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Começa agora mais uma Comissão de Inquérito das manhãs 360. Hoje é nosso convidado Nunes Jacinto, presidente da Associação de Medicina Geral e Familiar. Bom dia, bem-vindo.

Bom dia. Muito obrigado.

Bom dia.

Obrigada nós, por ter aceitado o nosso convite. Sabe como funciona, são cinco perguntas. Cada resposta certa vale cinco pontos. Se pedir a nossa ajuda e acertar, recebe dois. Parece-lhe bem?

Ok. Vamos ver.

Parece bem as condições gerais.

E depois partimos para a aposta.

Atenção às letras pequeninas do contrato.

Nunes Jacinto. Vamos lá. De acordo com os dados do Portal dos Cuidados de Saúde Primários, quantas pessoas não têm atualmente médico de família?

O número exato não é fácil dizer, mas andamos ali à volta de um milhão e 600 mil. Mais coisa, menos coisa.

É isso mesmo. Um milhão, 645 mil pessoas.

Mais coisa são 45 mil pessoas.

Sim, é um bocadinho.

Um bocadinho. Desde que Ana Paula Martins tomou posse, no ano passado, há mais 79 mil pessoas sem médico atribuído. A quem é que os portugueses se devem queixar? Como é que se resolve este problema, Nunes Jacinto?

Os portugueses devem-se queixar primariamente à tutela, como é óbvio, à tutela que está neste momento no Ministério da Saúde, também às anteriores. Este problema resolve-se valorizando e respeitando os médicos de família, de modo a captá-los para o Serviço Nacional de Saúde. Isto parece fácil, mas envolve muitas coisas e realmente não temos sido capazes de o fazer, eu diria, já nas últimas décadas. Andamos há muitos anos a correr atrás desse prejuízo.

Muito bem. E vê sinais neste governo, neste programa atual, um caminho para se começar a resolver, pelo menos, esse problema?

O problema dessas questões é que nós vemos sempre muito boas intenções e temos assistido a isso ao longo dos últimos anos, mas depois, de facto, é difícil concretizar medidas que voltem a atrair os médicos de família para o Serviço Nacional de Saúde. E o que nós temos assistido é que, ano após ano, independentemente do governo, o que fazemos é insistir nas mesmas soluções que já mostraram não resolver os problemas. Um bom exemplo é esta questão dos concursos e deste recente concurso que teve colocados 230 médicos de família, enquanto devíamos ter muitos mais. E o que nós nos limitamos a fazer foi abrir algumas vagas, nem sequer abrimos todas, e esperar que, por algum tipo de milagre, os colegas as escolham sem melhorar as restantes condições. Obviamente que isso não funciona. Já se provou não funcionar no passado e, portanto, temos que fazer aqui alguma coisa diferente. Na realidade, no programa do governo, há algumas medidas que a serem concretizadas podem ser positivas, quando falamos de pacotes de incentivos, não só financeiros, para colocar médicos em zonas carenciadas, e falamos de flexibilidade de horários, de capacidade de juntar a família, da autonomia das equipes, dimensões das listas diferentes, mas precisamos disso concretizado e de ver exatamente como é que se concretiza. Lá está, como falamos no início, temos que ver as letras pequeninas.

Essas medidas fazem sentido. Essas medidas apontadas para áreas onde existe uma maior carência, porque temos visto, de facto, existem enormes assimetrias regionais ao nível da atribuição de médicos de família. Pode passar por aí a solução, essa criação de incentivos, de medidas especificamente dirigidas para aquelas áreas?

Pode passar por aí. Eu até diria que pode passar por uma discriminação positiva, mas tem que ser algo, em primeiro lugar, sustentado no tempo. Não podemos estar a falar de medidas que duram um, dois anos. Ninguém muda a vida toda por causa disso. E têm que ser medidas que se apliquem a toda aquela região e a todos os profissionais. Ou seja, não é só para quem vai de novo, mas nós temos que passar a falar em zonas ou unidades de centros de saúde carenciadas, e não apenas numa determinada vaga, porque senão o que vamos fazer é que damos a uns e tiramos a outros e depois fazemos uma roda contínua de entradas e saídas de profissionais. Também não é isso que queremos.

