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Este é o som da Comissão de Inquérito das manhãs 360. Hoje é nosso convidado António Carmona Rodrigues, presidente das Águas de Portugal e antigo presidente da Câmara de Lisboa. Bom dia, bem-vindo.

Bom dia. Obrigado por me receber.

Muito obrigada por ter aceitado o nosso convite.

Eu é que agradeço.

Têm aguinha à disposição?

O quanto baste.

E é boa.

É boa.

Isto é muito boa.

Recomendo.

São cinco perguntas, cada resposta certa vale cinco pontos. Se pedir a nossa ajuda e acertar, recebe dois.

Assim me a dizer, é só ganhar.

É sempre a ganhar, vai ver. Vamos lá. Que candidato à presidência disse muito recentemente: "É muito mais fácil transformar o país ganhando Belém do que as legislativas"?

Não sei quem disse.

Então quem poderia ter dito?

Não sei quem disse.

Quer uma ajuda?

Quem pode ter dito ou toma ajuda.

Pode arriscar.

Independentemente de quem disse. Não sei.

Foi presidente da Câmara de Lisboa, também foi ministro. Daquilo que conhece.

Não tenho ideia que seja mais difícil uma do que outra. São coisas diferentes. São eleições diferentes.

Nós já vamos falar disso.

Sim, mas não tenho ideia quem disse isso.

Então vou dar-lhe uma ajuda. André Ventura, António José Seguro ou Catarina Martins?

Eu ia pelo Seguro.

Foi André Ventura.

O Seguro morreu de velho.

Foi André Ventura. Dizia que não tem essa noção, portanto não acha que é mais fácil transformar o país a partir de Belém do que a partir do governo ou até das próprias autarquias, como já esteve no governo, na Câmara de Lisboa.

Vamos lá ver.

Só não esteve em Belém.

Já estive lá em cerimónias. Mas vamos lá ver, eu acho que transformar o país não se resume a essas coisas. Há tanta coisa para fazer para transformar o país. Agora, se me disser: "Isso depende mais do poder executivo do que de Belém ou do que das autarquias." Sei lá, há tanta coisa. Eu agora tenho esperança que há um ministro da Reforma do Estado. Pode ser que contribua fortemente, e espero que dê um impulso grande a muita reforma que se tem de fazer. Agora, eu percebo, se foi o André Ventura que disse, agora recordando, que ele acha que é possível, de facto, com uma presidência mais atuante, mais presente junto do executivo, eventualmente poderá ajudar. Talvez. Mas respeitando a separação de poderes, sempre com respeito pela Constituição, essas coisas todas, acredito que sim. Agora, não acaba aí. Ou seja, há tanta coisa para fazer que é bom que haja pessoas empenhadas a todos os níveis.

E já sabe quem vai apoiar?

Eu já tenho uma ideia. Não decido ainda, mas já estou perto disso.

Quer partilhar?

Não quer partilhar. Podemos deixar só em voz alta.

Dantes dizia-se que havia as mulheres que apreciavam muito os homens com farda. Eu não sou mulher, mas eu também aprecio os homens com farda.

Não estamos a ver quem possa ser.

Vai estar hoje atento à televisão, então, para o primeiro debate.

Não ligo nada.

Não liga nenhum?

Não ligo.

Não liga.

Como dizia o outro, já sei a missa toda.

Então vamos à segunda pergunta, porque vamos entrar um bocadinho nesta questão da campanha. Vamos recordar aquela onde foi involuntariamente muito protagonista, a campanha de 2005 para as autárquicas. Aquele momento tenso com o seu adversário político, Manuel Maria Carrilho, no final de um frente a frente na SIC. Isto para contar a quem não se lembra.

Não se lembra.

Ele não lhe estendeu a mão para o cumprimentar. A pergunta é: quem era o moderador desse debate na SIC?

Era o João Adelino de Faria.

Pois era.

Nunca mais se esquece.

Nunca mais. Há quem entenda que foi esse o momento que lhe deu a vitória nas eleições em Lisboa. Não liga nenhuma às presidenciais.

Não, não ligo nenhuma.

Não, desculpa, à campanha. À campanha e aos debates.

Não tenho tempo, sinceramente. São tantos debates. Eu já tenho uma ideia, mais ou menos, de cada um deles.

Servem para quê estes momentos?

Para cumprir calendário e se calhar para algumas pessoas que esperam conhecer melhor os candidatos e as suas propostas. Agora, eu estou um bocado afastado da vida política ativa, mas conheço mais ou menos os protagonistas.

