto. E ao mesmo tempo, muita responsabilidade.

Isto é o teu espinho, causa-te ansiedade, não é?

Ya, e então isso traz-me um espinho que é a ansiedade e noto que ando mais irritadiço estes dias. Como estou a lidar com todas estas emoções, porque isto está a ter um impacto muito grande em mim, tu que és minha amiga e sabes, era um sonho muito grande que eu tinha, dar este passo, ter a coragem de dar este passo, está a fazer emergir aqui novas sensações e emoções com as quais eu ainda não tinha lidado. Então ando mais irritadiço, mais ansioso, mais nervoso. Esse é o meu espinho.

O que te fez ter a coragem para tomar a decisão, chegar a esse ponto?

Por muito clichê que isto pareça, foi a morte do meu avô. E eu não posso falar muito isto que eu começo já aqui a tremelicar-me todo. Mas eu perdi meu avô em dezembro, que era a pessoa da minha vida, e percebi que por que eu quando morrer, daqui a uns anos, espero, daqui a muitos, quero estar satisfeito com aquilo que construí. E não que eu não esteja, mas eu quero mais para mim e eu não tenho dúvidas daquilo que sei que quero. Então deixa-me estruturar a minha vida para que as coisas que eu quero passem a acontecer, com muito trabalho, obviamente, mas o trabalho não me assusta.

E muito planeamento, também.

Planeamento houve muito, e tu sabes, estou a dar este passo com muita confiança, embora haja mais incerteza do que certeza, porque eu acho que quando tu te lanças num projeto em nome pessoal, é sempre isso que existe, mas eu estou confiante e as coisas estão muito planeadas. Mas sim, foi isso que me deu a coragem. Isto aconteceu em dezembro, algo mudou ali em mim.

Tu já tinhas a ideia, já tinhas o plano. Eu não sei há quantos meses é que nós gravamos, mas se te lembras, quando nós estivemos aqui da última vez, tu falaste disso já. Já falavas abertamente sobre isso, de querer e de pensares, mas ainda parecia muito distante. E não foi há um ano que nós gravamos, foi há menos.

Não foi.

Foi há bem menos. Portanto, eu acho que tu se calhar fizeste esse clique de deixar de adiar aquilo que eu sei que tenho que fazer e bora passar à ação, porque tu já sabias aquilo que querias.

Sem dúvida.

Vamos lá. Vai correr bem. E é a nova fase, recomeço, com essa sensação de que quase vida é nova, não é?

Não, eu sinto que a minha vida toda me preparou para este momento. Eu sinto que a minha vida vai começar agora. É estranho, isto é meio louco e pode parecer bué Shangri-lá, mas eu sinto isto. Porque também estou numa fase de vida, e o Pedro falou também muito isto, que é: eu conheço-me muito bem e garanto-me. Eu garanto a minha capacidade de trabalho.

Tens confiança que te desenrascas independentemente do que acontecer, porque não vai ser tudo rosas.

Não, vou ver.

Vais bater com a cabeça na parede muitas vezes e faz parte.

E vai muita coisa sair ao lado daquilo que eu imaginei, mas acho que estou com a postura, com a maturidade, com os conhecimentos também certos para fazer acontecer. E se, na eventualidade de alguma coisa não correr como planeado, ter a capacidade de dar resposta para dar a volta.

Sempre tu falavas muitas vezes se era tarde para dares esse passo com esta idade. Mas se calhar, se fosse antes, também seria mais inconsciente, não estarias preparado para dar esse passo de forma tão tranquila e tão consciente, não é?

Absolutamente. Não sinto que seja tarde, pelo contrário. Sinto que estou no meu momento. Essa cena do sentir que estou atrasado, acho que se foi diluindo com o tempo. Sinto que estou onde tinha que estar. E eu sou novo, tenho 33 anos.

Sim, estamos a falar aqui como se tivesses 50 e tal.

Vou fazer 34. Tu já pensaste, pensa no que a nossa vida, e nós vamos falar sobre isso, no que a nossa vida mudou nos últimos seis anos.

Sim, nós vamos falar muito disso.

Tenho seis anos até aos 40. Em seis anos, a minha vida pode dar uma volta de 360 graus.

Mas eu acho que nós não temos bem essa consciência quando estamos a viver o dia a dia.

Não.

Eu já vou falar da minha rosa, espinho e semente, antes de entrarmos no tema, mas basicamente hoje nós vamos fazer uma análise que mudou a nossa vida em quatro anos. O como mudou a nossa vida em quatro anos. E quatro anos parece pouquíssimo tempo, mas eu ao fazer este exercício, eu fiquei chocada com o quão diferente foi. Então, mesmo olhando só para o ano passado As coisas andam muito rápido e nós criamos esta pressão sem ter noção disto. E às vezes é só parar e olhar: "Fogo, olha onde eu estava há um ano atrás e o quanto a minha vida mudou", e pode mudar daqui a pouquíssimos meses. Não podemos querer sempre apressar.

Sabes um paralelismo que eu também fiz? Nós, como vivemos nesta era do digital, acompanhamos a vida de muitas pessoas, e inevitavelmente nós acabamos sempre neste tema: a cena da comparação. Repara uma coisa, tu estás no digital há oito, nove?

Nove anos.

Nove anos. Tu tiveste, ao longo destes nove anos, momentos de explosão. Certos projetos que fizeste, um certo conteúdo que aconteceu, uma parceria que fechaste, não interessa. Nesse momento em que tu estás no teu hype, porque há muitos, isto é uma montanha-russa, e vais ter vários ao longo dos anos que aí vêm. Se calhar há alguém do outro lado que está a pensar: "A Mariana é que está no hype agora, é que está no top. Eu quero ser como a Mariana." Nós não temos essa consciência. E nós, como estamos a acompanhar certas pessoas que também estão a investir nisto há muito tempo, estão a viver o seu hype agora. E nós olhamos e pensamos: "Esta pessoa é que está bem". Mas não, ela só está numa curva ascendente do seu percurso. E nós, se continuarmos a trabalhar e se as coisas continuarem a correr bem, pode demorar seis meses, pode demorar quatro, pode demorar um ano ou dois, mas vai vir o momento do nosso hype também, ou vai voltar a haver o momento do nosso hype. Só que nós não temos essa consciência porque está tudo a acontecer muito rápido. Não sei se isto fez sentido para ti.

Imagina, fez. Tu estás a falar mais em termos de carreira digital, mas isso também pode ser paralelismo para a vida e para tudo na geral.

Certo.

Eu acho que a comparação é mesmo importante fazê-la conosco, e eu passei a fazer muito mais isso, e isso tira muito essa pressão de não olhar para o lado e comparar mais com aquilo que nós vamos fazer hoje, do que olhar para trás, onde é que eu estava, como é que a Mariana estava a pensar, o que é que eu estava a fazer. Eu hoje em dia, se estou a reclamar da minha vida, reclamar de alguma coisa, algum projeto ou um dia a dia que não estou a gostar e estou a sentir que estou numa fase se calhar não tão hype ou não está a acontecer shining moments, eu paro e tento mesmo, conscientemente, obrigar-me a pensar: "Fogo, olha onde é que chegaste, olha a vida que tens, o que conseguiste construir. Fica só agradecida, grata por estares no momento em que estás e vive isso". Porque acho que é muito fácil nós entrarmos nesse loop de olhar para o lado. Eu tento olhar muito mais para mim há uns anos atrás.

Acho que isto é gratidão. Mas é verdade.

É isso mesmo.

Total desconhecimento.

É isso, estamos em 20 minutos de episódio. Ainda não acredito.

Já? Tens aí o timer.

Yeah. Pronto, a minha rosa eu pus que é, imagina, estou a viver uma fase, acho que também estamos todos um bocadinho nesta altura do ano, de festivais, calor, sol, despedida de solteira.

Tu estás living the life.

Eu estou living the life. E está sendo mesmo bom, mesmo leve. Estou a adorar esta fase porque estou cheia de planos, basicamente. E está bom tempo, e acho que toda a gente fica mais feliz e estou muito mais tempo com as minhas amigas, que é ótimo. Portanto, eu pus a minha rosa isso e também eu senti que estou num ponto em que me sinto muito livre da prisão que a rotina sempre me trouxe. Ou seja, eu preciso ser muito regrada em termos de alimentação, de treino, dos meus hábitos de sono, e sinto que estou numa fase em que eu estou muito chill com isso. Ou seja, se eu não treinar um dia, eu estou mesmo chill, se eu não comer bem, eu estou chill, estou num ponto em que eu nunca pensei chegar, em que isso não me está a trazer prisão.

