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Seja muito bem-vindo ao "Ao Vivo" esta sexta-feira. Não temos música na Rádio Observador, mas temos stand-up comedy. Está conosco o João Pinto. Poderíamos começar por fazer uma antevisão das eleições do Benfica. Não sei se vai estar na emissão especial Benfica-Arouca amanhã, João.
Se calhar.
Mas deixamos isso para amanhã.
Exatamente. É difícil perguntares uma coisa dessas quando eu estava aqui a pensar noutro assunto, e o assunto que eu estava aqui a pensar e pergunto, Nelson, é se tu já fizeste a transição.
A transição?
Já fizeste a transição para elétrico?
Não, acho que não.
Não andas de carro elétrico, não queres saber do planeta. Basicamente, a tua posição em relação à ecologia é esta e é terminada. Mas é uma escolha tua, está tudo certo, não tem problema nenhum. Eu pessoalmente já fiz. Não te estou sequer a espezinhar por causa disso, mas já fiz. Se fiz de propósito? Mais ou menos, porque fiquei sem carta e agora estou de Fertagus, que é elétrico. E depois tu perguntas: "Então, mas como é que isso aconteceu?" Fácil. Eu vou ali no tabuleiro da ponte, passo a portagem, há um polícia e manda-me parar. E o polícia diz-me: "Você sabe porque é que eu mandei parar?" E eu respondo: "Amigo, porque temos esta conversa em andamento e ia ser uma chatice".
Ok. Qual é que foi a reação dele? Ele reagiu bem?
Não, ele disse: "Não, amigo, você pisou um duplo contínuo". E eu disse: "Está bem, mas isto é em Almada, aqui pode-se. Mais para mais é duplo, um anula o outro e, portanto, não tem problema nenhum". E ele diz-me: "Ah, então você está a anuir". E eu disse: "Então, estou a anuir". E fui.
Ok.
Porque eu não sei como é que és tu, Nelson, que tens aqui um Doutra Mentes, mas eu não sabia que anuir era concordar. Tu estavas por dentro, sabias que anuir...?
Ligeiramente.
Mas tu estudaste. Eu não. Nem é não estudar, eu não estava era muito atento. É já na esquadra de Alcântara que eu fico a saber que anuir é concordar. Não fazia ideia. E o gajo ainda me diz: "Amigo, vai ficar aqui o carro, vai ficar aqui a carta e você ainda vai receber em casa o auto da contraordenação". Eu pensei para mim: "Então eu não li esta brincadeira no nono, vais ver que tenho que ler agora". Não sei se tu chegaste a ler o auto da contraordenação.
O auto da contraordenação, claro. Gil Vicente, não é?
Pensava que era do Rio Ave.
Era do Gil Vicente. João Pinto, obrigado por teres vindo à Rádio Observador. Junta-te aqui a nós na mesa da Rádio Observador. O João Pinto faz stand-up comedy também no Lisboa Comedy Club e onde quer que o possam contratar. De resto, ele estava aqui a confessar-me que a primeira vez que fez stand-up comedy foi precisamente numa redação, mas não foi aqui no Observador.
Não, foi numa produtora que estava a produzir o "Sempre em Pé", um programa do Luís Filipe Borges, com o qual também já me cruzei aqui à porta.
Que é um homem de uma certa idade.
É um homem de uma certa idade e mais outros dois. E na altura, eles tinham um programa que tinha um alinhamento, que tinha um comediante famoso, um famoso de outra área qualquer e um comediante amador, mas na altura não havia sítios onde atuar, não havia bares com stand-up regular para quem estivesse a começar. E eu fui contactado por um amigo meu e acabei por contactar a produtora e eles disseram: "Então manda um vídeo". E eu, na altura, não consegui mandar o vídeo, o ficheiro era demasiado pesado. Isto foi há uns anos.
Ok.