Mas não é importante, sobretudo para candidatos com farda, que são menos conhecidos do grande público?

Sim, claro que sim, para todos. Tem de haver, eu não sou contra os debates, tem de haver debates e é importante que as pessoas vão lá e dois a dois, ou três a três, ou todos ao mesmo tempo, debater, apresentar e discutir. Acho que sim, é importante, sem dúvida. Agora, eu depois prefiro ouvir os vossos resumos e pronto.

Mas a vida política desencantou-o, foi? Não lhe suscita interesse, nem ficou o bichinho?

Não, eu nunca fui de nenhum partido, como sabem, sempre prezei muito. E não foi prezar por ser uma questão, uma obsessão, não ser de nenhum partido, nunca lhou. Tive mais que fazer na vida até aos 40 e tal anos, quando me desafiaram para ir para a política. Estou a dizer, tive mais que fazer e era por razões pessoais. O meu pai morreu cedo, eu tinha de me empenhar nos estudos, apoiar a minha mãe, trabalhar fora de horas para poder ter um apoio à minha bolsa de estudo e precisava de estar com os amigos, precisava fazer o meu desporto e não me sobrava tempo para outras coisas. A verdade é essa.

Mas depois teve um acesso muito importante à vida política, por ser presidente da Câmara de Lisboa e depois ser ministro. Abriu-lhe uma porta, não quis ficar lá dentro.

Abriu uma porta para a política, eventualmente. Olhe, ainda hoje Por exemplo, nestas presidenciais, imensas pessoas vieram ter comigo ao longo dos últimos meses e algumas, de alguns partidos tradicionais, que me disseram: "Mas por que não avança?" Mas eu avanço pra onde? Está a brincar comigo?

Andaram à procura de si pra candidato. Ontem tivemos essa revelação, Manuel Montalvão disse que foi sondado pelo Chega, também foi sondado por partidos?

Não por partidos, por pessoas de partidos, que não representavam, se calhar não falavam em nome de partido.

Se calhar estavam a fazer sondagem.

Se calhar, sim. Ou então desses partidos que se calhar não se reveem bem ou totalmente nos candidatos que depois aparecem bem desses partidos. Como o Carmona Rodrigues já foi presidente da Câmara de Lisboa, ministro, agora preside a Águas de Portugal, que é uma empresa do Estado. Desses cargos todos que desempenhou, não tem saudades de nenhum deles? O presente ainda está no cargo.

Saudades.

Eu guardo boas memórias de ambos. Eu acho que são coisas completamente diferentes, estar no governo, estar numa câmara como a de Lisboa, guardo bons momentos. Especialmente as coisas correram melhor, por assim dizer, do ponto de vista da agitação, quando estive no Ministério das Obras Públicas, que estive lá só 15 meses, e eu recordo que em 15 meses conseguimos fazer imensa coisa, que hoje não era possível, de certeza.

Por quê?

Porque entretanto veio a Troika, a Troika introduziu mecanismos mais de controle das despesas e dos investimentos públicos.

A chamada burocracia.

Eu diria que sim, burocracia, exatamente. Portanto, ela não diminuiu, de certeza. Eu acho que tive a minha experiência de cargos políticos, é verdade, e gostei. Muitas pessoas se calhar nem sabem o que aconteceu. Às vezes eu digo: "Olha, isso foi no meu tempo que se fez assim com alguém ou com esta entidade". Fica na minha memória agora.

O que o orgulha mais dessa passagem pela política e como presidente da Câmara de Lisboa?

O que me orgulha? O que me orgulha mais é encontrar às vezes pessoas que se cruzam comigo na rua, anônimas, e que se lembram que eu fiz isto ou aquilo e vêm ter comigo a agradecer.

O quê, por exemplo?

Olhe, vou lhe dar um exemplo. Tinha eu saído da Câmara, na minha primeira fase como vice-presidente, e fui pra o governo, e eu participei em várias visitas de Estado com o primeiro-ministro, o doutor Durão Barroso. Eu lembro que, se não me engano, a primeira foi a Angola. Visita oficial, e eu estava no conjunto de ministros que fomos, por várias razões, pelos transportes. E logo no primeiro dia chegamos ao fim da tarde, lembro-se, fomos ao hotel tomar um banho e depois fomos para um teatro, acho que era um teatro em Luanda, onde havia uma recepção aos portugueses que estavam a viver ou trabalhar em Angola. O primeiro-ministro fez um discurso de circunstância, estava cheio de gente, e depois eu estava lá. Depois aquilo acabou, estávamos no convívio com várias pessoas e às tantas eu vejo um indivíduo, um rapaz, que veio ter comigo e diz-me assim: "Sr. Ministro, eu vim hoje aqui de propósito, porque sabia que o senhor estava cá e vinha lhe agradecer o que fez pelos estudantes angolanos em Lisboa". E são essas memórias as melhores que eu tenho. Agora, se me perguntar: "Olhe, mandei fazer a eletrificação da Linha do Sul e pela primeira vez consegui fazer a ligação do Alfa Pendular entre Braga e Faro, passando pela Ponte 25 de Abril." Também fiz essas coisas, mas aquelas que me tocam mais são aquelas de-

Mais humanas

...mais humanas. Exatamente.