Mas o que achas que mudou? Por que achas que não estás a sentir o que costumas sentir?

Porque acho que no processo de mudança que eu sofri, hoje em dia já sinto que eu sou assim, é a minha identidade de eu fazer desporto, eu ser saudável, que fugir à regra já não me causa isso, porque eu sei que volto sempre ao meu centro. Estou tão equilibrada comigo, eu acho, que fugir não me assusta porque sei que não vai recomeçar uma bola negativa. Sei que consigo voltar a mim.

Tu já és isso.

Já sou isso. Eu estou muito calma, imagina, estive agora três dias no Primavera, no festival, bebi, falei também sobre esse tema, que também foi um tema nas redes sociais, podemos também abordar um bocadinho.

Adorei esse momento.

Pronto. Bebi, deitei-me tarde, fugi dos meus horários, não treinei tanto e era uma coisa que há um ano atrás, apesar de eu já estar nesta mudança, foi uma coisa que me custou. Custava-me fazer isso, porque eu sentia que me podia perder outra vez, não confiava em mim. Percebes? Eu não confiava na pessoa que, ao fugir da rotina, depois não vá continuar naquele loop negativo. E hoje em dia, sinto que tenho confiança em mim para estar confortável em estar três, quatro, cinco dias, o que seja, fora da rotina, porque depois volto. Que é quem eu sou e sei que sou capaz e está tudo bem. Ninguém morre por isso.

Já te tornaste essa pessoa. Eu acho que isso tem a ver com, não diria trauma a palavra, mas o facto de tu quereres, de quiseres muito durante uma fase da tua vida mudar as tuas rotinas alimentares, de treino. Então, há sempre aquele bocadinho da Mariana antiga que tinhas medo que não voltasse.

E está sempre assim aquela vozinha: "Mas já não me chateia".

Porque a tua identidade já não é essa. Tu já te tornaste a pessoa das rotinas e hábitos saudáveis. Então faz todo sentido. É a regra dos 80/20. Tu sabes que eu também sou um cara que, regra geral, treino imenso, como superbem, eu na alimentação é muito raro vacilar. E eu tive estas duas últimas semanas entre concerto de Bad Bunny e festas, porque o verão começou, as festas de eletrônica começaram todas, e tu sabes que eu adoro e vou a muitas, porque estou de férias. Eu bebi muito mais do que costumo beber, recebi amigos que vieram de fora, dormiram várias noites lá em Lisboa comigo, eu fui sair com eles. Eu não treino há uma semana e meia. Já está a começar também a fritar um bocado a pipoca. Já me está a começar a fritar a pipoca, confesso. Ainda para mais vim para o Porto, mas pensei: "Eu sei que vão ser duas semanas e que agora eu volto à minha rotina", porque eu nem sei ser de outra forma, portanto, também está tudo bem.

Sim, eu acho que na fase em que eu estava um bocadinho mais: "Eu preciso mudar" Eu ainda não acreditava que eu era essa pessoa e que eu conseguia seguir esse registro sem voltar a deixar cair outra vez. Eu acho que é mesmo uma questão de confiança. E nós queremos as coisas sempre muito rápido, e eu na altura também queria sempre tudo muito rápido e sentir isto muito rápido. E agora chegar a um ponto em que consigo perceber que cheguei a essa calma, a essa paz em relação a este tema, deixa-me mesmo contente. E por isso é que eu também quis falar abertamente sobre a questão do álcool, porque para mim, nessa fase em que eu estive mais focada em mudar, eu cortei mesmo a 100% o álcool. E a minha personalidade era, eu chegava a uma festa e eu não bebo, para ninguém poder apontar o dedo e dizer: "Mas bebe aqui, não bebes?" Eu não bebo. Assim ninguém me chateava. E eu precisei disso para em mim eu ter essa confiança de se eu tenho o label de não bebo, ninguém me vai chatear e eu não vou ceder. Mas hoje em dia, e por isso é que eu quis falar disso, sinto que estou mesmo tranquila. E é bom sentir isso. E também quis partilhar, porque eu sei que quem também pensa assim, tem estes problemas com a comida e tudo mais, e imagem corporal, sei que não acredita que é possível chegar a esse ponto de calma. Porque tu falas do 80/20, eu sempre ouvi isso, mas na minha cabeça isso não é uma realidade. Para mim sempre foi o 8/80. Ou estou mesmo mega focada, ou largo tudo e não sei fazer nada. Na minha cabeça sempre foi os dois polos opostos e as pessoas diziam-me: "Mas tu vais chegar ao equilíbrio". Eu não acreditava que fosse possível. E acho que é importante partilhar isso para as pessoas terem a noção que é possível chegar a esse ponto. Mas leva tempo, leva muito tempo.

Mas é como tudo, imagina. Isto pode ser um bocado estúpido, mas fazer um paralelismo um bocado absurdo. Mas os primeiros anos de vida de um bebê ele depende 100% de ti. Depois vai se diluindo com o passar dos anos. Ele vai ganhando autonomia e eu sei que agora quando me lançar com o meu projeto, ele vai depender muito de mim no início, nos primeiros anos, e gradualmente vai deixando de depender e daqui a uns anos eu posso dizer: "Este projeto correu menos bem, mas tudo bem, 80% do que eu já fiz compensa os outros 20". Mas neste início não vai haver 80% que compensa e se eu falhar os 20. Portanto, faz muito sentido o que estás a dizer, mas eu acho que é muito importante chegar a este ponto, e também é saudável. Tu podias não querer beber de todo, mas se tu desfrutas de beber um copo com as tuas amigas, é saudável e importante que o possas fazer, com moderação, obviamente, também não és nenhuma bêbada, quando te apetece.

Sim, eu acho que é também muito associado à culpa, que nós muitas vezes colocamos em nós e que as outras pessoas também nos trazem. E eu sentia muita culpa quando fugia, porque eu estava a dizer que era aquela pessoa saudável, que era aquela pessoa que treinava.

Não deixas de ser.

É isso, mas na altura, para mim, isso não entrava na cabeça. Eu sentia muita culpa. E se me viam a fugir da linha, eu sentia que eu já não estava a ser aquela pessoa, porque eu não confiava em mim. E acho que é uma questão também de confiança interna.

É garantires-te.

Então, para mim, não fazia sentido falar de outra rosa, porque eu estou mesmo a viver uma fase mesmo leve neste tema e deixa-me mesmo feliz, porque deixa de ser um peso na vida.

Boa. Fico feliz.

Espinho. O que eu penso é uma coisa mesmo específica, porque também tem a ver com isto das rotinas, que eu estou tão soltinha, tão living life, que eu reparei que estas últimas duas semanas eu não fiz praticamente refeições em casa. A minha máquina de lavar louça só tem louça de pequeno-almoço, que é assustador.

Estás mesmo wild.

Portanto, eu continuo a ser uma pessoa saudável, vou a sítios e tento fazer escolhas melhores, mas é uma cena que eu quero trabalhar em termos de semente, porque também tem a ver o equilíbrio. É aquilo que estamos a falar. E estou tão leve em relação a isso e tão confiante em mim e bora aceitar e é verão e vamos fazer planos e vamos viver a vida, mas, por outro lado, também é preciso ter algum tipo de estrutura.

Mas deixa-me só acrescentar que eu acho que tem a ver com esta fase, é o que estás a dizer, é o verão. Nós estivemos a ressacar inverno longo. Poucas atividades na rua, frio, roupa, e agora de repente vem esta onda de calor.

Fica toda a gente boa.

Vem a vibe do primavera e nós queremos, estamos ressacados. Então acho que vais sentir isto agora estas duas primeiras semanas. Tu também foste à Ibiza, na despedida, voltaste.

E agora também estou a ir imenso a Lisboa e vou ter casamento e não sei o quê.

E agora vai começar a assentar. Tens muitos casamentos este ano?

Não, tenho o da Glória, que é para a semana.

Ok.

Pronto, mas está a ser tudo também muito seguido, muitas viagens, mas está tudo bem.

Vida a acontecer.

E estou fora da rotina e está tudo bem também, mas o meu espinho é também isso, de eu reparar que não estou a fazer refeições em casa. Portanto, estou agora consciente disso e vamos trabalhar sobre isso.

Espinhos e rosas de primeiro mundo.

