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Bem-vindos à Feira Nacional da Agricultura, que está acontecendo aqui em Santarém. Bem-vindos, em especial, ao stand do Lidl. Quando pensamos em retalho, pensamos muitas vezes nas prateleiras de supermercados. Mas antes de um produto lá chegar, existe uma história de confiança, crescimento e adaptação. E hoje vamos conhecer uma dessas histórias, a da parceria entre o Lidl e a Frigosto. Vamos conhecer os desafios e as oportunidades no retalho. O meu nome é Ana do Carmo e comigo está aqui a Joana Caruso, é do Fresh and Frozen Food do Lidl, e também António Almeida, da Frigosto. Aos dois, sejam muito bem-vindos aqui ao stand do Lidl. António, começo por si. Para quem ainda não conhece a Frigosto, quem é a Frigosto e como é que começou a vossa história?
Bom dia, obrigado pelo convite ao Lidl. A Frigosto começou em 1986. Estamos a celebrar 40 anos, precisamente este ano. Uma empresa de produtos alimentares congelados, nomeadamente na área dos salgados, que é aqui que começa com o Lidl. Começamos, portanto, em 1986 e em 2003 começamos a nossa parceria com o Lidl e de lá até hoje, felizmente, tem corrido bem e mantemos esta parceria.
Tem corrido bem, de certeza, já levam tantos anos. Joana, do lado do Lidl, o que é que chamou a atenção na Frigosto?
Bom dia, Ana. Bom dia, quem está do outro lado e também obrigada pelo convite. Aquilo que chamou a atenção na Frigosto foi aquilo que nós procuramos num parceiro, num fornecedor, foi, sem dúvida, a qualidade. Portanto, para o Lidl, a qualidade é indiscutível e foi isso que foi realmente o primeiro trigger nesta parceria, foi a qualidade, a qualidade dos produtos com que trabalham. Nomeadamente, a Frigosto, na altura, trabalhava muito com o canal HORECA, com o canal tradicional, e este é um mercado que para esta área dos congelados e dos salgados, das refeições prontas, é muito valorizado, porque é um mercado que tem muito contato com o consumidor final. São produtos, geralmente, de qualidade superior àqueles que tivemos há muitos anos atrás, aquilo que víamos nos supermercados, e foi isso que realmente foi aqui o trigger. E depois, naturalmente, outras considerações que é muito importante ter. Para nós, para além da qualidade, é o nível de serviço. Portanto, esta vontade de não só querer entregar a melhor qualidade, mas o compromisso de não falhar, compromisso com a disponibilidade. Estes são os dois pilares fundamentais numa parceria com o Lidl e depois a vontade de crescer e querer ir mais além.
António, recorda-se do momento em que percebeu que esta parceria entre a Frigosto e o Lidl ia ser um ponto de viragem para a empresa?
Sim, existem vários momentos. O primeiro, claro, quando começamos em 2003 com as primeiras encomendas, apenas com três produtos.
Quais eram? Lembra-se?
Lembro, eram os principais. Começamos com o rissol de camarão, o pastel de bacalhau e o croquete de carne. Apenas esses três. Como a Joana disse, na altura, foram mesmo as nossas receitas que o Lidl aprovou. Nós vínhamos de um mercado mais tradicional de Portugal. Acharam que a qualidade servia e realmente acho que sim, porque entraram e rapidamente começaram a pedir mais produtos da mesma gama para alargarem.
E foi nessa altura que percebeu que "ok, isto vai mudar".
Sim, acho que sim, acho que vai mudar. Nós éramos uma empresa, posso dizer, na altura, se calhar com cerca de 40 colaboradores, que começamos todos a trabalhar de outra forma.
Freneticamente.
