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Foi o debate dos Ruis. Rui Rocha e Rui Tavares estiveram frente a frente na CNN Portugal há pouco. Rui Tavares acusa Rui Rocha de ter uma visão arco-íris. Já o líder da Iniciativa Liberal acusa o coordenador do Livre de estar a testar soluções de laboratório. É um debate que está mesmo a terminar nesta altura. Esteve a ser ouvido com muita atenção pelo Miguel Pinheiro, o diretor executivo do Observador, e também pelo Rui Pedro Antunes, o editor de política, que se juntam agora aqui na tarde política para uma análise a este debate, que eu e o Miguel Vieira não tivemos oportunidade de ouvir, mas Rui Pedro Antunes, já regressado dos Açores, conta-nos tudo.

Deixe-me só dizer que não vi a parte final. Uma vez que entrei aqui para o estúdio, fazer este pequeno aviso.

Mas o live blog do Observador, em observador.pt vai ajudar-nos certamente a introduzir aqui alguns tópicos.

Entretanto, algum deles deram um soco ao outro, há esta ressalva que essa será a minha pessoa que perdeu votos, porque apesar de tudo, a violência não é a resposta. Fica só essa pequena nota. Quem ganhou? Elon Musk, porque os dois são melhores no Twitter, tanto um como o outro. Os debates são sempre difíceis de fazer uma avaliação. Eu creio que Rui Rocha esteve bem numa parte em que parece que tenta colar Rui Tavares um bocadinho uma imagem de alguém que é contra o progresso, relativamente à questão da inteligência artificial e da modernização tecnológica, que a certa altura usa uma expressão que eu achei que tem graça que é: quando apareceu o semáforo, quereria tachar os semáforos para proteger os policiais de sinaleiros, quando apareceu o e-mail, quis tachar o e-mail para proteger o serviço de correios e o envio de cartas. Nesse aspecto, parece-me que foi o que se safou melhor com um equilíbrio que me parece que é bastante evidente entre eles, porque têm até perfis um bocadinho parecidos nesse aspecto. Obviamente que há uma grande diferença de ideologia entre ambos.

E ficaram evidentes essas diferenças ideológicas, à semelhança do que aconteceu ontem com o debate Mariana Mortágua com o Luís Montenegro?

Sim, ficaram evidentes essas diferenças. Depois tentam um bocadinho ridicularizar cada um algumas das propostas que têm, nomeadamente, por exemplo, o Rui Rocha também relativamente ao Rui Tavares, à semana de quatro dias ou ao rendimento básico. E nesse aspecto, houve aqui algum equilíbrio entre ambos. Para Rui Rocha, também uma nota que está com aquela frase de: "Isso é demagogia". Uma pessoa diz: "Olhe, desculpe, posso dizer uma coisa? Olha, isso é demagogia". Ficou com aquela, e também aquela questão repetitiva ao início de que o voto na Iniciativa Liberal é o único. Eles só têm 13 minutos. Ele vai mesmo ocupar em todos os debates 15 a dizer aquilo? Por amor de Deus.

Na abertura, na primeira intervenção.

Na primeira intervenção, faz sempre uma espécie de intervenção inicial, que dá vontade de dizer: "Ó homem, tu só tens 13 minutos. Portanto, se calhar poupavas 20 a dizer isso e pões no Twitter ou num sítio desses". Isto para dizer o quê? Quem ganha? Elon Musk, porque tanto um como o outro são melhores no Twitter.

Miguel Pinheiro, quem é que ganha e quem perde votos?

Acho que, como se costuma dizer, ganhou a democracia. Foi e está a ser um debate, vamos ver, estamos a poucos minutos do fim, vamos ver se de facto não existe o soco que o Rui Pedro antecipou.

Algum já tirou os óculos, só para caso disso acontecer.

Foi um debate tranquilo, em que cada um conseguiu expor as suas ideias, as divergências. Acho que por aí a coisa correu bem. Em relação à frase inicial, ao slogan inicial de Rui Rocha, imagino que na cabeça dele está, se com João Cotrim Figueiredo, aquele slogan do liberalismo faz falta e funciona, ou qualquer coisa assim desse gênero. Se correu bem com ele, pode ser que esta frase corra bem comigo. Manter as coisas que funcionam.

Só se for provar que o ChatGPT funciona, porque ele está ali a defender a inteligência artificial, que é: faça-me um discurso, um debate como se fosse o Rui Rocha. De certeza que o ChatGPT daqui a cinco anos começa com essa frase.

Ou cinco anos ou antes. Realmente as duas grandes divergências, saúde e esta questão da taxação ou não dos avanços tecnológicos de que o Rui falava. Rui, o Rui Pedro Antunes, não o Rui Rocha, nem o Rui Tavares.

