Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

7h30.

Não. 9h30, síntese das 9h30.

Pois, a síntese das 9h30.

7h30 foi há pouco. Vamos lá então à conferência de imprensa. Luís, que história trazes tu hoje?

Olha, João, todos nos lembramos certamente daqueles concertos da Taylor Swift que foram cancelados em Viena por causa de suspeitas de um ataque terrorista atribuído ao autoproclamado Estado Islâmico. Pois bem, a Sky News traça um retrato de um dos braços desta organização, que está ligado a esta tentativa de atentado, com dados que mostram como o aumento da propaganda online e o aumento de conspirações globais fizeram deste braço afegão do grupo terrorista a maior ameaça terrorista externa para a Europa. Este grupo chama-se ISIS-K, foi associado a vários ataques este ano. Os planos de maior visibilidade incluem um ataque mortal a uma sala de concertos em Moscovo, dois atentados à bomba no Irão e esses tais planos frustrados para interromper três concertos da Taylor Swift na Áustria. E agora a Sky News analisou dados do Centro de Resiliência da Informação, mostram um aumento acentuado na propaganda produzida por este grupo, que está a ser disseminada em mais idiomas do que nunca. E à medida que a quantidade de propaganda aumentou, alcançando públicos muito além das fronteiras do Afeganistão, também aumentou o número de ataques internacionais e ataques planeados, o que representa assim uma ameaça crescente à segurança ocidental. Além de atingir os principais públicos no Sul e Centro da Ásia, especificamente no Tajiquistão ou no Uzbequistão, este grupo tem vindo gradualmente a disseminar vídeos, informação, no número cada vez maior de idiomas. Há uma publicação recente produzida por um meio de comunicação interno deste grupo, que anunciou a transmissão de conteúdo em urdu, aumentando a variedade de idiomas em que já publica, que inclui o persa, uzbeque, russo, turco, inglês ou árabe, entre muitos outros. Este ISIS-K ou Estado Islâmico-K surgiu pela primeira vez em 2015, quando o foco principal era ganhar território no Afeganistão para ajudar a estabelecer um califado ou um território controlado por um único governante do autoproclamado Estado Islâmico. Ora, o K refere-se a Khorasan, uma província no Afeganistão que historicamente abrange partes do atual Irão, Ásia Central, Afeganistão e Paquistão.

Que é no fundo o que lhes falta, não é?

Exatamente.

Khorasan.

Exatamente. Mas depois das tropas americanas terem retirado o Afeganistão em 2021 e os talibãs terem recuperado o poder, o número de ataques e influência deste ISIS-K dentro do país diminuiu, mas aumentou a força fora. Depois da retirada dos Estados Unidos, intensificou este grupo as operações internacionais, apesar da campanha dos talibãs para reprimir este grupo dentro do Afeganistão. Em agosto, o tal plano frustrado para atacar os espetáculos da Taylor Swift em Viena foi o mais recente plano internacional de alto calibre ligado a este grupo. As autoridades austríacas dizem que o principal suspeito tinha jurado lealdade ao grupo, estava a consumir e a partilhar propaganda online. Os suspeitos dos ataques frustrados em Viena pretendiam matar dezenas de milhares de pessoas. Ora, casos como este, e também ataques frustrados em Paris durante as Olimpíadas, por exemplo, representam uma fração dos ataques planeados na Europa este ano. Os especialistas estimam ter sido pelo menos meia dúzia até ao momento. Nesta altura, este braço afegão do Estado Islâmico está a tentar ganhar destaque no cenário internacional, gerando a atenção dos meios de comunicação para recrutar apoiantes e, principalmente, para arrecadar dinheiro. É um artigo que está na Sky News.

ISIS-K, não é?

Exatamente.

Muito bem. Olha, eu trago uma história aqui publicada no El País sobre o uso da inteligência artificial em contexto hospitalar. No fundo, inteligência artificial que ajuda os médicos a analisar o estado dos doentes e ajuda a comunidade médica na tomada de decisões, mas não só. A inteligência artificial também pode antecipar o diagnóstico de doenças ou condições médicas, por exemplo, a detecção da sépsis, aquelas infeções descontroladas no corpo humano. Sabemos que cada minuto conta, no caso de desenvolvermos uma sépsis, ela deve ser tratada quanto antes e cada hora ganha na detecção de uma sépsis aumenta em 7% a probabilidade de sobrevivência. Em Espanha, e porque o artigo é do El País, morrem anualmente 3 mil pessoas, mas o número pode ser cinco vezes maior e, de acordo com a OMS, 20% das mortes em todo o mundo resultam de septicemias. Ora, há protocolos, esses protocolos já permitem reduzir as mortes, só que são limitados. E é aqui que entra a inteligência artificial. Uma equipa de investigação de um hospital espanhol criou um algoritmo que permite antecipar uma sépsis 24 horas antes e com uma fiabilidade de 96%, o que permite salvar muitas vidas. São muitas horas antes dos atuais protocolos.

10% por cada hora, 10% de redução da probabilidade.

É muita gente, não é?

Exatamente.