Ya. A nível semente, o que eu pensei? Que eu preciso de ter estrutura em várias partes da minha vida para também não deixar as coisas descambar. Uma delas, que eu já avancei, vai ser a corrida, porque eu tenho corrido, tenho mantido sempre a corrida na minha vida. Um grande objetivo deste ano é eu correr a meia maratona abaixo de duas horas. Então tomei um passo de ter um treinador, o Nobre do alcance vai me treinar. E aí eu sei que há várias partes da minha vida em que eu não quero ter estrutura e quero me deixar livre, leve e solta, como ir fazer planos, estar com as minhas amigas, ser mais espontânea, e quero manter isso. Por outro lado, preciso em algumas partes ter estrutura para estar bem. Então vou ter um treinador de corrida que me vai ajudar a preparar os treinos e eu é só seguir, nem sequer tenho que pensar duas vezes. Tenho os dias certinhos que eu tenho que correr e pronto. Assim deixa de ser uma questão na minha cabeça, está ali os treinos por semana de PT, está tudo muito estruturado.

Não vais ter exercício, ou seja, musculação.

PT já tenho. Ou seja, tudo aquilo que deixas de ter de pensar tu, acho que é bom quando são outras pessoas que sabem fazer melhor e assim só tens de seguir. Portanto, nas áreas em que eu preciso de estrutura, estou a ir procurar essa estrutura. E o resto? Para ter esse equilíbrio, para no resto eu poder ser livre, leve e solta.

Sinto que é um bom mecanismo, uma boa abordagem.

Lá está, isto é tudo eu conhecer-me a mim. Eu sei como é que eu sou, sei que não quero deixar de chegar a esse ponto em que está tudo meio que livre É preciso ter rotinas, é preciso ter coisas estruturadas, porque eu sou assim. Sou virgem, ascendente em virgem. Eu sou aquário, ascendente em virgem. Para quem percebe de signos, eu sou muito astrológica.

Tu andas a puxar dessas cartadas dos signos, sabes que eu gosto, mas imagina, tu andas a puxar dessas cartadas muito ultimamente.

E eu estou a acreditar cada vez mais.

Porque tu não eras assim.

Pois não. Mas eu estou a acreditar cada vez mais, porque eu fiz uma leitura, eu acho que nunca contei aqui.

Fizeste o mapa astral?

Eu fiz uma leitura do mapa astral há dois anos. Que foi até a minha mãe que me ofereceu. A minha mãe é boa destas cenas e foi ela que me começou a incutir, até já fez cursos sobre astrologia e coisas assim. E ela ofereceu-me no aniversário a leitura do mapa astral e eu fui ler há dois anos e aquilo basicamente explica como é a tua personalidade e depois dá insights de como é que vai ser a tua vida para a frente, por anos, por fases, e o que tu devias explorar. E eu peguei naquela consulta, fiz transcript, tenho um documento de 40 páginas e de vez em quando vou ver partes da vida se estava a bater certo.

Não ficaste com o áudio? Eu fiquei com o áudio.

Eu devo ter o vídeo, mas eu fiz transcript para ser mais fácil. E aquilo fez muito sentido a minha personalidade e tem vindo a bater certo em muita coisa, então faz com que eu acredite mais.

Eu não sei o fundamento científico daquilo que vou dizer, mas eu acho que a astrologia já foi uma ciência, já foi considerada uma ciência. E com o passar dos anos, não sei porque deixou de ser, mas pensa que o mapa astral, eu já fiz, eu tenho sempre um bocado de ceticismo em relação a estas coisas, mas na dúvida, eu prefiro acreditar. Eu sou desses. Na dúvida, prefiro acreditar.

Mas em tudo ou na astrologia?

Na astrologia, em cenas mais espirituais. Há uma coisa na qual eu acredito sempre, que é a minha intuição, mas acho que essa é humana. É uma cena que vem conosco, essa não falha. Mas assim coisas mais Shangri-lá, eu também tenho uma leitura do mapa astral que faz muito sentido. Quando me leram aquilo, aquilo é quem eu sou, é muito estranho. E é muito estranho porque a pessoa não tinha acesso a nada sobre mim.

Nada. Na altura eu partilhei a data de nascimento, a hora, o local, e ela no início começou a debitar informação sobre mim, parecia que estava ali com um espelho.

É mesmo estranho.

Eu acho que todos acreditamos em alguma coisa na vida. Quem é cristão também acredita em Deus e também tem essa forma de ver. Eu acho que nós precisamos todos de acreditar em alguma coisa. E eu também não acredito 100%, mas acho que de tudo aquilo que existe, a astrologia pra mim é o que me faz mais sentido. Nesta fase.

Nesta fase.

Nesta fase. E às vezes entro em secções do TikTok em que estão a ler coisas como é que vai ser o teu próximo mês e não sei o quê, e coisas batem certo.

Há um que me está sempre a aparecer, ele tem muita piada, é aqui do norte.

Tens de me mandar. Não, vejo mais estrangeiros.

Ok. A astrologia faz sentido. E eu acho que tem ali um fundamento científico por trás, muito antigo, secular, que entretanto se foi dissipando com o tempo e hoje em dia não é considerado.

Sim, e ela acertou em muitas coisas sobre relacionamentos, sobre trabalho, tinha mesmo coisas que aconteceram. E depois quando tu percebes que está mesmo, te lembras disso, porque até a minha mãe, depois de partilhar com a minha mãe, ela leu aquilo tudo, até a minha mãe se vai lembrando. Vês? Olha, vês como ela tinha razão? E é engraçado.

Entretanto, desvirtuámos, porque disseste que és ascendente em virgem e que precisas ter estrutura na tua vida.

Pronto, mas é isso, a minha semente é um bocadinho essa, de encontrar este equilíbrio entre partes de estrutura e deixar também viver a vida e aceitar que está tudo bem com isso, de não ter estrutura em tudo.

Nesta fase estás desporto, estás estruturada por terceiros, tens alguém a acompanhar-te, seja em musculação, seja corrida. O teu trabalho estruturas tu e bem estruturado sempre.

Tudo, super. Podcast superestruturado, tudo.

Digital, tudo. Mariana Rio Marca Pessoal, tudo.

E depois há hábitos também, como por exemplo, o sono. Eu tento gerir um bocadinho a minha energia e os meus hábitos. Fui ao Primavera três dias, um dos dias eu não gostava tanto do cartaz. Então aí, ok, neste dia vou me poupar, vou me deitar mais cedo e tentar gerir. As horas de sono pra mim são superimportantes, priorizo isso. Mas depois posso no dia a seguir já beber um bocado de álcool e pronto, vou gerindo. Ir gerindo nesse sentido, mas priorizar estas coisas como desporto, alimentação, vou comer fora, mas tentar comer coisas mais ou menos saudáveis, tentar que o sono seja uma prioridade. Fazer isso e a parte mais de cabeça, de estar em terapia, que é uma coisa que eu também tenho gostado e também estou a seguir certinho. Voltei a fazer EMDR, aquela terapia que eu também falei há uns tempos aqui no podcast, terapia das bolinhas. E voltei ao journaling, e tenho feito muito. Também é uma coisa que não faço todos os dias, mas tenho feito regularmente e que também me ajuda a manter essa estrutura mental. São coisas que eu sei que me faz bem, eu conheço-me, então tento ter estrutura nessa parte pra depois poder aproveitar a vida, basicamente. Pra não deixar perder no caminho. Olha, e o que eu pensei pra nós fazermos hoje aqui no episódio? Existe uma trend agora no TikTok e no Instagram, não sei se já apareceu a isso.

Não.

É basicamente, as pessoas põem uma foto de há quatro anos atrás do mundial 2022, ou seja, uma foto delas dessa altura, e descrevem o que estava a acontecer na vida nessa altura. E depois põem uma foto de agora, quatro anos depois, e o que está acontecendo nessa fase da vida.

Vês tu as fotos nossas na edição do episódio?

Podia, também posso fazer isso.

Só desta parte.

Pronto, e o que eu queria fazer e também te pedi para tu fazeres essa análise, era pensarmos então no mundial de 2022, como é que estava a nossa vida, e no mundial agora de 2026. Pronto, e eu dividi isto mais ou menos por temáticas para eu falo de uma temática, tu falas da tua temática também.

Esse exercício não foi fácil.

Não?

Quando tu me perguntaste.

A mim foi superfácil.

Já foi há tanto tempo que eu não me lembrava onde é que estava em 2022, mas depois belizei-me.

