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Começa agora a Comissão de Inquérito das manhãs 360. Hoje é nosso convidado Miguel Rangel, deputado da Iniciativa Liberal. Bom dia, bem-vindo!

Muito bom dia. Obrigado.

Obrigada por ter aceitado o nosso convite.

Obrigado pelo convite.

São cinco perguntas, cada resposta certa vale cinco pontos. Se pedir a nossa ajuda e acertar, recebe dois. Esta semana, só para ter uma ideia, Hélder Rosalino fez 20 e o Nuno Melo fez 14. Portanto, a fasquia aumentou.

É isso. Do que viraste aí, eu não sei. O Rodrigo Saraiva fez 22, logo no início.

Acho que é o recorde ainda, não é, da Iniciativa Liberal?

Não, já houve quem fizesse 25. Não sei se alguém da IL já fez 25. Mas a Maria já tem, é o dia das estatísticas.

Tenho aqui vários nomes, mas é muitos, começámos isto em 2024.

Estamos no último lugar neste momento.

É um bom lugar.

O ranking por partidos.

Vamos lá. Vamos à primeira. Em que ano se deu, pela primeira vez na televisão portuguesa, um debate entre dois políticos, neste caso, Álvaro Cunhal e Mário Soares? Olhe que não.

É esse.

É esse. É esse debate. Olhe que não, doutor.

Estávamos em que ano?

Não sei se a minha ajuda o vai ajudar, mas se precisar, diga. Ou então arrisque.

Não há muitas alternativas.

Ou peça ajuda.

Sim, não há muitas alternativas. 70 e...

É isso. Essa é a década.

Certo.

Quer pensar alto?

76.

É a resposta final? É melhor pedir ajuda.

É, então vamos lá para a ajuda.

Então vamos lá. 74, 75 ou 76?

76.

Não. Se nós sugerimos ajuda...

É por causa do 75, mas estava eu convencido que seria mais tarde.

75. Miguel Rangel, pelo que tem visto nos debates, se as eleições fossem hoje, quem é que deveria ocupar o top três? As eleições presidenciais. Não lhe pergunto o primeiro lugar, porque essa pergunta com certeza seria óbvia. Ali um top três.

Se as eleições presidenciais fossem hoje, quem é que ocuparia?

Pelo que tem visto nos debates.

Isso, naturalmente, o primeiro lugar já o entregou, não fui eu que entreguei. Acho que o João, sem dúvida, o João Cotrim Figueiredo tem mostrado uma forma de estar completamente diferente nestas eleições. Aliás, de uma forma geral, desde que entrou na política, ele apresenta sempre uma forma de estar diferente.

Como assim diferente?

Desempoeirada, irreverente e, ao mesmo tempo, responsável, muito conhecedor, com vida para além da política, o que é muito importante e acho que muitas vezes faz falta e é pouco valorizado.

Mas acha que está em condições seriamente de passar a uma segunda volta das presidenciais?

Acho que sim, não tenho a mínima dúvida. Ainda agora, recentemente, ele estava a apresentar o manifesto e eu estava na plateia, como muitos outros, e fui o primeiro a dizer: "Tu vais à segunda volta". Portanto, acredito convictamente que exista esse cenário, sem dúvida.

E vai à segunda volta com quem? Ou contra quem?

Pois, isso agora entraríamos aqui numa análise política.

É o top três.

Uma análise política, como é que se dividem os votos.

Sobretudo à direita.

Sobretudo à direita, está bastante atomizado, sem dúvida. Mas claro que nós nunca podemos ignorar. Eu tenho dito isto, tal como o João, eu também não vim da política, entrei na política quando fundámos a Iniciativa Liberal. E uma das coisas que eu descobri, ou que me apercebi, foi que Portugal é dos países mais clubistas no que se refere à política. E obviamente que nesse cenário, os candidatos apoiados pelos dois grandes partidos clássicos de sempre, mas que ao mesmo tempo também não deixam de ser os responsáveis por estarmos na situação onde estamos, são candidatos que nós não podemos ignorar. Portanto, eu acho que Marques Mendes e António Jorge Seguro serão os candidatos a ocuparem esse pódio.

Mas João Cotrim Figueiredo, neste momento, a avaliar pelas sondagens, consegue chegar muito para lá do eleitorado da Iniciativa Liberal. Onde é que ainda pode ir buscar mais votos? A que eleitorado é que pode ir buscar mais votos?

