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Bem-vindos à Feira Nacional de Agricultura, aqui em Santarém, em especial ao stand do Lidl. Ao longo desta semana temos estado a debater aqui temas atuais e pertinentes no âmbito desta feira. O meu nome é Ana do Carmo e tenho aqui dois convidados à altura desta feira, mas já falamos com eles. Devo dizer que hoje, como sabem, é Dia de Portugal e hoje vamos falar de uma forma muito especial, de levar Portugal além-fronteiras. Não através do turismo, nem da diplomacia, mas através dos nossos produtos. Da fruta aos congelados, dos vinhos aos pastéis de nata, há milhares de produtos portugueses que chegam todos os dias às mesas de consumidores em toda a Europa. E é precisamente sobre esse percurso que vamos conversar hoje. O tema é: exportações, o sabor de Portugal em milhões de lares. Conosco está Alexandra Borges, a diretora-geral de compras do Lidl, e também António Almeida, da Frigost, uma empresa portuguesa especializada na transformação e preparação de produtos alimentares ultracongelados, de peixe, de carne, tais como croquetes, rissóis, empadas e também refeições pré-cozinhadas. António, Alexandra, sejam bem-vindos.
Obrigado, bom dia.
António, já reparámos todos que não temos aqui hoje um prato de croquetes à nossa frente. Começamos mal.
Peço desculpa. Pensava que a Alexandra trazia.
Vai tirar para debaixo do autocarro.
Desculpe.
António, explique-nos como surgiu esta parceria com o Lidl.
A parceria com o Lidl já começou no ano de 2003. Na altura, a Frigost era uma empresa bem mais pequena do que é atualmente e entendemos que devíamos procurar outros mercados. E o Lidl, na altura, ainda relativamente recente no país, com não muitas lojas, nós também não tínhamos uma empresa com grande capacidade, e então comecei a contactar o Lidl. Mandei e-mails ou fax, na altura, andei a insistir até conseguir que me dessem resposta e o comprador realmente mostrou algum interesse. Foi a partir daí, com muita insistência, muito trabalho, mas conseguimos depois começar em outubro de 2003.
António, algum interesse que dura até hoje, não é, Alexandra?
É um interesse duradouro, é um casamento já, para a vida.
Felizmente.
Alexandra, o Lidl trabalha com cerca de 100 fornecedores nacionais, e corrija-me nestes dados se não estiverem precisos, e já ajudou a exportar mais de 773 milhões de euros em produtos portugueses na última década. O que é que faz com que os produtos portugueses tenham tanta aceitação lá fora?
Tem sido um trabalho muito constante. Foi nestes últimos 10 anos que temos tido um crescimento exponencial. Nós funcionamos como os embaixadores do melhor que se faz cá em Portugal, lá fora. Os nossos produtos têm características próprias muito específicas e fantásticas. O nosso terroir é único, temos uma aceitação tremenda. O artigo que nós mais exportamos, por exemplo, é a pera rocha, é um artigo que tem uma aceitação inacreditável, bem como os citrinos do Algarve, as laranjas do Algarve, têm visto a procura crescer em mercados como o mercado alemão, o mercado francês. Muito grande, porque realmente são características ótimas, não há que enganar. Comprar uma pera rocha ou comprar uma laranja do Algarve tem sempre o value for money. O propósito que o cliente tem ao comprar esses artigos não vai ficar defraudado. Portanto, há, de facto, produtos muito bons, com características próprias extraordinárias. Há uma dificuldade, naturalmente, para fornecedores mais pequenos. Somos um país, estamos realmente aqui na cauda da Europa. Para chegar a mercados não é impossível, como é lógico, mas é um pouco mais difícil para pequenos produtores. O Lidl fornece esta facilidade. O facto de o Lidl estar presente em 31 países, consegue um canal direto mais rápido para um número inacreditável de lojas e de pontos de venda que, se calhar, um fornecedor sozinho não iria conseguir, ou pelo menos tão rapidamente.
Alexandra, já falou aí da pera rocha. Que outros produtos portugueses é que nós podemos encontrar em países como Alemanha, Bélgica?
Frutas e legumes são, sem dúvida, os artigos que estão a ter uma maior aceitação e uma maior procura. Temos também os nossos vinhos, naturalmente, o nosso vinho do Porto, que encabeça aqui a categoria de vinhos e fortificados. Conservas também, conservas de peixe e congelados. Temos congelados de excelente qualidade, como é o caso aqui dos nossos croquetes e outros salgados.
