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Eu adoro essa música.
É, não é? Ela mala bem. Tu queres é música. Na comissão de inquérito de hoje, recebemos a bastonária da Ordem dos Psicólogos, Sofia Ramalho. Bem-vinda.
Bom dia.
Obrigado por estar aqui conosco. Veio de propósito do Porto, dizia-nos há pouco. Portanto, um triplo, um quádruplo obrigado.
Com muito gosto.
Ainda por cima no último dia do ano, o último dia é mais especial.
Já conhece o formato e as regras, portanto, se acertar, recebe cinco pontos. Se errar uma das cinco perguntas, não recebe nada. Se acertar e pedir ajuda, dois pontos. Vamos começar?
Vamos começar, vamos a isto. Aqui uma perguntinha.
Sim ou sopas.
Sim ou sopas, é isso. Até outubro deste ano, houve mais ou menos consultas de psicologia no Serviço Nacional de Saúde?
Houve mais consultas de psicologia no Serviço Nacional de Saúde, se tivermos a comparar com o ano passado, sobretudo.
Isso mesmo, mais 31 mil consultas.
Cinco pontos.
Já ganhou cinco pontinhos. Sabemos que há linhas de apoio a que qualquer cidadão pode aceder. Também há o cheque psicólogo para universitários, mas no que toca às consultas, o Serviço Nacional de Saúde teria capacidade para um acompanhamento mais alargado?
Nem pensar. Com 1100 psicólogos no Serviço Nacional de Saúde e apenas cerca de 450 psicólogos nos cuidados de saúde primários, que é o antigo centro de saúde, é impossível poder se fazer melhor. Já se fazem milagres, têm listas de espera longas, o espaçamento entre consultas também é superior àquilo que seria desejável, porque a população precisa. E o número de psicólogos que está no Serviço Nacional de Saúde é ainda muito reduzido.
E por quê? Porque não há psicólogos ou porque a contratação tem sido pouca?
Seguramente que há psicólogos, mas o investimento nas consultas de psicologia é ainda muito recente e muito escasso face àquilo que são as necessidades da população portuguesa. Portanto, nós estamos a falar de uma classe que precisa de ganhar mais no que diz respeito ao reconhecimento social, apesar de já haver muito mais reconhecimento social, mas acima de tudo, no que diz respeito àquilo que é o investimento político nas consultas de psicologia e na prevenção, porque nós devemos olhar para as consultas de psicologia não só numa perspectiva de remediar, intervir em situação de crise e de estresse, mas também de prevenir, de dar competências às pessoas para poderem lidar melhor com as situações de adversidade com que vão lidando.
E como é que podemos olhar, por exemplo, para aqueles números que nos indicam que os portugueses consomem cada vez mais ansiolíticos? Como é que isso se relaciona ou se compara com o número ou a falta de psicólogos, por exemplo, nos centros de saúde que falava?
Sim, não é só no Serviço Nacional de Saúde. Os psicólogos trabalham em diversas áreas e é preciso psicólogos nas escolas, nas empresas também.
Já vamos falar no caso concreto das escolas.
Exato. Serviços jurídicos, serviços ligados à justiça. E é necessário que os psicólogos estejam nos diferentes setores para trabalhar preventivamente e evitar realmente esse crescimento do número de psicólogos. Desculpem, o crescimento do número da medicação. Até porque muitas das pessoas precisam e procuram ajuda, e não tendo essa ajuda, procuram respostas mais imediatas, nomeadamente através de psicofármacos.
Era precisamente nesse sentido que lhe perguntava. Muitas vezes essa medicação visa colmatar a lacuna da falta de acompanhamento, de consultas. Os médicos, mesmo os médicos de família, às vezes têm essa facilidade em medicar, em passar as receitas, quando as pessoas necessitavam, se calhar, de um outro tipo de acompanhamento.
