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Ao vivo, na Rádio Observador.

Se um dia eu te mostrar o coração. Será que lhe descobres a poesia? Será que entre a saudade e a paixão, encontras versos frios, melancolia? Será que entre a saudade e a paixão, que encontras versos frios, melancolia? Demora-te em tudo o que encontrares. Que há tanto do que soa nas entrelinhas. E nunca será tarde pra voltares, aos versos que te dão saudades minhas. E nunca será tarde pra voltares, aos versos que te dão saudades minhas. Se um dia eu te ler toda a poesia. Então, lá é que me vês o coração. Do verso nasce assim a melodia. Do amor se fez assim uma canção. Do verso nasce assim a melodia. Do amor se fez assim uma canção. Do verso nasce assim a melodia. Do amor se fez assim uma canção.

Teresinha Landeiro no ao vivo desta semana da Rádio Observador com esta Será que lhe descobres a poesia? É também o título do novo álbum acabadinho de editar. Bem-vinda, Teresinha.

Muito obrigada.

E desta vez com um belo trio de fado, com o Bernardo Couto, o Bernardo Saldanha e o Daniel Pinto. Obrigado também a eles por estarem aqui neste ao vivo. Dão de facto outro corpo.

Claro, sozinho isto não acontece nada. Precisamos sempre deste trio maravilhoso.

Como se a tua voz não fosse alguma coisa.

Não, resulta, mas precisamos sempre desta caminha que nos ajuda a andar pra frente.

Ótima caminha proporcionada aqui neste ao vivo. Muito obrigado por teres vindo. Este é o quarto?

Quarto disco.

Quarto álbum de estúdio. E eu tinha aqui uma pergunta um pouco direta que é: o será que lhe descobres a poesia? Ponto de interrogação. É a pergunta que tu fazes no título deste álbum. É uma pergunta direta pra quem ouve o disco, pra quem ouve estas canções. Mas eu gostava de saber também se para ti foi uma pergunta que fizeste a ti própria quando olhaste para as telas do pintor Alfredo Luz, que servem de inspiração a estas 12 canções. Como é este processo criativo de transformar imagens em fados?

Por acaso, foi uma pergunta que eu não fiz logo, porque foi uma coisa natural. Nunca me tinha acontecido. Eu apaixonei-me pelas pinturas dele e de repente encontrei uma específica na internet. Depois acabei por comprar essa pintura e fiquei com ela. Vi aquela pintura e inspirou-me profundamente, porque eu gosto muito também de ver o título dos quadros e chamava-se Recompensa. E então eu comecei a escrever uma coisa sobre aquele quadro. É uma mão, é um barco, é uma mão. E então eu comecei a escrever uma coisa e saiu a Lei da Recompensa, que eu depois mais tarde gravei com o Salvador Sobral. E foi a primeira canção que eu escrevi sobre um quadro dele. E depois criei uma pasta que se chamava Projeto Alfredo, onde eu reuni 300 obras do Alfredo Luz, e depois foi fazer uma triagem de quais as obras que eu mais gostava, pô-las numas pastinhas individuais e começar a escrever sobre elas. Portanto, foi uma coisa muito natural e, no fundo, uma boia de salvação pra momentos em que eu não sabia muito bem sobre o que escrever. Apesseia-me escrever, mas eu não sabia sobre o quê, e os quadros ajudavam-me a desvendar um caminho.

Quando dizes escrever, dizes as letras ou dizes as melodias?

Digo as letras. Eu neste disco assino apenas duas melodias, dois novos fados tradicionais, mas eu arrisco muito pouco na parte da composição melódica. Eu arrisco mesmo é na escrita e é aquilo que eu gosto realmente de fazer.

Pelo que percebi, também pela primeira vez na carreira, assumeste as rédeas da produção do álbum. O que te fez dar este passo? Foi uma necessidade de controle absoluto da tua sonoridade?

Talvez. Eu acho que como esta ideia vem num sítio tão íntimo e tão especial pra mim, fez-me sentido também tentarControlar a parte musical. É uma produção, mas também em grande parceria com a minha banda, com o Bernardo Couto, André Ramos e Francisco Gaspar, que são os músicos que tocam no meu disco, que me ajudaram na produção. Claro que toda a estrutura do disco e os fados que vou cantar foram escolhas minhas, os compositores que escolhi, etc. Mas depois os arranjos musicais das músicas tiveram mão total dos meus músicos e foi uma coisa muito partilhada e muito importante para mim.

Tu tens um lado que eu considero, talvez erradamente, que é bastante ligado ao fado tradicional. As vezes que te vi a cantar, sinto isso. Mas este é um disco, também pelas várias colaborações, que é mais de cruzamento até com outras linguagens. Como produtora, onde é que traçaste essa linha para as novas texturas musicais não te fizessem perder também o ADN do fado tradicional? É um exercício difícil de fazer?