Ainda que as outras também tenham impacto humano, evidentemente. Vamos avançar para a terceira pergunta.

Tem cinco pontos, portanto o zero já lá vai.

Vamos ver agora se chega aos 10. Como se chama a nova vereadora da Higiene Urbana da Câmara de Lisboa?

Eu acho que é uma senhora que vem de Oeiras.

Está certo.

Joana.

Joana?

Baptista.

Está certíssimo.

Com o pi e tudo. À antiga.

É esse o maior problema da cidade de Lisboa, o lixo. O Carlos Moedas falou muito durante a campanha da questão da higiene urbana e parece que, e isso é capaz de ser estranho para os residentes em Lisboa, para os habitantes e pra quem está de fora, parece que não há forma de resolver uma questão que aparentemente poderia ser relativamente fácil de resolver.

Sim. O fácil é sempre relativo, mas a primeira parte da pergunta, se é o principal problema, eu acho que não. Eu, aliás, também não quero estar aqui a puxar os galões, mas comecei a falar há muitos anos no problema da habitação, antes de um dia em que descobriu toda gente que temos um problema da habitação. Mas acho que o problema da habitação é um problema, talvez dos principais. Os problemas tradicionais na cidade de Lisboa sempre foram os transportes, sempre foi a segurança, sempre foi a habitação, etc. A higiene urbana também. Agora, se me pergunta se há formas de resolver, há. Por exemplo, se calhar não têm presente que quando foi criada a sociedade Parque Expo para desenvolver o projeto da Expo 98, foi criada, se não me engano, em 92, e pra isso foram feitos dois decretos de leis que temporariamente passaram certas competências municipais da Câmara de Lisboa para a sociedade Parque Expo. E uma das coisas que fez a sociedade Parque Expo foi também, depois da criação daquele espaço e depois o pós-Expo 98, zelar pelas infraestruturas daquela zona da cidade. Não sei, vocês já ouviram algum problema com a higiene urbana da zona da Parque Expo Nunca ouviram. Sempre funcionou bem. E por quê? Porque era um modo diferente de gerir a higiene urbana do que no resto da cidade. E portanto, pode perguntar: "Está bem, mas por que isso não se estendeu ou alargou ao resto da cidade?" Isso é um problema.

E por quê?

Por muitos motivos, porque é aquela questão, aquilo emprega muitos funcionários da câmara, externalizar esse serviço, que em algumas câmaras é muito pacífico, na Câmara de Lisboa ganha outra importância do ponto de vista político e sindical, essas coisas todas, e portanto, acaba por não ser fácil. Agora, se me perguntar se há soluções, há. Olhe, vão à Parquespe e vejam.

Que é externalizado por envolver também as freguesias, por exemplo?

Não, isso é outra confusão que foi feita aqui há uns anos, quando foi a associação da revisão do modelo e do número de freguesias, que reduziu bastante para menos da metade. E houve aí algumas coisas que ficaram mal definidas, a passagem de competências e responsabilidades da Câmara para as freguesias. Eu acho que isso ainda existe hoje. É outro problema. Poderá dizer: "Isso é fácil de resolver". É fácil, mais ou menos. E portanto, ainda existe alguma, por exemplo, vamos àqueles pontos de recepção de papel, de plástico e de vidro, que há uma entidade que tem competência de ir lá esvaziar aquilo. Mas se aquilo muitas vezes acontece, que tem coisas à volta que não permite o acesso, quem tira essas coisas à volta não é a mesma entidade que vai lá buscar aquilo e, portanto, não vai, não esvazia. Portanto, isto é um problema.

Fica na zona de ninguém.

Podem dizer: "Parecem coisas estúpidas". São coisas estúpidas, e o que é estúpido é que não se consegue facilmente resolver essas coisas.

Entre o atual e o anterior presidente da Câmara, Fernando Medina e Carlos Moedas, a quem entregaria primeiro a autarquia, se dependesse de si?