Mais freneticamente. Tivemos que criar turno, um segundo turno, de começar a tentar dar resposta para não falhar com o serviço e a qualidade, claro, isso é inegociável. E a partir daí foi sempre um caminho a subir, em que depois o outro ponto que realmente foi muito importante na nossa história e com todo o apoio do Lidl, foi realmente em 2010, quando inauguramos a nossa nova unidade, porque a outra já não conseguia corresponder. Ou seja, se calhar foi a partir de 2007, quando iniciamos todo o processo de aquisição de terrenos e construção, e que culminou na inauguração de uma nova unidade com 5 mil metros quadrados em 2010, com três túneis de ultracongelação contínuos. Para dar outro tipo de resposta, a partir daí percebemos que sim, que estávamos a ir bem.
António, então numa palavra, como é que resume esta parceria com o Lidl? É um desafio, uma palavrinha só.
Confiança.
Confiança.
Eu acho que há confiança de parte a parte.
E do seu lado, Joana, qual é a palavra que elege? Não vale confiança.
O António já usou a confiança, portanto, eu dizia crescimento. Acho que aqui, se pensarmos, começamos com três produtos, hoje em dia temos mais de 20, que trabalhamos todos os dias, ao que acresce o negócio de exportação, ao que acresce o negócio In & Out que temos nas nossas campanhas sazonais de deluxe, Natal e Páscoa. Portanto, diria, sem dúvida, confiança e crescimento. De um lado, eu digo crescimento, que acho que o crescimento foi de ambas as partes, que mudamos aqui um pouquinho o paradigma, tanto no mercado de congelação, como também no mercado de padaria e pastelaria, quando introduzimos os croquetes, os pastéis e os rissóis no livro de serviço para estar disponível para o cliente já pronto a consumir.
António, o aumento da procura obrigou a Frigosto a fazer aqui algumas alterações, já percebi. Teve que criar uma nova unidade. O que esse desafio, quer dizer, é isso mesmo, foi um desafio para empresa, o que esse desafio representou para vocês?
Foi um grande desafio.
Em nenhum momento pensou: "Não, eu vou ficar assim sossegadinho"?Na minha vida, toda a gente é assim.
Seria o caminho mais confortável, mas nós não somos. Nós gostamos também de crescer e de boas parcerias e achamos que não, tínhamos que seguir em frente. Houve risco associado, claro, há sempre, mas ponderado. Não entramos de cabeça, digamos, foi passo a passo, com o apoio do Lidl, com o feedback que vinha do Lidl e com a confiança, acima de tudo, que vinha do Lidl, porque senão, de repente, íamos construir uma nova unidade que custou um valor razoável. Temos que ter mercado, temos que estar confiantes e então o Lidl transmitiu-nos essa confiança pra seguirmos em frente.
Joana, esta estabilidade que o Lidl oferece aos parceiros acaba por se refletir, assim como o António está a dizer, em confiança, em estabilidade e, portanto, temos aqui uma receita ótima para todos os lados, não é?
Sim, sem dúvida. Eu acho que da parte do Lidl, cabe-nos a nós identificar onde é que está o potencial de crescimento e pensar muito mais à frente, que é para onde eu quero ir, para onde eu vejo que as categorias vão e o que é que o cliente daqui a uns anos vai querer. E depois é, no nosso público de fornecedores, perceber que fornecedores é que são capazes de também querer dar este passo, porque é um passo muito desafiante. Nós estamos a criar algo para um mercado que ainda não existe e é fornecedores assim, como a Frigosto, que nós procuramos, que estão dispostos a dar a mão e realmente a acreditar num projeto futuro. Projeto não é para hoje, é para daqui a uns anos e temos que acreditar, temos que analisar e ponderar, tomar decisões muito conscientes que efetivamente a procura e o cliente vai estar cá daqui a três, quatro, cinco, seis, sete anos para efetivamente concretizar aquilo que estamos a construir.
Do lado do retalho, Joana, como é que se ajuda então um fornecedor a crescer, por um lado, por outro, sem comprometer aquilo que o tornou especial?
