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Este é o Diário do Mundial. Já temos o primeiro semifinalista deste Campeonato do Mundo. Falamos neste episódio também do dia zero de Jorge Jesus na seleção e ainda do português que continua a representar o futebol nacional nos Estados Unidos. É com isto que partimos para a conversa hoje com o jornalista Carlos Pedro. Fala, Carlos. Bom dia.
Olá, Maria João. Bom dia.
Vamos começar a olhar para a nossa seleção, afastada do Mundial 2026, mas já a pensar no ciclo que se avizinha até 2030. Jorge Jesus é a aposta de Pedro Proença e é apresentado hoje, Carlos.
Sim, é a primeira aposta do presidente da Federação Portuguesa de Futebol. Pedro Proença fez questão de se afastar de Roberto Martínez na chegada da seleção a Lisboa. Admitiu, quase como uma espécie de desculpabilização, ainda que sem mentir, que Martínez não era a aposta da sua equipa, não era a sua aposta pessoal, dando também a entender que se não fosse a vitória na Liga das Nações, tudo poderia ser diferente. A verdade é que não foi. Martínez continuou. Portugal foi eliminado e agora segue-se um nome que, não sendo unânime, porque isso é difícil em Portugal quando se fala de futebol, podemos dizer que ao dia de hoje, e pesando numa balança todas as hipóteses, é um nome bastante consensual. Jorge Jesus chega com experiência em Portugal, no Brasil e na Arábia Saudita, mas sobretudo em Portugal. Conhece os jogadores portugueses, é um conhecido workaholic, viciado no trabalho, muito minucioso e gosta de desafios. Também já percebemos isso com a sua carreira. Se antes tinha dito que o maior desafio era o Al-Nassr, parece-me que agora a seleção nacional é o maior desafio deles todos.
E sendo assim, Carlos, o que se espera de Jesus?
A resposta mais natural e simples é títulos. Fazem falta, são sempre bem-vindos e de facto não temos muitos, mas acho que os portugueses já deixaram um pouco de lado, com as últimas competições, a cultura do "pouco importa se jogamos bem ou mal", porque de facto já percebemos que é importante jogar bem para ganhar este tipo de competições. Jorge Jesus é um treinador chato. Muitos que trabalharam com ele admitem isso. Mas salvo raras exceções, as equipas de Jesus sempre jogaram bem e sempre jogaram voltadas para a frente, para a baliza do adversário. Não se espera, portanto, uma equipa portuguesa a jogar por um empate, como vimos muito com a seleção espanhola agora nos oitavos de final. Se isso vai ou não dar títulos, vamos ver. A expectativa é alta, desde logo para esta apresentação, para as primeiras palavras de Jorge Jesus como selecionador nacional. Nunca sabemos muito bem o que vai sair dali. E depois também a expectativa para perceber como é que Jorge Jesus vai gerir o dossiê Cristiano Ronaldo. O capitão foi jogador de Jorge Jesus esta última época.
Foram juntos no Al-Nassr.
No Al-Nassr. Admitiu o técnico que foi para o Al-Nassr de propósito para dar o primeiro título de campeão a Ronaldo na Arábia Saudita, mas na seleção é diferente. Vamos ver agora, sendo que CR7 já admitiu que não volta aos Mundiais, mas há uma Liga das Nações que começa agora em setembro, está mesmo aqui à porta, e depois há um Europeu em 2028 no Reino Unido e na República da Irlanda. Jorge Jesus é apresentado hoje depois das 15h.
E é um momento, claro, que vamos acompanhar aqui em direto na Rádio Observador. Agora sim, mais no Mundial, João Pinheiro vai arbitrar o terceiro jogo neste Campeonato do Mundo.
Sim, é o árbitro nomeado para o Argentina-Suíça, um belo jogo que passa em Portugal na madrugada de sábado para domingo, às duas da manhã. E João Pinheiro vai contar com a ajuda de outros dois portugueses, da sua equipa técnica, os assistentes Bruno Jesus e Luciano Maia. E é o terceiro jogo deste árbitro da Associação de Futebol de Braga neste mundial, por isso é desde logo um mundial positivo para João Pinheiro, muito acima do que foi a prestação da seleção portuguesa. João Pinheiro já tinha estado no Suíça-Bósnia da fase de grupo, portanto volta a repetir aqui um adversário, a Suíça, ou melhor, uma equipa do qual arbitrou o jogo, e também esteve na vitória do Canadá sobre a África do Sul nos 16 avos de final.
É um bom regresso da arbitragem portuguesa ao mundial, portanto.