Foi há 19 anos. E então eu meti o vídeo numa pen e fui entregar à produtora. Cheguei à produtora, não era compatível, o vídeo não era com o software. Então eu atuei lá para a redação. Eles chamaram a malta, juntaram-se todos numa sala e eu fiz a minha primeira atuação ali e fui convocado para o programa onde me estreei à séria, ao vivo e em direto na televisão, num programa para a RTP.
Essa história é engraçada. Estava a lembrar que há aquela coisa dos concertos do Tiny Desk Concert. Isso devia ser um Tiny Desk Comedy.
Exatamente.
O que te aconteceu. Olha, o Lisboa Comedy Club fez quatro anos. Parabéns ao Lisboa Comedy Club.
Parabéns ao Lisboa Comedy Club.
Finalmente também um sítio onde há comédia todos os dias. Estava a ver aqui na agenda que estiveste lá no dia antes das eleições, no domingo à noite. Eu sabia que havia comédia também domingo à noite.
Não, estive no dia das eleições, estavam a decorrer as eleições e eu estava lá. Sim, porque tivemos a gala do primeiro workshop, ou segundo workshop de stand-up, o primeiro que eu estive a lecionar, e calhou nessa noite e curiosamente estava cheio. Não sei se eram abstencionistas, se era só gente que não tinha muito amor pela sua autarquia.
São a família dos alunos. Normalmente é o pessoal que vai fazer o recital de final de curso.
Exatamente, friends and family, mas ainda estavam umas 80 pessoas. Foi muito fixe.
Todas as quintas de novembro vai decorrer um novo workshop de stand-up comedy contigo, em horário pós-laboral, adorei isto.
Foi muito pedido. Por quê? Porque como diz o Paulo do Talho onde eu vou: "Setembro e janeiro é carne de porco". Nós lançámos o workshop na altura em setembro e aquilo pesou nas contas e muita gente pediu: "Não consegues fazer isto em pós-laboral?" Porque sábado as pessoas trabalham e é complicado. E nós decidimos, a pedido da populaça, que é assim que nós nos movimentamos, abrir o tal workshop em pós-laboral. E curiosamente, temos tido muita afluência. Nós tivemos esta conversa contigo no início da semana e agora estamos com poucas vagas, portanto, se alguém estiver com vontade de fazer, não é que não vá haver mais a seguir, provavelmente sim, mas se estiverem com vontade, vamos criar aqui este sentido de urgência.
Procurem também pelo Instagram do Lisboa Comedy Club ou João Pinto Comédia. Ele fez uma publicação dando conta do workshop de stand-up comedy com "A Walk of Life" dos Dire Straits a acompanhar.
Exato.
Foi um pormenor que eu apreciei. O que se ensina num workshop de stand-up comedy? Imagino que seja difícil, eu até comigo a pensar nisto.
Essa é a pergunta que muita gente faz. Aquilo é um homem e um microfone, o que tens o que para ensinar?
Estar de pé.
Exatamente.
Ter uma postura.
E há muita gente que não tem. Há esse lado técnico de dicção, de coordenação Postura de coerência entre a mensagem.
Mas a graça não se ensina ou ensina-se?
O Raul Solnado costumava dizer que fazer humor ou era fácil ou era impossível. E eu identifico-me muito com isto. Depois, o que tu consegues fazer é explicar a forma. Tu consegues explicar a forma, como é que se chega, porque o stand-up tem uma fórmula de stand-up mais punch. Tem uma série de ferramentas que se tu fores a qualquer website ou inteligência artificial, te explica num instante.
Há tutoriais disso, não é? Nós não vamos estar aqui a revelá-los.