Eu também não.

Sim, mas depois-

Eu fui ver fotos.

Eu já não tenho fotos de 2022 no telemóvel, mas não precisei, porque de repente lembrei-me exatamente onde estava e como é que estava a minha vida nesse momento.

Perfeito. Pronto, olha, eu tinha 24 anos. Baby!

Uau.

Estava a morar em Lisboa e na verdade, vamos entrar aqui na parte de casa, de como é que estava a tua estrutura de vida. Eu estava a mudar-me para a minha primeira casa sozinha, porque eu já me tinha mudado para Lisboa, estava a alugar um quarto na altura com uma amiga e depois dei o passo de quero ir viver sozinha, quero ter a minha casa, só que eu não tinha capacidade para pagar tudo sozinha, porque eu aluguei um T2. Então eu subarrendei o meu quarto a uma das minhas melhores amigas, que foi para lá viver. E foi das fases mais felizes que eu tive em Lisboa.

Foi onde começaste o Amiga Faz Parte.

Foi quando comecei o Amiga das Casa.

Amiga das Casa, desculpa.

E foi, portanto, a nível de casa, eu estava nessa fase de dar esse passo e foi superassustador na altura, mas como depois a minha amiga alinhou nisto, foi quase como ter um bocadinho de família em Lisboa. Então foi das fases mais fáceis de integração, fazia imensos planos com ela, sentia-me mesmo em casa. Depois quando ela saiu na altura até foi bastante complicado de lidar.

Mais emocionalmente ou financeiramente?

Foi as duas coisas, porque financeiramente era dividir uma renda, que era muito mais fácil para eu suportar, porque a parte da carreira também, que vamos falar a seguir, eu dei o salto de me despedir na altura. Então estava muito difícil de gerir financeiramente e com ela foi uma ajuda e também de ter esse suporte de casa lá, que quando me mudei para Lisboa foi assim o maior choque. Eu tinha amigos muito recentes, não tinha amigos de longa data, não tinha ninguém do Porto a morar lá.

Faz muita diferença.

Faz mesmo muita diferença, porque são aqueles amigos que tu sentes que é casa. E eu não tinha isso, era tudo muito novo. E pronto, lá está, estava a dar esse salto, a dar esse passo, a arriscar tudo, mas eu precisava ter o meu espaço também para essa fase. Sentia que era uma fase de recomeço na vida. Sentia que estava a começar uma vida nova total, porque também estava a despedir-me. E sentia que precisava de um novo espaço para isso e para construir casa em Lisboa. Portanto, também foi bem importante. E tu estavas a morar onde? Tinhas que idade?

Eu tinha 29.

29.

29, há quatro anos atrás.

Não, tinhas os 30.

Não, eu tinha 30. Eu já morava sozinho. Eu já tinha dado esse passo. Eu dei esse passo na pandemia. Eu fui para Lisboa em 2015, vivi cinco anos, sempre a partilhar casa. E depois numa altura em que houve uma oportunidade em que eu me consegui mudar sozinho e mudei. Sítio onde moro até ainda hoje, só que com uma particularidade, que é nestes quatro anos, o ano passado, eu mudei-me do restinho direito para o restinho esquerdo.

Isso é um upgrade.

Foi, porque a casa estava consideravelmente melhor e vagou e eu falei com o senhorio e fiz a troca. Moro no mesmo prédio, continuo a morar sozinho.

Então a tua estrutura de casa não mudou muita coisa.

Não, eu aí estava tranquilo. Só que, já vamos falar da carreira, houve aqui um grande rombo na minha carreira, a nível financeiro, que eu ponderei, estive muito perto de ter que voltar a arrendar um quarto. 2022, 2023 foram anos muito duros para mim, provavelmente os mais duros.

Ok, mais na parte financeira, então já vemos aí à frente. Pronto, em termos de casa, eu mudei muito porque eu na altura achei mesmo que Lisboa ia ser o sítio para mim. Quando me mudei, eu gostei mesmo muito e gostei muito dos anos em que estive lá. E em 2022 eu achava mesmo e dizia a toda a gente: "Eu vou ficar em Lisboa para sempre, vou criar família aqui, eu adoro isto, isto é a minha cena". Porque também tinha a minha amiga e apesar de depois dela sair e ser mais difícil de criar raízes, eu sentia que depois comecei a fazer mais amigos, a instalar-me mais, a mexer-me no meio e tudo, e comecei a sentir que Lisboa era o meu sítio. Portanto, fast forward, quatro anos depois, estou há um ano a morar no Porto, já.

Estás mais feliz ou não estás?

Muito, mil vezes mais.

Tu ao longo desses anos que tiveste, tu estiveste quatro anos em Lisboa?

Três.

Três anos em Lisboa. Sentes que fizeste amigos que são casa?

Fiz. Fiz umas três ou quatro amigas que eu convidaria para a minha despedida de solteira.

Já diz muito. Ao fim de 11 anos lá, os meus amigos que são casa, são os mesmos.

Mas isso também. Mas tem novos.

Tenho alguns novos. Eu não quero ser injusto. Fiz alguns bons amigos, mas não é a mesma coisa daqueles que vêm lá atrás.

Mas isso nunca vai ser, porque esses amigos conheceram outras versões de ti que estas novas personagens nunca vão conhecer.

Mas são amigos.

Nunca vão ter essa.

Mas é difícil fazer amigos, amigos. Eu conheço muita gente, conheci muita gente, tu também. Mas há alguma dificuldade em fazer amigos.

Por acaso estavas a falar disso, fez-me lembrar que eu nessa altura da minha vida, como estava a conhecer muita gente nova, eu achava que toda a gente era minha amiga, eu era mesmo ingênua.

24 anos, normal.

Eu pai nesse aniversário ou no ano a seguir, eu convidei 60 ou mais pessoas para o meu aniversário. Eu dizia que essas pessoas eram meus amigos. Malta de Lisboa. Algumas amigas do Porto e eu, mas era malta de Lisboa que eu tinha acabado de conhecer, eu achava que eram mega amigos. Eu era mesmo ingênua. Eu estava sempre rodeada e aceitava tudo, ia a todos os cafés. Era a minha fase mais dinâmica de sempre. Portanto, é engraçado estares a dizer isso, que eu achava que tinha mesmo muitos amigos lá.

E temos! Temos pessoas que gostam de nós.

Não, mas esses não eram teus amigos.

Mas não são pessoas que tu vais convidar pra tua despedida de solteira, é o que estás a dizer?

Não. Mas em termos de casa, estava a dizer, mudei-me para o Porto há um ano, estou há um ano a viver sozinha, 100% sozinha. Eu em Lisboa nunca vivi sozinha. Tive sempre amigas. Não era aquela primeira amiga, mas foi sempre rodeada de pessoas, para também me ajudar a suportar na fase inicial de carreira a nível financeiro. E estou a viver pela primeira vez 100% sozinha, e é ótimo, é incrível.

É imbatível, não é?

É imbatível.

Isso é um grande problema pra depois um cara arranjar alguém.

É imbatível.

É tão bom.

É tão bom. Não imagino de outra forma neste momento. E estou à procura de casa pra comprar, portanto sinto que descobri o meu sítio. Estou mesmo: é o Porto. Agora é Porto e acho que vai ser sempre Porto, parece-me. Apesar de eu ter muito trabalho em Lisboa, de estar sempre a ir, eu digo muitas vezes, eu era incapaz de mudar.

Tu preferes assim.

Eu prefiro assim.

Mas por quê? Eu queria saber a tua percepção e eu já te dou a minha. Por que tu não te imaginas em Lisboa?

O Porto acalma-me. Tudo isto, estar aqui.

E Lisboa te deixa ansiosa.

Deixa-me ansiosa.

Não é? Aquele lifestyle.

Mas eu adoro ir lá e eu sinto essa adrenalina quando vou. E é bom pra mim. Mas quando volto, eu respiro.

Sabes, eu adoro sentir a adrenalina, mas sabes como é que eu já queria estruturar minha vida agora? Saltando já pra 2026 e a atualidade. Tu sabes que eu moro no centro de Lisboa.

Isso faz diferença.