Ao Carlos Moedas, sem dúvida.

Apesar desses problemas todos, acha que a cidade está a ser bem gerida?

Não estou a pensar só nisso, mas numa avaliação mais global, claramente.

Vamos seguir. 10 pontos. Outra pergunta, Carlos Moura Rodrigues: o abastecimento d'água a Lisboa foi assegurado durante muito tempo pela CAL, a Companhia das Águas de Lisboa, que depois foi substituída pela EPAL, já depois da Revolução. A pergunta é: em que século foi criada a CAL?

Século 19.

Belíssimo. Realmente. Dia 2 de abril de 1868. Já é pedido mais.

Mas se quiser, posso até dizer que dia da semana é que foi, que é uma coisa que eu gosto sempre de dizer às pessoas. Se me disser a sua data de nascimento, digo-lhe em que dia da semana é que nasceu, por exemplo.

Tá bom.

Ou às senhoras também.

Mas eu digo 20 de outubro de 1967.

Então deixe-me só fazer uma coisa.

Nem eu sei quando nasci.

Estamos aqui a assistir em direto ao momento.

Qual é o dia e o mês?

20 de outubro, 1967.

20 de outubro. Então foi uma sexta-feira.

Foi uma quinta, se não me engano.

Deixe-me cá ver. Só confirmar. 1967, não é?

A nossa produtora também está a confirmar.

Está aqui a fazer cálculos.

Está a fazer uns cálculos de cabeça.

Espera.

Carlos Moura Rodrigues.

20 de outubro. Aí não tenho dúvidas. Agora, 1967. 33, 16.

Acho que está certo. Confirmam aqui que o Carlos Moura Rodrigues está certo.

Ok, ainda bem.

O Carlos Moura Rodrigues sabe melhor do que tu.

Tu não sabes em que dia é que nasceste.

Eu me lembro que a minha mãe me disse.

Ó Paulo, até parece que não estavas lá.

Eu também não sei o dia da semana em que nasci.

Eu sei o meu.

Agora fui ver.

Agora para a segunda já cobro.

Então depois comigo falamos em off.

Mas sabe o dia da semana então, da fundação da CAL?

Isso temos de fazer um pouquinho mais. Eu vou chegar lá. Não chego lá, porque vou lhe dizer o seguinte: isto tudo tem a ver com o múltiplo sete dias da semana. E tem tudo a ver em cada século, qual foi o primeiro dia do século. E este século XXI em que estamos, o primeiro dia foi um domingo, que é zero, porque é dividir por sete dá resto zero. Sábado, perdão, a dividir por sete dá resto zero. Do século XX foi um, e portanto, é natural que do século XIX tenha sido dois, e a partir de lá evolua rapidamente.

É um algoritmo, basicamente. Claro.

Não tenho treinado há muitos anos.

Os senhores aqui há um dom que te conhecíamos e que não é comum.

Olhe, foi um sucesso na campanha de 2005. Estamos a falar da campanha de 2005. Não, mais na de 2007, em que candidatei como independente, que era preciso andar a recolher assinaturas na rua, porque eu fui recolher assinaturas de rua, outros nem por isso. Mas para as assinaturas, muitas vezes as pessoas punham lá o bilhete de identidade e eu via: "Nasceu no dia tal." "Como é que sabe?" "Estou a lhe dizer." Já: "Tem razão." Uma senhora muito engraçada disse-me assim: "E que dia da semana é que foi este dia?" E eu disse: "Olhe, foi um domingo." E ela: "Não, foi um sábado." "Mas não, foi domingo." E ela: "Não, foi o dia que eu casei." "Minha senhora, desculpe, mas foi um domingo." E ela passada um bocado: "Tem razão!"

Como aqui agora.

Exato. "Tem razão, era pra ter sido sábado, mas não sei o quê, depois foi domingo." Portanto, foi um sucesso na campanha.

E essas facilidades são boas para a Gerirágua Portugal, nomeadamente para avaliar se o preço da água que pagamos é muito alto ou muito baixo?

Não, eu acho que é razoavelmente baixo. Há vários fatores. Desde logo, em Lisboa tem o efeito escala. O efeito escala que a EPAL serve muitas pessoas e, portanto, há uma coisa técnica que é: quanto maior a escala, mais baixo é o preço unitário.

Claro, diluem-se custos fixos.

