Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Ela tem mil sonhos e quer ser feliz. Escreve o seu nome com um pau de giz. Anda de acelera sem pressa de rir. Joga bola e ténis pra se divertir. Ela é valente e mais parece ser. Jogadora assídua, forte a bater. Faz rolar a bola e muda a direção. Mete força nisso e tira os pés do chão. A dança que danças, para onde vai? Avança e balança, tropeças e cais. Dizes o credo nos teus rituais. Perdes o medo, entras e sais. Desenha rabiscos na palma da mão. Tem o arco-íris na imaginação. Mostra o sorriso a quem o merecer. Jeito de menina já feita mulher. Logo se faz frio, começa a correr. Tem olhos molhados, é o vento a bater. Põe o capacete, faz meio pião. Assim bate forte o seu coração. A dança que danças, para onde vai? Avança e balança, tropeças e cais. Dizes o credo nos teus rituais. Perdes o medo, entras e sais. A dança que danças, para onde vai? Avança e balança, tropeças e cais. Dizes o credo nos teus rituais. Perdes o medo, entras e sais. A dança que danças, para onde vai? Avança e balança, tropeças e cais. Dizes o credo nos teus rituais. Perdes o medo, entras e sais.

"A dança que danças" é uma das novas canções do João Pedro Pais, apresentadas aqui ao vivo nesta tarde de sexta-feira. O João Pedro Pais está conosco no ao vivo. Muito obrigado por teres vindo. João, bem-disposto?

Obrigado eu.

Estás bem?

Estou ótimo.

É um prazer receber-te aqui. "Amigo Improvável" é o novo disco do João Pedro Pais. É um disco muito interessante, primeiro porque dista algum tempo de diferença do teu anterior. Fala-me um bocadinho de como é que nasceram estas canções, quais foram as grandes motivações líricas também para escrever estas sete novas canções que fazem parte do "Amigo Improvável".

As canções surgem de uma maneira muito natural, vão surgindo consoante aquilo que eu vou vendo, que eu vou lendo, que eu vou ouvindo. Faz parte estar sempre com a viola pra me motivar e também aqueles que eu ouço também me influenciam muito. A música que eu ouço dos outros para que eu tenha criatividade para compor os meus próprios temas.

O que é que tens andado a ouvir?

Ouço muito, ainda um disco muito antigo, "A Noite Passada", Sérgio Godinho. Dá-me um gozo imenso. Aliás, eu digo-lhe isto, quando eu invisto com ele, temos um almoço combinado em breve com a Fábia Rebordão e o Jorge Fernando. Mas eu digo ao Sérgio: "Você motiva-me". E ele: "Epa, não me trates por você, trata-me por tu". E eu fico meio envergonhado pelo respeito. E ele: "Mas o respeito não se vê, se me tratas por tu ou você". Mas eu digo-lhe o quão sou fã. Sou fã do Sting, adoro. Eu acho que a humanidade inventou um compositor como o Sting, é uma coisa do outro mundo, como o McCartney. Sou muito eclético quando ouço música, gosto de muita coisa, música portuguesa, principalmente.

Este disco tem algumas particularidades. Primeiro, tem um vídeo, o "A Nossa Hora", que é realizado pelo André Tentugal, que é um tipo assim mais da nova geração, mas que há muitos anos é um valor seguro da realização dos videoclipes. Como é que foi trabalhar com ele?

Sim, apresentaram-me o André. Eu já tinha trabalhado noutra ocasião, mas eu e mais colegas, não foi individual. E agora surgiu trabalhar com ele a fazer o primeiro single. É um tipo simpático e muito profissional.

Depois tiveste que ir ao Porto, se calhar, que é logo um bom piso.

Andar pelas ruas de Leça e de Matosinhos às 3:00 da manhã a correr cheio de frio, mas faz parte.

Não se nota nada no vídeo, ficou bem. Há aqui uma outra participação que eu fiquei curioso, porque tu tens uma canção com o Bispo, que é também um autor da nova geração, mais ligado até também ao hip-hop. Como é que nasceu essa colaboração com o Bispo? A música chama-se "Recomeço".