Isso é muito cansativo. Eu adorava poder continuar a morar na região de Lisboa, mas Oeiras, Linha. Mas Oeiras, eu adoro Oeiras. Gostava muito de poder viver num sítio mais calmo, no entanto, com todos os serviços e acessos, a 10, 15 minutos da confusão quando eu preciso, e ter ali minha vida estruturada um bocadinho mais longe do centro. É desgastante eu percorrer aquele trânsito todo de Lisboa até chegar a casa. É o filme de não ter onde estacionar o carro, ter que deixar o carro às vezes seis minutos a pé de casa. Parece que não, mas isso faz diferença. É um lifestyle que eu há 11 anos atrás era tudo o que eu queria, vê-me isto, eu quero mais. Quanto mais confusão, melhor.

Sim, eu acho que é a fase de vida, começas a chegar a outra fase, começas a valorizar a paz e a calma.

Eu só queria calma. E uma agenda aqui no Porto, está bem que eu só estou aqui há 24 horas, mas é uma delícia.

Tu estavas a dizer que tu sentes que Lisboa é casa. E eu nunca senti isso, porque eu tenho a minha família e amigos que são casa todos cá.

E eu tenho em Coimbra.

Pronto.

É uma distância.

Mas Coimbra não é uma opção.

Não é, de todo. Mas eu fiz isso e acabei por não terminar o raciocínio. Há vezes que me sinto muito sozinho lá. Porque há vezes em que eu só queria mesmo agarrar no carro ou ir ter com o David. "Puto, vou passar aí em casa." E sentava-me a beber um café com ele e dois dedos de conversa ou vamos dar uma corrida. Estás a perceber?

Eu tenho isso, isso faz boa diferença.

E tu tens outra coisa que é: tu queres ir correr, tu equipas-te, desces, andas X quilômetros e vais correr pra um sítio bacana. X metros, não quilômetros. Eu, se quiser ir correr em Lisboa, pros sítios que eu gosto de correr, eu tenho que pegar no carro, eu tenho que enfrentar 20 minutos de trânsito, eu tenho que arranjar onde estacionar.

Sim, mas isso é a zona onde moras, tu podes morar noutra zona em que consigas correr em Lisboa.

Pois bom dia.

Pronto. Mas sim, isso aí de ter-

Tal de Queixumes.

Imagina, é também ter a família perto, é poder ir almoçar ao domingo a casa, é poder estar com as minhas amigas: "Olha, vamos sair pra jantar hoje." Essa facilidade de ter as pessoas que são casa perto. E eu não tinha muito disso. Eu não tinha muitas amigas lá do Porto, muitas amigas que eram mesmo aquelas que tu consegues ser 100% tu. Eu sentia-me muito sozinha e acho que nada paga isso, pra mim. E o Porto, a cidade em si, também me traz muita calma. Então, em termos de casa, mudei completamente a minha opinião. Dizia que era Lisboa, deixou de ser. Construí base aqui e pra já, parece-me que se viermos falar daqui a quatro anos, eu acho que se vai manter esta base. Pronto, próximo tema?

Bora.

Amor.

Amor, começo eu?

Podes começar. Como é que estavas há quatro anos atrás?

Numa relação, creio que mais longa que tive. Ou seja, mundial 2022 foi verão de 2022. Esta relação acabou em março de 2023. Eu acho que estava conformado a nível de relação. Se estava 100% feliz? Se calhar não. Nós éramos muito diferentes. Gostávamos muito um do outro, mas éramos muito diferentes e o gostar não chegou. Mas só pra te dar aqui um contexto, 2022 eu tinha acabado de vir de uma viagem grande. Aliás, foi a última viagem grande que eu fiz. Tenho muitas saudades de fazer uma viagem de mochila às costas, mas desde 2023 pra cá, todo o meu dinheiro tem sido pra investir no meu projeto. Portanto, as viagens acabaram por ficar pra segundo plano. Tinha acabado de vir da Tailândia. E fiz essa viagem porque eu tinha acabado de vir de um período de, não quero mentir, mas acho que dois anos e meio ou um ano e meio. Não, dois anos e meio é muito. Foi um ano e nove meses, qualquer coisa assim, quase dois anos, em que foi ininterrupto, sem trabalhar. Porque eu trabalhava na PwC e nós só tínhamos férias em agosto. E eu, no verão de 2021, em julho, sou contratado pra empresa nova. Eu não tirei férias, eu emendei uma sexta com uma segunda e fiquei a trabalhar até abril de 2022. Foi uma loucura. Eu acabo de vir de férias da Tailândia Começou o mundial e a minha relação estava assim...

Por que tu deixaste andar, se dizes que já não estavas a sentir há algum tempo?

Porque eu gostava muito dela e queria que desse certo. Só que eu estava numa fase, é muito difícil eu estar a falar de tudo isto sem a parte que vem a seguir que é a carreira. Eu passei uma fase muito difícil na carreira nessa altura e gostava mesmo de ter sido apoiado de outra forma e ter sentido outra vibração daquele lado. Pronto, foi uma quantidade.

Assustava-te terminares aos 29?

Uma relação? Eu nunca tive muito, não.

Timings, nunca tiveste a questão de timings.

Se eu, na altura, queria muito que aquilo tivesse dado certo e eu achava que era a pessoa com quem eu ia ficar, sim. Mas quando percebi que não, essa decisão ficou tomada na minha cabeça e siga. Eu nessa altura estava preocupado que acabasse, mas não pelo timing, é por eu acreditar que fazia sentido com aquela pessoa.

Sim, fazeres o luto de que aquilo seria a tua relação.

Mas acabou e posso dizer hoje com toda a certeza, e é uma paz que tenho muito grande dentro de mim, que nunca iria dar certo. E ainda bem que acabou para mim e para ela. E hoje em dia até está noiva e vai casar e eu genuinamente estou feliz por ela, porque eu não tenho essa cena do querer casar. Se acontecer, se fizer sentido para a outra pessoa mais do que para mim, se eu gostar mesmo e tiver certezas, why not? Por que não casar? Mas eu não tenho essa cena. Ela tinha objetivo de vida. Nunca entendi muito bem também essa cena. Para mim, casar é uma consequência de algo que é maior e não propriamente eu me quero casar. Ela queria muito, então sei que está a cumprir o sonho dela, um dos, e está-se bem. Eu e ela nunca iríamos funcionar, éramos muito diferentes. Só que eu tinha 29 anos, foi uma relação em que eu acho que resolvi muita coisa.

Tiveram quantos anos?

Uns três, por aí.

Mas estás a dizer, tinhas 29 anos, estás a associar isso a seres mais imaturo?

Sim, era mais novo, não tinha a noção da vida que tenho agora. Ainda achava que fazia sentido continuar a bater naquela tecla e continuar constantemente a adaptar-me. Se calhar achava demasiadas vezes que o problema era eu. E adaptava-me constantemente, abdicava de certas coisas.

Sim, estavas a dizer que eram muito diferentes, então era aquilo que também estávamos a falar no início. Estavas constantemente a tentar te adaptar porque eram tão diferentes que chocavam.

Chocávamos.

E precisavas de moldar.

Moldar, moldava-me mesmo. Grandes partes da minha personalidade. Cheguei, na altura, até a cortar, meio que a restringir alguns laços que tinha. Sim, adaptei-me muito, mas depois aprendi e percebi que aqui não há certos, nem há errados. Eu é que me deixei arrastar numa situação que não era boa para mim. Pronto, e é isto. Ela tem a personalidade dela.

E o que é que aprendeste e a que é que te levou hoje?

O que é que me levou hoje?

Em que ponto é que estás hoje? Com base nessas aprendizagens.

O ponto em que estou hoje.

Não tens de contar nada específico.

Sim, eu percebi. O ponto em que estou hoje é que, voltando àquilo que tu disseste há bocado, nós não temos que mudar pela outra pessoa. Nós temos que fazer cedências, sim, mas a pessoa tem que gostar de nós por aquilo que nós somos. No meu caso, uma pessoa extrovertida, uma pessoa sociável, uma vida que ocupa muito espaço, muitos sonhos. Eu sou feliz e sou realizado a trabalhar. Isto não funciona para toda a gente, por exemplo, para esta minha ex-namorada era uma questão, porque também vem de um background muito diferente do meu. Estamos a falar de uma pessoa que sempre teve tudo, sem dificuldades. Eu não estou a criticá-la, atenção, só que ela não entendia a minha luta. Entendes? Ela não entendia a minha fome de querer fazer mais, de vencer, de ter as minhas coisas. Porque também como é que eu a posso julgar?

São valores diferentes.

São valores diferentes.

Não é estrutural, eu acho.

