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É hora de conhecermos o tema do Contracorrente com Helena Matos. Depois já sabe, para entrar em direto só tem de ligar 910 002 41 85, número que também pode usar para nos enviar a sua mensagem de voz pelo WhatsApp, se preferir. Deixe os seus comentários nas redes sociais ou no site do Observador. Luís.

E hoje para falar de uma batalha de que Portugal não fala. Aconteceu há 445 anos, neste dia de agosto de 1580. Filipe II de Espanha garantia pelas armas que se ia sentar no trono de Portugal. Foi na Batalha de Alcântara, às portas de Lisboa, mas a história do derrotado desse dia, D. António, prior do Crato, estava longe de chegar ao fim. É caso para dizer, Helena, que isto dava tudo um grande filme?

Claro que dava. É um filme que mete talvez aqueles que eram, e são ainda, alguns dos mais espetaculares diamantes do mundo. Expressões como amigos de Peniche e uma batalha que os portugueses ganharam com touros. Touros que smagaram o exército invasor, mas não foi em Alcântara, isso há de ser nos Açores, porque D. António, prior do Crato, que é curioso, um grande historiador espanhol que tem estudado este período, esta figura e os próprios reis Felipes, acha extraordinário que nós não tenhamos nos nossos livros. Nós temos coleções sobre os reis de Portugal, mas não está lá D. António, prior do Crato. Nós temos de lembrar aqui, D. Sebastião morreu em Alcácer Quibir. Ele morre em 1578, depois tivemos aquele período de regência com dona Catarina, depois tivemos o Cardeal D. Henrique, e depois morre o Cardeal D. Henrique e há dois candidatos ao trono de Portugal, um, Filipe II de Espanha e o outro, o prior do Crato. O prior do Crato é um filho ilegítimo ou natural, como se quiser dizer, de um filho do Rei D. João III. Portanto, ele é filho de um príncipe, só que não do casamento. E depois temos aqui outra questão. Ele mesmo tem uma personalidade, e por isso também outras razões para se dar um grande filme, ele tem uma personalidade muito atrabiliária. E isso faz com que a nobreza não o valorize muito. Mas seja como for, o povo aclamou-o em Santarém, rei de Portugal. E, portanto, a esta hora, ele trava aqui, há 445 anos, uma batalha ali onde fica a rua agora D. Prior do Crato, em Alcântara. Por esta hora já se sabia que as tropas do Prior do Crato tinham sido derrotadas pelo Duque de Alba, que já tinha entrado em Portugal. Em junho, tinha vindo atravessando Portugal, tinha sido junto uma armada ali em Setúbal, tinha havido aquele episódio em Cascais no qual tinha havido resistência e depois tinha sido executado o homem, que está lá, tem a estátua, que tinha representado essa resistência ao avanço das tropas do Duque de Alba. E depois o Duque de Alba estacionou nos Jerónimos, o seu quartel general, e na manhã deste dia há 445 anos, sabe-se que ele saiu antes do sol nascer e a batalha terá começado ali pelas seis e pouco, sete. Em meia hora estava visto que o Prior do Crato tinha sido derrotado, mas ele consegue fugir. Está ferido, consegue fugir e ainda vai ter dois episódios, um nos Açores, no qual ele vai ser considerado rei dos Açores, e também vai ter ainda uma tentativa de invasão de Portugal em Peniche, daí a expressão dos Amigos de Peniche, depois falaremos dela, com piratas. Caso o nosso Prior do Crato tivesse nascido noutro país, isto daria sem dúvida um grande filme. E depois vai iniciar-se aquele período da história de Portugal, os Felipes, Rei Filipe I de Portugal, segundo, terceiro. Um período do qual nós falamos pouco, tal como falamos muito pouco desta Batalha de Alcântara. Ela é uma espécie de Aljubarrota ao contrário, até porque a desproporção numérica é muito semelhante. Isto agora estou a falar, depois nós vamos ter até o António José Telmo como convidado para explicar militarmente. Só que o espírito e a liderança são completamente diferentes. Ao passo que em Aljubarrota havia um espírito de vitória, havia uma liderança clara, aqui não há nada disso, é quase uma coisa muito quixotesca, nesse sentido, mas aqui é a nossa Aljubarrota ao contrário. Nós falamos muito pouco desta batalha, mas esta batalha foi decisiva. Os dados já estavam mais que lançados, mas esta batalha foi decisiva na história de Portugal, porque a partir daí passámos a ter o mesmo rei que Espanha. Ele era sem dúvida o herdeiro mais óbvio do trono de Portugal, além de que tinha o apoio de uma parte substancial da aristocracia portuguesa, porque estamos em tempos em que a lealdade ao rei era mais importante, muitas vezes, do que a lealdade ao país propriamente dito. E, portanto, vamos falar dessa batalha, do que ela representou para Portugal, e não representou pouco.

Fala-se pouco, mas vamos falar sobre isso depois das 10.

Vamos, e depois os nossos ouvintes podem aproveitar para ir ali para Alcântara ver vestígios dessa batalha.

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