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A propósito do último podcast+ do Observador, a seita do yoga, vamos falar da atração fatal que as seitas exercem sobre muitos que, na procura do crescimento espiritual, acabam presos em situações de abuso, lavagem ao cérebro, isolamento e obviamente, submissão ao guru. Bom dia, Helena Matos. Este é um mundo muito pouco conhecido, não é?

Bom dia. Olha, é um mundo muito pouco conhecido, mas que devíamos conhecer melhor. Eu ontem ouvi vertiginosamente todos os episódios. Há realmente momentos muito surpreendentes. Surpreendentes pelas histórias, por tudo isso, mas também, a dado momento, é como se estivéssemos a ver as pessoas a caminharem numa espécie de vertigem para um precipício e nós apercebemo-nos do que está a acontecer. Aliás, sem querer estar a revelar o que não devo, porque é em episódios mais para a frente, a certa altura nós estamos quase identificados ali com umas das protagonistas que tentam fazer alguma coisa e percebemos que não vão conseguir. Porque esse é um dos dados. Nós temos o programa, para lá desta questão desta seita do yoga, temos em Portugal diferentes seitas. Nós tivemos, aliás, em 2023, dois casos, um que tinha a ver com o reino, o Reino do Pinhal, que na prática gera-se ali uma situação com intervenção policial, porque tinha morrido uma criança, tinha sido feita uma incineração. Depois tivemos também uma outra seita, a Verdade Celestial, em que havia todo um conjunto grande de abusos de caráter sexual, porque uma das coisas que caracteriza muito este universo das seitas são os abusos. Abusos pela imposição de vontade e muito frequentemente abusos também de caráter sexual. Era isso que tínhamos nesta seita da Verdade Celestial. Nós tivemos também em Portugal um caso, que até teve repercussão internacional, que tinha a ver com um grupo budista no Algarve, um mosteiro Mu, em que também havia todo um conjunto de abusos. E aqueles universos fechados, é como se as pessoas acabassem muitas vezes por estar lá dentro, não perceber o que está a acontecer, negar o que aqueles que tentam sair dizem e depois, quando há uma situação que lhes toca a elas diretamente ou aos seus filhos, então é como se lhes caísse o mundo em cima. Portanto, é um pouco este o universo das seitas. Nós estamos a falar também de um fenómeno que atrai, em geral, pessoas, e isso tem muito a ver com este perfil, não quer dizer que seja sempre assim, mas são pessoas muitas vezes com habilitações elevadas, que estão à procura de se melhorar a si mesmos e, portanto, é nessa procura por se melhorarem a si mesmos e aprofundarem o seu próprio conhecimento, o conhecimento de si, o conhecimento dos outros, que paradoxalmente acabam presos em universos que vão absolutamente contra aquilo que eles defendem. E sem ouvir, até muitas vezes, as pessoas que estão à sua volta, seja as suas famílias, seja os amigos. Isto implica também, muitas vezes, isolamento profissional, mas não necessariamente. E, portanto, eu acho que a seita do yoga é um podcast+ do Observador, que eu creio que irá contribuir para os bons números que vocês acabaram de revelar, porque tem todos os ingredientes, suspense, tudo aquilo.

E até sexo sonoro.

Tem. Ou não.

Ou não. É isso. Pronto.

Ou não. Aliás, isso também é muito paradoxal. Como é que as pessoas podem acabar a fazer coisas umas absurdas, outras inimagináveis. Portanto, eu creio que está ali tudo. Eu acho que vale muito a pena irmos isto, o universo das seitas, que é preciso que se perceba, é um fenómeno que tem a sua expressão na Europa, em vários países da Europa. A França tem mesmo um departamento do Estado que é de várias coisas e das seitas, porque é um país onde esta questão se coloca bastante. E se querem mesmo, eu percebi que por causa do período em que estamos, se querem mesmo recuar no tempo histórico português, por causa disto, dos debates e tudo isso, eu tenho a dizer-vos que quando a 28 de maio de 1975, o MFA determina, o MFA, o governo de então, a prisão dos militantes do MRPP, que foram presos mais de 400 militantes a 28 de maio de 1975, um dos fundamentos é porque tinham o comportamento de uma seita.

Ora bem. Até já, Helena.

Até já.

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