Acho que sem sombra de dúvida, é continuar a dizer que o foco está na qualidade, o foco está na exigência e na disponibilidade. Ou seja, nós temos que crescer, evoluir, fazer coisas diferentes, mas se estes três pilares de qualidade, exigência e disponibilidade não forem cumpridos, nunca vamos crescer e vamos ter que abortar esta missão de crescimento. Portanto, manter o foco aí e depois acompanhar de perto. Estarmos presentes, não só a nível estratégico, a pensar e a discutir o futuro, mas também no dia a dia, porque é no dia a dia que estão os problemas e tanto a Frigosto como o Lidl, nós não temos equipes muito grandes, temos equipes coesas, mas pequenas e multifacetadas, onde o António tanto está na produção como eu e minha equipe podemos ajudar não só em temas estratégicos, mas também em temas de dia a dia. E é assim que temos que construir essa confiança para permitir criar esta robustez para efetivamente o fornecedor também estar seguro e todos os desafios que tiverem, sentir que têm aqui alguém que os pode guiar e os pode ajudar.
António, alguma vez neste processo sentiu que o crescimento poderia, de alguma forma, comprometer a qualidade?
Pode acontecer. Nós trabalhamos muito pra que não aconteça, porque todos os investimentos que fizemos foi sempre na procura das melhores máquinas pra garantir o essencial dos produtos. A nossa cozinha, apesar de ter aumentado muito, os processos continuam a ser rigorosamente os mesmos. Tudo é cozinhado a partir da matéria-prima nobre dos produtos. Portanto, estamos a falar de carne ou de peixe, ou de marisco. Tudo é trabalhado da mesma maneira. Dali pra frente, sim, poderá ter uma cadência maior, uma produção maior, mas a origem não podemos mudar.
Qualidade acima de tudo.
Qualidade acima de tudo.
Joana, como é que se constrói então esta relação de longo prazo? Já percebi que a confiança é a pedra basilar.
Sem dúvida.
Qual é o outro ingrediente?
Eu diria que os outros ingredientes, um bocadinho como um casamento, acho que é a disponibilidade e a partilha. Ou seja, sermos muito transparentes em quais são as nossas expectativas, quais são as nossas dores e quais são as prioridades, quer de um lado, quer de outro. Porque se estivermos sempre a ir de encontro a prioridades diferentes, dificilmente nos vamos encontrar. Portanto, se nós queremos, se neste momento a minha prioridade é o lançamento de certo tipo de referências, eu tenho que dizer à Frigosto que é isso, e temos que tentar cruzar aqui essas prioridades para que isto aconteça. Do mesmo lado, a Frigosto pode dizer: "Olha, neste momento, prioridade, é uma colheita de bacalhau difícil. Temos aqui que arranjar formas criativas de fazer crescer os outros produtos pra aliviar um bocadinho a tensão. Como é que podemos aqui montar um esquema que seja positivo para os dois lados?" E nós: "Ok, se está difícil neste momento a matéria-prima do bacalhau, vamos então ser criativos e vamos apostar em ações de carne, de pescada". É um bocadinho muito nesse sentido. Acho que é a partilha constante, estar disponível e desafiar mutuamente.
Ou seja, um fornecedor tem que ser alguém que tenha aqui esta flexibilidade e esta agilidade pra se juntar e se encontrar em todos os determinados pontos, não é?
Sem dúvida, até porque o retalho é muito acelerado. O que nós hoje damos como garantido, amanhã pode não acontecer. Eu lembro-me quando nós entramos com os salgados preferidos pro livre serviço, fizemos dezenas de estimativas em conjunto, tanto com a Frigosto, como mesmo com a equipe do Lidl, que faz o aprovisionamento. "Ok, quanto é que isto vai vender?" E triplicou, quadriplicou as nossas expectativas e no momento não tínhamos uma solução pra hoje. Portanto, naturalmente, nós temos que ter flexibilidade. É: "Ok, então aquilo que nós tínhamos pensado, vamos ter que repensar, porque temos que dar prioridade a este problema", que era um bom problema.
