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Primeiro recomendou-se o banimento, agora chegou a hora da proibição. Estamos a falar dos telemóveis nas escolas e que agora são postos fora da sala de aula e da escola, tanto no ensino público como no privado. A confirmação chegou ontem pela voz do ministro da Educação, Fernando Alexandre. Helena Matos, bom dia. Será que proibir não é apenas optar pelo mais fácil e politicamente mais rentável?

Bom dia. Essa é uma questão, porque temos aqui dois campos. Um são as escolas, e estamos a falar dos alunos que vão até ao sexto ano de escolaridade. Portanto, serão crianças que estarão com 11, 12, 13 anos. Até aí irá. Depois iremos perceber como é que vai funcionar, de facto, essa proibição, se vai haver o tal espaço onde as crianças vão deixar os telemóveis, porque é claro que a maior parte deles tem telemóvel quando vai pra escola. O que aqui está em causa é, sobretudo, a não utilização do telemóvel durante os recreios, as aulas, embora nas aulas se possa equacionar a sua utilização para fins de pesquisa, de trabalho, para fins escolares propriamente ditos. A ideia é um pouco o devolver o ruído às escolas, aquele ruído do recreio, das corridas, das brincadeiras, e que de repente as escolas ficaram particularmente silenciosas. Esta opção da proibição do telemóvel das escolas começou a surgir há alguns anos em diferentes países, com diferentes cores políticas. É certo que depois temos aqui alguns livros, algumas intervenções que mudaram tudo isto muito, sobretudo quando se começaram a usar expressões como "cretinos digitais" para referir as crianças de hoje. Surgiram também alguns avisos que podem ou não ser interpretados como mais rigorosos ou menos rigorosos, que é sobretudo quando começaram a surgir alguns avisos vindos da parte das neurociências, nomeadamente da França, do Michel Desmurget, que diz que as crianças de hoje são os primeiros filhos a terem um coeficiente de inteligência inferior ao dos pais. Este aviso, somado à tal expressão dos cretinos digitais e expressões como alerta, juventude em perigo, acabaram a trazer este assunto para uma grande discussão. Começaram a surgir também as petições a pedir para a proibição dos telemóveis nas escolas, e é agora aqui que estamos. Mas indo então ao outro lado da tua pergunta, e então como é que é? Os pais vão pedir às escolas para proibir os telemóveis durante as aulas, nos recreios, pra que eles brinquem, pra que eles falem, pra que eles conversem, pra que eles interajam. E em casa, como é que é? O jantar, ou o almoço, ou aquele encontro de família vai continuar a decorrer com as criancinhas agarradas ao telemóvel? Ou seja, essa parte da nossa pergunta passa por isto. Mais uma vez, vão as famílias ver o Estado, através do ensino, impor aquilo de que eles já desistiram, que eles não conseguem. Portanto, é aqui um pouco esta questão. Depois, temos também alguns avisos que chegam de pessoas que trabalham nesta área e que dão conta, como é claro, de que as crianças estão em geral um pouco à nossa frente. Porque se não fosse assim, também não seriam crianças e não seriam as gerações que nos vão suceder. E que é que muitos deles, no caso das escolas que proíbem que se leve o telemóvel, já têm dois telemóveis. Metem um naquilo que designam como caixinha e ficam com o outro para fazerem o uso que eles quiserem. É um pouco tudo isto que aqui vamos falar. Os telemóveis estão aí e temos de aprender a viver com eles e, sobretudo, como é que as crianças podem viver com eles sem ficarem prejudicadas naquilo que é a sua formação, a sua personalidade, a sua forma de pensar. É tudo isto que vamos falar hoje.

É logo depois das 10:00. Até já, Helena.

Até já.