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E a campanha para as presidenciais arrancou oficialmente ontem. Os candidatos vão passar as duas próximas semanas na estrada, em contatos com a população, e o Observador vai acompanhar cada uma dessas candidaturas. Pedro Jorge Castro vai estar com Cotrim de Figueiredo. Bom dia. Ontem, o candidato apoiado pela Iniciativa Liberal teve de ouvir os apelos ao voto útil em Marques Mendes da parte do primeiro-ministro. Como é que Cotrim de Figueiredo vai tentar combater este apelo ao voto útil na primeira volta?
Bom dia. Ontem usou basicamente uma frase para eliminar cada adversário. Os de esquerda nem sequer têm hipótese, portanto, não vale a pena. Gouveia e Melo tem convicções que parecem vaguear ao sabor das marés. Ventura só quer ganhar mais tempo de antena para outras eleições. Seguro quer um prémio de carreira e Marques Mendes quer continuar funções de comentador ou de facilitador de negócios. Para enfrentar a concorrência, basicamente, ele utilizou uma frase forte para convencer o eleitorado que não vale a pena votar nos outros e, portanto, por exclusão de partes, obviamente, devem votar nele. Em relação a Marques Mendes, foi particularmente duro, precisamente a resposta a esse apelo do Luís Montenegro ao voto útil e que as pessoas não votem em populistas e que os liberais e os socialistas votem em Marques Mendes para evitar que haja uma segunda volta entre André Ventura e Gouveia e Melo, dizendo que o espírito reformista, que já foi do PSD, com este piscar de olho, referiu Sá Carneiro e a coragem de Pedro Passos Coelho, e diz que o espírito reformista está na candidatura dele, porque votar Marques Mendes ou António José Seguro é votar em mais do mesmo, é votar nos candidatos do regime e dos partidos do regime. Eu creio que vai ser esta a tônica que vai marcar a campanha dele nestas duas semanas, esta marcação cerrada contra o voto útil em Marques Mendes e a favor dele próprio, para manter esta expectativa de conseguir passar à segunda volta.
Pedro, já percebemos como é que o candidato Cotrim de Figueiredo arruma os adversários. Agora olhando para aquilo que se sabe do roteiro destas próximas duas semanas de campanha eleitoral, que eleitorado é que Cotrim de Figueiredo vai tentar captar?
Primeiro, uma avaliação geográfica. Ele já percorreu uma série de distritos, deixou para o fim a faixa litoral do país, onde concentram a maior parte dos eleitores, mas não é só o litoral, também vai a Castelo Branco, Guarda e Viseu. Nem sempre acontecia assim nas campanhas da Iniciativa Liberal, mas no resto é muito concentrado em Lisboa, portanto Setúbal, Leiria, Coimbra, Aveiro, Porto. Tem duas idas ao Porto e ao norte nesta reta final da campanha, e com sinal simbólico que é o fim da campanha será em Braga. Braga era, quando a Iniciativa Liberal fazia lá a campanha, dos sítios onde havia maior entusiasmo, digamos assim, muito da juventude. Recordamos aqui que Cotrim de Figueiredo tem aparecido em primeiro lugar nas intenções de voto jovem e à partida garante que esse eleitorado estará presente no seu comício de encerramento. Por outro lado, em termos de apelo, ele de facto tem utilizado este pedido aos jovens para convencerem os avós a votarem em Cotrim de Figueiredo e pelas iniciativas que estão previstas, também se nota muito este apelo misto, porque por um lado tem várias iniciativas muito dedicadas aos jovens, mas tem várias visitas a lares e centros sociais, que são mais frequentados, obviamente, por idosos. Também fábricas e mercados e creio que andará muito neste cruzamento intergeracional, a tentar que os mais novos façam este apelo aos mais velhos para votarem nele e o tentarem levar à segunda volta.
Hoje ainda não dissemos, começa em Santarém.
Sim, hoje começa em Santarém, precisamente no Centro Social Interparoquial em Santarém. Lá está, vai tentar convencer eleitores precisamente onde não tem tido tão bons resultados e vamos ver como é que corre essa ação.
