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Now it's too late. The world has changed. And so do I. I see colors shine so bright. This smooth breeze feels so nice. The flowers bloom. I'm a cartoon walking by. I feel so happy. Oh, life is good. I wanna sing and meet the moon. Yes, I'm in love. Oh, so in love with you. Oh, shoot. You make me smile. Love is a cliché. But what I feel for you, it's different, baby. Took me a while to know how to love myself. But now I do. And to be honest, I was doing fine. But now that I found you, I want you by my side. So please stay. Let's celebrate our love. Oh, baby. Watch the sunset turn to red. Hold me close to you. Never let me go back. Never let me go back.

Dashik na Rádio Observador. Teresa, muito bem-vinda. Escutamos aqui "Cartoon", é uma das novas faixas do novo disco da Dashik, que tem poucos dias, chama-se "Up in the Clouds", é o quarto trabalho de originais da Dashik. Bem-vinda, como estás?

Um bem-haja, obrigada.

Obrigado. E obrigado ao Artur Costa, que está aqui a garantir o som da Dashik. Belos cuidados técnicos. Ouvimos a "Cartoon", é uma música, de resto, que tem passado aqui na playlist da Rádio Observador, assim como a "Eu Queria". Fala-me um bocadinho deste disco. Encontrei uma Dashik bastante diferente dos outros trabalhos. O "Curly Mess" e o "Chick to Chic" são uma espécie de, no hip-hop, é um mega trip, não é? Tipo, I'm here, acabei de chegar, estou aqui, sou eu. E depois também os outros discos já achei que cantaste a experimentar também eletronicamente outras paisagens. E neste estás muito smooth. O que é que aconteceu?

Epá, não sei.

Estás up in the clouds. É como o título do disco, não é?

É. Olha, este disco nasce de uma fase muito luminosa e apaixonada em que me encontro. E este sentimento de up in the clouds é isso mesmo.

Super nota-se.

Super nota-se. É muito encontrar este equilíbrio entre esta leveza, este estado de espírito, mas também uma consciência à distância a que estou do chão. Tem esta piada, ou seja, eu prefiro escolher estar nas nuvens, mas acho que pela primeira vez estou ciente à distância a que estou do chão. E então essas canções são um bocadinho tentar arranjar esse equilíbrio entre leveza e consciência, porque apesar de tudo eu tenho noção dos tempos que vivemos, bastante imprevisíveis e duros, complexos. Mas este disco também é um bocadinho a minha forma de resistir a isso.

É um disco também que satisfaz muito ouvir nesta altura em que estamos a caminhar para o outono. Não sei se me faço entender, porque ele é bastante solarengo. Tem uma vibe de final tarde de verão em muitas canções e é engraçado que ele chegue nesta altura, porque vai fazer ainda mais sentido nós recordarmos esses dias.

E tem esta vibe também, acho eu, lo-fi. Tem muitos detalhezinhos espalhados pelas músicas.

Ia-te perguntar-te isso, o que é que foi manifestamente diferente fazer este disco de outros, em termos dessas paisagens sonoras que procuravas?

Para já, o momento esse que acabei de falar, do momento em que me encontro.

Mas usaste coisas diferentes?

Mas a nível sonoro também. Basicamente, este disco até nasce desta "Cartoon", que eu tinha composto à guitarra e fui partilhá-la, fui mostrá-la a um amigo de longa data, o Miguel Nicolau, do Memória de Peixe, e disse: "Olha, tenho esta música, mas o que é que tu achas dela?" E ele: "Adoro esta música, adoro como ela está, mas gostava muito de a trabalhar contigo". E então ganhou toda uma nova roupagem. E a partir daí decidimos: "Olha, afinal vamos fazer mais músicas", até percebemos que estávamos a fazer um álbum.

Ele colabora nas outras canções também?

Em todas, ele é o produtor É o produtor e compositor parceiro neste disco. Ou seja, eu tinha uma série de demos que partilhei com ele e partimos dessas demos e trabalhamos as músicas em conjunto.

É engraçado também terem nascido à guitarra, porque imaginava que a maior parte das tuas canções até nascessem num teclado, num synth.

Não. Sabes que eu fui estudar guitarra. Então, não sei. Eu acho que tem muito a ver com isso. Acho que foi aquele instrumento que eu estive muito agarrada nos últimos anos, e acho que isso teve influência.

Por que decidiste estudar guitarra? Já estando instituída na música.

Certo, eu andei quase 15 anos a fazer música sem saber o que eu estava a fazer. E estava tudo bem.

Uma autodidata.

Sim, tudo bem. Mas tinha muita curiosidade em estudar. Gostava de dar nome às coisas, aprender técnicas e poder organizar as gavetas todas na minha cabeça. E isso ajudou-me muito, sobretudo a compor. Lá está, o ter composto estas músicas todas à guitarra. Se eu não tivesse ido estudar guitarra, eu não as tinha composto, elas não existiam. Portanto, são estes desafios que eu gosto também de ir colocando, e são eles que também me acabam por inspirar e dar ideias para álbuns.

