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A música dos Miramar, ao vivo na Rádio Observador, no dia em que chega precisamente mais um disco desta dupla composta por Franky Chavez e Peixe. "Miramar 3" está a partir de hoje disponível, para além da atuação aqui na Rádio Observador. Hoje, dia 21, há concerto na Casa Capitão, em Lisboa, e no dia 22 de outubro, na Casa da Música, no Porto, sala dois. Sejam bem-vindos, Franky Chavez e também Peixe. Já estamos aqui com o terceiro disco desta dupla. Como é que está a correr? Satisfeitos?
Sim.
Ouvimos "Chica" deste novo trabalho. Gosto muito desta canção. Se bem que a minha favorita ainda é a primeira, "I'm Leaving Cap. 3". Não, Cap. 2, porque é uma variação de uma música que já estava no primeiro disco.
É uma sequela, digamos, de um tema do primeiro disco.
No próximo disco, vão fazer uma prequela da "I'm Leaving".
Sim, o "I'm Leaving 0".
Como é que se faz um disco quando duas pessoas, pelo que percebo, não moram na mesma cidade? Nem sempre conseguem estar juntas. Como é que nascem estas canções?
Como os namoros de antigamente, trocando correspondência.
Por carta.
Exatamente.
Depois perfume.
Sim, põe um perfuminho.
Um 4x4 assim no papel.
Sim, papel cor-de-rosa.
Exato. Mas não deve ser fácil, como é que se juntam? Vão partilhando excertos, trechos de coisas que vão surgindo? É mais ou menos assim?
Sim. Hoje com as novas tecnologias, com os WhatsApp e com e-mails, nós vamos partilhando ideias. E quando temos concertos, geralmente reunimos um dia antes e ensaiamos algumas ideias e vamos compondo assim. E às vezes fazemos residências em que ficamos quatro ou cinco dias na casa de um amigo ou de alguém e aí trabalhamos.
Há uma coisa que eu noto que é: no primeiro disco de Miramar, e eu acho que falei convosco nessa altura, não sei se somos um bocadinho depois também influenciados pelos visuais, pelos vídeos. Parece que havia uma certa geografia que se identificava nas primeiras canções de Miramar. E neste disco já estão um bocadinho distantes ou as geografias são outras e não são tão perceptíveis?
Acho que as geografias serão outras, talvez, até porque Apesar do nosso trabalho ter começado em Miramar, que é uma-
Uma praia?
Exato.
De Vila Nova de Gaia.
Vila Nova de Gaia, uma terra costeira. Portanto, o mar e a presença marítima influenciou muito a composição, penso eu. Mas entretanto também fizemos residências artísticas no Alentejo, em Safira, perto de Montemor-o-Novo. Portanto, acho que a paisagem alentejana também de certa forma nos tem influenciado. Aliás, há uma música neste disco que se chama "Café Planície", que iremos tocar em seguida.
Existe mesmo o Café Planície?
Segundo o Franky, existe.
Eu tenho ideia que sim. Houve um café onde nós fomos a meio dos ensaios, a caminho de Montemor-o-Novo, à beira da estrada, que eu tenho ideia que se chamava Café Planície.
Se era à beira da estrada, não era o Café Central. Normalmente fica à beira da igreja ou alguma coisa assim, nas terras.
Há uma coisa também que me sobressaiu um bocadinho mais neste terceiro disco de Miramar, que é ouvir mais cordas. Isto faz sentido? O que é que experimentaram de realmente diferente para os outros trabalhos, em relação a instrumentais ou mesmo técnicas de produção?
Nos outros discos, sobretudo no segundo, já tínhamos a participação de músicos convidados. No caso do segundo disco, tivemos o António Serginho, percussionista, e o Mário Laginha no piano. E neste terceiro decidimos fazer experiências com outros instrumentos e então fizemos arranjos para quarteto de cordas, que entram em três faixas do disco. Também o saxofonista João Cabrita participou numa faixa e o António Serginho, que já tinha entrado no segundo disco, que é um percussionista do Porto, voltou a participar. E isso é algo que nos agrada também, partilhar a nossa música com outros músicos e poder observá-la com outras roupagens também.
Eu fico extremamente satisfeito que uma dupla como a vossa esteja aqui a apresentar o terceiro disco, porque é música instrumental e nem sempre há grande espaço para a ouvir nas rádios. Como é que olham para isso? É o pessoal que é parvo e devia ouvir mais música instrumental?
Olhamos com alguma esperança de que haja mais palco e mais lugar para música instrumental. Eu acho que música não devia ser catalogada por ser instrumental ou não instrumental, devia ser catalogada por ser boa ou menos boa e acho que devia haver alguma atenção a isso, mas é o que é. Nós vamos continuar a fazer a nossa música, sendo ela para nós, consideramos que é a música que gostamos de fazer, e vamos tentar obviamente tocá-la por mais sítios possíveis.
Nunca pensaram em ter uma letra, ou um vocalista, ou uma ou várias músicas?
Nós tivemos uma vez uma colaboração com o JP Simões num projeto chamado Esfera, que foi organizado pelo Henrique Mário e o André Tentugal, em que era precisamente uma colaboração entre uma banda e outros músicos. Juntavam basicamente vários nomes da música e neste caso nós saímos o JP Simões.
Que bom!
E foi uma colaboração muito engraçada, porque é na verdade o único tema que temos com alguém a cantar. E foi, a meu ver, e do Peixe também, e do JP também, uma colaboração bastante feliz.
Como é que vão ser estes concertos? Dia 21 de outubro, na Casa Capitão, em Lisboa, no dia 22, na Sala 2 da Casa da Música, no Porto. Vão com o resto da banda que colaborou neste disco ou será em dupla?
Sim, aqui em Lisboa será com o António Serginho e com o Cabrita, João Cabrita, e no Porto será com o António Serginho e com o quarteto de cordas solistas da Casa da Música.
Boa. Estão todos convidados. Posso vos pedir para regressarem ao posto onde a música ao vivo se ouve aqui na Rádio Observador, sempre à sexta-feira. Franky Chavez e Peixe, aqui na Rádio Observador hoje para mostrar canções de "Miramar 3". É já o terceiro álbum desta dupla, com essas apresentações na Casa Capitão em Lisboa no dia 21. Dia 22 de outubro podem vê-los na Casa da Música no Porto. Muitos parabéns por estas novas canções e obrigado por terem vindo à Rádio Observador, também aqui com os cuidados técnicos da Mariana Sousa Aguiar. Depois de "Chica", vamos ao "Café Planície", mais uma das canções de "Miramar 3". Quando quiserem e obrigado. Miramar ao vivo na Rádio Observador. Obrigado, parabéns!
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