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Eu decidi escolher como o meu amigo de há muitos anos, que é o Guilherme Parente. Eu considero, neste momento, um dos melhores pintores portugueses. Nós tivemos ateliês comuns há muitos anos, mas ele seguiu sempre uma linha completamente independente de tudo quanto era modas. Seguiu o seu caminho paulatinamente, muitas vezes foi mal apreciado, não era o menino querido da crítica, nem nada disso, mas seguiu sempre a sua linha pessoal e ao fim destes anos todos construiu uma obra fantástica, muito bonita, especialmente nas aquarelas. Tem um trabalho fabuloso. Expôs imenso, expôs em toda a parte. Não ia pelas vias das instituições, ia de uma forma livre. Uma característica do Guilherme Parente é que desenvolveu a sua carreira sempre completamente afastado, sem se filiar em nenhum grupo de pressão, e acabou por fazer um trabalho extremamente pessoal, que eu considero muito interessante. Acaba por ser uma coisa única. É ele, é o trabalho dele, é o Guilherme Parente. Pode gostar ou não gostar, mas nunca se quis filiar em grupos, em modas. Não sei explicar muito bem. Foi sempre trabalhando como um pintor. Pinta o que lhe apetece. Ao mesmo tempo, ele conseguiu fazer imensas coisas, imensas exposições, mas não era por convites das instituições consideradas importantes no campo das artes. Muitas vezes era de uma forma autónoma, ligada com as pessoas. Mostrava o trabalho às pessoas e as pessoas gostarem do trabalho. Recentemente já é mais conhecido, porque de facto conseguiu construir uma obra fantástica, muito bonita e muito boa. Pelo menos na aquarela é um especialista, tem aquarelas lindíssimas, muito suas, muito próprias, muito dele. Aquilo é dele.

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