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O meu elogio vai para o meu querido amigo José Cid. José Cid que nasceu na Chamusca em 1942, tem 77 anos e parece um rapaz de 17 anos. A energia dele em palco é mais do que evidente e o José Cid, neste momento, está numa altura de verdadeira consagração. Quando a consagração não acontece cá dentro, alguém lá de fora se lembra disso. Isto porque o José Cid, como toda a gente sabe, teve agora o galardão, que irá receber só em novembro, do Grammy de carreira e de excelência, o Grammy Latino, que só foi atribuído até agora para um outro português, ao Carlos do Carmo, como se sabe, e também ao Omar Portuondo, à Cubana e à Joan Baez, a cantora americana. Ora bem, do José Cid, o que posso dizer é que o conheço desde o tempo em que ele veio para Lisboa para se formar como professor de Educação Física e depois nos primeiros tempos do Quarteto 1111. Logo ali ele revelou um enorme talento e depois, do Quarteto 1111, saíram temas como a "Lenda do El-Rei D. Sebastião", que é hoje em dia um clássico da música portuguesa, a primeira mostra do enorme talento do José Cid. E com essa "Lenda do El-Rei D. Sebastião", ele passou pela primeira vez num programa de rádio que só passava música anglo-americana e que eu fui também apresentador, o "Em Órbita". Foi a única vez que a música portuguesa passou nesse programa, cuja característica era, obviamente, a música anglo-saxônica. O José Cid é, na minha modesta opinião, um dos maiores compositores da música ligeira, chamemos-lhe, da música pop, se quisermos também, da segunda metade do século. Eu já me estendi sobre a segunda metade do século XX e também com passagem para o século XXI. Continua muito criativo. Dizer que ele é um compositor pop é completamente injusto, diria quase, pelo menos não é rigoroso, porque ele compõe fados, ele compõe rock sinfônico. Como sabem, o trabalho de rock sinfônico dele, "10 000 Anos entre Vénus e Marte", é considerado uma obra de referência do rock sinfônico em todo o mundo. E o José Cid continua com uma enorme alegria de viver, com uma enorme vontade de dizer coisas. Às vezes diz coisas que são muito pouco politicamente corretas, mas ele diz que a coerência era da minha avó. Portanto, ele não gosta de ser coerente e faz muitíssimo bem, diz aquilo que a cabeça pensa e o coração sente. Sou um grande amigo do José Cid, fiz com ele gravações em Inglaterra no tempo dos Green Windows, e desejo sinceramente que ele continue a fazer, como fez neste mês de agosto passado, 15 concertos, nunca com menos de duas horas, 15 concertos num mês. Significa que temos que ter José Cid para muitos e bons anos. Um grande abraço para ele.

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