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Ao vivo, na Rádio Observador.

Estás tão longe. Não sei como te ter. Tentei de tudo. Só para te ver. Volta e meia grito. Volta e meia choro. Esta dor que sinto. Neste desencontro. Volta, não acabei ainda de te abraçar. Volta, não sei se o tempo tem mais tempo pra nos dar. Volta, não acabei ainda de te cantar e dizer. E dizer. Que te quero. Que te quero. Por tão pouco. Vi-te desaparecer. Deste meu mundo. Que tenta não te esquecer. Volta e meia grito. Volta e meia escondo. Cada vez que minto. Finjo que te encontro. Volta, não acabei ainda de te abraçar. Volta, não sei se o tempo tem mais tempo pra nos dar. Volta, não acabei ainda de te cantar e dizer. E dizer. Volta, não acabei ainda de te abraçar. Volta, não sei se o tempo tem mais tempo pra nos dar. Volta, não acabei ainda de te cantar e dizer. E dizer. Que te quero. Que te quero. Que te quero. Que te quero.

Chama-se Desencontro e é uma das novas canções da Latte. A Carolina Leite está de regresso à Rádio Observador, cerca de dois anos depois. Carolina, olá.

Acho que sim. Olá.

Bem-vinda. Obrigado por teres vindo. Estás aqui também a promover este disco. Escrevi canções e são todas iguais. Isto podia ser a definição de um álbum, que é uma coisa que está um pouco em desuso, não é?

Exatamente.

Quando as canções realmente têm alguma coisa que ver umas com as outras. Isso foi o que aconteceu nesse disco?

A ideia foi muito essa. Eu costumo dizer que estas canções surgiram todas de uma dor muito permanente em mim, no que toca a desgosto amoroso, principalmente. E então, de alguma forma, elas acabam por ser todas iguais, porque falam quase sempre do mesmo, obviamente que de formas diferentes, e obviamente que as canções são diferentes, mas gostei de brincar com essa ideia, às vezes, das músicas deste teor serem todas iguais ou soarem todas ao mesmo. Na minha opinião, não soam, mas quis brincar com isso e quis também pôr-me nesse lugar de: "acho que ainda não sei nada sobre a vida pra estar aqui a inovar alguma coisa". Portanto, isto é tudo igual, é o que eu tenho. Apesar de estar mesmo muito feliz com este álbum, tomem, é tudo igual. Ideia, senão o disco. Achei alguma graça.

É relativamente provocador.

É, exatamente. A ideia foi essa.

Continuas a compor maioritariamente como? Com guitarra, com teclas? Qual é que é o teu companheiro?

Guitarra, principalmente. É o instrumento que eu estou mais à vontade. Também gosto de vez em quando de ir brincar pro teclado. Não tenho tanto jeito. Mesmo pra guitarra, também vou me safando nas minhas canções, mas sim, a guitarra é a minha principal amiga no que toca a compor canções. Continua a ser.

Este disco, pelo que percebi, tem produção do Fred Ferreira. Como é que foi trabalhar com ele? É um nome grande na música portuguesa, já fez tantas coisas e produziu pra tanta gente. Sentiste que acrescentou aqui alguma coisa também às tuas canções?

Sem dúvida, e foi esse um dos motivos que me levou a escolhê-lo para produzir este disco. Exatamente o facto de já ter passado tanta música por ele, tantos gêneros, dá tanto tempo. Já várias fases da música portuguesa lhe passaram pelas mãos e pelos ouvidos, e acho que isso foi o que me atraiu mais neste processo, foi sentir que ele ia buscar coisas a sítios diferentes e ia ensinar-me muito com a musicalidade que ele traz com eleFoi uma grande vantagem deste processo todo. E foi muito bom, estivemos sempre a descobrir muitas coisas juntos ao longo da produção de cada uma das canções.

Apesar desta matriz, a música nasce sempre desta forma um pouco mais acústica, como ouvimos de forma mais despida também aqui na Rádio Observador, agora com esta tua passagem, onde estás acompanhada pelo guitarra Rodrigo Correia. Obrigado também ao Rodrigo por te ter aqui acompanhado nestas canções. Ainda temos mais uma para ouvir. Mas como é que as canções ganham aquela dimensão musical que já se afasta, em alguns casos, do que seria uma indie mais acústica e entra numa pop?

Eu digo sempre que as minhas canções funcionam todas também à guitarra e acho que esse era o meu objetivo, era que eu conseguisse chegar a um sítio e tocá-las e cantar.

Existissem nesse formato.

Exatamente, tal como ouvimos aqui. E eu gosto disso porque é assim que elas nascem. Mas depois em estúdio eu procuro dar-lhes toda uma roupagem nova, que às vezes traz algum peso às canções, que está não só nas palavras que eu estou a dizer, como também na produção. E é isso que eu vou procurando em estúdio, de alguma forma, criar um peso extra àquilo que eu estou a dizer, uma dimensão extra que acontece atrás de tudo que está a acontecer na voz e na letra. E com o Fred fui descobrindo esse caminho de muita coisa mais eletrónica, que sai da componente acústica, mas o meu objetivo era conseguir este mix entre as duas coisas, de forma que fizesse sentido, obviamente, sem abusar e às vezes até experimentar e depois não gostar e voltar atrás, mas dar-me liberdade para isso, para juntar estes dois universos.

Neste disco há uma canção com o Extinto. Como é que nasceu esta colaboração? Não era um nome que à partida imaginasse numa canção tua.