É um disco também mais soul, jazz e menos funk e pop?

Sim, eu acho que o funk e o hip-hop está lá sempre. Por exemplo, no último single que eu lancei-

"Satisfy My Soul"

..."Satisfy My Soul", há ali uma série de piadas, hip-hop. Eu quero acreditar que todos os gêneros que eu já conquistei, entre aspas, permanecem. Percebes? Eu vou é desbravando o novo mato. E são adições. E é algo que eu sempre disse, eu sempre disse que da Chico é um coquetel. Eu previ isso, muito cedo.

Em videoclipe e tudo.

Sem saber eu o que eu estava a dizer com aquilo, mas a verdade é que eu estava muito certa nessa altura. E então, é isso, a cada disco que passa, eu sinto: "Então e agora?" Perguntas. "Mas então e quais são os próximos?" Não sei.

Queria só introduzir aqui um tema da atualidade, não sei se te toca ou não. Tivemos há dias a morte do D'Angelo, que é uma voz do que se chama a neo soul e que influenciou tanta gente, muitos outros artistas que se calhar tu também aprecias. Gostavas da música do D'Angelo? Essa coisa da neo soul é uma coisa que também te atrai?

Claro, sempre. E o D'Angelo, na verdade, eu adoro, mas dos artistas neo soul e dos chamados soulquarians, que é aquele grupo em que constava a Erykah Badu, os De La Soul, uma série de malta. O D'Angelo, se calhar, de todos, não era aquele que me inspirou mais no sentido de fazer música, mas é um rei do estilo e, além disso, teve um impacto social também muito grande. Foi um artista muito importante, que teve um papel muito importante, preciso na música e necessário na música. E sim, claro, quando soube desta situação, fiquei bastante triste, mas é isso, a obra perdura.

Sem dúvida. São só três discos, mas são três grandes discos. Fala-me um bocadinho destes concertos que acontecem agora em novembro. Há concerto no Beleza em Lisboa, dia 6 de novembro, depois no dia 15 de novembro, da Chica ao vivo no auditório do CCOP, no Porto. Como é que acontecem estes dois concertos? Levas banda, quem é que está contigo?

Levo banda. Não vai ser assim, não se assuste.

Estava ótimo, pra mim estava ótimo.

Vai ser muito diferente. Olha, com uma banda nova, com dois meninos que já me acompanhavam agora nestes últimos concertos, que é o Ricardo Amaral na guitarra e o Filipe Chaves na bateria, e vou ter duas novas aquisições. Vou ter, pela primeira vez, uma mulher na banda, que era algo que eu há muito tempo gostava que tivesse acontecido. E agora sim, Débora King nas teclas. E no baixo, o Hugo Ganhão. E vamos tocar o disco na íntegra. São dois concertos dedicados ao disco, mas claro que também vai haver umas brincadeiras, vamos buscar ali uns oldies, obviamente.

Casam bem estas canções, num alinhamento com as tuas? Já pensaste nisso?

Está tudo a ser montado de raiz, vai tudo fazer sentido. E eu acho que sim. Isto é um disco. E estas músicas ao vivo vão ter outra roupagem, que eu ainda vou descobrir o que é que vai acontecer a estas músicas em 2026. Mas eu acho que há espaço pra tudo. Eu acho que isso também é interessante, e era isso que eu durante muito tempo tive falta nos concertos, de não ser sempre power a partir da música um à música 14. Isto ajuda também muito ao storytelling. Este é o quarto disco de originais, já dá pra fazer este exercício, das pessoas irem a um concerto da Chico e não ser só aquilo. O concerto da Chico é uma história, há uma história pra contar. Eu em 2012 era uma pessoa muito diferente Mas não vou deixar de apresentar essa pessoa ao público. Isso pra mim é só um desafio bom.

Boa. Só uma coisa, só pra terminar, que eu acho que se nota uma espécie de marca d'água do que são as tuas canções ou do que é o teu gênero, é que mesmo que estejas mais agressiva, como estavas a dizer, ou mais em cima ou mais smooth, como este disco. Há um certo feel good nas tuas canções, uma certa ideia de sunshine e de vibração positiva que eu acho que se mantém e não percas isso, porque faz-me sempre bem. Vamos ouvir outra canção. "Eu queria", é, de facto, a minha preferida deste novo disco da Shick. Gosto de te ouvir cantar português, não falamos sobre isso, mas agora estamos sem tempo. Fica pra outra oportunidade. Sigam também a Dashick nas redes sociais. Há estes dois concertos a 6 de novembro, no Belés em Lisboa, 15 de novembro, no Auditório BCP no Porto. Espero que mais sigam, ela comunica por lá assim que eles se confirmem. Obrigado por teres vindo à Rádio Observador. Muitos parabéns por este "Up in the Clouds" da Shick, no ao vivo desta semana. Obrigado.

Obrigada. Obrigada por ter ouvido este podcast. Se gostou, pode subscrevê-lo, pode partilhá-lo e também pode ouvir a Rádio Observador Online em 98.7 em Lisboa e em 98.4 no Porto.