Eu repito aquilo que disse ao clubismo, porque eu acredito que neste momento há uma grande porcentagem de portugueses que já olharam para o João Cotrim Figueiredo, já perceberam que ele é o presidente que Portugal precisa, já perceberam que ele é o presidente que querem para Portugal, mas estão com dificuldades em votar contra o seu partido de sempre, o seu partido, o partido do seu pai, o partido do seu avô. É um bocado isto que muitas vezes se ouve. Eu tenho pessoas que me dizem isso. Dizem-me, ainda agora recentemente, que o João é o meu candidato, é ele que eu vejo, mas eu nunca votei noutro partido que não A ou B. E eu acho que isso é uma mudança ainda cultural que se vai ter que fazer, uma mudança de mentalidade. E o sítio certo para o fazerem é que, e eu digo mesmo isso aos eleitores desses partidos, o sítio certo para o fazer, o momento certo, é exatamente nas presidenciais. Um presidente da República não representa um partido e obviamente que tem uma dimensão superior à do seu próprio partido. É um candidato mais abrangente, é uma função Totalmente abrangente e o fato de optarem por João Cotrim Figueiredo, que sei que vão optar, não quer dizer que estejam a violar de alguma forma ou a atacar até, ou a mudar de partido.

Mas o João Cotrim de Figueiredo, só para fazer esta questão sobre os votos, onde é que pode ir buscar os votos, disse no outro dia, no debate, que não se importava de receber os votos de Pedro Passos Coelho, que Pedro Passos Coelho recebeu nas eleições de 2015.

Os dois milhões.

Os dois milhões de votos. É aí que está o tesouro, é nesses eleitores, que de alguma forma não se reveem na candidatura de Marques Mendes, que são do PSD, mas não se reveem na candidatura de Marques Mendes, que Cotrim de Figueiredo pode ir buscar mais voto?

Eu acho que a candidatura do Cotrim de Figueiredo está acima de quezílias partidárias. Sei que existem muitas. Neste caso, a que estava a referir era entre Marques Mendes e Pedro Passos Coelho, que é sabido que não têm o mesmo caminho, o mesmo percurso dentro do PSD. Mas eu julgo que quando o João Cotrim de Figueiredo se refere a esse eleitorado, o que se refere é ao seu volume, à sua dimensão. Ou seja, o João Cotrim de Figueiredo não está, nem nunca fala para uma percentagem reduzida, fala para todos os portugueses e a sua mensagem é direcionada a todos os portugueses. A diferença é que João Cotrim de Figueiredo fala de um Portugal que ainda não existe, de um Portugal que ele acredita piamente e por isso tem passado essa mensagem de que imaginem este Portugal para que as pessoas possam, de alguma forma, abandonar o conformismo, o sensacionismo que neste momento se encontram e poder ambicionar a mais.

Vamos agora a mais uma pergunta para cinco pontos, facilmente. Miguel Rangel, quem escreveu "O Nome da Rosa"? "O Nome da Rosa" é um livro de origem, é um filme.

Eu conheço o livro, não sei quem escreveu.

Então vamos às ajudas. Ajudas, chega lá. Umberto Eco, Alberto Moravia, Italo Calvino.

Umberto Eco.

Acho bem. Ontem houve muitas rosas no Parlamento, não foi? Quase dos 50 anos do 25 de Novembro. Gostou do que aconteceu ontem no Parlamento?

No Parlamento. Quando diz se gostei do que aconteceu, está se referindo especificamente a algum momento?

Gostava de perceber o que destaca daquilo, porque houve discursos, mas houve também ali muita guerra de flores. Acha que o país precisava deste momento?

Acho que as celebrações do 25 de Novembro vão para além da simbologia das flores. Repare, eu sou dos que acreditou em ambos. Aliás, como sabem, a Iniciativa Liberal comemora.

Sim, faz o desfile no 25 de Abril.

Do 25 de Abril e o 25 de Novembro.

Certo.

Aliás, somos o único partido que o faz. Isso, obviamente, é uma mensagem política que passamos, que celebrar um não é diminuir o outro. E isto é muito importante. Eu sou um filho do 25 de Novembro, aliás, eu nasci na noite do 25 de Novembro, portanto, não sei que horas é que começou exatamente.

De 75?