E outros.
António, quando soube que os produtos Frigost iam ser vendidos fora de Portugal, lembra-se do que sentiu?
Lembro-me. Recordo-me bem de ter recebido uma chamada do nosso comprador da altura a informar que ia haver exportação de um rissol para a Alemanha. Perguntou-me se eu estava sentado. Eu disse que sim. E então informou-me que eram mais de 400 paletes daquele artigo, 420, 430 paletes para a Alemanha. A Alemanha tem imensas lojas, portanto é fácil fazer um grande volume. E foi uma alegria imensa, porque além de fornecer o Lidl a nível nacional, era chegar lá fora. Era uma nova oportunidade, era mais negócio para nós, para a empresa, e sentimos uma grande alegria.
Alexandra, quando olhamos para estes 10 anos, que balanço faz do papel do Lidl na promoção de produtos portugueses lá fora, no estrangeiro?
Esse é um compromisso do Lidl Portugal, faz parte do nosso DNA, portanto não é uma simples menção de slogan. Não é um slogan de marketing ou um chavão comum. E o facto destes 10 anos acaba por ser um testemunho real e vivo que não é um slogan, é efetivamente um compromisso, é efetivamente um trabalho diário de toda a equipa, de toda a organização do Lidl Portugal. Nós ajudámos nesta última década, e fixámo-nos nesta última década para ser mais fácil o apuramento dos números. Nós ajudámos a exportar 770 milhões de euros. Isto tem um impacto na nossa economia inacreditável, que não é só o impacto direto. É o impacto direto e indireto, o impacto direto nestes produtos e nestes parceiros que conduzem os seus artigos lá fora, mas toda a economia circulante, seguramente, a FrigostConseguiu contratar mais pessoas, conseguiu fazer investimentos na sua fábrica, foi comprar mais matéria-prima de fornecedores nacionais e consegue crescer, criar riqueza, de uma forma muito mais rápida e mais estruturada também.
António, o que mudou na empresa depois de começar a exportar através desta parceria, desta rede internacional do Lidl?
Tivemos de crescer. Nós em 2010 construímos uma unidade nova, de raiz, porque a anterior já não tinha capacidade, e rapidamente acabamos por exportar. E entretanto já fizemos até duas ampliações em grande parte por causa das exportações, porque começou de uma forma menor, digamos, com uma, duas exportações por ano, e hoje temos quatro, cinco ações por ano dos nossos artigos, volumes muito grandes e tivemos que ampliar, tivemos que contratar, tivemos que aumentar a capacidade produtiva para dar resposta.
Ampliou a fábrica duas vezes?
Ampliei a fábrica duas vezes.
Já depois da segunda unidade.
Sim, a segunda unidade ampliada já duas vezes, uma em 2020 e a outra agora em 2024, 2025 é quando terminamos.
E são ótimas notícias.
São, graças ao nosso parceiro Lidl.
É uma parceria, graças a ambos, sem dúvida.
Exatamente.
Alexandra, o que o Lidl procura num fornecedor português, para acreditar que o seu produto tem potencial para chegar lá fora através da vossa rede de distribuição?
Olha, qualidade acima de tudo. Trabalhamos diariamente e com enfoque muito grande na qualidade, qualidade dos nossos produtos, portanto, máxima qualidade ao melhor preço, sempre foi a nossa assinatura ao longo dos anos e mantém-se. Somos efetivamente muito rigorosos. Um fornecedor de marca própria tem que ter certificação IFS ou BRC, só assim pode fornecer o Lidl e só assim vai poder ter o acesso a outros mercados. Portanto, um fornecedor que possa fornecer marca de fornecedor aqui em Portugal, se quiser exportar, essa marca eventualmente não é tão conhecida lá fora, portanto terá de ser exportada através de uma marca do grupo. E para conseguir exportar através dessa marca do grupo, uma marca própria, precisa destas certificações. Isso é inquestionável. Depois, a qualidade dos próprios produtos, a fiabilidade também, a eficiência logística é crucial para nós. Se temos uma entrega marcada para o dia um, o produto tem que ser entregue no dia um. O Lidl pauta-se também por ser bastante respeitoso com os prazos de entrega e fazemos as nossas encomendas com muita antecedência. Por exemplo, o António estava nos a dizer que carregou ontem a exportação para um dos mercados Lidl, mas essa encomenda já lhe foi transmitida, essas quantidades, há cerca de um ano.