Exato.
À procura do cliente, temos que dar prioridade a este problema e acho que essa flexibilidade é fundamental.
António, de todos os conselhos que já recebeu pelo caminho, e eu acredito que tenham sido vários, quais foramAqueles que ecoaram mais em si e, naturalmente, na Frigosto.
Repetindo, mas os conselhos da parte do Lidl são sempre a qualidade dos produtos. Há uma proximidade, eles estão muito próximos de nós, que eu sei que fazem constantemente degustação na cozinha, que eu conheço a cozinha do Lidl, também já fiz lá várias reuniões.
Portanto, vocês frequentam as cozinhas de cada um.
Exatamente. Literalmente é isso que acontece.
Frequentamos as cozinhas de cada um. Grande parte das reuniões são feitas nas cozinhas do Lidl, quando vamos testar mesmo o produto final, depois de ir aos nossos fornos e também pra dar feedback com a equipe da qualidade, também muitas vezes. E depois também à Frigosto. Recentemente a Frigosto concluiu as obras de uma ampliação, fomos lá visitar, degustar produtos. Tentamos sempre duas vezes ao ano marcar momentos muito fortes, mas quase mensalmente estamos reunidos nas cozinhas um do outro.
Sim. E temos feedback imediato, vamos por aqui, vamos por ali. E é isso, é sempre trabalhar à volta da qualidade e do serviço, como a Joana diz, porque depois o produto pode ser o melhor, mas se não chegar onde tem que chegar, nada funciona. Portanto, foi sempre isso que me foi transmitido e eu sou aqui o elo de ligação com o Lidl, foram sempre esses os conselhos. E há aqui uma palavra que eu acho também que é muito importante acrescentar, talvez um pouco voltando
À pergunta da confiança.
Talvez, que é a proatividade, porque o Lidl é muito proativo, com ideias, desafios e experimenta isto e vamos testar aquilo. E nós, por vezes, também inovamos e apresentamos e são receptivos a isso.
António, mas parece que da parte da Frigosto também tem que haver alguma flexibilidade e espírito aberto para estar tão disponível para receber estes conselhos, por vezes um bocadinho fora da caixa, que eu também já percebi.
Sim.
Isso também é um pouquinho o ADN da Frigosto, então.
É, porque a base de menus de salgados são, se calhar, os três que eu referi inicialmente ou mais alguns, mas depois há todo o resto à volta, que no fundo traz novos negócios e novos desafios a todos. E que o mercado, o consumidor também está receptivo a experimentar algum rissol diferente do que é normal ou um croquete. E é isso que faz funcionar. E as nossas equipes do lado da Frigosto também se sentem satisfeitas de desenvolver, de testar pra não estar diariamente a fazer o mesmo produto. Portanto, acho que acaba por funcionar dessa maneira.
Joana, perguntei ao António sobre qual teria sido o conselho que o Lidl deu, que mais ecoou. A pergunta que lhe faço a si agora é: qual foi o conselho mais difícil que o Lidl teve que dar, neste caso, ao parceiro Frigosto?
Eu lembro-me quando estávamos a falar da expansão, da ampliação da fábrica atual pra conseguirmos efetivamente corresponder às necessidades e aos desejos da gama de pré-fritos. E, sem dúvida, a Frigosto apresentou-nos um plano de investimento e nós dissemos: "Força, vão". Claro que é fácil dizer isto com a certeza que o Lidl nos dá diretamente, mas claro que é um conselho com muita responsabilidade. E nós termos consciência da responsabilidade que isso acarreta. Eu não diria que é o mais difícil, mas foi o mais importante. Foi o conselho de nem pensar em duas vezes. Nós vamos retirar essas quantidades, nós vamos corresponder a essa produção. Não diria que foi o mais difícil, mas sem dúvida o mais importante, porque esta segurança é realmente difícil de passar e acho que é o trabalho todos os dias, mas que depois, naquele momento, conseguir efetivamente dizer com tanta segurança é muito importante.