É isso. Então, para responder à tua pergunta, eu ando aqui às voltas, peço imensa desculpa. Fui dar uma rotunda para ter tempo de pensar no que te ia dizer. Não me moldar perante os outros, este sou eu. Também tenho muito mais certeza de quem eu sou. Eu comecei o processo de terapia em 2020, entretanto, já lá vão cinco ou seis anos. Descobri muito sobre mim e sei o que quero e o que não quero. E o que eu quero é uma pessoa que apoie, que admire esta minha caminhada e que queira fazer parte dela, no sentido em que ela não tem que ser protagonista da caminhada, mas que pelo menos apoie, compreenda e esteja lá. E é não vergar perante ninguém. É só isso. Foi o que eu aprendi. Portanto, eu hoje, é pão para os casqueijos. Isto é o que tu tens aqui. O script é este. Queres fazer parte? Se não quiseres.

Estás bem sozinho, também.

Estou. Estou bem.

Não estás assustado de estar sozinho?

Estou bem. Não tenho pressa. Eu sou novo, tenho 23 anos.

Acho que o meu público vai adorar estes takes. É que são todas mais novas, de certeza.

A nível biológico, eu não tenho.

Sim, tu não tens essa questão, a verdade é essa. Como é que eu estava na altura? Olha, estava solteira, mas estava numa situationship com um menino de Lisboa.

Ui.

Foi o pior que eu tive. Foi mesmo o pior. Mas era mesmo uma questão que eu imaginava uma relação com ele, mas já estava tudo na minha cabeça, porque nós nunca fomos nada.

Estavam juntos só fisicamente.

Sim.

Ok.

E a falar e não sei o quê, mas eu imaginava uma cena que nunca na vida iria resultar e eu criei uma imagem dele que nem sequer existia. E nem sequer o cheguei a conhecer assim tão bem. Foi sempre uma imagem que eu fui criando. Mas era daquelas que ia-me dando, depois ia-me tirando, dando, tirando, e eu estava sempre ali. E eu estava numa fase muito vulnerável de querer validação, não só das pessoas à minha volta, mas principalmente rapazes Precisava muito de validação e ele estava a dar-me. Dava de vez em quando e quando não dava, parecia que me tiravam tudo. Parecia que eu ficava sufocada. "Por que ele já não gosta? Por que ele já não quer?" Isso diz muito sobre mim.

Era o que eu te ia dizer.

Dizia tudo sobre mim, o ele dar-me essa validação. Alimentava-me e eu ficava muito presa àquilo. Portanto, em termos amorosos, eu por mais que fosse conhecer pessoas, eu estava numa fase em que eu só via aquilo à frente e não conseguia desligar e precisava de validação daquela pessoa específica. E demorei muito tempo, apesar de não ter tido nada, foi o maior tempo que eu demorei a livrar-me de uma cena assim, foi com essa pessoa. E foi uma coisa que não foi nada e que durou para mim dois anos.

Tu estiveste dois anos com ele, ías tanto.

Dois anos, íamos tanto. E eu estava presa àquilo.

Gostavas dele.

Gostava da ideia que eu criei dele, porque eu nem sequer o conhecia.

Isso é outra. Só para fazer o paralelismo, sabes porque me custou muito terminar esta relação que te falei? Vou acrescentar outro ensinamento: saber dividir bem, e eu acho que hoje sou bom a fazer isso. Saber dividir bem a idealização que criamos de uma certa pessoa e da relação que temos com ela, do que aquilo que é na realidade. Porque eu estive com uma pessoa o ano passado, em que a idealização que eu criei sobre ela e a relação que ia construir com ela, foi muito maior do que era na realidade. Quando eu percebi que era altura de virar as costas, eu dei várias oportunidades.

Mas é preciso haver esse clique.

Eu percebi: "Não, a idealização que eu fiz está muito distante da realidade". Porque quando é amor e quando tu te apaixonas, a idealização faz parte da magia, ainda bem que existe. Mas eu acho que as relações são mais saudáveis quanto mais próxima a idealização que tu tens na tua cabeça é da realidade. Quanto maior é a distância, mais atento tu tens que estar. E eu demorei muito tempo nesta relação de 2022 a deixar ir, porque eu fiquei preso à idealização, preso àquilo. Mas o que eu tinha na minha cabeça sobre a minha relação não era a minha relação. E eu demorei muito tempo a chegar lá. Mais um ensinamento, peço imensa desculpa.

Demora-se muito tempo. E eu também porque eu tinha estado num relacionamento de quatro anos e tal, que acabei quando tinha 20, portanto, foi muito tempo.

Começaste aos 20?

Sim. Comecei aos 15.

Começaste novinha.

Mas ele era quatro anos mais velho, portanto, eu tive de crescer. E esse relacionamento também foi muito intenso, muito tóxico, já fazia parte da família. E eu quando acabei isso, fiquei mesmo muito tempo solteira e sem gostar de ninguém. E quando apareceu este rapaz, foi a primeira pessoa que eu gostei. Eu agarrei-me tanto àquilo, porque eu sentia que eu não ia gostar mais de ninguém, porque eu já estive tanto tempo sozinha, não vou gostar de mais ninguém. Então eu agarrei muito a essa ideia que eu criei de que aquela pode ser a pessoa para mim. Por isso é que foi mesmo muito difícil largar. E só quando me deu esse clique, porque foi preciso mesmo tempo para dar esse clique e terapia e muita coisa, e muito journaling, tenho dois cadernos só sobre ele. Era bem intenso, mas só quando fez esse clique é que eu consegui mesmo avançar e começar a virar para mim. E foi aí que também aconteceu a mudança e a parte de carreira também deu o salto, porque eu estava mesmo focada em: "Eu preciso da validação desta pessoa específica".

Ainda precisas? Sentes que precisas ainda da validação do sexo masculino?

Não, de todo.

De todo mesmo?

De todo.

Boa.

Sinto que hoje em dia eu consigo. Aquilo que se diz, por exemplo, quando tu vais a um date, que tu estás mais interessada em perceber se a outra pessoa gosta de ti ou se tu gostas dela, eu hoje em dia estou 100% focada se eu gosto dela. E acho que isso diz muito.

Diz tudo sobre ti.

Diz tudo.

Mas isso é muito importante. E é engraçado, porque quanto mais nos movemos nessa frequência, também atraímos normalmente pessoas mais confiantes.

Ya.

E ficamos mais atraentes. Quando nós somos confiantes, tornamo-nos mais atraentes aos olhos dos outros. Mas nem precisa ser só em regime de dating. Amigos, pessoas que tu conheces.

Claro.

O Cristiano tem muita aura, fala-se muito da aura do Cristiano. Sabes que eu sou Ronaldo é o máximo. E aqueles vídeos que agora eles estão a publicar, indo de encontro ao tema, os vídeos que publicam dele no Mundial, o cara a mandar aqueles-

Bombado, aqueles óculos.

Todo sarado, ele a descer do avião quando chegou a Miami, com óculos da Gucci, uma aura. Aquilo é porque o homem acredita muito nele. Ele acredita mais nele do que todos nós. E eu acho que isto é um efeito dominó gigante. Tu já reparaste, eu não sei se o meu algoritmo está muito mundial. Muito.

O meu não está.

E há tantos vídeos de malta do México, Argentina não tanto, porque há aquela rivalidade histórica entre ele e o Messi, mas Brasil, principalmente. Há muita gente a dizer: "Eu queria que o Brasil fosse hexa, mas esse ano tem que ser desporto Portugal, porque é o último mundial do Ronaldo". E honestamente, o Ronaldo e nós merecemos. Acho que Portugal merece, mas acima de tudo, e eu quero deixar isto em podcast, o Ronaldo merece. O Ronaldo é, pelo menos desde que eu sou nascido, o maior promotor do nosso país que há memória, pelo menos nos meus 33 anos de idade. Se há outro, eu não sei. Mas o Ronaldo está no top três garantidamente, para mim top um.

E este episódio já vai ter saído depois do primeiro jogo do Mundial.

Esperamos ganhar. Bora, Ronaldo!

Estamos aqui a manifestar.

Aqueles haters todos. Irrita-me tanto a malta que diz que o Ronaldo está acabado e que ele não deve estar.

Vai ser o fim em beleza.

Enfim, vou começar a falar de futebol.

Não vamos falar de futebol, se faz favor, meu amigo, faz favor.

Desculpa. CR7, amo-te.

Em termos de amor é isso. Hoje em dia sinto que estou mesmo segura sobre mim, sobre aquilo que sou, sobre aquilo que procuro, que estou muito mais leve também. Eu não sinto aquela pressão. Tenho muitas amigas que sentem a pressão da idade e de teres de arranjar alguém.

