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Ao vivo, na Rádio Observador.

A ciência aos 16 desafia algumas leis. E já que Saturno tem anéis, pode a Lua encher só para mim. Já vi um arco-íris circular. Já dei dois tiros no mesmo lugar. Mas o que considero singular é que a Lua insiste em se encher assim. Já fiz as equações, determinei as funções. A ciência comprovou. Somos todos iguais lá no fundo. Pó de estrela e nada mais. Somos todos condutores de carroçais. Não lemos mapas, andamos aos papéis. Então deitamos fora a sorte deste norte, fazemo-nos reis. Já que a Lua insiste em se encher assim. Sou dos do bem, mas não sei bem o que é do mal. Sou um cético otimista, hipócrita ocasional. E se observo mudo o resultado experimental. Então que a Lua insista em se encher assim. E se o espaço curva por aí. Vou aos esses até chegar a ti. E fico a contar que um dia ao luar tudo vá mudar. E só porque sim, mudo o nosso spin e consiga provar que estamos entrelaçados no fim. Já fiz as equações, determinei as funções. A ciência comprovou. Somos todos iguais lá no fundo. Pó de estrela e nada mais. Pó de estrela e nada mais. Pó de estrela e nada mais.

Os Azeitonas, ao vivo na Rádio Observador. O Marlon, a Nena e o Salsa estão aqui comigo hoje. Muito obrigado por terem vindo. Muitos parabéns.

Obrigada nós. Olá.

Gostei muito de ouvir o efeito do Observador em pleno Observador e obrigado por terem escolhido essa canção.

Já outra vez que cá viemos, estivemos para cantá-la e acabou. Foi desta.

Vou começar com uma pequena provocação: por que quando se procura pelos Azeitonas, diz sempre: "Os Azeitonas, uma banda do Porto"?

Porque é assim que as pessoas gostam.

É o que é.

É o que é, mas é sempre meio irritante e não é querer ser barrista.

Era isso que eu queria perguntar.

Quando são de Lisboa não dizem isso.

É verdade, era isso que eu queria perguntar.

São aquelas coisas.

O que acontece se um de nós mudar para aqui? Vai ficar uma confusão.

Não me interessa.

Está na calha, Salsa. Pode acontecer.

Não é assim de repente. Gosto muito de Lisboa, mas gosto muito de viver no Porto. A maior parte dos média são daqui.

É verdade. De alguma forma, sentem que a vossa música tem o Porto, já que são o Porto?

Tem sempre, porque nós somos de lá. Vindo nós de lá, faz sentido. E falar das coisas, até os lugares que falamos e tudo nas músicas.

Há muitas referências nas músicas sobre sítios do Porto.

Sim, e as nossas referências. Acho que há uma ironia, uma certa transversal a muitas bandas do Porto. Há uma forma de estar, um humor que está lá, irônico, sempre. Eu acho que existem muitas bandas no Porto.

É bem portuense, isso.

É bem portuense, isso é um caráter portuense. Por isso que nos vemos lá, é o que é. Nós refletimos essa regionalidade.

Salsa, queria falar um bocadinho também sobre "Palma da Mão", é o novo single dos Azeitonas. Está mais rock and roll a banda com esta nova canção. O que se passou?

Eu não sei. Eu acho que nós somos uma banda de uma confusão. Se nós só fizéssemos música como os Aviões, deramos uma banda acústica. Depois fizemos músicas como "Lisboa não é Hollywood", com big bands e jazz, ou fizemos o "Sina Girassol", que já é um rock assim um pouco mais.

Já temos outras.

E temos uma data delas. A brincar, são 20 anos e oito discos, já nem sei, nove, já perdi a conta. Por isso, esta aqui é uma rockalhada. Na verdade, a música é antiga, a música tem aproximadamente 19 anos. A letra é que foi agora feita pelo Marlon e foi repescada. Na altura, estávamos todos a ouvir Queens of the Stone Age e apetecia-nos fazer uma rockalhada.

E Ornados, por exemplo.

E Ornados também. A malta tem dito muito que lembra Ornados, eu não me lembrei disso. Se bem que somos fãzíssimos dos Ornados.