Sim, na maior parte das vezes, a psicologia seria a porta de entrada, seria exatamente a primeira fase de intervenção e só depois da intervenção psicológica não resultar é que se deveria ir mais para o fim de linha, digamos assim, que é o recurso aos psicofármacos. Acontece que, como os psicólogos não estão em número suficiente disponíveis para atender a população, por um lado, por outro lado, as pessoas estão em situação de sofrimento psicológico e querem uma resposta e procuram uma resposta imediata para acalmar o seu sofrimento e não conseguem gerir o sofrimento enquanto estão em espera para conseguir obter uma consulta, então há um recurso maior aos psicofármacos, seja nos adultos e pessoas mais velhas, seja crianças e jovens.
Deixe-me fazer-lhe uma pergunta muito rápida. Não há uma ideia consensualizada na sociedade portuguesa de que ir ao psicólogo é quase um luxo?
Isso foi assim durante muito tempo e, de facto, a literacia em saúde mental tem sido uma ajuda importantíssima para baixar o tabu. Com a crise pandémica, eu acho que houve um reconhecimento da psicologia bem diferente. As pessoas não só procuram a psicologia em momentos em que já estão em situação de estresse ou de crise, mas já procuram a psicologia também para desenvolver as tais competências, para se sentirem bem no seu dia a dia, para tomar decisões, que é fundamental para poder construir um percurso de vida mais saudável. Os jovens já chegam a casa e falam com os pais sobre a vontade e a necessidade de irem a uma consulta de psicologia ou de procurarem o psicólogo. Hoje em dia já baixou muito o tabu. Ainda existe, como é óbvio, mas já baixou muito.
Muito bem, já tem cinco pontos.
Cinco pontos. Vamos ver se consegue agora os 10 e vamos continuar a falar da importância também do acompanhamento psicológico nas escolas, ou seja, desde cedo na vida de cada um de nós. O governo autorizou este ano a vinculação de 830 psicólogos nas escolas portuguesas. Qual passou a ser o rácio destes profissionais nos quadros por aluno? Vamos arredondar aqui às centenas.
A vinculação não vem diminuir os rácios. A vinculação dos profissionais vem estabilizar as equipas de psicólogos e os psicólogos dentro das escolas. E isso é fundamental para que haja qualidade e excelência na intervenção dos psicólogos. Mas, do ponto de vista do rácio, neste momento, o rácio anda à volta de um para cerca de 700, 800 alunos.
Está certo. 711. Mas está certo, mais cinco pontos.
Muito bem.
E é suficiente este rácio?
É importante nós agora deslocarmo-nos desta ideia do rácio e podermos pensar naquilo que é necessário, efetivamente, em alguns contextos, porque há contextos onde as questões socioeconômicas das famílias, as questões da violência, são superiores e que necessitam da presença de mais psicólogos. E depois também temos uma organização das escolas em Portugal por agrupamentos. Nós temos alguns agrupamentos que são muito grandes, com cerca de 40 escolas, por exemplo, e não podemos ter os psicólogos itinerantes. Há agrupamentos que necessitariam do reforço de psicólogos e há outras zonas que, pelas necessidades mais específicas das populações, também precisariam do reforço de psicólogos.
Sente que essa lacuna existe mais nos agrupamentos urbanos ou nos agrupamentos dos conselhos rurais?
Nos agrupamentos urbanos, temos mais crianças e jovens.
Mas a falta de psicólogos sente-se mais nas grandes cidades ou no interior?
Em ambos os sítios por motivos diferentes. Porque apesar do interior ter menor número de alunos, tem zonas que não têm.
Estão desprotegidas.
Sim, que estão mais desprotegidas.
Temos um problema de saúde mental específico entre a população mais jovem e que pode decorrer não só dos hábitos de vida, mas também até de novos problemas, novas pressões que surgem nos atuais contextos sociais e econômicos.
