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Ao vivo, na Rádio Observador.

Amor errante, por onde andas há tanto tempo? Amor errante, seguindo o vento, sempre distante, sem um lamento. Sem parar, nem pensar, ao partir e voltar, para sempre a errar, onde o vento sopra. Amor distante, por quem eu espero, contando o tempo a cada instante. Sem parar, nem pensar, ao partir e voltar, para sempre a errar, onde o vento sopra. Amor errante, por quem demoras há tanto tempo? Amor errante, eu conto as horas. Amor errante, ainda há tempo. Para voltar, meu amor tão distante, onde te leva o vento? Meu amor tão distante, volta enquanto há tempo. Volta enquanto há tempo. Volta enquanto há tempo.

"Amor Errante" dos Diva, na voz da Natália Casanova, mas aqui interpretada pela Viviane, que é a minha convidada para o ao vivo desta semana. Um prazer receber-te, Viviane. Obrigado por teres vindo à Rádio Observador. Os "já lá vão" na tua carreira, pelo menos atual, porque estás com este trabalho agora a solo, prestes a chegar a 25 de setembro, chama-se "Ela por Elas". É um elogio, todo ele no feminino. Foi fácil encontrar mulheres na música nacional, no pop rock nacional, que quisesses reinterpretar tu? Como é que foi feita esta seleção?

Há algumas. Mas eu quis, sobretudo, prestar esta homenagem a cantoras que fizeram parte de bandas que já não estão propriamente no ativo. Porque elas desbravaram o mato. Elas, no fundo, abriram portas pra que eu e outras cantoras pudessem chegar a seguir. Embora, neste disco, haja cantoras que ainda cantem. Mas algumas já não cantam e a maior parte destas bandas também já não estão no ativo. E eu quis ir recuperar essas canções e estas vozes que abriram estas portas todas.

Estás aqui acompanhada também pelo To Viegas na guitarra. Como é que foi trabalhar estas canções? É sempre difícil, se calhar, mexer no que alguém já fez, depois querendo dar também o teu cunho mais pessoal. Foi um trabalho de partir pedra a chegada ao resultado final destas reinterpretações?

Havia uma coisa que eu queria muito fazer, que era desconstruí-las e trazê-las um bocadinho pro meu universo. Que é um universo acústico, em que faz parte a guitarra acústica, o piano, a guitarra portuguesa e, principalmente, desacelerá-las, torná-las mais lentas, porque elas têm todas um ritmo um bocadinho mais rápido. Aliás, aqui, neste caso, do "Amor Errante", é uma canção de 1990, tem uma determinada batida e tinha um determinado ritmo. E, portanto, aqui a intenção era realmente pegar nestas canções, desconstruí-las e torná-las mais lentas, também pra quem as ouve, pudesse ouvir um disco do princípio ao fim com Tipo um respirar fundo e um descontrair, um desestressar. E se calhar é um bocadinho a pensar nas mulheres que eu fiz isso e que eu quis fazer isto, porque as mulheres hoje em dia têm uma vida tão ocupada, tão estressada, com tanta coisa para fazer. Se calhar foi essa a minha necessidade de dizer: "Não, calma, é preciso arranjar um momento para nós, as mulheres, em que temos o nosso momento só para nós e podemos respirar fundo e estarmos conosco um bocadinho", porque nós vamos ao sítio de toda a gente, apagamos muitos fogos e acho que foi um bocadinho isso que me levou a fazer um disco com este desaceleramento.

Isso é bom. É uma boa forma de homenagem. Já não sei onde é que li isto, mas algures li que há aqui uma estética que se poderia definir por fado mediterrânico contemporâneo. O que é isto?

Pronto.

É feliz a designação?

Sim, eu identifico-me com essa designação, porque eu iniciei a minha carreira a solo em 2005.

É o oitavo?

Sim.

Creio que é o oitavo.