Sim. Mas eu escutei um bocadinho disso também na canção. Salsa, estive a ver que o próprio tema foi produzido e misturado pelo André Indiana, a masterização do Mário Barreiros. Como é que é trabalhar com esta malta também? Que está no Porto. Quer dizer que é uma sorte para vocês.

O André é nosso amigo desde sempre.

2007. Lá está, gravamos esse disco, o "Rádio Alegria".

O "Rádio Alegria" já foi com ele.

Foi daí. Já tem quase 20 anos de relação.

Ele, na altura, nem tinha bem um estúdio, ele tinha uma casota atrás de casa.

Converteu a garagem numa coisa.

Depois mudou-se para Gaia, onde fez realmente um estúdio e temos trabalhado com ele muitas vezes.

É tudo muito caseirinho. Conhecemos os cães dele desde os anteriores. Levamos lá os filhotes de vez em quando para deixar lá brincar com a malta.

Sim, mas a equipa sempre tem sido esta e o Mário Barreiros tem sido quem masteriza as músicas. E trabalhando com a Indiana é parceria que temos feito e também já nos conhecemos há muito tempo. O que é que esta música nova diz da atual fase dos Azeitonas? Pode ser um pronúncio de um novo disco? O que é que estão a preparar? Porque ela sai assim um bocadinho avulso.

Sai, é um single.

Acho que não está nada planeado para já. Como as pessoas hoje em dia já não ouvem álbuns, nós podemos ir lançando singles e quando pudermos fazemos uma coletânea.

Sim, é o que temos feito, no fundo. Temos feito o último álbum anterior, o "Reconstrução", foi isso que fizemos. Lançamos três ou quatro singles durante dois anos, ou mais singles, e depois no final acrescentamos umas cinco músicas para completar o álbum. O objetivo agora será também fazer isso, mas não temos realmente, como a Nena disse, nenhuma pretensão ainda do que vai ser, o que não vai ser. Vamos lançando música a música e depois logo veremos. Já vou falar um bocadinho do concerto do próximo dia 12 no Tivoli em Lisboa. Queria ir um bocadinho atrás a outubro do ano passado, com o aniversário celebrado em pleno Coliseu do Porto e com vários convidados. Como é que foi essa noite?

Foi um festão.

Foi?

Foi. Foi mesmo.

Nós damos ao luxo de poder fazer uma festa em palco. Convidar os nossos amigos, os nossos heróis. O Rui Veloso estava lá, e uma data de outros. O Miguel também, o Miguel Araújo.

E outros membros da banda que já não tocavam conosco e que estavam lá também, o João Vaz.

Isso é fixe, ficaram todos amigos, não é?

Ficámos. Somos. Nunca deixámos de ser.

As bandas de antigamente, do rock and roll, é que tinham mais quezílias, mas a malta parece sempre-

Há sempre coisas, não é todos amigos, mas sim, a relação ficou amigável.

Isso é bom. Fazendo a ponte aqui para o concerto do próximo dia 12, percebi que já não tocavam em Lisboa há quase 10 anos.

Sim, num próprio, numa sala. Exato.

Como é que olham para esse regresso? E perguntar também, ainda aqui um bocadinho ao início da conversa, se Santes da Casa fazem milagres. Qual é a diferença tocar no Porto ou tocar em Lisboa?

Sim, é sempre diferente. Mas acho que não muda muito. Claro que no Porto está o nosso público, pessoas que se identificam, se calhar. Lá está, estamos a falar daquela coisa do Porto, que é ser do Porto e as pessoas se calhar identificam-se mais.

E temos sempre mais família e amigos, se calhar.

Talvez traz uma pressão extra. Se fosse artista, que não sou.

Sempre detestei isso. Tocar para amigos.

Fica assim um bocado...

Sempre foi isso.

Não sei se é melhor.

É mais giro para desconhecidos, sempre.

Eu também acho que sim, é mais confortável.

Sim, é mais fácil. Nós sempre gostamos de tocar longe e pessoas que não nos conhecem, não há sequer uma relação, estão menos à vontade. Com os amigos, às vezes, esticam-se com os comentários, estão muito à vontade. É mau isso.

E este é um país de humoristas, como sabem.

Exato, adoram. E por isso sim, é bom vir a Lisboa, que já não vínhamos, como disseste, há muito tempo.