Portanto, como? Quando o paciente entra nas urgências, os dados da sua história clínica passam automaticamente pelo programa de inteligência artificial. Aos dados adicionam-se a frequência cardíaca, a temperatura do corpo, resultados de laboratório, microbiologia, farmácia, enfim, toda a informação disponível sobre aquele doente. O sistema analisa-os a cada 15 minutos de forma personalizada. Enfim, o jornal não explica de forma detalhada, porque senão estaria a revelar a fórmula do algoritmo, não é? Mas é detetado o risco de septicemia, é emitido um alarme para que os médicos avaliem se começam ou não a administrar o tratamento contra a inflação. O algoritmo está a ser testado, tem que ser reconhecido pela comunidade científica, depois tem que ser validado, contravalidado, contraanalisado, enfim, homologado. Enfim, há um longo processo, mas dá-nos boas pistas sobre o futuro da medicina, que passa cada vez mais pelos computadores.

Pela tecnologia.

Exatamente.

Sem dúvida.

Muito bem. Na CNN, deixem-me puxar aqui a brasa da sardinha da economia. Vocês lembram-se da troika, da crise? Aliás, se ainda nos lembrássemos dos políticos de sempre.

Temos de nos lembrar. Sim, temos de nos lembrar dos políticos.

Em tempos políticos, parece que parámos em 2010, 2011 e ficámos aí. Mas nessa altura, Portugal foi intervencionado, como é evidente, recebeu ali uns 78 mil milhões de empréstimo da troika, mas houve mais dois países que também sofreram intervenções, dois países diferentes, a Grécia e a Irlanda. A Grécia, um caso pior que o nosso, a Irlanda claramente é um caso menos mau do que o nosso, uma crise bancária, sobretudo, provocada pela exposição de bancos irlandeses ao imobiliário no sul de Espanha. Mas as comparações entre Portugal e a Irlanda sempre foram constantes, desde a adesão e continuamos a comparar. Agora os irlandeses estão a lidar com um problema que é ligeiramente diferente do nosso, que é excesso de dinheiro. O que fazer com isso?

Isso é que é um problema que eu gostava de ter.

Mas é isso, o que fazer com tanto excedente orçamental que eles têm? Eles vão para o terceiro ano consecutivo com excedentes orçamentais, com superávits orçamentais na casa dos 8 mil milhões de euros. E aí instala-se o debate, de facto, o que fazer com isto? As opiniões dividem-se. Há economistas que defendem que se trata de uma oportunidade, de facto, para fazer investimentos públicos em necessidades mais urgentes da população, mas o governo, que está de pé atrás com a volatilidade disto e precisamente com o fantasma desse problema em que pediram ajuda à troika há 10 anos também, há mais de 10 anos, escuda-se precisamente na volatilidade de tudo isto. Isto é, a qualquer momento isto pode virar e aquilo que são boas receitas fiscais desaparecem. E fala na necessidade de ter uma almofada financeira que permita no futuro dar resposta a problemas como as pensões.

Tal prudência.

Tal prudência. Alterações climáticas, infraestruturas e por aí fora. O excedente é 10 vezes maior que o português. Nós estamos, no caso português, a falar deste ano e do próximo ano da perspetiva do tal superávit orçamental que está em casa de 700, 800 milhões de euros em cada ano. Na Irlanda, anda a rondar os 8600 milhões, portanto, 10 vezes superior. Agora imaginem que é um país que tem metade da população portuguesa. Se nós fizermos a capitação disto, não é 10 vezes superior, é 20 vezes superior.

Iam trocar tudo por moedas de pena e pôr tudo em fresquinhos.

Exato. A economia irlandesa cresceu cinco vezes mais rápido do que aquilo que se esperava no ano passado e várias têm sido vozes a defender que deve haver alguma aplicação deste dinheiro: habitação, infraestruturas de energia, sistemas de saúde, sistemas de transporte, combate à solidão e ansiedade, pobreza infantil. A expectativa é que agora, com proximidade de eleições, que estão marcadas para 2025, legislativas, que possa ajudar a abrir um bocadinho os cordões à bolsa, naquela lógica de sejam lá um bocadinho eleitoralistas. Gastem dinheiro, já que vêm eleições.

Abram os cordões à bolsa.

E o governo já está a prometer incluir mais 7 mil milhões de euros de despesas adicionais em relação ao que estava previsto, precisamente para começar a gastar esse dinheiro. E estes números até violam uma regra autoimposta, que é de não aumentar mais de 5% a despesa de um ano para o outro, e eles próprios acham que esta regra não faz sentido porque precisam de gastar mais dinheiro.

Não dá para ir à embaixada da Irlanda em Portugal e deixar o nosso IBAN?

Eles têm uma carga fiscal muito baixa, portanto a questão é: então vamos reduzir impostos para toda a gente. Chegados a um ponto, já não faz sentido económico no fim reduzir mais. Torna-se até contraproducente. A dívida pública deles está em 42%. Têm vindo a reduzir 42%. Portanto, é basicamente um terço daquilo que nós tínhamos há dois ou três anos. E eles, ainda por cima, já colocaram 100 mil milhões de euros em dois fundos sobrantes até 2035, precisamente para acautelar necessidades futuras no campo das pensões, alterações climáticas e infraestruturas. Portanto, basicamente, a Irlanda está com este problema: o que fazer com tanto dinheiro? O que é que o Estado faz quando tem um superávit orçamental desta maneira e olha para o lado e não vê nenhum sítio óbvio, nenhum tema óbvio para o gastar?

Pode ser que um dia esteja na CNN esse problema.

Pois, quem dera. De alguma maneira, são bons problemas para resolver.

Problemas de primeiro mundo. Foi a conferência de imprensa.