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Eu vou falar da Manuela sobras. Manuela Sobras é uma das maiores e das grandes atrizes portuguesas da geração de 70, que fez parte de companhias fundamentais na altura, a Companhia de Teatro Fernando Namora, Casa da Arte Média, e foi fundadora da Comuna e do João Mota. Manuela Sobras é, para mim, ao lado da Eunice Muñoz e da Laura Alves, uma das três maiores atrizes portuguesas. Ela fez sempre uma carreira de uma seriedade, de um rigor, de uma exigência, de uma qualidade. E foi também protagonista de grandes filmes do Manuel Pereira de Oliveira, de João César Monteiro, entre outros grandes realizadores. E a Manuela está mais ou menos neste momento retirada por questões de coerência. A Manuela acha que os atores portugueses estão numa altura em que dão muito pouco valor em termos de qualidade quanto a tudo, como criadores e como pessoas. O último trabalho que ela fez conosco, curiosamente, foi agora no início deste ano, na peça "Romeu e Julieta", com encenação de João Mota, que ela fez à distância da encenação. É uma coisa que ela também gosta de fazer, que é estar presente no teatro e parecer uma figura que contribui para a criação de espetáculos que ela considera importantes para ela própria e para os outros. A Manuela foi protagonista de grandes espetáculos da Comuna, como "A Lembrança da Mãe", de Brecht, fez "Trinta de Brecht", fez connosco o primeiro espetáculo de Gil Vicente, "O Barão diz". Participou connosco em grandes festivais internacionais e foi muitas vezes considerada como uma das melhores atrizes desses festivais, nomeadamente em Nancy, na altura em que o festival era dirigido por Jacques Lange. Depois na Polónia, em Espanha, em Inglaterra. A Manuela era sempre uma figura que marcava o seu trabalho como atriz por onde passasse. A minha homenagem e o meu grande carinho para uma figura que hoje não é muito conhecida, provavelmente, por público novo, porque a geração dos anos 70 e 80 sabe o que é ser português. Para a Manuela Sobras. É tudo.