E o Observador publicou neste fim de semana um artigo dos jornalistas que vão cobrir a campanha sobre as metas de cada candidato, o que é que é uma vitória e uma derrota para cada um deles e quais são os mínimos olímpicos também para cada um dos candidatos. Pedro, no caso de João Cotrim de Figueiredo, quais são esses mínimos olímpicos? Ou seja, o resultado abaixo do qual será quase catastrófico para o candidato.
Pois, é muito curioso isso, porque ouvindo, ele ainda ontem disse que se não passar à segunda volta, considerará isso uma derrota pessoal e assumirá nessa mesma noite. Ele está a elevar a fasquia e as expectativas de uma tal forma que haverá muita gente, de facto, a acreditar nisso. Indo à frieza dos números e ao ponto de partida, não estamos perto de nada disso. Ele tem aqui duas balizas, uma a votação da Iniciativa Liberal, que é o quarto partido mais votado, mas é o primeiro dos pequenos, aqui pouco acima dos 5%. Não conseguir isso seria, de facto, catastrófico. Mas tem outra baliza pessoal, que é a votação que ele próprio conseguiu nas europeias, que foi bastante mais alta, de 9%. E daí vem esta ideia de que Cotrim vale muito mais do que os votantes da Iniciativa Liberal. Eu consideraria que os mínimos olímpicos seriam ele ficar mais perto dos candidatos da frente do que dos pequenos da esquerda. Eu apontaria aí para 12%. Uma vitória épica seria passar à segunda volta, de fato, mas qualquer resultado, tendo em conta este ponto de partida matemático, qualquer resultado que o coloque num dos quatro primeiros classificados, ou seja, ultrapassando um destes outros candidatos, André Ventura, Marques Mendes, o almirante Gouveia e Melo ou António José Seguro, em termos políticos, não poderia não ser considerado uma vitória. Apesar desta elevar de expectativas que ele tem feito e que, aliás, é a única maneira que ele tem de conseguir uma votação para tentar evitar que as pessoas fujam precisamente para o voto útil.
Lá está a grande batalha de Cotrim Figueiredo. Pedro Jorge Castro, boa campanha, bom trabalho a acompanhar o candidato João Cotrim Figueiredo. Ora António José Seguro luta também nesta campanha para passar à segunda volta, é o grande objetivo do candidato. João Gama vai acompanhar os passos de António José Seguro, que hoje, João Gama, bom dia, vai andar pelo Alentejo e termina no Algarve.
E é um dia de campanha quase meio gás, Carla. António José Seguro só tem três ações de campanha, que começa daqui a pouco, 12h30 na Vidigueira, depois desce para Loulé, onde tem o contacto com a população, vai visitar a Alcáide do Castelo e acaba tarde noite, às 19h, num comício em Portimão. António José Seguro aposta nos primeiros dias no sul do país. Amanhã volta a Lisboa, onde tem o debate da RTP. Só no final da semana é que vai subir para o norte do país. Eu não consigo fazer a análise que o Pedro Jorge Castro estava a fazer a propósito de por onde vai andar António José Seguro também na segunda semana desta campanha eleitoral, porque nós ainda não tivemos acesso à segunda semana da agenda do candidato apoiado pelo Partido Socialista. Mas, para já, são estes os pontos. A primeira semana de campanha começa de olhos postos no Alentejo, desce hoje até o Algarve e depois vai subindo. Acabamos, no fim de semana, vamos estar em Braga.
E ontem, João Gama, António José Seguro esteve em Lisboa, apresentou a tal comissão de honra, com muita gente do PS, uma comissão de honra muito preenchida, e também fez apelos ao voto útil. Vai passar muito por aqui a campanha de António José Seguro?