Mais ou menos. Eu deixei-me ir pela necessidade das letras. Por exemplo, a temática da letra encaminhou-me um bocadinho para o arranjo. Por exemplo, no "Ai, as Almas", é uma letra sobre as almas e o fato de as almas andarem supostamente a vaguear por aí. Eu achei que ficava interessante cantá-lo, por exemplo, com o vibrafone, porque o vibrafone tem esta sonoridade também muito etérea, uma coisa muito lá no céu. Então eu acho que tentei escolher os arranjos e os instrumentos que participavam em cada canção, de acordo também com a cor da letra, com a temática. E no fundo, estive muito pouco preocupada com o caminho propriamente dito, mas com a necessidade de vestir aquela letra da melhor maneira. Então acho que pus os meus pudores e essas coisas todas de parte. Mas importante também ver que, por exemplo, o Eduardo Cardinho, antes de gravar este tema, teve uma conversa enorme comigo e eu partilhei com ele o que é o fado tradicional, expliquei-lhe que são fados que têm estruturas específicas, como é que funciona. Por exemplo, eu canto a melodia e ele tem que me responder à voz. Algumas regras que eu lhe fui explicando antes de gravarmos, para quando ele o fizesse, ser o instrumento mais próximo possível da linguagem dos fados. E eu acho que ele conseguiu.

Há aqui uma constelação de estrelas convidadas, desde a Mimi Frois, que assinou o single que serviu de avanço, o "Não Parta Já", até António Zambujo, Luísa Sobral, Dino Santiago, Eduardo Cardinho, e depois o Marcelo Camelo e o pianista Amaro Freitas, estes dois nomes do Brasil. Eu adoro Amaro Freitas.

Sim, também eu.

Propulsiona-me um encontro com ele um dia que eu estava fora.

Vamos tratar disso.

Ele é tão talentoso.

E é queridíssimo.

Tenho ideia que sim. Estas colaborações foram pensadas para levar o teu fado para outras geografias ou também nasceram de simples afinidades pessoais ou até de estúdio?

Na verdade, quando eu olhei para a mescla de temáticas que tinha e os quadros serem tão diferentes, eu achei que seria importante e necessário ter uma sonoridade também ela diferenciada e com mesclas musicais, ou seja, com sonoridades diferentes. Há o fado tradicional, que até está bastante presente neste disco. Há uma marcha popular, que é da Luísa Sobral, e depois vem a sonoridade do Amaro e do Marcelo, que vêm de outro lugar muito diferente da música. E, na verdade, ambos surgem por admiração, porque admiro os dois, acho dois artistas espetaculares. E até foi o meu manager, o Pedro Trigueiro, que fez a ponte com o Amaro e até com o Marcelo, que me ajudou a chegar até lá, porque são dois artistas extraordinários. Então eu pensei: vou desafiá-los. Um não é sempre garantido. E lá vieram dois sims e duas melodias que eu amo profundamente e que encaixaram muito bem neste disco.

Olha, eu tinha aqui um desafio para fecharmos a nossa conversa. Se entrasses numa galeria com os quadros do Alfredo Luz e as tuas canções estavam a tocar em fundo.

Ok.

Devíamos levar um copo de vinho tinto para apreciar aquele momento ou um coquetel para dançar?

Eu diria um copo de vinho para apreciar com calma, vermos os quadros com calma, ouvirmos as músicas com calma. Uma coisa mais demorada, porque o vinho bebe-se devagar. Portanto, eu diria que o vinho acho que é o que bate mais certo com este projeto.

Muito bem. Vamos ouvir "É Tanto o Céu", que foi escrita pelo Marcelo.

Sim, letra minha, melodia de Marcelo Camelo.

Que é lindíssima. Agradecer também a vinda a este ao vivo de Bernardo Couto, Bernardo Saldanha e Daniel Pinto, que te estão a acompanhar.

Exatamente.

E um agradecimento também ao Bernardo Almeida, que está aqui com os cuidados técnicos desta atuação da Trezinha Landeiro. Recorda-me só por onde vais andar aqui nos próximos tempos.

Vou ter concerto em Lisboa, dia 1 de abril de 2027.

Do próximo ano. Isso é o que está anunciado.

Esse é no Tivoli. E agora em junho vou estar em Penamacor, dia 1 de junho, dia 7 de junho em Raiolos, dia 10 de junho em Zagreb, na Croácia, e dia 30 de junho em Badajoz.

Confiram também estas datas pelas redes sociais da Trezinha Landeiro. Muito obrigado por teres vindo à Rádio Observador e muitos parabéns por este Será que lhe descobres a poesia? Beijinhos, obrigada.

Obrigada. Um, dois, três. Olha o tanto que é o céu, que se estende além do fim. A neblina é como um véu, branca nuvem de jasmim. Olha como o céu é tanto, chovem lágrimas de dor. E lá longe, noutro canto, nasce o sol com mais amorVoa longe a minha canção. Dança com o vento a minha voz. Livre, voa na imensidão. Manto do destino sobre nós. Voam nele, livres e sós. Sonhos, crenças e porquês. E o que resta sobre nós. É o céu em que tu crês. Cada um com a sua paz. Cada um com o céu que tem. E o lugar onde tu estás. Não pertence a mais ninguém. Voa longe a minha canção. Dança com o vento a minha voz. Livre, voa na imensidão. Manto do destino sobre nós. Voa longe a minha canção. Dança com o vento a minha voz. Livre, voa na imensidão. Manto do destino sobre nós. Manto do destino sobre nós. Manto do destino sobre nós.

Ao vivo, na Rádio Observador. Obrigada por ter ouvido este podcast. Se gostou, pode subscrevê-lo, pode partilhá-lo e também pode ouvir a Rádio Observador online em 98.7 em Lisboa e em 98.4 no Porto.