E prioridades dos utentes. Ou seja, utentes prioritários para a atribuição de médicos de família. Essa prioridade deve ser alargada?

O problema das prioridades é que nós temos muitos utentes que são considerados prioritários: doentes crônicos, grávidas, crianças nos primeiros anos de vida, planeamento familiar. Há muita gente que precisa de prioridade no acesso a médico de família. E depois, dentro de cada um desses grupos, é muito difícil estabelecer essas ditas prioridades. Ou seja, o que é mais importante? Um diabético de 70 anos ou uma grávida de 25? Uma criança de um ano ou um hipertenso de 80? Como é que nós priorizamos isto? E, portanto, isto é fácil dizer no papel, mas depois, na prática, nós temos tanta gente que nós precisamos de vigiar, de acompanhar e que precisa dos cuidados dos médicos de família, que a solução pode passar por algum tipo de prioridade genérica, mas o que nós precisamos mesmo é de mais médicos de família no SNS para dar resposta a todas estas pessoas.

Muito bem, Nunes Jacinto, cinco pontos na primeira questão. Isto começou muito bem. Vamos à segunda. O Hospital de Santa Maria, sabemos, é o maior do país. Sabe em que década foi concluído e inaugurado?

Década de 50?

Certíssimo, 1953, mais precisamente. Muito bem, Nunes Jacinto. O Santa Maria está envolvido recentemente numa polêmica que envolve o médico dermatologista, que num sábado de trabalho terá ganho 50 mil € e depois em 10 sábados, 400 mil €, isto para realização de cirurgias em produção adicional. Olhando para este caso, acha que é o sistema que está mal desenhado ou há abusos na utilização do sistema?

Provavelmente acontecem as duas coisas e as duas hipóteses estarão certas, mas nós temos logo à partida que repensar o sistema para garantir que ele funciona da maneira mais correta. Voltamos à questão das prioridades. Claro que há doentes prioritários, claro que é importante combater as listas de espera e o SIGIC, enquanto programa, foi um programa que ao longo de anos ajudou muito nesse sentido e contribuiu para motivar as equipes e também para dar resposta a muitos utentes. Agora, obviamente que depois, como se costuma dizer, o diabo está nos pormenores e, portanto, temos que garantir que ele funciona bem, que efetivamente são os doentes prioritários que são abrangidos por este programa, que é mantido o trabalho no horário regular, isso também é fundamental, e que há aqui um equilíbrio de todo o sistema para evitar potenciais abusos ou potenciais desvios. É isso, sobretudo, que é preciso fazer. Sabemos também que a intenção já era desta tutela de alterar este tipo de programa, não só da cirurgia, mas também do acesso à primeira consulta hospitalar e também melhorar a articulação entre centros de saúde e hospitais. E, portanto, é esse o caminho que temos que fazer, temos que equilibrar o sistema. Não parece que possamos ser radicais e dizer: "A partir de agora não há produção adicional e vamos terminar com tudo isto", mas temos efetivamente que ter aqui um equilíbrio. Ela é necessária, mas não podemos ter abuso, claro que sim.

Vamos então à terceira pergunta. Também é uma pergunta sobre décadas.

Já vimos que é bom nisso, portanto, vamos insistir.

Acho que até será relativamente fácil: em que década foi criado o INEM?

Não é assim tão fácil, mas eu diria na década de 80.

10.

Está certíssimo.

15 pontos já.

Este funcionamento, Nuno Jacinto, com urgências sistematicamente encerradas é sustentável? É um sistema que muitos dizem, até responsáveis médicos, dizem ser urgentocêntrico, ou seja, estar demasiado dependente e centrado nas urgências. Isto é sustentável? Os utentes estarem constantemente confrontados com encerramento de urgências.