Neste setor dos frescos e dos congelados, neste caso em particular, os congelados, já que é o negócio da Frigosto, podemos falar em tendências, Joana?
Sim, acho que o António já falou algumas delas, que é esta inovação. Isto era um mercado que estava muito saliente em dois ou três produtos e depois, hoje em dia, vamos à gama de congelados, de rissóis, de salgados, e temos 15, 20 produtos, de forma geral, nos supermercados. Acho que uma tendência que já aconteceu foi aqui o pré-frito, muito ligado à airfryer, que é muito orientado pro cliente, pra praticidade. O cliente já não está, ou pelo menos uma boa parte do cliente, está disponível a pagar mais para ter mais tempo. E então temos que ouvir o cliente neste sentido e fazer cada vez mais produtos mais ligados à praticidade, mas que na mesma, e o que eu sinto muito, é o cliente estar disponível a pagar um bocadinho mais em supermercado porque quer retirar o consumo, também devido à situação macroeconômica, o consumo do fora de casa, trazê-lo pra dentro de casa. Portanto, OK, nós na nossa gama deluxe temos rissóis de trufa, rissóis de sapateira, temos uma gama mais premium e é este tipo de tendência que nós notamos que está a surgir, sabores diferentes. Airfryer, sem dúvida. Portanto, quanto menos tempo e quanto mais fácil, melhor. E depois também vemos um grande crescimento em toda a parte, não ligada diretamente com o que o António produz, mas depois é que nós executamos em loja com a parte do takeaway, dos salgados, no pronto a comer. As pessoas facilmente estão a correr, vão de um lado pro outro e querem muito essa praticidade. Portanto, diria que são aqui os principais, juntando-se naturalmente também à parte da imigração e ao turista que está em Portugal e que vemos aqui uma panóplia de novos produtos a aparecer e a ter sucesso.
António, falamos também aqui numa questão de criatividade. Conseguir trazer pra cozinhaAs tendências. Há pouco falávamos do rissol trufa, que me parece que é claramente uma tendência. É o António que está desperto aos interesses dos consumidores, seja na sua esfera mais pessoal, familiar, dos amigos. Como é que recebe esses feedbacks de novos interesses?
São novos desafios muito aliciantes. Eu estou sempre muito atento. É todo lado que vou, estou sempre à procura de ideias, às vezes até um menu de um restaurante pode dar uma ideia.
Quem trabalha em detalhe está sempre atento.
Estamos sempre. E depois temos esta equipa do Lidl, que se nós temos umas ideias, eles acho que ainda têm muitas mais e desafios, e às vezes dizem-nos para misturar coisas que nós nunca pensámos na vida.
Noutro dia obriguei o António a ir a um supermercado brasileiro.
Exato, comprar produtos. Foi um trabalho encontrar o supermercado, mas consegui. E é esta ligação, este desafio que existe.
É um espicaçar constante.
É um espicaçar.
Saudável.
Saudável, claro que sim. E é como a Joana diz, os produtos da gama Deluko são produtos completamente diferentes, fora da caixa, e a prova que são bons é que entretanto alguns já passaram pra sortido fixo. É sinal que tem uma boa receptividade. Portanto, pra sair fora do que é apenas o normal das indústrias de salgados.
António, mas estou aqui preocupada consigo acerca de uma coisa.
Diga.
Imagine, mas tem que ser sincero aqui nesta questão.
Diga.
Imagine que tem um produto que não aprecia, porque acontece a toda gente.
Acontece, claro que sim.
Como é que lida com isso?
Com o mesmo empenho. Alguém há de apreciar, a equipa tem que testar, tem que dizer o que acha, o que devemos melhorar. O Lidl prova tudo, nada vai pra loja sem ser devidamente provado. Trocamos ideias, lá estávamos às cozinhas, e entre todos arranjamos sempre uma solução e a melhor forma de chegar à receita final. Isso conseguimos sempre.