Não sentes isso ainda?

Eu não sinto isso.

Isso é bom.

Eu não sinto isso, porque acho que as coisas quando acontecem, acontecem rápido. E seja no amor, seja nos trabalhos, nos projetos, no que for, eu sendo também uma pessoa um bocadinho espiritual, eu acredito mesmo que as coisas que são para ti vão chegar até ti.

Mas não estás à sombra do bananeira.

Eu não estou a dizer isso.

Eu sei.

Em nenhuma área da minha vida, eu sou a pessoa que vai a mais dates e a conhecer pessoas e cafés e amizades e isto e aquilo, sou a pessoa que mais faz.

Eu só estava a dar-te ganchos para tu continuares.

Mas aquilo que eu acredito mesmo é que aquilo que é para ti vai chegar até ti, no momento que for para ti. O universo trabalha a teu favor se tu fizeres as coisas. E eu vivo a minha vida assim, seja no digital, no trabalho, nos relacionamentos, eu acredito que nós não podemos forçar nada.

Mas a mudança tem que vir de dentro de ti, tal como disseste. Há quatro anos atrás, tu precisavas dessa validação, estavas presa a uma situationship. Hoje em dia, tu provavelmente nunca ficarias presa numa situação dessas. Tal como eu também estive presa a uma relação em que eu estava a idealizar uma coisa que não era realidade, porque a mudança aconteceu dentro de nós.

Porque agora eu estou confiante em mim.

Exato. O universo devolve-nos aquilo em que nós também acreditamos e vibramos. 100% de acordo contigo.

Eu sinto que não sinto essa pressão, porque apesar de eu ter 28 anos e de ter um relógio biológico, primeiro, não é como antigamente, a minha mãe teve uma minha aos 28 e não é essa a realidade hoje em dia, tenho muito mais anos para começar a construir família. E sei que as coisas quando acontecem, acontecem rápido. Quando é a pessoa certa, vai acontecer rápido. Portanto, não me assusta, porque sei que estou a fazer tudo para estar eu no meu melhor e continuar a crescer para todos os lados e a pessoa certa vai estar alinhada com isso. Portanto, não me assusta a fase em que estou.

Então e o próximo tema?

Carreira?

Carreira.

Vamos fechar com carreira, que já estamos há uma hora a falar. Em termos de carreira, como te disse, mudei-me para Lisboa, dei o salto de ir viver sozinha e estava precisamente na altura em que me despedi. Eu estava a trabalhar para a Espanha, para uma agência, tinha um ótimo salário, estava megaconfortável. Mas tomei a decisão de me despedir, não contei a ninguém, dei o salto e não estava tão bem preparada nem estruturada como tu estás, porque eu tinha 24 anos e foi só: "Caguei e vou tentar". Obviamente que eu sabia que tinha a rede por baixo, caso acontecesse alguma coisa. Nunca voltei a pedir dinheiro aos meus pais. Penei-me bastante em termos financeiros, porque as minhas amigas queriam na mesma continuar a ir jantar fora, a fazer viagens, a isto e aquilo, e eu não tinha, porque eu passei de um salário ótimo para não ter coisas garantidas, que eu estava mesmo a começar no digital. Tinha mesmo muito pouco seguro. Mas eu também tive essa confiança em mim de independentemente do que aconteça, eu sei que me consigo mexer para fazer acontecer. Então eu mexi-me e aceitava trabalhos freelance aqui e ali, geria redes sociais, fazia 30 por uma linha para conseguir ter o mínimo para mim, para eu conseguir manter o meu estilo de vida. Mas foram meses em que eu penei. E hoje em dia eu olho para esta decisão e penso: fui inconsciente, mas ainda bem que eu fiz, e fiz na altura certa e fiz quando precisei de eu fazer, porque com isso eu aprendi também a mexer-me ainda mais e a desenrascar-me. E sei que para chegar onde cheguei hoje, que obviamente pensando há quatro anos atrás, essa miúda nunca iria pensar que quatro anos depois ia estar aqui onde está. Mas acho que fez parte de eu dar esse salto e penar um bocadinho para também sofrer com essas consequências e com isso aprender e crescer. Portanto, acho que me ensinou muita coisa. De me mexer financeiramente. Hoje em dia sei que sou muito consciente também financeiramente por causa disso. Sou muito regrada, muito organizadinha por causa disso. E acho que tive que passar por isso.

Sabes que, independentemente de quem tem uma rede de segurança que sabe para onde pode cair, e ainda bem que tem, eu acho louco tu não teres contado sequer à tua família antes de te despedires e teres-te despedido só. Mas tendo essa segurança, tu sabias que não a querias usar, que ias usar só em caso de emergência máxima, tanto que não o fizeste, nunca mais pediste dinheiro aos teus pais. Mas teres essa segurança também é essencial e muito importante para te fazer deixar ir. E foi fixe. É fixe que quem tem, e realmente tem essas ambições, se tiver essa capacidade de trabalho e a capacidade de só em última análise é que eu realmente vou recorrer, mandem. Eu demorei tantos anos porque tive que criar essa cama, essa rede, e hoje tenho lá a rede construída por mim e demorei um bocadinho mais. Mas quem tem, acho que é fixe, se fores consciente, não é agora vou me despedir e só ir para a putaria e gastar o dinheiro todo dos meus pais e festas, isto e aquilo. Não, com estrutura, acho que é bacana as pessoas terem essa consciência e aproveitarem.

Sim, eu estou a dizer que fui louca, mas eu também na altura tomei a decisão depois de ter poupado seis meses de salário. Ou seja, eu já tinha uma segurança.

Tinhas pelo menos meio ano.

Tinha, mas o erro que eu cometi foi eu querer tudo de uma vez. Se eu mantivesse no quarto que eu estava a arrendar, eu estava a arrendar um quarto de € 200. Tinha sido para essa fase, tinha sido excelente para eu trabalhar sobre isso.

Mas tu quiseste ir para Lisboa.

Mas eu quis mais. Não, eu estava em Lisboa nesse quarto.

Estavas em Lisboa, sim.

Eu quis mais, eu quis arrendar uma casa sozinha. E a minha amiga não foi logo, eram rendas de € 900. Ou seja, foi uma diferença gigante numa fase que é instável. Eu acho que eu fui um bocado inconsciente nesse sentido. Eu tentei me preparar, mas ao mesmo tempo era tão miúda e queria tudo de uma vez, que fui só. E depois tive de lidar com as consequências e desenrasquei-me. E isso deu-me essa genica de me mexer. Mas, por outro lado, fui me metendo em tudo. Foi uma altura em que eu também quis apostar ainda mais na marca e contratei uma estagiária e quis lançar podcast e mais trabalho e mais coisa a acontecer, que não estão a trazer rentabilidade. Mas as coisas foram acontecendo e eu fui conseguindo também alocar, alocava mais ou menos metade do meu tempo a fazer outros projetos que não o meu digital, para conseguir suportar aquilo que era o meu sonho.

Mas fizeste bem em dar esse passo. Eu, a nível de carreira, em 2022, estava, como te disse, numa das situações provavelmente mais difícil, e vou ter que ir aqui um bocadinho atrás para te dar contexto. Eu trabalhava na PwC, uma Big Four. Não estava feliz, porque eu sou de Gestão, eu queria ter ido para Consultoria, naquelas brincadeiras que eles fazem, acabam por me pôr em Auditoria: "Se não gostares, daqui a seis meses trocas." Mas, por um lado, ainda bem que fui para Auditoria, porque dois meses depois de ser contratado, rebentou o Covid, porque eu não fui contratado em época normal, eu fui contratado numa altura whatever. Rebentou o Covid e muita gente de Consultoria que tinha sido recém-contratada foi para o olho da rua, mas Auditoria teve que continuar a ser feita. Eu fico um ano e meio a ser infeliz, a fazer Auditoria, não gostava nada. Saio para trabalhar numa agência de comunicação. Só que eu saio para esta agência de comunicação com um projeto muito específico. Eu fui contratado para ser consultor da empresa onde me despedi agora recentemente, onde eu tive um projeto de 10 meses, em que basicamente eu fui fazer o deployment. Eu fui ajudar a montar um departamento de comunicação, que não existia naquela empresa. E foi um projeto de 10 meses, em que eu estive lá 10 meses. Eu fui contratado com esse propósito. E o acordo que eu fiz na altura, quando saí da PwC, com essa empresa, foi: "Ok, eu vou para esse projeto, trabalho das 9 às 18 na empresa e das 18 em diante, tudo que vocês precisarem de projetos que ainda estejam a acontecer, eu dou uma mãozinha, mas o meu salário também tem que ser maior." Eu estava a receber muito bem. Este projeto de 10 meses acaba e eu vou agarrar só os projetos que existiam da agência. Só que eu não imaginei que o meu salário fosse baixar, porque isso também não tinha sido comunicado a priori. Eu sofri um rombo no salário de 25%. Foi muito dinheiro na altura. E então, eu entre 2022, que isto acontece, ou seja, venho da Tailândia, maio 2022, junho 2022, até março de 2023, que eu sou contratado por esta empresa em que fiz um projeto de consultoria, eu contraí uma dívida ao meu cartão de crédito de quatro pau, €4.000. E eu usava o cartão de crédito, não era para ir viajar, não era para ir para as festas, não era para ir beber, não era para nada. Era para ir ao supermercado, Mariana, e coisas do dia a dia. Foi mesmo um rombo muito grande. E eu aguentei-me até ao limite. Eu pensei para mim mesmo: "Eu aos cinco, eu vou procurar um quarto e vou ter que dar um passo atrás na vida para depois tentar."

