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Este é o som da Boa Moeda, má moeda da Rádio Observador. Paulo, esta manhã falamos de valores, recordo, no crédito à habitação para os jovens.
É verdade.
Toma nota, João.
Até aos 35 anos. Tens mais uns aninhos para fazeres a tua proposta. O mês de janeiro terá sido mesmo histórico na procura de crédito à habitação. Estamos a falar do segmento até aos 35 anos. Ontem houve uma conferência, estiveram presentes alguns banqueiros. O presidente executivo do Milenium bcp, Miguel Maia, disse isso mesmo, desde 2001, início do século, muita gente não era nascida, se calhar quem nos ouve, que o mês de janeiro não tinha tanta procura. Já agora, 2001, o contexto ainda havia o crédito jovem, a bonificação de juros.
Lembro-me disso.
Foi depois Manuela Ferreira Leite, ministra das Finanças, que terminou esse apoio, logo a seguir com o governo de Durão Barroso. Portanto, 2002, 2003. Estávamos ainda em um boom, 2001, de crédito que vinha dos anos 90 e com alguns apoios. Regressando agora a 2025, o motivo para esta subida da procura de crédito são os vários apoios públicos que foram nos últimos meses colocados no terreno, que vão desde aquela garantia pública que vai até aos 15% do valor da casa, em que o Estado garante, até à isenção de impostos, que é importante, IMT e imposto de selo, e as contas que fizemos aqui há tempos, numa casa de 300 mil euros, ainda são cerca de 15 mil euros que se poupam em dinheiro. Há aqui esta corrida. A Caixa Geral de Depósitos, pelo seu lado, já esgotou mesmo o plafond que tinha para este apoio da garantia pública. Isso também disse ontem Paulo Macedo, o presidente executivo da Caixa. Ele diz que já tem mais processos aprovados do que os valores que são disponibilizados para esta garantia, embora a concretização depois seja lenta, isto é, uma coisa é o processo aprovado, outra coisa é a permitação até estar tudo fechado. Sobre isto dos montantes e dos plafonds, o governo tinha definido o máximo da garantia pública em 1.200 milhões de euros, e depois estes 1.200 milhões eram repartidos pelos bancos todos em função da sua cota de mercado. No caso da Caixa Geral de Depósitos, podemos apontar para cerca de 25%, que é a cota de mercado da Caixa destes 1.200 milhões. Mas o governo também disse que quando estes plafonds se esgotassem, e se esgotassem rapidamente, que os bancos podiam pedir reforço e, para já, não há nenhum limite sequer para esta medida. Miguel Maia também diz, o presidente do BCP, que a aquisição da casa continua a ser dos melhores investimentos que se podem fazer, sobretudo numa perspetiva de futuro, diz ele, porque os jovens compram a casa, em princípio até podem trocar de casa à medida que a família vai crescendo, é um pouquinho o ciclo normal, mas quando se chega à fase da reforma, por regra, já não se precisa de uma casa tão grande. Já é o casal, se quisermos, que está reformado, e aí trocando a casa por uma mais pequena, a diferença de preços que isso pode dar, pode dar um complemento de reforma, de facto simpático. Um pouco olhar para essa programação que ele diz, mas uma procura muito grande por parte dos jovens. Já agora, a descida das taxas de juro do ano passado também ajuda aqui.
Paulo, e é sempre bom recordar também algumas dicas quando se contrata um crédito à habitação, não é?
E aqui socorremo-nos do Banco de Portugal e dos vários guias que eles têm para ajudar as pessoas com alguma literacia nestas matérias. Neste caso, são quatro dicas muito rápidas que o Banco de Portugal aconselha quando se está a contratar este tipo de produtos. Primeiro, comparar o custo de diferentes propostas de crédito. Quando se fizer isso, não olhar apenas para o spread, isto é, olhar para aquela margem de 08, 09, 1, 1.1, 1.2, que o banco coloca. Por quê? Porque o Banco de Portugal diz que o crédito que tem o spread mais baixo não é necessariamente o mais barato. Depois há uma série de outros custos, comissões e por aí fora, que podem ser maiores num banco que tem um spread mais baixo. Convém olhar sempre para a taxa anual de encargos efetiva global, que os bancos são obrigados a calcular, ou então para o MTIC. O MTIC é o montante total imputado ao consumidor. São dois indicadores que os bancos são obrigados a calcular da mesma forma e para os quais devemos olhar para aí, sim, comparar o total da proposta, não só apenas o spread. Este é o primeiro. Dica dois: verificar se as propostas de crédito preveem a aquisição de outros produtos, isto é, muitas vezes o spread mais baixo tem como condição obrigar a contratar seguros, ter contas à ordem, ter algum leasing e por aí fora. Ter muita atenção, porque isso obviamente traz outros custos. Três: ter atenção ao prazo do empréstimo. Temos que comparar empréstimos semelhantes, isto é, 25 anos com 25 anos, 30 com 30 e por aí fora, porque quanto mais longo for o prazo, menor será a prestação agora, mas sai-nos mais caro. Quando chegamos ao fim de tudo, consumamos tudo, sai mais caro. E por último, ter atenção à questão das taxas de juros variáveis fixas ou mistas. Por regra, a taxa de juro fixa mantém-nos a prestação ao longo do empréstimo. A taxa de juro variável pode ser mais barata no início, mas não nos dá a garantia de manutenção ao longo do empréstimo. Portanto, comparar aquilo que é comparável.