Era importante lembrar que as questões da saúde mental são intergeracionais e quando nós temos gerações como a dos nossos pais ou a nossa própria geração, com menos saúde mental, nós vamos também aumentar a probabilidade da geração seguinte vir a ter mais problemas de saúde mental. Eu não queria pôr isto de parte, porque isso também tem influência. Apesar de haver mais condições de vida para um conjunto de coisas, há também muito mais desafios, muito mais estímulos e a capacidade de resposta da pessoa, neste caso, da criança ou do jovem, é inferior face à quantidade de estímulos, de adversidades, de coisas que estão a acontecer no mundo cá fora. Depois temos os desafios, e um desses desafios é precisamente o mundo digital. Foi a pandemia, por exemplo, que trouxe mais isolamento, mais recurso às redes, mais dependência de jogos, por exemplo, online. Temos depois tudo isto. E depois temos um sistema educativo que também muitas vezes não satisfaz o suficiente as características das novas gerações. E estas características pedem outras abordagens, porque hoje em dia a questão não está em ser um bom professor no que diz respeito a colocar a matéria, mas sim a forma como ela é apresentada, que é bem diferente daquilo que era.
E a forma como-
Mas têm de ser sobretudo as escolas a participar nessa prevenção de problemas de saúde mental dos jovens? Ou é um trabalho de todos? Tem que ser. É um trabalho de todos. É um trabalho de políticas públicas que necessita de rever a forma como deve priorizar o desenvolvimento de competências que não podem ser só acadêmicas. E precisa de disponibilizar e trabalhar competências, por exemplo, de sentido crítico, de tomada de decisão, que são muito mais fundamentais do que as competências acadêmicas neste momento, porque eu posso ir a um vídeo do YouTube e aprender do ponto de vista do conhecimento, mas do ponto de vista do saber fazer, sentir, pensar, etc., é isso que agora os professores têm que trazer para as novas gerações.
É a ponte perfeita para a próxima pergunta, sendo que já tem 10 pontos
Que país proibiu as redes sociais aos menores de 16 anos?
Austrália.
Muito bem, é tudo ao possível hoje. Passe.
É porque é fim de ano.
Mas há outros a dar passes.
Senhora Bastonária, a Ordem dos Psicólogos tem uma posição em relação a esta matéria? Em relação à proibição ou não do uso de redes sociais por parte das crianças?
A Ordem dos Psicólogos defende, acima de tudo, o desenvolvimento das competências, por exemplo, da autorregulação, porque nós sabemos que proibir não vai resolver todas as situações.
Autorregulação no seio da família, no seio do indivíduo e da escola.
Exatamente, a autorregulação. Porque nós sabemos que a proibição é um fruto muito apetecível e que há formas de contornar. Ainda estamos a tentar perceber como é que a Austrália vai implementar a regulação do ponto de vista das plataformas, o tipo de informação que vai pedir, nós sabemos qual é, mas como é que protege efetivamente os jovens, ainda não sabemos como é que isto na prática vai acontecer, mas nós sabemos que não termos uma situação em que a proibição vai gerar que quando chegarem aos 18 anos, por exemplo, e poderem aceder livremente às plataformas, que de repente não saibam gerir a quantidade de informação, não saibam ter sentido crítico para poder distinguir aquilo que é desinformação daquilo que não é.
Mas nós estamos perante uma dificuldade acrescida, uma vez que muitas destas plataformas podem gerar comportamentos aditivos.
Podem gerar comportamentos aditivos que interferem depois no sono, na alimentação.
Aliás, são desenhadas para isso.
São desenhadas para isso, para criar dependência, uma dependência que é do foro sempre emocional. Mas é muito importante que nós possamos regular as próprias plataformas em si, também criar legislação que permita, de alguma forma, controlar e criar aqui processos não só de transparência, mas também de regularização do ponto de vista legal, daquilo que as plataformas disponibilizam do ponto de vista da informação. Não é só do ponto de vista de quem a utiliza, dos utilizadores, mas também de quem as disponibiliza.
Portanto, legislação sobre as plataformas.
Exatamente.
Mas no caso do que falava da autorregulação, ou seja, dos indivíduos serem eles próprios a fazer essa gestão, a questão do exemplo dos pais não acaba por ser fundamental? Como é que se concilia, por exemplo, um quadro legal de proibição de acesso às redes sociais aos menores, quando os pais depois fazem uma utilização, que é um exemplo para os filhos, às vezes excessiva, às vezes também nociva?
O exemplo é o mais importante para as crianças e os jovens. Estamos a falar de pais, mas podem ser quaisquer adultos. Se eu entro dentro de um restaurante, sou jovem e vejo uma quantidade de adultos a usar o telemóvel, eu então remeto-me também ao uso do meu telemóvel.