António, e por outro lado, qual é o seu produto preferido?
O meu produto preferido.
Não vale dizer todos.
Não. Eu sou um amante do croquete.
É o croquete.
Gosto muito do croquete. Acho que o nosso croquete é um vencedor e o Lidl também gosta muito do croquete e as vendas do croquete são muito interessantes e acho que é o produto que eu mais aprecio.
É o minito.
É o minito lá da casa, que dá muito trabalho fazer o croquete. Parece que não, mas é dos mais trabalhosos a nível produtivo, mas funciona muito bem. E depois as vendas, foi como a Joana dizia há pouco, nós começamos de forma modesta com este novo projeto da padaria, do Lidl, dos pré-fritos, e explodiu tudo rapidamente e tivemos problemas, mas bons problemas pra resolver, porque era preciso dar resposta aos pedidos e nós não tínhamos a capacidade na altura. E tivemos que arranjar estratagemas entre todos pra resolver esse problema, até ganharmos a capacidade. Muitas horas ao telefone e muita pressão, mas boa pressão, e conseguimos dar a volta.
Até que conseguiu, lá está.
Até que conseguimos, felizmente.
Joana, não vale dizer croquetes. Qual é o seu produto preferido?
Joana, responde bem.
Eu acho que se ficasse dois anos afastada da área e quisesse novamente voltar a provar um produto, era o croquete, mas também pela relação emocional que tenho. Nós tivemos um, que depois quando fizemos a reformulação do pré-frito deixamos de ter, que era o pastel de bacalhau com broa. Eu adorava esse produto. E depois quando fizemos a reformulação pro pré-frito, nós temos que escutar o cliente, aquilo que a Ana perguntava ao António, é muito importante, que é não podemos colocar os nossos gostos pessoais ou desgostos à frente daquilo que é a funcionalidade e o objetivo do produto. Deixámos de fazer, mas gosto muito da coxinha de frango também.
Bom, já estamos aqui todos com água na boca.
É verdade.
Queria saber, esta pergunta vale pra os dois, o que é que vos entusiasma mais quando olham para o futuro desta parceria? Se calhar começo com a Joana.
Eu acho que, tendo aqui a equipa que trabalha com o António, é saber que do outro lado temos um fornecedor disponível a querer crescer, porque acho que no dia a dia, nós trabalhamos muito o dia a dia, mas nós queremos é trabalhar o futuro. Queremos é trabalhar a visão, criar algo novo, portanto, não roubar uma fatia do bolo, mas sim criar uma nova fatia, criar um novo bolo. E acho que termos um fornecedor que realmente, que sabemos que tivemos uma ideia maluca, uma ideia diferente, ideia disruptiva, vai nos ouvir e vai ser uma prioridade pra ele tentar servir a nossa ideia. Isso pra mim é o que me entusiasma mais, porque é uma motivação, não só pra mim pessoalmente, mas também pra toda a equipa, a envolvência que cria é o querer efetivamente continuar a inovar e criar algo diferente. Isso é o que me deixa mais entusiasmada.
E do seu lado, António, do lado da Frigosto?
Para além de tudo o que a Joana disse, acho que há muito caminho pra andar ainda. Temos muito caminho pela frente. Isto é uma área de negócios muito interessante, com muito pra criar, pra inovar, pra além da tal base que tem que ter e tem que estar disponível nas lojas, mas depois há aqui um caminho à volta, através das exportações, através dos in nouts. Há aqui muito pra andar e com uma boa equipa e com uma boa parceria, que isto tudo assenta na parceria e nas pessoas, claro. Há aqui ainda muito pra andar, mais 20 anos pela frente.
Pelo menos.
Pelo menos, pra começar.
António, já que estamos a falar de futuro, se nós abrirmos a gaveta das receitas da Frigosto, qual é a receita que está láPrestes a sair.