Mas era o que eu ia perguntar, onde é que tu irias cortar da renda?

Era na casa. Felizmente, mais uma vez, universo, cenas, acredito que as coisas acontecem por algum motivo. A empresa da qual eu me despedi veio me buscar com ótimas condições. Eu muito rapidamente, acho que foi em três meses, quatro, também sou bué obcecado com isso, limpei a minha dívida de cartão de crédito, que aquilo andava-me a consumir pesado. E depois organizei minha vida e depois vem o arranque de todo o meu projeto no digital.

E se há quatro anos atrás te dissessem que já ia estar aqui despedido, o que é que tu acreditavas?

Não.

Ou seja, no Mundial, em 2022, tu estavas em que fase? Estavas PwC?

Não, já estava na agência.

Ok.

O projeto de 10 meses da minha empresa já tinha acabado e eu estava a começar o início da minha dificuldade máxima financeira na vida. Nunca tive dívida de € 4.000 num cartão de crédito.

Imagina, falar com esse 2022, esse Ricardo.

Esse Ricardo acreditava que ia encontrar uma forma de dar a volta, mas se me perguntares: "Em 2026, quando for o próximo mundial, tu já tens dois podcasts." Está bem, onde? Quando? Esquece. "E já nem trabalhas. Estás-te a despedir para arrancar o teu sonho." E eu: "Nunca na vida."

Não, nunca na vida.

Nunca na vida.

É impressionante, não é? O quanto quatro anos parece pouco e é uma vida.

É uma vida. No mundial de 2030, imagina onde estaremos.

É isso, eu queria te fazer essa pergunta para terminar, que eu pensei um bocadinho.

Pensaste?

Se tivesses de adivinhar o teu futuro daqui a quatro anos, o que tu dirias que seria?

Vou tocar nestes três pontos.

Sim.

Acredito que já tenha a minha própria casa.

Estás com 30 e...

Três. Não, aí estarei

37.

37. Muito provavelmente já estarei na minha própria casa e numa casa bué bacana. Acredito que vou estar numa casa bacana.

Em Lisboa? Ou Oeiras?

Oeiras. Ou fucking Oeiras. Eu adoro Oeiras. Ó Isaltino, vou ter contigo. Adoro Isaltino, by the way, também. Hoje é só referências. Estarei numa casa própria. O meu projeto, aquele que eu vou começar agora, acho que vai estar ainda em fase de crescimento, mas muito estável. Uma coisa já com muita estrutura, já com uma equipa bacana Eu queria dizer mais coisas, mas depois revela. Talvez um espaço novo.

Ok.

Maior, mais adequado para aquilo que vamos fazer. E a nível amoroso, eu gostava de acreditar que estava com a tal.

Casado ou não?

Casado ou não, isso é um bocado indiferente, mas a pensar, se calhar já com 37, a pensar em começar daqui a quatro anos, a começar a pensar em ter filhos.

É impressionante como os homens podem ter estes takes com 37 anos a pensarem em começar a ter filhos.

Não, porque eu antes de ter filhos também quero ter todo o resto da vida estruturada.

Não tens de justificar.

Mas quero ter a vida estruturada, estás a perceber?

Não tens um problema de lógica.

Mas eu quero muito ser pai. Tu queres ser mãe? É que eu quero muito ser pai.

Quero, claro que quero. Mas por isso é que eu estou a dizer.

Ser pai deve ser fixe.

Ter esse take era impossível para mim.

Era impossível.

Para mim. Portanto, vou estar com 32 anos.

32 anos é uma idade fixe, vais curtir.

Imagino-me no Porto com o tal também.

Já?

Claro que sim. Não tenho dúvidas disso. Imagino-me, casada ou não, também não é um sonho de vida, portanto também depende muito da outra pessoa. Mas imagino já com um filho ou dois, não sei.

Já?

Imagino.

Com 32 já mãezoca?

Um filhinho, sim.

É?

Imagino.

Uau!

Imagino com uma casa nossa, mas eu já tendo uma ou mais casas minhas.

Bora, miúda.

O "Amiga Faz Parte" ainda existir, ir evoluindo comigo.

Olha, que giro teres pensado nisso.

Mas imagino que o podcast ainda exista, mas que vá mudando se calhar de temas e estrutura ao longo destes quatro anos. Mas imagino também a ser uma peça central da minha vida, imagino a ter outros negócios, a continuar com presença no digital, mas a ter outros negócios fora do digital, outros projetos. Imagino a ter um ou outro livro publicado.

Tu pensaste muito. Eu estou a ouvir e estou com um monte de coisas que queria ter acrescentado.

Eu acho que foi isso que eu pensei.

Está bom.

Pronto. É isso. Vamos ver. Daqui a quatro anos, por acaso vai ser tão giro poder pegar nisto e fazer daqui a quatro anos.

Mas eu tenho que acrescentar, que é para daqui a quatro anos veres se faz sentido.

Ainda ter o "Amiga Faz Parte" para podermos estar aqui a falar disto.

Sim.

E ainda temos que continuar a ser amigos daqui a quatro anos.

Fogo. Sabes que a amizade é uma escolha e eu acho que nós fazemos essa escolha de forma consistente. Mas só para acrescentar, porque fizeste uma pergunta. Eu acredito que o "Next Top Campanhã" ainda vai existir, porque eu vou voltar agora em breve novamente com esse podcast, que é importante para mim. Também se calhar vai sofrer metamorfoses ao longo do tempo. Não sei se o "Se os Meus Pais Soubessem" existirá.

Faz-me sentido.

Porque acho que o "Se os Meus Pais Soubessem" é um projeto que vai ter aqui o seu tempo.

De antena.

E depois, ou se transforma noutra coisa, mas como é agora, acho que já não vai existir. E depois acredito que, em paralelo com este projeto que eu estou a lançar agora, eu, Ricardo Campanhã, que agora vou viver a vida que sempre quis viver, também vai crescer muito no digital e daqui a quatro anos eu já esteja a falar contigo aqui, para pôr um número nisto, com mais de 100 mil seguidores.

É? Vamos.

Não? Eu acredito que é possível.

Acho que é factível, quatro anos é uma vida, já conseguimos isso, é uma vida. Mas sim, acho que, por exemplo, em termos de "Amiga Faz Parte", vais olhar que eu não estava em 2022, mas em 2023 a começar o "Amiga Dá as Casas", é capaz. Ou seja, é o mesmo projeto, mas mudou.

Sim.

Sofreu uma mudança. Portanto, pode nem se chamar "Amiga Faz Parte" daqui a uns tempos, daqui a dois, três anos.

Eu por acaso acho que o teu nome está muito bem conseguido.

Pois, eu também acho que vou manter.

E "Amiga Faz Parte", dá para dizer AFP. Eu digo sempre AFP.

Pois diz.

AFP, eu gosto.

Pronto, daqui a uns aninhos voltamos.

Falámos e bem.

Uma hora e 20. Estamos.

Obrigado por me receberes na tua casa.

Daqui a uns meses voltas aqui para mais uma terapia de amigos. Não é fácil, eu sei, mas, amiga, faz parte. Encontramo-nos domingo à hora do costume?