Não, não é sustentável e não é sustentável também termos o foco todo no serviço de urgência. Nós precisamos rapidamente encontrar alternativas. Isto é uma questão cultural, que já leva décadas. E quando eu digo cultural, é de todos nós, utentes, profissionais, que nos habituamos a resolver quase todos os problemas no serviço de urgência e a ser a urgência a porta de entrada para o Serviço Nacional de Saúde. Não pode ser. É isto que temos que mudar e temos que encontrar alternativas. As alternativas passam, obviamente, por cuidados de saúde primários, centros de saúde fortes e precisamos dessa resposta. Também por isso precisamos de médicos de família para manter a resposta à doença aguda, não urgente e não emergente nos centros de saúde e evitar a sobrecarga das urgências. Precisamos de encontrar alternativas também nos hospitais, precisamos de hospitais-dia, precisamos de consultas abertas. Nós temos doentes crônicos que se descompensam e poderiam ser tratados num desses regimes e muitas vezes têm que ser enviados ao serviço de urgência porque não há outra resposta. Precisamos de investir na hospitalização domiciliar e nos cuidados continuados. Tudo isto permitiria tirar utentes dos serviços de urgência e reservá-los para aquilo que eles são necessários, que são situações urgentes e emergentes. E depois temos a questão da rede de urgências, que é grande, que obriga muitas equipes em simultâneo e provavelmente se tivéssemos uma urgência com menos procura, porque tínhamos as tais soluções que eu referi anteriormente implementadas, poderíamos ter equipes mais concentradas a dar a mesma ou ainda melhor resposta às populações que precisavam mesmo destas situações. Não podemos continuar a enviar tudo para a urgência.

E também nesse caso das urgências, temos bastantes assimetrias regionais, o que significa que provavelmente também há uma gestão incorreta dos recursos. Como é que se explica uma tão grande diferença entre o funcionamento das urgências em função da região do país?

Mais uma vez, é muito parecido com aquilo que temos nos médicos de família, ou seja, nós temos muita dificuldade em captar recursos humanos, neste caso profissionais médicos, para o Serviço Nacional de Saúde. Aquilo que existe para os médicos de família, existe também para muitas outras especialidades. E depois esta questão da assimetria é quase uma bola de neve. Equipes que estão mais fragilizadas porque têm mais carências, que são equipes onde o trabalho é mais complexo, é mais pesado e, portanto, vão ter mais dificuldade de atrair novos médicos, novos enfermeiros, novos auxiliares e, portanto, vão ter mais dificuldade em completar as escalas, mais vezes vão estar encerradas e continuamos a alimentar este ciclo. Nós temos que qualificar a procura e garantir que só vai à urgência quem realmente precisa e depois gerir os recursos. E se calhar, nalguns sítios não precisamos ter tantas portas abertas, porque também não teremos tanta procura. Mas lá está, também nós não podemos já à partida fechar a porta se não damos uma alternativa aos utentes. É nisso que devíamos estar a trabalhar há muito tempo. Vão sendo dados alguns passos tímidos, mas na realidade o que vemos é que verão após verão, inverno após inverno, continuamos a ter as urgências cheias, as urgências encerradas e uma resposta que ainda não continua a ser clara para a população.

15 pontos até agora. Está quase a ser candidato a ser um dos totalistas desta comissão de inquérito, Nuno Jacinto. É atualmente diretor clínico para os cuidados de saúde primários da Unidade Local de Saúde do Alentejo Central. A pergunta é: em que localidade do distrito de Évora se registou ontem um recorde de temperatura para o mês de junho?

Essa é fácil, foi em Mora.

Está atento às notícias. Está muito atento. Nuno Jacinto, ainda continuamos a ter dificuldades em lidar com fenômenos extremos como o frio ou como o calor?

Continuamos. Continuamos a ter muita dificuldade em lidar com estas situações, porque em muitos casos não estamos preparados. Começa logo pelas habitações que temos, que não estão preparadas para estas variações térmicas. Nós passamos muito frio e muito calor nas nossas casas e isso para doentes crônicos, idosos, crianças, grávidas, outra vez os mesmos grupos, é muito complicado e origina descompensações do seu estado de saúde. Depois temos uma difícil transmissão da mensagem correta a nível de literacy em saúde. Nós precisamos passar mais esta mensagem de que nestas alturas, por exemplo, agora nesses picos de calor, devemos resguardar-nos, tentar evitar sair à rua, manter-nos em locais frescos, hidratar-nos, fazer refeições ligeiras.

Ainda há alguns mitos que é preciso desfazer nestas alturas de muito calor?