Mas vir a Lisboa também é uma responsabilidade. Ser capital, está a massa.

Eu não sinto isso.

Temos que nos portar bem.

Nada, nós temos de portar-nos mal.

É um mito urbano, isso.

Temos de portar-nos tão mal como portamo-nos.

Exatamente.

A ideia é essa.

O que queremos é tocar bem e que as pessoas gostem. E quanto elas mais derem, mais damos nós.

E divertirmo-nos.

Já vou regressar a esse concerto, mas muito rapidamente, porque por estes dias se têm realizado as semifinais do Festival da Canção. Vocês também já por lá passaram em 2022, creio.

Grávidos.

Já há algum tempo. Como é que foi essa experiência? Como é que olham também para o Festival da Canção, que de facto se revitalizou nos últimos anos? São boas notícias para a música?

Sim, eu acho que a revitalização do festival foi fundamental e acho que o que era é o que é. É uma porta para novos artistas, é uma porta para velhos artistas como nós também, para novos compositores. Acho que é uma boa montra, é um formato que é o que é, vem lá de fora. É pena ser tudo meio gravado e não se poder tocar. Para nós, pelo menos, é pena. Mas é um bom formato e é uma boa plataforma de divulgação da nossa música e tudo mais. Acho que é ótimo.

E não estiveram nada mal na vossa passagem.

Não, temos mais ou menos.

Se pudéssemos pedir mais alguma coisa, era só voltar aquela cena da orquestra, quando vocês tocavam com a orquestra.

O plano inicial era ir a banda toda e irmos com os fatos, com umas letras e fazer frases à medida que dançávamos à frente da câmara.

Sim.

Só que não podiam ir mais de seis pessoas no palco.

Incondicionalismos.

Não, é da Eurovisão.

Era o Covid.

Nada a ver com o Covid, era da Eurovisão as regras.

Era a regra?

É, são regras no máximo seis e três minutos.

Bem, 12 de março, Tivoli em Lisboa. Podem ver os Azeitonas. Regresso a Lisboa, o que já não acontecia há algum tempo. Ana Bacalhau e Luís Trigacheiro serão convidados desse concerto.

E o Tatanka.

E o Tatanka.

E mais.

E mais.

E outros que não vamos divulgar. Apareçam para saber.

Já não faltam muitos dias, há bilhetes para este concerto. Muito obrigado por terem vindo à Rádio Observador. E vamos ter mais uma canção dos Azeitonas. Recordem-me só o título. Há pouco, "O Efeito do Observador". E agora?

"O Momento".

"O Momento". Nena, Salsa, Marlon, muito obrigado por terem vindo à Rádio Observador. Os Azeitonas, também para ver ao vivo no Tivoli em Lisboa, no próximo dia 12.

Venham! Foi só um momento, outro contratempo, mas não tem que acabar mal Dói o compromisso, já sou é serviço e não vens ao carnaval. Não controlo o vento, lutas contra o tempo, que se torna vendaval. Mas nem tu dominas o campo de minas que plantámos no quintal. Um mais um já não são dois. A carroça está à frente dos bois. Se é pra empurrá-la ou fazer a mala, posso decidir depois. Ganhamos fobia de passar um dia e de não nos vermos mais. Mas tudo isto passa, só é uma desgraça, quando te levantas, cais. Não estiveste atento, foste um pouco lento, em vez de me intenso, eu vou. Perdemos a terra, mas não há de haver guerra, se a carga descarregou. Menos e menos não dá mais. O barco já partiu do cais. Se é pra abordá-lo ou abandoná-lo, fui bem clara nos sinais. Fui bem clara nos sinais. Bem lá no fundo sei que és da paz. Não adianta olharmos para trás. Larguemos a manha, senão ninguém ganha, é só mais um dia, todo o dia, todo o dia. Um mais um já não são dois. A carroça está à frente dos bois. Se é pra empurrá-la ou abandoná-la, posso decidir depois. Posso decidir pelos dois.

Ao vivo, na Rádio Observador. Obrigada por ter ouvido este podcast. Se gostou, pode subscrevê-lo, pode partilhá-lo e também pode ouvir a Rádio Observador online em 98.7 em Lisboa e em 98.4 no Porto.