Nós aprendemos a imitar, não é? Nós, os humanos.
Nós aprendemos sempre a imitar. E essa autorregulação não é uma coisa que seja só trabalhável nas crianças e jovens, é muito importante que seja transversal a todos. Nós falamos, por exemplo, da proibição dos telemóveis nas escolas. Durante o período de aulas, só pode ser utilizado quando saem do recinto escolar. Mas nós não falamos da proibição do uso de telemóveis noutros contextos onde a relação e o estar socialmente deveria estar livre desses instrumentos. Por exemplo, quando estamos à mesa num restaurante, quando estamos a assistir a uma peça de teatro, enfim, muitas vezes estamos a ver as pessoas, já nem se percebe bem se estão a assistir realmente ou se estão a olhar para o telemóvel.
Os concertos passaram a não ser vistos exatamente, mas a ser gravados.
Exatamente. São gravados, a pessoa nem está a ver propriamente o concerto.
Não está a viver a experiência.
Não está a viver a experiência.
Muito bem.
O significado da experiência não se pode perder. O significado é o mais importante, e ele vive-se naquele momento concreto, com aquele conjunto de pessoas que estão à nossa volta e nós temos que aprender a viver esses momentos. Acho que temos muita dificuldade em fazê-lo.
E as experiências aqui não estão nada mal. O pleno até agora, vamos ver se continua. Esta também é fácil, acho eu. Vamos viajar não para tão longe como a Austrália. Vamos ficar aqui pelo continente para lhe perguntar qual é a barragem mais importante do Conselho de Odemira, que conhece bem.
Conheço.
O Conselho.
Conheço bem. Já lá trabalhei.
Não foi lá dar umas braçadas nessa barragem.
Não, não fui e preciso da ajuda do público.
Então pronto, vamos dar ajuda. Três opções: a barragem do Funcho, do Odloco ou de Santa Clara Velha.
Santa Clara.
Certíssimo. Santa Clara-a-Velha. Muito bem. Foi durante dois anos consultora de programas do concelho de Odemira como município. Há um mapa geográfico da saúde mental em Portugal, isto é, incidências diferentes em regiões diferentes? Ou não há nenhuma relação?
Não há propriamente um mapa geográfico, porque é muito difícil obtermos indicadores, sobretudo no setor da saúde. Muito difícil, é algo que precisamos trabalhar muito mais. E o governo precisa de estabilizar, digamos assim.
Mas por quê? Não há recolha dos dados ou não há tratamento e divulgação?
A recolha de dados não permite diferenciar indicadores dentro da saúde mental, que é um campo muito vasto.
Mas há recolha?
Há pouca, muito pouca. É ipossistemática.
Ou seja, para os profissionais e para a Bastonária da Ordem, não há, olhando para o mapa português, uma incidência.
O que podemos perceber é, por exemplo, a realidade de Odemira é uma realidade com a presença de muitos migrantes.
Esse caso.
E nós temos dentro das escolas, por exemplo, de Odemira, muitas línguas diferentes e, acima de tudo, línguas que obviamente não são a língua portuguesa, mas também nem sequer semelhante à língua inglesa, por exemplo, mas são diferentes nacionalidades e esta é uma realidade. Nós também sabemos que Odemira é geograficamente bastante disperso e que as situações de solidão, as dificuldades de acesso do ponto de vista de transportes, etc, agravam essas situações de solidão e nós também temos muito mais situações, não só em Odemira, mas também no interior do país, de maior solidão, sobretudo das pessoas mais velhas. Depois também sabemos que as situações, por exemplo, de suicídio estão mais presentes também nestas zonas mais rurais.
E menos povoadas.
E menos povoadas, e onde a solidão prevalece. E depois temos as diferenças em função das faixas etárias. Nós também sabemos que a adolescência e os adultos mais velhos, são os períodos, do ponto de vista etário, mais vulneráveis para os problemas de saúde mental.
Há pouco falámos até aqui do urbano versus rural, se quisermos pôr as coisas nesta forma mais básica. Conseguimos também detetar nas regiões urbanas maiores incidências de algum tipo de problema de saúde mental?