Sim, os planos são de um ano para o outro, que nós recebemos de exportação.
Para quê? Para permitir ao parceiro conseguir tratar de tudo atempadamente, da compra de material de embalagem, para se preparar a nível logístico, para se preparar a nível de fabril. Conseguimos fazer, quando é uma exportação para o grupo, conseguimos dar toda esta antecedência. Um ano, seis meses, portanto, trabalhamos sempre com uma antecedência grande para permitir que o parceiro se vá fortalecer e se vá munir das ferramentas necessárias.
António, para que país é que vai exportar, conforme a Alexandra estava aqui a dizer?
Nós exportamos, foi ontem que carregamos uma encomenda para a Roménia. Via interpostos, isso não é direto.
Sim.
Há aqui uma logística construída pelo Lidl, mas o destino final é as lojas Lidl na Roménia.
E além da Roménia, em que países podemos encontrar produtos Frigosto?
Vários. Nós já exportamos para cerca de 30 países, maioritariamente Europa, claro, e Estados Unidos, também temos ações para os Estados Unidos, mas desde Espanha, França, Inglaterra, Alemanha, Suíça, Bélgica, a parte da Roménia, Bulgária, temos imensos países, temos exportado um pouco para todo lado através do Lidl.
António, sente que algumas pequenas e médias empresas, pelas suas conversas com colegas, com outros parceiros, sente que algumas pequenas e médias empresas olham para a exportação como um desafio complexo?
Sim, é verdade. Nós próprios, a Frigosto, antes do Lidl, sentíamos essa dificuldade.
Esse desafio.
Esse desafio. Há questões burocráticas, legais, há documentação que é preciso obter para poder exportar para determinada países, há limitações a alguns produtos para alguns países, e então acaba por ser um pouco difícil, às vezes, por conta própria, conseguir chegar lá. Com o Lidl, tornou tudo muito mais fácil, até porque temos esse apoio também. Cada país tem um departamento que nos apoia, portanto, se há uma dúvida sobre como exportar ou o que é necessário, comunicamos, eles dão-nos todas as instruções, até podemos avançar com documentação para darem a sua aprovação. Portanto, todo esse apoio é fundamental e facilita imenso, porque por conta própria, sim, ainda há aqui algumas dificuldades, alguns obstáculos que são necessários ultrapassar.
Esse é um dos segredos.
Alexandra, ia dizer para os pequenos e médios empresários que nos estiverem a ouvir, podem recorrer ao Lidl para tentar desatar aqui este nó da internacionalização.
Tem que ser nosso fornecedor, naturalmente, para podermos garantir todas as certificações, toda a qualidade dos artigos, eficiência logística e capacidade produtiva. Pior do que poderia acontecer, nós apresentarmos um produto aos nossos colegas de outros mercados e o produto ser enquadrado dentro das campanhas publicitárias e quando chegamos à altura, o fornecedor não entrega por falta de capacidade. Portanto, toda essa triagem é feita, há um trabalho muito grande do Lidl Portugal, que funciona como embaixador, mas tem que ter a garantia que está de facto a promover artigos e um parceiro que não vai falhar, que vai realmente entregar o artigo. E depois há todo este trabalho de apoio que o António estava a referir, a nível de certificações, a nível de logística. Portanto, nós organizamos a logística, escolhemos um determinado sítio de entrega dos produtos, imagine para a Roménia, a Frigosto não foi entregar diretamente à Roménia, entrega num determinado país onde nós temos uma logística montada para que os artigos da Frigosto e dos nossos parceiros locais consigam chegar com maior eficiência económica, a nível de custos, a outros países e aos outros mercados. Existe todo este acompanhamento também da equipa do Lidl Portugal. E é importante também referir todos estes contratos que a Frigosto e que outros parceiros têm com o Lidl Alemanha, com o Lidl Espanha, Roménia, por exemplo, são celebrados entre a Lidl Roménia e a Frigosto. O Lidl Portugal não tem qualquer intervenção, portanto, não está nos KPIs da minha equipa de compras, por exemplo, conseguir mais ou menos artigos exportados, não existe qualquer tipo de fee, nada.Um apoio a um parceiro que nos merece, e que merecem todos, naturalmente, todo o respeito. Existe aqui uma equipa local que trabalha e que dá apoio e que faz aqui de ponte entre os dois países, mas que no final do dia, todos os contratos são celebrados entre o destino final e o produtor, não conosco.
