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08h19. É sempre por volta desta hora que conhecemos o tema do "Contracorrente". Se quiser entrar em direto logo a seguir ao "Jornal das 10", já sabe que só tem de ligar 910 002 41 85, mas também pode deixar a sua mensagem nas redes sociais, no site do Observador, ou então enviar-nos o seu áudio, a sua mensagem de voz, através do WhatsApp 910 002 41 85. Carla. Os primeiros 100 dias de um novo governo são sempre uma boa altura para um primeiro balanço e o segundo governo de Montenegro, o que saiu das eleições de maio passado, completou esses primeiros 100 no passado fim de semana. Boa ocasião, por isso, para tentarmos perceber onde é que Montenegro 2 se distingue de Montenegro 1 e também onde é que os sinais são mais positivos e mais negativos. Saúde, educação, habitação, imigração, reforma do Estado, estes têm sido, porventura, os temas de que mais se tem falado, isto para além dos incêndios, essa quase trágica rotina dos nossos verões. Vamos tentar falar deles todos no "Contracorrente" de hoje, mesmo que seja só para enunciar as principais novidades e as mais notórias desilusões. Bom dia, José Manuel.
Bom dia.
Eu sei que as notas são daqui a pouco para o vencedor, mas olhando para estes 100 dias, achas que eles deram mais sinais positivos, só nem por isso?
Eu ia pelo nem por isso, porque aquilo que marcou muito o primeiro governo, como de resto tu assinalaste, foi uma navegação à vista, pensando que podia cair a qualquer altura, como acabou por cair, e portanto haver eleições antecipadas, como acabou por haver, e por isso ter uma espécie de pecúlio que pudesse ter como resultado mais votos. O PSD/AD teve mais votos, não muitos, mas os suficientes para ter agora um governo mais tranquilo. No entanto, há muitos sinais de que a ideia de continuar a navegar à vista se mantém, porque ainda não houve vontade de em algumas áreas partir a loiça, como só partindo a loiça se conseguem fazer algumas mudanças. Por exemplo, quando se fala navegar à vista, fala-se em continuar a assumir algumas despesas permanentes que terão consequências orçamentais no futuro. Nós hoje vivemos um tempo orçamental relativamente tranquilo, mas estamos a criar despesas permanentes que podem propiciar tempestades no futuro. E isso continua muito ligado ao tempo eleitoral. Nós temos agora eleições autárquicas para o mês que vem. As presidenciais são menos partidárias, mas temos eleições autárquicas e parece claramente que há políticas governamentais que são determinadas por esse calendário. Ora, também temos outra indicação, é que quando se quer mudar, apesar de tudo, eu diria que o eleitorado está preparado para mudanças quando percebe que mais do mesmo não leva a lado nenhum. E eu digo isto porque ontem saiu uma sondagem onde se avaliavam os vários ministros. E o ministro que aparecia com mais destaque, há um que está sempre nos saldos positivos, que é o dos Negócios Estrangeiros, seja ele qual for, só em situações extremo é que o ministro dos Negócios Estrangeiros está mal classificado. Mas uma área que muitas vezes aparece no fundo da tabela, estava no topo, a Educação. Repara, a Educação é porventura uma das poucas áreas onde se vê vontade de mudar, vontade de diminuir o número de direções gerais, extinguir o que não faz sentido existir, racionalizar e, depois de alguns percalços iniciais, em que até se confiou que aquilo que os serviços garantiam, afinal, não estava garantido, deixar de fazer promessas, dizer que as coisas vão ser difíceis, tomar medidas transitórias, naturalmente, por exemplo, algumas que foram tomadas para ver se se consegue segurar professores, mas ter aquela ideia de que se não há professores e se os professores se estão a reformar, ninguém tem uma varinha mágica para formar professores de um dia para o outro e, portanto, vai haver um período crítico. E essa transparência e essa vontade de mudar têm pago a conta, digamos assim, porque o ministro até tem uma boa imagem pública, apesar de ser, porventura, aquele que está a tentar fazer reformas. Há outros que parece que só navegam à vista e as coisas acabam por lhes correr mal. Talvez o exemplo máximo disso seja a saúde, até porque, e falaremos um bocadinho melhor disso, eu acho que algumas das medidas que não estão a ser tomadas na saúde, por eventualmente serem impopulares, talvez não estejam a ser tomadas, entre outras razões, porque há eleições autárquicas para o mês que vem. Eu posso talvez ter a expectativa de que passadas as eleições autárquicas, essas medidas serão tomadas, mas com toda a franqueza, eu diria que é a altura de os governantes terem outros horizontes para além de ganharem a próxima corrida eleitoral. Por isso, é um Montenegro 2 que em muitos aspetos é parecido com o Montenegro 1, mas vamos ver melhor isso na área da economia, da habitação, da educação, da saúde, enfim, estas áreas mais críticas.
E com os especialistas dessas áreas que nos vão ajudar a tratar isso.
E falta aqui a imigração, que é uma área também muito relevante em tempos políticos.
Pois é. Até já, José Manuel.
Até já.
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