Neste momento.
A novidade.
Não sei, há alguns projetos que estamos a trabalhar.
Na gama da Lux já vamos ter algumas novidades, portanto podemos dizer aqui.
E pode levantar a ponta do véu?
São várias. Estamos a trabalhar com uns cogumelos.
Os shitakes, exatamente.
Os shitakes, portanto podem estar atentos em outubro.
Sim, exatamente.
E depois tâmaras, não é?
Sim.
Algo com tâmaras.
Tâmaras e bacon, um produto agridoce.
E não tens que levantar mais o véu, não é?
Não.
Depois a conferência fica completa.
Exatamente. E outras ideias e outros desafios que estamos a trabalhar, que às vezes é difícil, porque temos que ir procurar a matéria-prima ou as matérias-primas e podem não estar ajustadas às nossas necessidades. E há aqui mais um ou outro na gaveta que nos desafiaram e que parece que está parado, mas não está. Estamos a trabalhar neles.
É ficar atentos então às arcas congeladoras.
À arca e ao ponto de livre serviço.
Exatamente.
E é isso.
Se pudessem voltar atrás e falar, quer com a Joana, quer com o António, do primeiro dia desta parceria, o que é que lhes diziam? O que é que a Joana diria à Joana?
Se calhar para ter um bocadinho mais de paciência, porque os ritmos são sempre muito diferentes. Nós o que achamos rápido, achamos que a outra pessoa não está a perceber da mesma forma e para ele não é rápido. Vai correr bem. Tenho a certeza que parece um ano, um ano e meio, que para nós parece muito, mas construir uma fábrica, acho que se alguém comprar uma casa não está pronta em menos de dois anos. Portanto, ter um bocadinho mais de paciência também, ou pelo menos tranquilidade, porque vai correr bem e vai chegar mais depressa do que achamos.
Portanto, diria à Joana, calma e tranquilidade.
Sim. Só para o stress ao menos no dia a dia.
E o que é que o António diria ao António?
Eu fico aliviado da Joana dizer para ter calma, porque ela quando me liga às vezes está muito acelerada.
Por isso é que digo.
E começa a sair muita ideia. Eu até tenho dificuldade em tomar nota de todas.
O que é que o António diria ao António, então?
Para ir mais depressa.
Para ir mais depressa.
Mas um ano e meio.
Vamos nos complementar. Não, os processos demoram o seu tempo. A Joana fala na construção de uma fábrica, que demora muito tempo, obviamente, mas até o desenvolvimento de um produto por vezes demora, porque entre a ideia e o sair na cozinha há um caminho grande de investigação, de testes, etc. E as coisas têm os seus timings. Mas eu não sei, mas eu acho que no fundo diria que acho que fizemos um bom trabalho. Acho que se pode dizer e espero, desculpem, não sei se estou a ser...
A falta de modéstia. Mas não é falta de modéstia, não parece. Está aqui, António, não é falta de modéstia.
Acho que foi feito um bom trabalho. São 23 anos de muitos desafios, muito trabalho, naturalmente, muito empenho, mas que acho que tem dado bons resultados. Temos crescido. Há uma Frigosto, temos que dizer, antes de Lidl e há outra Frigosto depois de Lidl, completamente diferente.
Portanto, diria ao António: "Vai, António".
Vai, António, continua. Trava um bocadinho a Joana de vez em quando, mas vai, António, acho que sim.
Vai, António, tem paciência para a Joana.
Exato.
É isso.
Qualquer coisa assim.
Bom, muito obrigada aos meus convidados de hoje por estas partilhas. Joana Carujo do Lidl e António Almeida da Frigosto. Foi um gosto ter-vos aqui, Frigosto, hoje.
Muito obrigada.
Obrigada a todos por nos acompanharem aqui na Feira Nacional da Agricultura a decorrer em Santarém. E obrigada também a quem ouve na Rádio Observador.
Muito obrigado.
Obrigada.