Esta pergunta vale para os dois. Há alguma história ou algum momento que simbolize o orgulho de ver um produto português chegar às mesas noutros países? Tem alguma história que nos possa trazer, António?
Eu posso partilhar uma em que senti orgulho. A Frigost, além de aparecer com o Lidl, trabalha no mercado mais tradicional. A base da Frigost sempre foi isso, os armazéns e distribuidores. E temos um aqui na zona de Lisboa, que já há uns anos me ligou, porque tinha o filho a fazer Erasmus na Suécia, mas para norte, lá muito para cima, não me lembro da cidade, e diz que tinha uma loja Lidl e ficou supersatisfeito. Encontrou os pastéis de bacalhau, que ele conhecia através do pai, que compra os nossos produtos enquanto marca Frigost, naturalmente, mas encontrou lá na marca Lidl, mas ele sabia que são feitos por nós. O pai depois ligou-me muito satisfeito, porque o filho tinha ligado e que tinha ido comprar pastéis de bacalhau ao Lidl, numa determinada cidade da Suécia. E é reconfortante, é um orgulho.
Ou seja, acaba por levar a sensação de casa a quem está lá longe.
Sim.
O mercado da saudade. Tenho exatamente a mesma situação.
Isto, no nosso negócio, o mercado da saudade é algo que está ligado a qualquer empresa, indústria portuguesa de salgados ou de outras áreas, onde há imigrantes, normalmente exportamos todos um pouco. Pelo menos para os principais países. Claro que o Lidl é um outro salto, é chegar direto ao consumidor local, através de imensas lojas em cada país. Portanto, é um salto completamente diferente e traz-nos estas histórias que eu, na altura, partilhei e achei muito engraçado um rapaz num sítio longínquo da Suécia e que foi comprar pastéis de bacalhau feitos aqui em Portugal.
Exatamente.
Achei engraçado.
Da parte do Lidl e da minha parte pessoal, toda esta atuação é, de facto, um motivo de orgulho. Falarmos em 780 milhões de euros que ajudamos a exportar numa década, falarmos que as nossas exportações, que nós facilitamos, representam já 1,9% do total das exportações de Portugal, é de facto um orgulho tremendo. Todo o impacto na economia. Tivemos um estudo recente feito por uma consultora independente que nos diz que foram criados e mantidos cerca de 6700 postos de trabalho. Tudo isto é, de facto, um motivo de orgulho. Depois aqueles pequeninos rasgos de orgulho, posso lhe dizer, há dois anos estivemos em Berlim, na altura com o Excelentíssimo Ministro da Agricultura, e estarmos lá e estar a olhar para a couve coração, couve coração que estava lá presente em pleno destaque, a pera rocha, os citrinos do Algarve, vermos o croissant, um croissant feito aqui em Portugal, exportado para mercados como Alemanha, como França. França que tem o croissant de França. Não, o croissant de França também é produzido em Portugal. Isso dá-nos um orgulho e brincamos muito com isso internamente também, de produtos, porque realmente o português e os nossos produtores e o nosso tecido empresarial consegue fazer, tem artigos de qualidade, sabe fazer. Precisa efetivamente um apoio de estrutura, que lhe demos realmente alguma solidez financeira. Imagine, no caso agroalimentar, diretamente para os produtores da pera rocha. Falando da pera rocha ou dos citrinos do Algarve, é completamente diferente um agricultor ir para a colheita, ir para a produção, sabendo que já tem toda a sua mercadoria escoada. Dá-lhes uma elasticidade financeira, realmente a solidez e a tranquilidade de poder contratar outras pessoas, de investir, porque sabe que vai ter a sua mercadoria toda escoada. No caso da Frigost, acredito que também sinta esta tranquilidade. Portanto, saber que está a produzir e que daqui a um ano consegue fazer planos, não para as próximas semanas, para os próximos dois, três meses, mas planos muito mais duradouros. E como dizíamos, a parceria começou há quase 15 anos.
2003.
Exatamente, há quase 23 anos.
23 anos.
E tem vindo a crescer exponencialmente. Acredito que o António, quando começou a trabalhar connosco, não vislumbrava que iria estar na Roménia em julho de 2026.