Porque eu falo sobre a vida dele, ele conta-me a história da adolescência, onde é que vivia, e também porque, diz ele, que a mãe dele o punha a ouvir as minhas canções quando ele era criança. Então ele habituou-se a ouvir-me e quis também estar comigo nesta parceria musical. E o "Recomeço" fala sobre uma história de amizade e de conselhos entre o mais velho e o mais novo. Aliás, ele não me trata por João, chama-me mais velho.

Isso é um caso em que essa amizade ou empatia transcende, se calhar, até os gêneros de onde vêm, não é? Os gêneros musicais que praticam.

Sim, claro. Há coisas que eu lhe mostro que ele não conhece tanto. Eu toco-lhe muito no aspecto da música portuguesa. Eu digo: "Pedro", ele é Pedro Bispo, eu digo: "Tens que ouvir Fausto, Bordalo Dias". A métrica, como o Fausto atacava as palavras, muito dificilmente alguém o imitará, porque o Fausto era soberano, era superior musicalmente. A maneira como diz as palavras, porque a sílaba tônica tem que acompanhar a harmonia também, a melodia. E aquilo é muito difícil de interpretar. Tanto o Fausto como o Sérgio Godinho. E depois ouço coisas mais fáceis de tocar e mais fáceis de cantar.

Imagino. Fotos do Bryan Adams. É uma amizade antiga que tens com o Bryan Adams, é um artista também muito-

Conheci o Bryan em 2003, quando fiz a turnê ibérica com ele. Começamos em Barcelona, Alicante, Madrid, depois viemos para Guimarães. Existe essa fotografia, o primeiro abraço que eu dou ao Bryan Adams é no pavilhão multiuso de Guimarães. E depois em 2004, fui gravar o meu álbum com a banda dele para o estúdio do Bryan Adams em Vancouver, Canadá, com o Keith Scott na guitarra, Mick Curry, que tinha acabado de tocar com o Cult, fez a bateria, Luís Jardim no baixo. E a partir daí, eu ganhei uma grande amizade com o Keith Scott. O Keith Scott toca com o Bryan desde 1980 até hoje. E há uma cumplicidade. Claro que não sou o melhor amigo, sou um amigo improvável.

Olha, bem.

Um amigo improvável. E daí o nome também do álbum ser "Amigo Improvável".

O disco tem fotos do próprio Bryan Adams, fotos tuas tiradas por ele. Ele também é um tipo que não se fica pela música. Como é que foi escolher estas fotografias? Participaste também na escolha delas?

Sim, foi à minha frente. Nós decidimos logo, ele deu a opinião. Só realçar, o Bryan Adams trabalha com a Vogue internacional. Era o Bryan Adams quem fotografava a Amy Winehouse e fotografava a rainha Isabel II e o Mick Jagger. E fez agora há pouco tempo uma produção com o ator Willem Dafoe. E eu sabia que o Bryan tinha feito uma coisa pra Vogue portuguesa com a Carminho, Ana Moura e Gisela João. Então eu perguntei-lhe: "Eras homem pra me fotografar?" Era tramado, porque ele estava em concertos no último novembro o ano passado, estava em concertos no próprio dia em Portugal. E sim, arranjou quatro horas pra me fotografar. E eu nesse dia estava tão nervoso que eu não quis ficar a ver o concerto dele, então fui ter com o Sérgio Godinho a uma casa de Fátima ali no Campo das Cebolas, ao pé da Fundação Saramago. E fui pensar na vida, mas estava muito tenso, porque foram quatro horas de uma exigência como eu nunca tinha tido para me fotografar, porque eu não tenho experiência.

Nunca tinhas sido modelo, não é?

Sim, não tinha sido modelo.

Apesar de seres bem-apessoado.

E a maneira como ele queria que eu fizesse em movimento, fotografias em movimento, parado.

A capa tem essa ideia.

A capa tem. E depois pra criar essa sombra, exatamente, com uma máquina antiga.

Ficou superbem. Dei muita zoada.

Fotos a preto e branco. E gostei, foi uma experiência brutal pra mim.

Tu tens tido um ano incrível também, até com concertos internacionais, Suíça, Canadá. Como é que têm sido essas experiências e já agora também, se isso te tem dado bagagem para o próximo dia 8 de novembro, no Tivoli, teu próximo grande espetáculo aqui em Lisboa.