Não, mas é o que falta mais praí é isso. A questão do workshop é exatamente explicar ou explorar aquilo que tu tens pra dizer enquanto comediante. Portanto, não é só uma explicação de como é que se faz, mas é mais perceber porque é que as pessoas querem fazer stand-up ou porque é que as pessoas têm interesse em brincar ao stand-up. E isso é que é essencial, que é que mensagem tu tens pra dar, que mensagem tu tens pra nós. Qual é que era a frase do "Clube de Poetas Mortos": qual é o teu verso pro mundo? E é muito por isso, é perceber qual é o teu ângulo, qual é o teu sentido de humor, qual é a tua visão sobre o que te rodeia.
Eu imagino que tu, como orientador deste workshop, te seja fácil perceber, quando tu tens um aluno à tua frente, qual é que pode ser a graça dele, porque alguns que parecem que não têm graça nenhuma, que devem ser os mais engraçados, porque é algo que tu tens pra dizer, é um bocadinho a tua forma de olhar o mundo que pode ter piada.
É, mas é mesmo isso, esse é o cerne da questão, que os que nós tivemos no primeiro workshop era exatamente isso. Eram quatro pessoas absolutamente diferentes, com idades absolutamente diferentes, com áreas profissionais também muito diferentes, mas que cada um à sua maneira, tinha coisas pra dizer e tinha maneiras de ver o humor completamente diferentes. E as ferramentas depois adaptam-se ou são prescrições diferentes conforme a light ou a coisa boa que lhes bate na cabeça. Portanto, aquilo que nós exploramos ali e que ensinamos a fazer, por isso é que aquilo não são aulas, não é um curso, é um workshop exatamente pra ter esse lado mais leve de eu vou trabalhar com cada um dos alunos, vou trabalhar com cada um dos inscritos, o seu humor e não normalizar o humor nesse sentido.
O que aconteceu para os humoristas hoje em dia terem ocupado também um espaço das estrelas pop e das estrelas rock? Sabemos por que é. Têm ótimo aspecto e são bem-sucedidos.
E têm piada. Um sorriso é a distância mais próxima de duas pessoas.
Mas isto aconteceu muito nos últimos tempos. Agora estão a rivalizar com os chefs de cozinha, que também estão em alta.
Sim, está em grande. Essa alta está em grande. E os mágicos vêm por aí acima, portanto é preciso ter cuidado.
Vai virar e vai voltar. Magia.
Tá certo, sim.
Ok. Terias um truque da pomba e da cartola.
É giro falares nesse star power que os comediantes têm e que sempre tiveram, mas à sua medida. O que o comediante que está a começar muitas vezes procura é esse star power, é essa vontade de aparecer, de ser conhecido.
Mas por quê? Porque acha que depois vai ser contratado por uma novela na TVI?
Não, é o star power pelo star power. Portanto, é o like pelo like, é o ser famoso por ser famoso. E eu, como amante da arte do stand-up.
Mas hoje em dia já pode ser com uma dança no TikTok, não é?
Claro. O facto de tu teres amor à arte, por mais streetwear que a arte seja, e o stand-up tem esse lado de ser realmente uma versão pobre de um teatro ou de um monólogo.
Nós também temos muito essa coisa do do it yourself.
Exatamente.
Não estás dependente de uma produção.
Não estás dependente de ninguém. Exatamente, é um homem e um microfone.
Não tens uma banda, não precisas de uma banda pra andar atrás de ti.
Exatamente. No fim, não ficas a arrumar o equipamento. Mas tens esse lado. Eu, como gosto tanto de stand-up e já dediquei tantas horas da minha vida ao stand-up, aquilo que tento também nos workshops é puxar por esse lado emocional e por esse lado íntimo das coisas que tu tens pra dizer. Porque realmente se queres ser famoso, pisas um pato na 25 de Abril e gravas o vídeo e quem sabe vais passar a ser viral e, portanto, a fama nunca esteve tão perto.
Olha, voltemos aqui só um bocadinho ao Lisboa Comedy Club. Explica uma coisa, tava esse combo lá, não é? Que era uma coisa que eu não sabia.