Não, longe disso. Foi um caminho que foi surgindo. Fomos crescendo aqui a nível interno e depois esta parte da exportação, claro, deu-nos aqui um outro alento, uma outra alegria. E mesmo, como a Alexandra refere, estes planos ajudam-nos muito. Neste momento, já temos um plano de exportação para 2027, que pode não ser totalmente fechado, mas muito próximo e já nos permite negociar matérias-primas, negociar materiais de embalagem, tudo atempadamente, preparar tudo, porque realmente falhar não é possível.
Não é uma opção.
Não é uma opção falhar. E permite-nos, com tempo, com antecedência, preparar tudo para cumprir com os prazos, para poder trabalhar.
Lá está, com toda a tranquilidade que a Alexandra falava.
Com toda a tranquilidade, exatamente, dá-nos uma tranquilidade.
E com outra, não é negociar se calhar 1 kg de farinha ou negociar 100 quilos de farinha.
Completamente diferente. Porque há uma quantidade de matérias-primas para o nosso dia a dia e depois isto acrescenta e permite-nos negociar de outra forma e procurar também as melhores matérias-primas, que é fundamental aqui, manter a qualidade. Isto é inegociável.
Todas as certificações. Por exemplo, os pastéis de bacalhau que estávamos a falar. O bacalhau que a Frigost utiliza, fruto também dos nossos requisitos do Lidl, é certificado.
É.
Portanto, a sustentabilidade é para nós muito importante. Não só a sustentabilidade dos nossos parceiros, da nossa economia, como das matérias-primas.
Exatamente.
Correto.
Alexandra, quando um consumidor, por exemplo, na Alemanha ou na Bélgica, compra um produto português, o que ele valoriza mais nesse produto? Consegue ter essa percepção?
Eu creio que a nossa marca, as nossas cores, o nosso nome, cada vez está a ficar com mais força, não só através do turismo, das belíssimas praias e do clima maravilhoso que temos, mas os nossos produtos começam e estão associados à qualidade. Como falávamos, o terroir da nossa terra é uma terra muito específica com esta brisa atlântica. Conseguimos produções, seja de vinhos, seja da agricultura, outra vez falando, com características muito próprias. O cliente, hoje em dia, está cada vez mais informado, lê rótulos, sabe o que quer, é exigente e creio que ao associar um artigo produzido em Portugal, o value for money que ele está disposto, que ele está a entregar, ele não fica defraudado e não está a ficar defraudado. E isto acredito que cada vez mais é uma mensagem que estamos a conseguir passar, fruto do excelente trabalho dos nossos produtores, fruto da elevada qualidade dos artigos que conseguimos exportar, dos nossos croquetes, das nossas coxinhas de frango. Tudo sustentável, com requisitos muito elevados, padrões de qualidade e produzidos em Portugal. Creio que as duas, Portugal e Lidl, creio que cada vez passa inequívoca a mensagem de qualidade.
Alexandra, olhando para um futuro a médio prazo, cinco anos. Pronto, 10 anos. Que produtos é que perspetiva que vão ganhar mais projeção, produtos portugueses, entenda-se. Vão ganhar mais projeção no mercado estrangeiro?
Não querendo repetir, frutas e legumes, sem dúvida, com uma projeção e um alcance inacreditáveis, mais quantidade houvesse de citrinos do Algarve, falávamos disso há poucas semanas atrás, mesmo com o diretor-geral e presidente da Cassial. Mais houvesse, mais nós exportávamos. Estamos sempre a dizer aos nossos produtores: "Se produzirem mais, nós conseguimos. Nós escoamos toda a vossa mercadoria". Portanto, existe esta dificuldade também de terreno, de produção, mas mais quantidades houvesse de pera rocha e os nossos políticos também estão muito cientes disso. Acredito que em breve possa haver novidades nesses campos. Portanto, uma projeção muito grande desta parte agrícola, agroalimentar. E vinhos, com certeza, temos vinhos e o nosso vinho do Porto continua em cabeça de cartaz. Conservas. Exportamos também muitas conservas. Conservas de atum, temos aqui um stand muito próximo de nós. As conservas de Santa Catarina também têm tido uma procura inacreditável. Para o ano, já receberam a boa notícia que vão exportar para mais de 10 países. Isso também tem a ver com os nossos artigos, com a nossa forma de trabalhar. E acredito que nos próximos cinco, 10 anos, aqui a Frigosto tenha a construir uma segunda fábrica.
Exato.