Há mitos que é preciso desfazer mais no sentido de transmitir a mensagem correta. Não haverá tantas mensagens erradas, mas o importante é não nos esquecermos de coisas básicas. A hidratação é importantíssima e se calhar a maioria de nós não vai bebendo água suficiente ao longo do dia. Devemos evitar, por exemplo, bebidas açucaradas ou bebidas alcoólicas nestas alturas e muitas vezes não é o que fazemos, até porque depois temos alturas festivas aqui pelo meio. Devemos tentar ajustar a nossa atividade àquilo que também são os horários e as temperaturas máximas atingidas. E o que nós vemos é que continuamos a ter os horários laborais concentrados precisamente nas horas de maior calor. Se pensarmos, até nós, nos serviços de saúde, marcamos consultas às 15h ou às 14h e andamos todos a deslocar-nos nestas horas. E portanto, temos que ter atenção a tudo isto e temos que passar a mensagem correta para que efetivamente, dentro daquilo que é possível, nos possamos proteger. Não conseguimos controlar o clima, mas há aspetos da nossa vida que conseguimos ajustar, certamente.

Nuno Jacinto, já se nota de alguma forma uma pressão adicional sobre o sistema de saúde, precisamente na decorrência das alterações climáticas e destas ou vagas de calor ou vagas de frio?

Vai-se sempre notando. Nós não conseguimos ter a dimensão exata, porque isto é uma coisa que vai evoluindo progressivamente, mas o que nós notamos, e até quando olhamos para aquilo que falámos anteriormente das urgências, é quando chegamos ao pico do inverno, com o pico das infeções respiratórias, temos mais gente doente e a procurar os nossos cuidados. É verdade que também temos pessoas mais velhas e com mais carga de doença, o que também dificulta a análise desses números. No verão é exatamente a mesma coisa, o calor sobe e temos estes episódios de desidratação, descompensação de doenças crónicas, golpes de calor, em que precisamos de dar atenção a estas pessoas. Não necessariamente no serviço de urgência, mas sim, quando há alterações climáticas, quando há fenómenos extremos, obviamente que notamos essa alteração na nossa procura. Se calhar até notamos uma diminuição naquilo que é a atividade programada, precisamente para nos resguardarmos, mas depois no que diz respeito à doença aguda e descompensação de doença crônica, vemos um aumento dessa procura, sem dúvida.

E há também, Nuno Jacinto, a questão da mortalidade causada por estes fenómenos. Ainda temos que fazer mais para estudar estes dados, ainda nos faltam dados para perceber exatamente o impacto destes fenómenos na mortalidade?

Sim, é verdade, faltam dados, temos que perceber melhor exatamente o que se vai passando e temos que analisar com mais cuidado. E além disso, precisamos de tempo. Aconteceu isso, por exemplo, com a pandemia. Isto não são coisas que se percebam logo, no imediato, mas o que é facto é que nestas alturas vemos, a médio prazo, que há um aumento da mortalidade quando olhamos para trás e temos que perceber isso. Estas situações matam, provocam situações muito graves e, portanto, não é inócuo termos 45 graus ou termos menos dois graus sustentados durante muito tempo. Eu volto a insistir, nós continuamos a passar muito frio e muito calor nas nossas habitações, nos nossos locais de trabalho. Isso é muito complicado para muitos doentes. Provavelmente, às vezes não estamos atentos a estas situações e dizemos que depois a culpa foi de uma bactéria, de um vírus ou de outra coisa qualquer, mas na realidade, na base, o que despoletou tudo isso foi precisamente estas alterações climáticas e estes fenómenos mais extremos e que originaram as descompensações e eventualmente a morte de muitos doentes.

Nuno Jacinto está a um pequeno passo de ser totalista, de fazer o pleno.

Até hoje só cinco pessoas conseguiram, só cinco convidados conseguiram os 25 pontos. Vamos lá ver se é o sexto.

Esta aqui, eu acho que o Nuno Jacinto vai responder logo assim de caras, rapidamente. Como se chamava o deus grego da medicina?

Bem, eu agora tenho que pensar, porque isso não é assim tão fácil como pode parecer.

É para quem faz a pergunta.

Acho que só precisa de um galo.

Deus grego da medicina é Asclépio, ou Esculápio.

Asclápio é em latim. No panteão romano.