Sim, corre-nos bem. Este ano foi muito prazeroso mesmo. Agora, o Tivoli é um fechar deste ano, é o fechar deste ciclo, mas que as pessoas compram bilhete pra nos ir ver. E é esse o cuidado que nós temos. Ok, tentar não fazer um concerto com aqueles que fizemos durante o resto dos espetáculos ao ar livre. Então vamos mudar algumas coisas acusticamente, porque costumamos tocar muito elétrico. Hoje eu vou tocar em Alvito, Alentejo, esta noite. E claro que o espetáculo do Tivoli vai ser um pouco diferente. Claro que as canções vão lá estar, as mesmas canções, as canções que marcaram pessoas, contam a história de vida das pessoas, mesmo que eu não as conheça pessoalmente, mas isto não há volta a dar. Nós respiramos o mesmo ar, temos os mesmos amores, desamores, as caras é que são diferentes, os nomes continuam a ser iguais, praticamente.

Quem te acompanha? Levas uma banda maior?

Sim, somos cinco, como sempre fomos. Somos o Pedro nas guitarras, o Rui no piano, na bateria o Fernando e no baixo o Donnie Betencourt, que é sobrinho do-

Do Nuno?

Do Nuno Betencourt, sim. É o filho do irmão mais velho da família Betencourt. O Nuno Betencourt é o mais novo e o pai do Donnie é o mais velho.

Engraçado. Muito bem. Bela banda aqui para ver também com o João Pedro Pais, ao vivo no próximo dia 8 de novembro, no Tivoli, em Lisboa. É um espetáculo que também tem as canções do novo disco "Amigo Improvável", mas que tem também os maiores sucessos de uma carreira longa do João Pedro Pais. É um dos nomes mais reconhecidos da música nacional e é um desses sucessos que traz também ao ao vivo para fechar o programa de hoje. Muito obrigado por teres vindo à Rádio Observador. Bom concerto logo no Alvito, no Alentejo, e no dia 8 de novembro então no Tivoli, em Lisboa. João, muitos parabéns.

Obrigado eu.

E obrigado por teres vindo.

Um grande abraço pra ti e pra todos os ouvintes da Rádio Observador. Sejam felizes, um grande abraço.

Força, vamos a isso.

Quando adormeces e fica um vazio. Quando me tocas o corpo que é duro e frio, mesmo que o sinta. Não dizes nada Quando me abrasas, tudo estremece. Quando me beijas, o escuro enlouquece. Tu não sentes, nem sabes nada. Não dizes nada se não estou, ficas calada se me vou. Tu não sabes nada de nada. Pouco te importa a quem me dou. Nunca lutaste por quem eu sou. Estava certo e tu errada. Quando me aqueces, fico nos teus braços. Quando me esqueces, perco os teus passos. Nem tu sentes mesmo nada. Quando o teu suspirar rompe o silêncio, quando te perdes por momentos. Tu não sentes, nem sabes nada. Não dizes nada, se não estou, ficas calada, se me vou. Tu não sabes nada de nada. Pouco te importa a quem me dou. Nunca lutaste por quem eu sou. Estava certo e tu errada. Quando te toco pela última vez. E o trem arranca depois das 15h. Já estava marcada. Não dizes nada se não estou, ficas calada se me vou. Tu não sabes nada de nada. Pouco te importa a quem me dou. Nunca lutaste por quem eu sou. Estava certo e tu errada. Não dizes nada. Ficas calada. Tu não sabes nada de nada.

João Pedro Pais, ao vivo na Rádio Observador, cuidados técnicos do João Tição e aqui com uma claque nas nossas produtoras, Maria Nunes e Catarina Duarte, ali fora, a adorar as músicas de João Pedro Pais. Obrigado por teres vindo. Parabéns.

Obrigado, um grande abraço, Nuno.

Obrigada por ter ouvido este podcast. Se gostou, pode subscrevê-lo, pode partilhá-lo e também pode ouvir a Rádio Observador online em 98.7 em Lisboa e em 98.4 no Porto.