Porque nós continuamos a aumentar as quantidades exportadas aqui deste nosso queridíssimo parceiro, não só para fora, exportadas, como também dentro de portas, cada vez acrescemos cada vez mais negócio, não é, António?
É verdade. Confirmo.
Confirma?
Confirmo, sim, senhora.
António, então olhando para o futuro, quais são as maiores oportunidades que os produtores portugueses podem enfrentar? Aqueles que querem internacionalizar-se, quais são as maiores oportunidades que estão abertas para eles? Consegue perspetivar?
As oportunidades têm que estar sempre ligadas aos nossos produtos. No meu caso, não falando de vinhos, azeites, queijos e frutas, que são exportáveis de uma forma mais natural. No nosso caso, nós estamos associados muito à cozinha tradicional portuguesa, portanto nós temos que procurar sempre a qualidade dos nossos produtos, das matérias-primas, autenticidade dos produtos. E isso tem que ser através da qualidade, essencialmente, julgo eu, da qualidade e do bom serviço que temos que prestar, que vai permitir chegar além-fronteiras, porque isto é algo muito típico de Portugal e tem que ser bom, o consumidor tem que gostar, tem que ter um clean label, como o Lidl sempre quer e pede-nos para corrigir e para alterar. E também a parte prática, hoje em dia, também, as pessoas não têm muito tempo para estar na cozinha, portanto, boa comida e de fácil confecção, prática confecção, como é o caso das airfryers, etc. Acho que tem que ser por aí, sempre baseado nas nossas boas receitas.
É uma oportunidade de negócio, portanto, uma oportunidade de crescimento.
Sim, parece-me que tem que ser por aí.
Eu tenho que dizer aqui um elogio muito grande aqui ao António e à Frigosto, porque esta adaptabilidade a estas novas tendências, como a airfryer, que acabou de dizer. A Frigosto está sempre conosco. Nós desafiamos a equipa, temos uma equipa bastante atenta às tendências de mercado e sempre a querer desafiar. E lembro-me perfeitamente, nós recebemos estes nossos queridos parceiros também na nossa cozinha de compras, onde fazemos a degustação dos artigos, onde acertamos receitas a pares, porque é uma parceria, não é um simples fornecedor que entrega uma palete do croquete. Esse croquete, até chegar às nossas prateleiras, teve um desenvolvimento de receita inacreditável. E lembro-me das últimas coisas que nós provámos, inacreditáveis, algumas delas já nas prateleiras. Conte lá, lembra-se assim de alguma receita que o João lhe tenha pedido?
Houve várias receitas.
Os croquetes de leitão.
Os croquetes de leitão, de coxechas, de porco preto.
Eu já ouvi falar das coxinhas, António.
Coxinha, sim, está em linha. Recebemos imensos desafios da parte dos compradores, ideias, que vamos atrás delas. Temos um rissole de camarão com trufa.
Exatamente.
Temos várias ideias que entram normalmente nas campanhas deluxe, mas já houve um ou outro que acabou por passar também para a exportação. Também para ser fixo e mesmo para exportação, um ou outro. Esta parceria é incrível por isso, porque é como a Alexandra diz, não é produzir mais uma paletista daquele produto e entregar. É a união que há, entreajuda, as ideias.
As ideias, é muito engraçado.
Desculpe, Alexandra. E esta ligação muito próxima, muito direta, que eles pegam no telefone ou chamam-nos lá e estamos ali logo a ver o que é que vamos corrigir, o que é que não vamos corrigir.
E este desenvolvimento de receitas que estava a falar, nomeadamente falando aqui da airfryer, também implica, se calhar, alguma abertura para a inovação?
Sim, naturalmente, até para mim.
É para si, é para a Alexandra, é para os dois. Esta vale para os dois.
Completamente. Pegando na sua pergunta de há pouco, é inegável a excelente qualidade, mas se tivermos sempre só o mesmo artigo, o cliente, nós como clientes, todos nós aqui somos clientes, também cansa. O artigo é excecional, mas não vai comer esse artigo sempre ao almoço, ao jantar. Portanto, toda esta inovação em dar sabores diferentes, texturas diferentes, é crucial e o fornecedor tem que também estar aberto a este espírito de inovação. Falávamos do "Da Minha Terra" ontem. Abrimos as inscrições para o "Da Minha Terra" e uma das quatro categorias é exatamente a inovação. Pegando aqui um dos exemplos que personifica esta categoria, é o António e a Frigosto. Efetivamente, vamos lá então, trufa. Trufa está a ter uma procura grande. Vamos experimentar qualquer coisa com trufa. E criamos aqui vários artigos, uns correm bem e provamos e dizemos: "Sim, senhor, é o caminho." Outros dizemos: "Se calhar não. Se calhar não vamos associar a trufa à galinha, se calhar não." Mas conseguimos aqui desenvolver receitas em conjunto, em parceria, de uma forma muito interessante. E não serve só ser o Lidl, o motor, e ter as ideias, se o parceiro não alinhar estas ideias também e não tiver esse espírito do "vamos lá". E a Frigosto, sem dúvida, está de parabéns por isso.