Totalista.

Totalista.

Não há aí um sonzinho?

Vou procurar, sim.

Procura aí um sonzinho de consolação. Nuno Jacinto, ser médico ainda é uma profissão atrativa?

Eu sou suspeito, eu acho que sim, ser médico é uma profissão atrativa, tem que continuar a ser, apesar das dificuldades todas que têm os nossos sistemas de saúde, o fundamental tem que continuar a ser aquilo que nos atraiu na nossa escolha: a relação com os doentes, o espírito de serviço, a capacidade de ouvir e de estar lá em cada momento, a capacidade de apoiar e ajudar. Isso não tem a ver só com os tratamentos, só com os medicamentos, só com as cirurgias. Às vezes, só o facto de um de nós ir ao médico é o suficiente para melhorar a sua condição. E é isso que tem de belo a profissão de médico, é mesmo essa capacidade que nós temos de chegar ao pé do outro, de o conhecer e de o apoiar no momento de fragilidade. Isso tem que ser o fundamental.

E nesse sentido, tem lógica haver tantos obstáculos a quem tem essa vocação, porque é necessária também uma vocação, mas que às vezes por umas décimas não consegue perseguir o sonho de ser médico.

É verdade, essa é uma eterna questão, mas o problema das décimas tem a ver com o número de vagas, não é imposto por ninguém, ou seja, não há ninguém que diga: "Para ser médico é preciso ter 17,5 ou 18 ou 18,5". Tem a ver com as notas que os estudantes tiram nos seus exames, nas suas médias de secundário, e depois com o balanço que é feito com as vagas que existem para as faculdades de Medicina. E na realidade, ao longo das últimas décadas, tem havido um aumento muito significativo do número de vagas de Medicina em Portugal. É bom que tenhamos a noção disto. O nosso problema não é tanto de falta de médicos, é muito da sua distribuição e da maneira como os utilizamos, se assim quisermos, e das coisas que os pomos a fazer. Nós se calhar devíamos ter os médicos a tratar doentes e não a fazer processos burocráticos e certamente se o fizéssemos, teríamos mais capacidade de resposta, melhor gestão de recursos e não teríamos tanta gente com dificuldade em aceder ao seu médico de família, ao seu médico hospitalar, aos cuidados de saúde em geral.

E nesse caso da falta dos médicos de família, faria sentido, por exemplo, haver médicos de referência no sistema privado que pudessem, no momento em que existe uma grande falta de médicos de família, equilibrar aqui e dar resposta às necessidades dos utentes?

Nós não temos nada contra a complementaridade com o sistema privado. Temos é que garantir que a resposta do sistema privado, a existir desta forma organizada, e é bom que exista, é feita por verdadeiros médicos de família, ou seja, por especialistas em medicina geral e familiar. Como é que isto é feito? Bem, isso aí já era uma outra questão e poderíamos estar aqui mais uma ou duas horas a discutir este ponto. Mas a resposta também não pode ser uma resposta de toque e fora, desculpem a expressão, tem que ser uma coisa sustentada ao longo do tempo e garantir que não temos só ali um médico para resolver aquele problema pontual. Agora, o que nós temos que pensar é, e atenção, o setor privado tem muitas vantagens e toda a razão de existir, mas é por que nós não conseguimos dar no Serviço Nacional de Saúde a resposta que falta a esses nossos utentes. A resposta no privado deve ser algo complementar e, em meu entender, de decisão do utente. Nós não devemos empurrar as pessoas para o privado. Quem quiser ir lá, pode ir, tem todo o direito de ir, mas nós devíamos garantir à partida a resposta no serviço público, e isso ainda não aconteceu.

Nuno Jacinto, muitos parabéns por ser um dos totalistas, não do Euromilhões, mas da Comissão de Inquérito, que é ainda melhor.

É muito mais difícil.

Até hoje só tínhamos Pedro Siza Vieira, Fernando Rosas, Azeredo Lopes, Ascenso Simões, Luís Filipe Menezes e agora também o Nuno Jacinto. Isto é tudo para si.

Muitos aplausos. Parabéns.

Muitos parabéns e obrigada por ter vindo à Comissão de Inquérito. Um bom dia.

Obrigado. Bom dia.