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Conferência de imprensa. Está no ar a conferência de imprensa das manhãs 360, aquele momento em que vamos à imprensa nacional e internacional procurar histórias surpreendentes, ou talvez não. A tua é muito surpreendente, não é, Paulo?

Diria de zero a 10.

Depende da velocidade da trotineta, é isso?

Pois, exato. Eu acho que é daqueles desfechos que já se estava mesmo a ver. Está na CNN Portugal: Madrid vai proibir as trotinetes elétricas, aquelas que são alugadas através de uma aplicação no telemóvel, que andam por aí pelas cidades, em Lisboa, Porto, por aí fora. Isto acontece depois dos três operadores que têm licença para operar em Madrid terem falhado em garantir algumas regras que a autarquia impôs, como por exemplo, cumprir limites de circulação e assegurar que o parqueamento é feito de forma segura, isto é, que as trotinetes não são deixadas por ali.

E não selvagem.

E não selvagem, no meio dos passeios, por aí fora. Enfim, este desfecho não é muito surpreendente.

Eu estive lá em Madrid agora no verão e, por exemplo, já é proibido levar trotinetes para dentro do metrô. Andar de metrô com a trotinete, mesmo levar, não é andar, mas levá-la já é proibido.

Exato. E então agora esquece. Nem andar nem no metrô, nem fora dele. E este anúncio foi feito, de facto, pelo autarca da cidade. Estamos a falar das trotinetes da Lime, da Dott e da Tier Mobility, que vão passar a ser proibidas já a partir de outubro, portanto, aqui um homezinho, esqueçam. E o autarca de Madrid, José Luis Martínez-Almeida, garante que a capital espanhola não planeia voltar a conceder autorizações a estas empresas para que continuem a haver trotinetes elétricas no futuro. Alega que o mercado foi incapaz de cumprir os requisitos da autarquia para assegurar, de facto, o maior nível de segurança dos cidadãos. E este sistema de partilhas destes veículos tem começado, de facto, a gerar uma grande oposição em muitas das grandes cidades europeias, por várias razões, por causa dos acidentes que são provocados. E acidentes que são provocados não só com as trotinetes em movimento, mas também aqueles que são provocados porque elas são deixadas nos passeios, muitas vezes.

Ao Deus dará.

Ao Deus dará, e provoca outro tipo de acidentes nas pessoas que passam por ali. E também porque os utilizadores não as estacionam, na maior parte das vezes, da melhor forma e, portanto, andam por ali as trotinetes. E antes de Madrid, Paris também tinha anunciado uma proibição semelhante, sendo que neste caso de Paris houve mesmo um referendo na cidade que foi favorável a esta decisão. Na capital espanhola, este desejo de facto limitar ou proibir as trotinetes em espaço público é antigo, desde 2023, portanto, desde o ano passado, que a capital espanhola tinha vindo a apertar o controle, numa tentativa de controlar a utilização das trotinetes e de eventualmente chegar a um equilíbrio que permitisse mantê-las em circulação. Assumidamente agora decretam que falhou esta tentativa e, portanto, essas três empresas vão ser proibidas. Cada uma delas, estas três empresas, a holandesa, agora disse neerlandesa, não é?

Agora é neerlandesa.

A Dott, a Tier Mobility, que é alemã, e a norte-americana Lime, que funciona através da Uber, da aplicação da Uber, cada uma delas tinha a possibilidade de operar duas mil trotinetes em Madrid. Portanto, era esperado que elas dessem algumas garantias e mudanças de utilização à autarquia, não deram e, portanto, avançou-se agora para a decisão radical e adeus trotinetes, pelo menos estas de aluguer. Depois, obviamente, cada um pode ter a sua trotinete elétrica ou não elétrica, e andar, tal como as bicicletas convencionais.

E cumprir o código da estrada.

E cumprir o código da estrada, mas pelo menos estas, esqueçam.

Bye, bye. Luiz

Todos nós conhecemos muitas personalidades que ganharam fama à custa dos pais. Já ouvimos falar de muitos desses casos, mas li no The Guardian que há agora toda uma nova geração de filhos de celebridades que querem ficar na sombra a todo o custo. E esta geração tem um nome, chama-se Nope Babies, ou seja, pessoas que dizem não, nope, àquilo que a família representa. São todos aqueles que nasceram em uma família conhecida, mas que querem a todo custo afastar-se ou porque querem traçar o próprio caminho, ou porque um dos familiares é facilmente detestável. Um dos exemplos do Guardian é a filha de Elon Musk. Os dois estão em rota de colisão porque Vivian, agora uma mulher, nasceu Xavier, ou seja, mudou de sexo, mas o pai nas redes sociais mostrou-se indignado por não ter autorizado essa transformação. Ora, o caso veio a público porque a filha de Elon Musk teve que quebrar o silêncio, que não queria quebrar, através das redes sociais, para revelar que o pai assinou de livre vontade todos os documentos a autorizar os tratamentos médicos. Mas esta não é a única família problemática. Por exemplo, o divórcio entre a Angelina Jolie e Brad Pitt e as acusações de violência doméstica levaram alguns dos filhos do casal a abandonar o sobrenome Pitt. Depois, há casos em que mudar o nome significa apenas querer reconhecimento próprio. Por exemplo, Nicholas Cage, que poderia ser Nicholas Coppola, porque é sobrinho do aclamado diretor Francis Ford Coppola e primo direito de Sofia Coppola, mas tentou afastar-se do nome da família para poder ter uma carreira em nome próprio. São situações diferentes desta nova geração, que é agora intitulada Nope Babies, foi ali no Guardian.