Percebo. Esta música, que é a "Não Guardaste Nada", que é com ele, nasceu completamente diferente das outras. Esta nasceu em estúdio, com uns pads e uns synths, uma coisa já que não é a guitarra acústica. E depois do nada estávamos a usar autotune para gravar um dos versos. Eu escrevia com a Milheiras e depois acabamos por achar interessante entregar um espaço vazio da canção a um rapper para entrar nisto comigo. E o Extinto disse logo que sim. Fizemos em tempo recorde, foi mesmo nas duas semanas antes de lançar o álbum, mas correu super bem e eu adoro essa música.

Também é uma das minhas favoritas do disco. Está quase no final. É a última, não.

É a penúltima.

Penúltima, exato.

Exatamente.

Dia 12 de maio há concerto no Maria Matos em Lisboa, é a apresentação deste disco da Laté, "Escrevi Canções e São Todas Iguais". Já pensaste como é que isto vai funcionar no Maria Matos? Vais estar com uma banda tentando emular o mais próximo possível o som do disco no palco?

Exatamente. A ideia é levar o disco para o palco, não sair muito daquilo que está gravado, mas com obviamente alguns arranjos específicos para o live. A minha apresentação vai ser minimalista em termos de banda, porque vamos ser três em palco, eu e mais dois músicos, que se vão desdobrar em várias funções. Mas vamos trazer tanto a componente acústica como a eletrónica. Estou a ter o João Caetano a ajudar-me a tratar de tudo que é musical neste concerto e mais até, mas fazer alguns arranjos para que tudo funcione da melhor forma no live. E o meu objetivo é que as pessoas saiam de lá a gostar ainda mais do álbum, porque é isso que me acontece quando eu vou ouvir concertos, é sair de lá ainda mais fã. Aconteceu, por exemplo, no concerto do Extinto, saí do concerto e estava ainda mais fã do álbum.

Só para terminar, estamos a ficar sem tempo, mas queria ainda fazer-te uma pergunta relativamente aos teus pares, porque tu surges numa altura até com colaborações com a Maro, há uma série de artistas, tu, a Milheiras, a Maro, a própria Carolina Deslandes, com quem também já trabalhaste. Surgem numa altura em que há, de facto, um saudável boom de mulheres na pop nacional, todas com muito bom gosto. Como é que tu te encaixas também neste novo movimento, que felizmente está a acontecer e parece não parar?

É um movimento muito feliz mesmo, somos cada vez mais e eu acho que têm acontecido coisas bonitas criadas por mulheres na música portuguesa. Eu sinto-me super grata por fazer parte deste momento da música, em que há tantas mulheres tão talentosas a fazer tão boa música. Esses três exemplos que deste são belíssimos exemplos e para além de serem grandes artistas, são também parte da minha vida e processo enquanto artista, e estou superfeliz por tê-las a fazer parte deste caminho.

E é bom ver-te lá com elas também. Laté, Carolina Leite, no ao vivo desta semana na Rádio Observador. A sonoplastia e a captação áudio aqui do Ricardo Pelarigo. À guitarra está o Rodrigo Correia. Qual é a canção que vamos escutar para fechar?

Vamos ouvir a "Outro Fim".

Ok. Carolina Leite, Laté, na Rádio Observador e no dia 12 de maio, ao vivo no Teatro Maria Matos, em Lisboa. Obrigado por teres vindo. Parabéns.

Obrigada eu. Leva a outra mão até ao meu pescoço. Diz-me que me queres mesmo que não gostes. Diz-me que me queres mesmo que não gostes. Diz-me que me queres. Diz-me que me queres. Vem, chega mais perto, isto sabe-me a pouco. Prende

Entre as pernas e fala-me a torto. Sei que não és deste mundo, leva-me para outro. Se não és minha neste mundo, deixa-me ir para outro. Hoje é pouco querer-te para sempre. Calei o sonho para te dizer que não foi amor, foi por medo ou vício. Quis, na dor, tentar do início. O que era erro virou precipício. Não há paz que me leve onde estás. Não foi amor, foi por medo ou vício. Quis, na dor, tentar do início. O que era erro virou precipício. Não há paz que me leve onde estás. Esquece-te de mim, lembra-te outra vez. Mesmo que te escondas, eu sei que me vês. Tenho na voz o teu nome, chamo-te outra vez. Deixei cartas com o teu nome, diz-me que as lês. Se as lês, escreve-me de volta, vou esperar por ti. Esta história nossa, fui eu que a escrevi. Tentei dois inícios com o mesmo fim. Junta outro início, escreve-me outro fim. Não foi amor, foi por medo ou vício. Quis, na dor, tentar do início. O que era erro virou precipício. Não há paz que me leve onde estás. Não foi amor, foi por medo ou vício. Quis, na dor, tentar do início. O que era erro virou precipício. Não há paz que me leve onde estás. Não foi amor, foi por medo ou vício. Quis, na dor, tentar do início. O que era erro virou precipício. Não há paz que me leve onde estás. Não foi amor, foi por medo ou vício. Quis, na dor, tentar do início. O que era erro virou precipício. Não há paz que me leve onde estás.

Ao vivo, na Rádio Observador. Obrigada por ter ouvido este podcast. Se gostou, pode subscrevê-lo, pode partilhá-lo e também pode ouvir a Rádio Observador online em 98.7 em Lisboa e em 98.4 no Porto.