Depois, também é um setor de grande investimento, ou seja, as pessoas pensam: "A água aparece na torneira, é fácil". E estou a dizer, não é as pessoas da rua, há outras pessoas com grandes lugares de responsabilidade e que estão na cadeia deste sistema todo, que acham que isto é uma coisa muito simples. E a verdade é que é um setor em que temos que estar permanentemente com atenção às questões da segurança, da proteção das origens, da qualidade da água, da garantia de fornecimento, da manutenção e reabilitação de infraestruturas de vários tipos e, portanto, é um setor de investimento permanente, de forte investimento. Se uma pessoa comparar com outras despesas do dia a dia, das energias, do gás, das telecomunicações.

É muito barato.

É barato.

Mesmo com as taxas que já estão incluídas na fatura.

Isso é outra coisa. Estão lá penduradas. Podiam estar penduradas na fatura da água, podiam estar penduradas noutra coisa qualquer. Isso é que às vezes as pessoas depois reparam que estão a pagar muito pela água. Pela água não se paga muito, de facto.

E acha que devíamos pagar mais?

Não, acho que deve acompanhar o índice de inflação, pelo menos. Temos desafios pela frente. Só para exemplo, agora vem uma diretiva comunitária sobre as águas residuais urbanas. Nós também temos o ciclo urbano nalgumas empresas do saneamento. E as exigências que vêm daí são grandes. É uma diretiva comunitária que vai ter que ser transposta para o direito interno de cada país e vai ter repercussões dos investimentos que é preciso fazer. E o nosso regulador depois vai dizer que temos de transpor esses investimentos para a tarifa que se vai cobrar.

E aí vem um processo a partir daí. Vamos à última pergunta, já mesmo em cima da hora: qual foi a primeira rota da TAP?

A primeira rota da TAP. Eu já estou na TAP, de facto, mas não apanhei a primeira.

Pois não. Não apanhou mesmo.

Mas eu diria que foi para Luanda. Não.

Quer uma ajuda? Foi uma coisa menos ambiciosa.

Sim.

Terá sido Lisboa-Porto, Lisboa-Faro ou Lisboa-Madrid?

Assim diria Porto, mas não sei.

Foi Madrid. 19 de setembro de 1946, houve essa primeira ligação.

Que dia da semana é?

Não temos tempo para fazer essas contas agora. Mas defendeu e deu a cara por Alverca como o local do novo aeroporto da região de Lisboa. Já desistiu dessa ideia? É melhor ter um aeroporto feito do que não ter nenhum.

Não desisti. Aliás, o grupo dos conspiradores, como costumo dizer, sobre Alverca, ainda nos reunimos no outro dia para almoçar todos juntos, para manter a chama viva. Éramos oito. Somos oito. Alverca tem um conjunto de razões que não cabe aqui hoje estar a apresentar, mas que resolvia uma série de questões. E ela tem capacidade, e tem possibilidade, e não fere as questões do ruído, e não fere as questões da zona de proteção do estuário. E insere-se bem na estrutura da alta velocidade ferroviária.

Nem precisa de uma terceira travessia do Tejo.

Não, mas isso vem por outras razões. Alverca, como existe, por exemplo, no aeroporto de Paris, com aqueles metros de superfície automáticos, sem condutor, liga a Portela a Alverca em nove minutos. Ou seja, aquilo pode funcionar também com a Portela. A ideia era esvaziar a Portela em termos de movimentos diurnos, fim de semana, etc. Aliviar o barulho do ruído que Alverca produz.

Mas mantendo em funcionamento a Portela.

Mas mantendo em funcionamento. Havia algum phasing out da Portela e havia esta vantagem de ter Alverca para desdobrar.

Mas Alcochete não é um erro? A resposta sim, não. Senhora.

Tem várias vantagens. Também tem de ser feito com parcimônia. Por exemplo, Alcochete, as pessoas dizem: "Ah, não". Isso eu ouvi na altura, algumas pessoas vindas de determinados setores da construção civil, dizer: "Tem de se fazer logo duas pistas". Não, não tem de se fazer duas pistas. Por que se tem de fazer duas pistas? Se faz uma pista com 3 mil e tal metros, com um taxiway que acompanha ao longo do runway, os 3 mil e tal metros, etc. Só isso é como Gatwick em Londres, leva milhões de passageiros e não sei quantos aviões por dia. Há uma coisa que às vezes cá em Portugal é uma certa resistência às questões graduais. Tem de ser logo tudo. Não tem de ser logo tudo.

Foi como aqui, não foi logo tudo, não foi 25, mas foram 15. Foi bem simpático. Obrigada, Carlos Mano Rodrigues, por ter vindo à Rádio Observador. Foi um gosto. Obrigada.

Obrigado.