Sim, é o nono árbitro português a marcar presença nesta fase final de um mundial. João Pinheiro quebrou aqui um jejum de 12 anos, desde 2014, com Pedro Proença, o atual presidente da federação, que não tínhamos um árbitro na mais importante prova de seleções do mundo. João Pinheiro é também o terceiro árbitro português, apenas o terceiro árbitro português a apitar três jogos no mundial, igual a Olga Rio Benquerença e Pedro Proença. Mas esta nomeação é também importante porque acontece depois de um jogo no qual João Pinheiro foi algo criticado, depois do África do Sul-Canadá, foi alvo de algumas críticas por parte dos canadianos, que ainda assim seguiram em frente na prova e, portanto, tudo ficou bem. Vamos ver se João Pinheiro não pode ir mais além, quem sabe a uma final do mundial.
Vamos agora falar dos jogos. Ontem a seleção francesa confirmou o estatuto de favorita e venceu Marrocos por 2 x 0.
Sem espinhas esta vitória para a equipa de Didier Deschamps. Marrocos é uma boa seleção, é de facto uma belíssima seleção. Mostrou isso nos jogos que teve contra o Brasil, logo na estreia, e contra os Países Baixos. Mostrou ser uma das equipas melhor organizadas do ponto de vista defensivo, mas isso não basta para parar uma França que tem-
Os grandes nomes, não é?
Enfim, Mbappé, Olise, Dembélé, Dué, e se formos ao banco ainda há Barcola, Cherki, Akliouche, enfim, não falta qualidade. A França dava para fazer duas ou três seleções e participar neste Campeonato do Mundo e estar nesta fase.
E darem luta às três.
Exatamente. E também esta seleção francesa tem passado a imagem de que consegue vencer os seus jogos sem grande esforço, quase. Não é bem assim, mas é uma imagem que passa tal é a superioridade perante os adversários. Ontem, Mbappé ainda falhou uma grande penalidade no primeiro tempo. Não foi bem falhada.
O guarda-redes é que adivinhou.
Exato, adivinhou lá, defendeu. A primeira parte teve de facto muitas oportunidades para a França, mas valeu o guarda-redes marroquino. Foi o melhor em campo para a seleção de Marrocos, o Bono. Mas a resistência da primeira parte esbarrou na eficácia gaulesa do segundo tempo. Em poucos minutos, dos 60 aos 66, primeiro Mbappé e depois Dembélé marcaram e deram o triunfo à França. Marrocos fica pela frente, tal como em 2022 esta seleção cai aos pés da França. No Catar foi nas meias, agora um bocadinho mais cedo nos quartos. Mas fica a promessa de que teremos em 2030, no Mundial entre Portugal, Espanha e Marrocos, uma seleção marroquina a jogar em casa também e que promete. Já quanto à seleção francesa, promete todos os anos. A capa do "L'Équipe" de hoje é bastante elucidativa do nível desta equipa. "Irresistíveis" é o que escreve o principal jornal desportivo em França.
Carlos Petro, agora os franceses ficam à espera do vencedor entre Espanha e Bélgica.
Exato. E seja uma ou seja outra, são equipas totalmente diferentes de Marrocos, principalmente a Espanha, que é uma equipa que, como bem sabemos, tem muita qualidade e muita facilidade em roubar a bola ao adversário. Mas a Espanha, para lá chegar, tem que passar uma Bélgica que foi crescendo muito ao longo deste mundial. Começou com dois empates com Egito e Irão Depois goleou a Nova Zelândia, teve uma vitória dramática frente ao Senegal e agora a nova goleada perante os Estados Unidos. Já esta Espanha está a ter uma estadia nas Américas mais tranquila. Começou com um empate, é verdade, contra Cabo Verde, foi um choque total. Mas esta seleção de Luis de la Fuente ainda não sofreu nenhum gol nesta competição, isto é incrível. Para além do 0x0 com Cabo Verde, 4x0 à Arábia Saudita, 1x0 ao Uruguai, 3x0 à Áustria e infelizmente, mais recentemente, 1x0 perante Portugal. A Espanha é favorita, o histórico dos confrontos diz-nos isso também. São 12 vitórias espanholas contra quatro da Bélgica e seis empates. O último jogo foi em 2016, num amigável, venceu a Espanha por 2x0. Roberto Martínez era, curiosamente, o selecionador da Bélgica. Voltou a perder agora recentemente com a Espanha. Em Mundiais, estas duas seleções defrontaram-se duas vezes, em 86 e em 90, ambas com vitórias espanholas, 2x1 em 86, 4x1 em 1990.
Vamos ver. Está feito o Diário do Mundial hoje com o jornalista Carlos Pedro. Hoje também há Espanha e Bélgica dos quartos-final. O jogo arranca às 20h e vai poder acompanhar aqui na Rádio Observador.