Muito bem. Bruno, vamos à tua história.

Eu vou à minha história, que está no New York Times, e é sobre a situação das mulheres no Afeganistão, sob o governo dos Talibã. Um ponto de situação rápido: não é permitida a escolaridade para lá do sexto ano às raparigas, não há acesso à maioria dos empregos, nem a grande parte dos espaços públicos, como parques, ginásios e salões de beleza. Não podem fazer viagens de longa distância, a não ser acompanhadas por um homem, e a recomendação é que quando saírem de casa, o façam cobertas dos pés à cabeça, depois o controle que é feito destas situações varia de cidade para cidade. Agora vem aquilo a que as mulheres afegãs chamam o último prego no caixão das liberdades femininas naquele país. A partir de agora, ficam proibidas de falar fora de casa. É a chamada lei do silêncio. Não se pode ouvir a voz de mulheres nos espaços públicos.

Incrível.

Porque é considerado algo da intimidade da mulher e por isso não pode ser exibida, por assim dizer, em público. Muzarat Farahmarz, uma jovem de 23 anos, diz que se está a voltar ao primeiro governo dos Talibã, entre 1996 e 2001, quando as mulheres perderam o direito a sair de casa. A esperança que havia de que os Talibã, entretanto, nestes anos da ocupação norte-americana, tivessem mudado, caiu por terra com a implementação destas restrições. Desde que os Talibã regressaram ao poder em 2021, as mulheres têm vindo a perder os direitos de que gozavam durante essa ocupação norte-americana e a respectiva administração local, sobretudo nos centros urbanos menos conservadores, que era aí que gozavam de mais liberdade. Atualmente, o Afeganistão é o país em que os direitos das mulheres são mais limitados e o único em que lhes é vedado o acesso ao ensino secundário. Há receios que os denominados polícias da virtude, os tais que controlam as ruas das cidades, se sintam mais legitimados com as novas medidas e que a repressão aumente. Até agora, eles só estavam autorizados a avisar verbalmente os infratores, mas agora passam a ter o direito a danificar propriedade dos infratores e detê-los até o máximo de três dias, se houver uma violação repetida das leis, dos costumes e da virtude. A telescola para meninas, que era uma esperança que pudesse continuar a haver ensino para as raparigas, também foi proibida em algumas províncias, depois de também haver promessas que as transmissões seriam realizadas normalmente. Esta lei do silêncio significa, na prática, que muitas mulheres ficam confinadas em casa, de onde só podem sair acompanhadas por um homem, para simplesmente comunicarem onde quer que possam.

O homem não pode ser um homem qualquer. Tem que ser ou o marido ou o irmão mais velho.

Tem que ser um familiar, não pode ser um rapaz.

Um rapaz, sim. O vizinho do segundo esquerdo.

Exatamente. Aí seria mais problemático ainda. O documento que consagra esta nova lei é uma tentativa de o governo talibã apagar da legislação qualquer vestígio da anterior administração durante a ocupação norte-americana e defende-se o governo talibã com as leis do Islã, que diz que são aplicáveis à sociedade. As mulheres e as raparigas têm encontrado maneiras engenhosas de contornar algumas destas restrições. Têm surgido várias escolas clandestinas e também há muitos tutores ou explicadores privados que se deslocam em segredo à casa das pessoas para dar aulas a estas raparigas, mas o cenário, neste momento, não é nada animador para as mulheres no Afeganistão. Claro que tudo isto acaba por ser muito complexo de se viver no local. Apesar de haver alguns subterfúgios às leis, há também sempre o receio, mesmo que não sejam aplicadas de uma forma muito restrita, há sempre o receio de que isso possa acontecer. E mesmo que existam estas formas de contornar algumas destas leis, vive-se sob uma constante ameaça e medo de que a repressão seja efetiva.

Exatamente. E as mulheres no Afeganistão têm demonstrado, pelo menos no primeiro período de vigência de poder talibã, que conseguem resistir e encontrar formas de procurar fugir à malha apertada daquele fundamentalismo islâmico. Posso fazer publicidade. Amanhã, nas Conversas do Fim do Mundo, vou receber um viajante que acaba de chegar do Afeganistão. Esteve lá 15 dias. Vou gravar a entrevista esta tarde. Portanto, se tudo correr bem, poderão ouvir essa conversa amanhã.

Comeu uma tarântulazinha no Afeganistão, cabeça na água.

Nada disso. Portanto, oiçam amanhã depois da 13h. Foi a conferência de imprensa das Manhãs 360.