Sim, no Comedy Club há muitos gêneros de Comedy Club. O nosso é este, é um que inclui jantar. As pessoas vão, jantam e veem o espetáculo de stand-up. Não há bilhete para ver stand-up, portanto, o que as pessoas pagam é aquilo que comem, consomem e é um espetáculo de uma hora e meia, duas horas, duas horas e qualquer coisa, dependendo do número de comediantes que atuem nessa noite.
Está aberto todos os dias?
Está aberto de terça a sábado, sexta e sábado em duplo turno. Portanto, temos um turno que começa às 19h15, acaba às 21h15 e temos outro que começa às 21h45, 21h30 e vai até acabar. Portanto, sexta e sábado tem este duplo turno e depois no domingo temos stand-up em inglês e tivemos durante um tempo as matinês das crianças e acho que vai voltar em breve. Portanto, terça a quinta, um turno a partir das 20h30, sexta, dois turnos, sexta e sábado, dois turnos e domingo em inglês.
E sabemos sempre quem vai atuar ou está à porta?
Não, nada disso. Aqui importa é ver comédia, não é comediantes. E esse é quase o lema Que nós temos dentro do Comedy Club e que só não está à porta porque é nosso.
Boa. Podiam fazer aqueles cartazes com a cara com uma estrela.
Sim.
Fica giro.
E agora a inteligência artificial é fácil.
Há só stand-up comedy no Lisboa Comedy Club ou há outras vertentes?
Nós não somos puristas nestas coisas. O que temos é realmente um mercado pequeno e embora tenhamos a sala de baixo, porque o Comedy Club funciona em cima neste regime de jantar e palco, e embaixo temos uma sala de espetáculos, com uma capacidade para 100 pessoas, onde houve a gala, que falámos há pouco. Aí pode haver qualquer tipo de espetáculo de comédia. Estamos restritos à comédia, queremos que seja um comedy club. Mas já houve espetáculos de improviso, de stand-up. Eu não quero estar a falhar.
Tem um nome técnico.
Não é isso. É transgénero. É uma coisa deste género. Não quero estar a falhar na palavra, que é para não ser banido de todo lado. Mas tínhamos drag queen. Desculpem o aborrecimento. Espectáculos de drag queens. Tivemos uma série já de outras coisas: comédia musical, espetáculos de improviso, roasts.
Gosto muito dos roasts. E tu participaste num há pouco tempo, não foi?
Sim, tivemos uma série deles. É muito engraçado.
Gosto muito desse formato.
É muito giro. E o show do gong também. O que é o show do gong? Eu explico num instante. Comediantes que estão a começar vão ao palco e tentam se aguentar cinco minutos e há três elementos do público que têm os cartões vermelhos. Quando os cartões são levantados, toca o gong e ele sai.
Ele tem que sair.
Quem ganhar, ganha um mês de ser comediante regular no Comedy Club.
Ok.
E, portanto, é uma prova de fogo.
Gosto dessa ideia, é ótima. Bem, passem por Lisboa Comedy Club ou João Pinto Comédia. Há poucas vagas ainda para o novo workshop de stand-up comedy do João Pinto, que vai decorrer em horário pós-laboral ao longo do mês de novembro. E vão acompanhando essa página também e deem um salto ao Lisboa Comedy Club. Fica na Avenida Duque de Loulé, 3A, em Lisboa. Está numa zona também de intensa atividade noturna.
Sim, temos a Polícia Judiciária ali ao lado.
Exatamente. E acho muito bem que o façam. Eu já lá fui algumas vezes e são momentos muito bem passados.
Estás a falar do Comedy Club?
Exatamente. Na Judiciária ainda não. Lisboa Comedy Club, também já com quatro anos de vida, e este novo workshop do João Pinto para quem quer arriscar na comédia a partir do mês de novembro, ao longo de todo o mês. Obrigado por teres vindo à Rádio Observador.
Obrigado eu.
Um abraço e boa sorte para o Benfica.
Como sempre.
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