Sétimo, oitavo. E quando iniciei a minha carreira a solo, foi para explorar novas sonoridades e para convidar o fado, porque eu sempre gostei de fado. Nos Entre Aspas o fado não tinha lugar. Um projeto pop rock com outra identidade completamente diferente, mas eu tinha a necessidade de explorar um gênero musical em que a minha voz tivesse mais espaço, em que eu pudesse interpretar as coisas de outra forma, com outra profundidade. E eu fui buscar algumas influências ao fado e também à minha infância, à minha adolescência, porque eu nasci em França e, aliás, foi lá que eu fiz, quando era miúda, uma primeira parte de um senhor chamado Carlos do Carmo, que eu tinha 10 anos ou 11, não sabia bem quem era, mais tarde é que eu percebi. E muitas influências também da canção francesa, em que a interpretação também é muito importante. E portanto, esta designação de fado mediterrânico vem um bocadinho desses dois universos, que no fundo até estão bastante próximos um do outro. O chanson com o fado, acho que há ali muita coisa que coincide e que está próxima. E, portanto, eu achei que essa designação era aquela que ouvia bem a minha música.

Como uma mulher na música portuguesa há já tantos anos, quer a solo, quer com o trabalho que fizeste com os Entre Aspas, que é tão conhecido e é tão valorizado na pop portuguesa, acho piada, aqui um pequeno aparte, como os miúdos de hoje em dia, as crianças gostam tanto das canções de Entre Aspas. Acho que na altura em que os Entre Aspas existiam, não tinha tanto esta noção, mas envelheceu conquistando uma geração bem mais nova, infantojuvenil, quase dizia, acho piada. Mas queria muito saber a tua opinião sobre este momento da pop atual, que tem tido na música portuguesa tantos lançamentos de mulheres, no feminino. Há, de facto, quase semanalmente uma nova cantora a aparecer na pop. É um momento muito diferente daquele que viveste no início da carreira com os Entre Aspas.

Pois, eu tenho a sorte de ter acompanhado toda essa mudança. Uma grande mudança, mas de facto, a indústria da música em Portugal, no início, era mais dominada por homens. Hoje em dia já não se verifica isso, felizmente. Aliás, antigamente eram poucas as cantoras que também eram compositoras, letristas, compositoras. Hoje em dia, há imensas mulheres na música portuguesa a compor, a escrever, a interpretar e a dirigir a sua própria carreira. Portanto, houve uma enorme evolução desde os anos 70, 80, 90 para hoje. E eu acho que isso é de louvar.

Tens acompanhado algumas delas? Tens favoritas desta nova vaga da música nacional?

Sim. Tenho acompanhado, claro. Tenho acompanhado várias, desde a Iolanda, Ana Lua Caiano, entre outras, porque há imensas, a Rita Vian, todas essas cantoras. Interessa-me imenso o trabalho que elas estão a fazer, porque acho muito interessante mesmo. E cada uma delas com um estilo bastante diferente, mas muito interessante mesmo. E nota-se que é mesmo o universo que as habita e que elas cantam.

Estamos a ficar sem tempo, ainda vamos escutar-te em mais uma canção, "Como se eu fosse tua", um tema do Salada de Frutas, onde esteve a Lena d'Água também durante alguns anos. Queria só recordar que podem ver Viviane ao vivo a apresentar este Ela por Elas a 6 de outubro no Teatro da Trindade, em Lisboa, 28 de outubro na Casa da Música no Porto e agora aqui com o Tó Viegas também para mais uma canção no Ao Vivo desta semana. Muito obrigado por teres vindo e muitos parabéns por este novo trabalho.

Obrigada também. Encontrei-te e fiquei perdida. Vivi demais a tua vida. Quis te acompanhar e fiquei só. Cheguei a não saber quem era, nessa história de estar à espera, tudo só por ti. Cheguei mesmo a deixar de falar com todos os meus amigos. Deixei de fazer o que gostava só pra poder ficar contigo. Vou lançar no espaço todo o amor que resta no meu regaço. Deixa de pensar em mim como se eu fosse tua. Vou lançar no espaço todo o amor que resta no meu regaço. Deixa de pensar em mim como se eu fosse tua. Já é tempo de me ir embora e arejar daqui pra fora, sem o teu olhar a censurar-me. Vou despir-me dos teus abraços, caminhar longe dos teus passos, aprender por mim. Chega de promessas, basta de conversas, horas a fio. Vou içar as velas, soltar as amarras do meu navio. Vou lançar no espaço todo o amor que resta no meu regaço. Deixa de pensar em mim como se eu fosse tua. Vou lançar no espaço todo o amor que resta no meu regaço. Deixa de pensar em mim como se eu fosse tua.

Ao vivo, na Rádio Observador. Obrigada por ter ouvido este podcast. Se gostou, pode subscrevê-lo, pode partilhá-lo e também pode ouvir a Rádio Observador online em 98.7 em Lisboa e em 98.4 no Porto.