De 75, sim. Portanto, eu não sei que horas é que se iniciaram as comemorações. Não, no 24, nasci na noite, ou seja, começou no dia 24. Nasci às 11h30 da noite, não sei. Portanto, não sei que horas é que se iniciou no dia 24, mas que depois concluiu-se no dia 25. E o meu pai estava nessa noite, como ele diz, com uma mão no transistor a ouvir os relatos e com a outra a segurar a mão da minha mãe nesse grande dia. E aqui eu se calhar até faço paralelismo com a história do meu pai, que ele esteve durante muitos anos, parte deles na Faculdade de Direito de Lisboa, a combater diariamente nas ruas, literalmente às vezes a dar o peito às balas, como se costuma dizer, pela Revolução de Abril. E ao mesmo tempo, é uma pessoa que fala desde o início, desde que eu nasci, sobre a importância do 25 de Novembro, sobre a direção que o país estava a tomar durante o PREC. E não entrando aqui, obviamente, em grandes detalhes históricos, acho que todos temos ouvido agora nesses últimos dias. Mas, finalmente, o que nós podemos concluir? É que o 25 de Abril não foi uma revolução contra uma ideologia, mas sim contra um totalitarismo que se estava a repetir com outra cor, com outra ideologia, mas que se estava a repetir e que foi travado exatamente no 25 de Novembro. Portanto, celebrar isso na Assembleia da República é da mais elementar justiça histórica, e obviamente que os excessos que aconteceram ontem não têm sido diferentes nem em outros momentos do Parlamento.

Foi um dia normal do Parlamento.

Infelizmente, isso tem acontecido. O populismo tem ocupado muito daquilo que tem sido o dia a dia do Parlamento. Isso é algo que obviamente merece reflexão profunda e mudança de atitude.

Vamos à terceira pergunta e esta tem que ver com política. Quem disse recentemente em entrevista: "Não vejo sequer um vislumbre de reforma do Estado."

Pode ter sido Mariana Leitão.

Pode ter sido, foi.

Foi mesmo. Numa entrevista ao Público e à Rádio Renascença. Se a Iniciativa Liberal estivesse no governo, neste governo, o que faria para concretizar a reforma do Estado, visto que a líder do partido diz que não vê sinais de que essa reforma do Estado esteja a ser feita?

Eu acho que acima de tudo, o que a Iniciativa Liberal poderia trazer era coragem. Coragem associada a uma visão e uma ambição de um país que nós todos acreditamos que é possível e que acaba por estar um pouco preso, porque acaba sempre por ser um jogo entre aquilo que são as vantagens, aquilo que são os objetivos eleitoralistas que cada partido tem no momento em que governa, e aquilo que é o melhor para o país. E esses interesses estão em conflito. E a única forma de nós resolvermos sempre esses conflitos é com coragem. Coragem de perdermos, acima de tudo. Ou seja, o governo, para conseguir executar as reformas, tem que aceitar que vai perder goodwill político.

Que vai pôr em causa eleições futuras.

Vai pôr em causa as suas próprias eleições futuras, sim. E eu não acredito nesses acordos de regimes. Esses acordos de regimes o que dizem é exatamente isso: ninguém vai perder, é um conluio, de alguma forma, eleitoral, para que ninguém perca o seu poder. Mas o mundo e as grandes reformas e as grandes mudanças no mundo não se fizeram dessa forma, fizeram-se com coragem.

A IL teria essa coragem de dizer às pessoas aquilo que elas provavelmente não gostam de ouvir.

Eu não sei se não gostam de ouvir. O que existe normalmente é algo normal em todos nós, uma grande resistência à mudança, seja na nossa vida pessoal, seja na nossa vida profissional e obviamente, no aspecto político também. E a comunicação política hoje está muito assente na vertente negativa, em criar o medo. E o medo é um instrumento muito útil, muito funcional a curto prazo, mas a médio e longo prazo não tem qualquer tipo de efeito. A esperança, sim, o discurso positivo, têm resultados a longo prazo. Ou seja, os políticos vão ter que pôr de lado a sua tendência de trabalharem para a sua própria sobrevivência e começarem a trabalhar para um país diferente. Sim, ficarão pelo caminho. As reformas têm esse efeito, as mudanças têm esse efeito.

Está a falar de despedimentos, por exemplo, na função pública?

Não, não estou a falar de despedimentos, como é óbvio. Repare, as reformas por si só não podem ser vistas de forma compartimentalizadas. Agora, o que nós não podemos ter é sempre a oposição a essas reformas através de alguns chavões, nomeadamente dizer: "Não, as reformas nunca podem incluir despedimentos." Não, se as reformas incluírem uma reformulação da administração, obviamente que isso é no sentido positivo. Se isso significa despedimentos, não sabemos, porque não sabemos os dados, não temos informação. O que nós precisamos de ter é, obviamente, uma aplicação eficaz daquilo que é a receita fiscal. E naturalmente que a administração tem um papel muito importante nesse sentido.