O que nós sabemos é que a incidência das situações de depressão e de ansiedade é elevada em Portugal. Temos números bastante elevados. Não conseguimos diferenciar muito o interior versus as zonas urbanas, mas sabemos que os desafios são diferentes no interior e nas zonas urbanas. Nas zonas urbanas, os desafios são, por exemplo, estarmos com pessoas, mas podermos estar a viver essa solidão na mesma, e esta é uma questão muito pertinente. Também sabemos que os desafios do estresse e do burnout também estão mais presentes nas zonas urbanas e que isso afeta a saúde mental, naturalmente.
Claro. Vamos à última questão?
Vamos à última. Nós estamos no Réveillon, 31 de dezembro, amanhã, 1 de janeiro, 2026, calha é uma quinta-feira, e neste ano de 2025, que agora termina, senhora Bastonária, calhou em que dia da semana?
1 de janeiro.
1 de janeiro de 2025. Quarta-feira.
Certíssimo.
Muito bem, até porque nem 2025 nem 2026 são anos bissextos. Exatamente. A ratoeira estava aí. E mesmo que fosse, estamos a falar de janeiro.
De janeiro, exatamente.
Exatamente. Temos mesmo de terminar, mas falava há pouco aí nessa questão da solidão. A passagem de ano é sempre um momento de partilha e de festa, mas também há quem passe sozinho. E a Ordem dos Psicólogos, de resto, esta semana alertou para o facto da solidão afetar 10% da população. É um problema que não tem merecido a devida atenção das autoridades, da sociedade também, tendo em conta que temos ainda por cima um país muito envelhecido. Temos um país muito envelhecido e com baixa natalidade, são os dois focos. Temos ainda muito pouco investimento na prevenção e na criação de oportunidades para as pessoas terem mais bem-estar, porque esta questão da saúde mental não é só a ausência da doença, e é muito importante dizer-se isto, é as pessoas poderem sentir-se bem no seu dia a dia, sentirem-se realizadas, sentirem que estão a usar o seu máximo potencial. E não tem havido investimento suficiente. Acima de tudo, estas questões da saúde mental não se coadunam com ciclos políticos ou com ciclos mediáticos, digamos assim. Tem que haver políticas sistemáticas bem desenhadas e que têm continuidade no tempo. E isto ainda não foi bem pensado com políticas sistemáticas que não estejam ao sabor, digamos assim, das alterações nas legislaturas e dos ciclos políticos. E sim, é preciso investir muito mais, porque investir em saúde mental é aumentar não só o bem-estar, mas também diminuir os custos econômicos e sociais que são associados.
Muito bem, 22 pontos.
E agora no início do ano, uma dica para que nós possamos adotar no início do ano. Há sempre: "Vou para o ginásio, vou fazer dieta". A nota de esperança. Toda a gente faz planos para o ano seguinte e faz revisões de vida, digamos assim, em relação ao ano transato. Eu diria que é importante que as pessoas, primeiro, se situem no momento presente e celebrem este fim de ano. Celebrem as relações, as pessoas com quem estão, as opções que fizeram, se é ver televisão, se é ir a uma festa, etc. Aprendam a celebrar, porque nós temos muita dificuldade em celebrar o momento presente. Portanto, eu diria, em primeiro lugar, isto. E depois, definir um objetivo. Não é preciso vários objetivos. Um objetivo.
Não é preciso ser à meia-noite e pico.
Não é preciso ser à meia-noite e pico.
Sugerimos que aí vai correr mal. Amanhã.
E não se engajem com as uvas passas. Com as 12 uvas passas. Em vez de pedirem os 12 desejos, se calhar, o que eu sugeria era: façam apenas um pedido, um desejo, mas um desejo concretizável, tangível, e prossigam nesse desejo, ponham-no em prática e façam-se também transformadores da vossa vida com um pequeno gesto.
Muito bem. Senhora Bastonária, foi um gosto. Muito obrigado.
Muito obrigada e bom ano. Um bom ano! Obrigada. Bom ano para todos, bom ano para todos aí em casa também.
Obrigado.