Obrigado. A inovação e desenvolvimento de novos produtos é fundamental, porque nós costumamos dizer lá na empresa, pastéis de bacalhau, croquetes de carne, rissóis, toda mundo faz, há uma panóplia de empresas nacionais.
Não com a nossa qualidade, António.
Não com a nossa qualidade, claro, naturalmente, mas agora é preciso inovar. É preciso ligar ali as equipes e nós temos uma boa equipe, felizmente, e realmente trazer as ideias para a mesa, discutimos e começamos. Cada um vai procurar matéria-prima, outro vai para a cozinha. Tentamos elaborar ali algo que depois, em conjunto com o Lidl, é degustado e é analisado. Às vezes passa, outras vezes não passa, é o normal, mas têm surgido ideias engraçadas.
Tenho mais um artigo. A roleta picante.
A roleta? Tenho que me apresentar, que eu não conheço.
António, tem que explicar. Acho que até está nas lojas agora, na campanha.
Temos estado também a exportar a roleta picante. A roleta picante é um jogo. É tipo um croquete em bolinha, com 16 unidades dentro de uma caixa.
Congelado?
Ultracongelado, sim. A nossa área é toda ultracongelada, em que dois daqueles croquetes são superpicantes.
Lá está a roleta.
Daí a roleta. Portanto, é uma categoria de produtos em que já está pronto a comer, já foi pré-frito. É só aquecer no forno ou na airfryer e colocar aquelas 16 em uma mesa e depois, boa sorte.
O António está aqui a acrescentar outro ingrediente aos pratos, que é diversão.
Exatamente.
Também, mas foi uma ideia Lidl. Esta nós nunca iríamos propor.
Foi uma ideia Lidl, mas que a Frigosto teve ao nosso lado. Imagine vermos nossa seleção maravilhosa com os nossos artigos que estão à venda atualmente na nossa campanha de apoio ao futebol, de apoio ao mundial, e temos esta caixinha da roleta picante, em que estamos em grupo de amigos e cada um come um croquete redondo e o que tiver o picante não pode transmitir que está com a boca a arder.
Mas vai-se ver nas gotinhas dos olhos.
E portanto, depois há a tentativa de adivinhar quem é que comeu o croquete picante. É uma ideia, primeiro, os artigos são fabulosos.
Muito divertidos.
Muito divertidos, os artigos têm uma qualidade extrema. Os dois picantes são assim picantezinhos.
São.
Mas suportáveis e para quem gosta muito de picante, se calhar.
Mas António, vamos lá fazer uma coisa. Não há batota, são mesmo só dois.
Só dois. Espero que ninguém se engane.
Gosto da maneira de pensar da Ana, vamos pôr uma caixa toda picante.
Por que não? Mas foi giro, porque nós começamos um pouco a medo, um bocadinho picante, e ia lá provar e eles diziam: "Não, mais picante, mais um bocadinho. Não, ainda não está, mais picante."
O que diz muito da minha equipe.
Exatamente.
Os clientes irão pensar: "Há ali um rasgo de maldade, sim."
Vamos conversar internamente sobre isso ou aumentar o picante ainda.
Exatamente.
António, Alexandra, quanto a mim, se calhar, agora vamos para a mesa.
Vamos, sim.
O António serve.
Parece-me que sim.
Os croquetes.
Trouxe os picantes.
Exato, a parte da roleta, se calhar. Ou então não, trazemos a roleta, António.
Por que não?
Muito obrigada por esta conversa, por esta partilha. António, da Frigosto, e também a Alexandra Borges, aqui, diretora-geral de compras do Lidl. Obrigada a todos por nos acompanharem aqui na Feira Nacional da Agricultura, a decorrer em Santarém, e também a quem ouve na Rádio Observador. Obrigada.
Muito obrigado.