Muito bem, Miguel Rangel, vamos para a quarta pergunta. Sobre a IL, qual foi o presidente da IL que esteve menos tempo no cargo?

Menos tempo?

Menos.

Foi Miguel Ferreira da Silva.

Certíssimo, 10 meses, e a seguir o Carlos Guimarães Pinto, 14 meses. Tem havido uma grande rotação de líderes da IL. Acha que Mariana Leitão vai bater o recorde, que neste momento é de António Figueiredo, 38 meses?

Acho que a rotação que fala não pode estar dissociada, obviamente, também da intensidade eleitoral que o país tem passado. Líderes que fazem duas, três eleições legislativas não são muitos em Portugal.

Mas aqueles que têm feito têm sido beneficiados com isso, por exemplo, o André Ventura.

Pois, é isso que eu ia dizer, tirando alguns partidos que são mais personalistas, assentes em um único homem, isso é mais vulgar acontecer. Mas não é o normal na política. Agora, dito isto, aquilo que eu lhe posso dizer é que neste momento, e aquilo que sinto a nível interno do partido, é que há um grande desejo de estabilidade e veem exatamente em Mariana Leitão essa estabilidade e esse futuro. Tem sido uma liderança inspiradora, assertiva, que trouxe também muita união dentro do partido.

Sim, João.

Não, só para dizer, Miguel Rangel, que já igualou o Nuno Melo. Este já tem 14 pontos.

E esta vai para os cinco também, é a última pergunta. O primeiro-ministro acusou a CGTP de só convocar greves gerais quando há governos de direita. Já se sabe que não é verdade, já houve alguns fact-check sobre o assunto. Então, quantas greves gerais enfrentaram os governos do PS, a outra força política que esteve no poder além da direita? Quantas greves gerais enfrentaram governos do Partido Socialista?

Ia dizer três, mas se calhar vou pra ajuda.

Então vamos lá. Três, duas ou uma?

Duas.

Achou bem. As duas durante a governação de José Sá Carneiro.

José Sá Carneiro, sim.

E agora há mais uma marcada. O governo vai ter que saber ler o descontentamento nas ruas ou deve mesmo levar a cabo as alterações a que se propõe?

Está a falar da reforma laboral. Bom, eu acho que a reforma laboral é um instrumento absolutamente essencial para Portugal. Nós temos legislação dos anos 80.

Mas entretanto a lei também já teve várias alterações.

Sim, já teve várias alterações, mas eu acredito que continua a estar desajustada. A realidade que temos hoje não é a mesma. Temos detalhes, temos uma realidade laboral completamente diferente e acima de tudo, temos três parceiros que têm que começar a falar uns com os outros e que têm que, mais uma vez, em vez de estarem a trabalhar apenas para o seu grupo, para aqueles que depois garantem a sua continuidade, têm que começar a trabalhar para aquilo que é melhor para o sistema laboral português. Os três, obviamente, que incluo aqui o governo, os sindicatos e as associações empresariais.

Que não estão ainda a conseguir dialogar. Estamos mesmo em cima do tempo, mas tem a percepção que tem havido pouca concertação.

Eu tenho a percepção de que pouca tem havido, certeza. Por exemplo, o caso dos únicos dois sindicatos que estão nessa concertação, já não representam os profissionais, nem sequer representam uma porcentagem, representam uma porcentagem muito reduzida de todos os trabalhadores e profissionais, profissionais liberais que não estão representados, outras associações de pequenas e médias empresas que também não estão representadas. Portanto, só aí já existe uma lacuna que não permite chegar a bom porto. Mas acima de tudo, mais uma vez, aqui tem que haver também uma mudança cultural da forma como comunicaram estes problemas. Isto é um conselho que, na minha opinião, beneficia o país a médio e longo prazo, mas também beneficia exatamente estas organizações. Porque acharem que manterem sempre os seus objetivos como os principais objetivos, que não vai levar à sua extinção, acho que estão enganados. Portanto, acho que manterem esta forma de estar, vão acabar por inevitavelmente chegar a uma altura em que vão ter que lidar com aquela realidade que tiveram até agora a evitar.

E a realidade é que sai daqui com 11 pontos.

Ah, bom. Já não é mau.

Foi bem simpático. Obrigada, Miguel Rangel, por ter vindo à sessão de inquérito. Um bom dia.

Muito obrigado.