São Ruis a mais.

São Ruis a mais. E Rui Rocha mantém aqui um foco que de facto é a forma mais eficaz da Iniciativa Liberal argumentar. A Iniciativa Liberal é acusada, e foi aqui mais uma vez por Rui Tavares, acusada de experimentalismo e de aventureirismo. A melhor coisa que a Iniciativa Liberal pode fazer é dizer: "Não é aventureirismo, isto funciona na Alemanha, isto funciona nos Países Baixos, isto funciona na Áustria, isto funciona onde for". Esta ideia de que querem trazer para Portugal medidas que funcionam noutros países, que estão comprovadas, isto não é uma ideia louca de um liberal louco que agora de repente quer fazer uma revolução em Portugal. Isto é muito eficaz e Rui Rocha tem aproveitado para dizer sempre isso nos debates e acho que ganha votos com isso. Judite de França, notas deste debate entre Ruis?

Eu acho que Rui Tavares tem uma vantagem sempre em debates, que é muito fluente e consegue condensar muitas ideias numa frase só e acho que conseguiu fazer isso bem. E Rui Rocha tem melhorado sempre um pouco e neste debate conseguiu fazê-lo, sobretudo quando conseguiu quantificar as coisas. Rui Tavares não tem valores para quantificar o seu programa. Tanto pode dizer dezenas de milhar como centenas de milhar, que foi o que disse no início. Quer dizer, isso não faz sentido. Faz sentido ter valores para as medidas que se apresenta. E portanto, quando Rui Tavares acusa Rui Rocha de ver um arco-íris que no fim tem um baú com moedas de ouro, eu acho que é Rui Tavares que se fia muito no facto de ser muito bom do ponto de vista oral para convencer o seu eleitorado.

Bruno Vieira Amaral, notas finais?

Sim, Rui Tavares tem mais jogo de cintura nestes debates e Rui Rocha ainda está muito verde, é muito duro de rins. Isso já se viu nos outros debates, não consegue reagir. Ontem com o André Ventura, André Ventura atacava-o e ele dizia: "Claro". Com Pedro Nunes Santos, quando Pedro Nunes Santos teve aquela jogada inesperada de falar sobre ser um homem sério e da Iniciativa Liberal fazer aquelas acusações ou usar aquelas acusações sobre a casa e o IMI, o que Rui Rocha disse foi: "Não tenho nada a acrescentar". Ou seja, ele não consegue reagir aos ataques e Rui Tavares foi muito mais pró-ativo no ataque, ou seja, esteve mais ao ataque e Rui Rocha fica sempre na defensiva e só consegue os melhores momentos é quando ele se refugia naquilo que já entretanto foi tentando nos outros debates, por exemplo, quando ele diz no caso da saúde: "Não perguntem porque é que nós queremos mudar aquilo que não funciona, perguntem aos outros porque é que querem manter aquilo que não funciona". E quando se agarrou também a essa ideia que o sistema atual na saúde não é acesso a cuidados de saúde, é acesso a listas de espera. Portanto, já percebeu que há ali duas ou três ideias fortes em determinados temas a que se pode agarrar, mas quando é confrontado com situações inesperadas, com ataques inesperados, revela uma grande lentidão, uma grande incapacidade de responder.

Para quem vê os debates todos, já sabe essas frases de cor.

Mas atenção, ninguém vê os debates todos, exceto pessoas que são pagas principescamente para isso, como nós. Quando Paulo Portas era líder do CDS, ele era muito acusado de estar sempre a dizer as mesmas coisas e ele lá sabia porque é que repetia. De facto, é preferível repetir estas frases que o Bruno lembrou sobre o Sistema Nacional de Saúde do que repetir aquela frase inicial, que é relativamente vaga. Agora, realmente, Rui Rocha tem dificuldades no contra-ataque. Mesmo hoje quando Rui Tavares, a dada altura, disse que a IL quer beneficiar o megamilionário do Dubai. O megamilionário do Dubai? A sério? Estamos mesmo nisto.

Mas o que vocês chamam ataques de Rui Tavares para Rui Rocha são elogios. "Queres favorecer os senhorios?" "Pois quero." "Queres favorecer os milionários?" "Pois quero." "Não queres taxar os milionários?" "Pois não."

Mas o megamilionário do Dubai é uma coisa de banda desenhada, realmente. E é assim que fechamos a análise a este debate entre Rui Rocha e Rui Tavares, a análise de outro Rui, o Rui Pedro Antunes, o Miguel Pinheiro, o Bruno Vieira Amaral e a Judite de França, que aqui vão continuar connosco.