Acho que é a única forma de António José Seguro conseguir sonhar ou fazer-se representar na segunda volta destas eleições. Era como dizias, Bruno, ontem foi apresentada essa comissão de honra, que tem, de facto, uma presença muito intensa do Partido Socialista. Tem 1500 pessoas, 49 deputados do PS, 129 presidentes de câmara, 21 presidentes de federação do Partido Socialista, seis eurodeputados. José Luís Carneiro é um dos nomes que se destaca, é o atual secretário-geral do Partido Socialista, o PS, que sabemos que demorou a anunciar o apoio formal à candidatura de António José Seguro. Por isso, nesta apresentação de comissão de honra, António José Seguro tentou fazer duas coisas, que é mostrar que tem o seu partido, que tem o PS ao seu lado, consigo nesta campanha eleitoral, e também ensaiar essa arma de combate ao apelo ao voto útil, fazendo ele também. É o apelo ao voto útil à esquerda que António José Seguro vai fazer durante todos estes 15 dias de campanha eleitoral. Não tem outra alternativa. Ele ontem o que disse, enquanto apresentava a comissão de honra, é que se a esquerda e se o centro-esquerda não votar em António José Seguro, não vai estar representado na segunda volta das eleições presidenciais, que podem ser contra Luís Marques Mendes, contra André Ventura, contra Gouveia e Melo ou contra João Cotrim Figueiredo, eventualmente, pessoas que António José Seguro nota que não representam a esquerda em Portugal.
João Gama, essa comissão de honra tem, como já disseste, o nome à frente de José Luís Carneiro, mas tem também aquilo que nós poderemos chamar os costistas. António Costa está finalmente, ou os próximos de António Costa estão finalmente ao lado de José Luís Carneiro.
Demorou, mas sim.
Há sinais nesse sentido.
Exatamente. Adalberto Campos Fernandes, que é um apoiante um pouquinho mais vocal de António José Seguro, que foi amealhando aos poucos estes apoios do PS. Eduardo Ferro Rodrigues foi um dos últimos que escreveu apenas um comunicado a dizer que apoiaria António José Seguro, mas sim, o costismo do Partido Socialista, agora, na entrada oficial da campanha eleitoral, parece posicionar-se ao lado de António José Seguro. Resta saber se vem ou não a tempo.
E vamos agora passar para a campanha de Gouveia e Melo, que está a ser acompanhada pela Nadine Soares. Nadine, bom dia. Gouveia e Melo é um estreante nestas andanças de campanhas eleitorais. O que ele tem planeado para hoje?
Gouveia e Melo arranca este dia de campanha com ações dedicadas aos distritos de Portalegre e de Viseu. Esta manhã vai visitar Campo Maior. Relembro que é a terra de Rui Nabeiro, que tinha grandes ligações ao Partido Socialista. Gouveia e Melo tem como objetivo visitar a Fábrica Delta e depois visita ainda, já pelo meio-dia, o Hospital de Portalegre. Vai ser um dia muito dedicado ao tema da saúde, até porque já da parte da tarde, pelas 17h, Gouveia e Melo parte para Viseu, isto para visitar também o Hospital São Tiotónio. O almirante vai ainda terminar o dia com duas ações de rua e um jantar com apoiantes ainda no distrito de Viseu.
Nadine, e durante o período dos debates, Gouveia e Melo foi acusado de não ter muita experiência e disso se notar, particularmente nos primeiros debates, que teve em relação ao contacto com a população. Como é que têm sido as primeiras impressões do desempenho de Gouveia e Melo?
Gouveia e Melo diz mesmo que quer focar nesse contacto com a população, diz aos jornalistas que sente que tem mais apoio. E depois, num comício ontem em Lisboa, onde marcaram presença várias figuras de quadrantes políticos, avançar para esta campanha com esse foco. A grande maioria da agenda de Gouveia e Melo é muito focada em ações de rua. Gouveia e Melo, que tem defendido que o cargo de presidente é um cargo unipessoal e que em tempos de incerteza acredita ser o rosto da confiança e da mudança, e é pelas ruas que vai tentar convencer o eleitorado. Já a endurecer o discurso, utilizava também em outras ações de campanha, temas como, por exemplo, os interesses particulares e privados, para defender que o interesse do almirante na presidência é defender o interesse dos portugueses com transparência. E é muito focado nestes valores que Gouveia e Melo vai sair à rua. A grande maioria da agenda é muito focada em arruadas e ações de contacto com a população, para isso mesmo, para defender que o perigo está na opacidade. Quer ser transparente, isto é, estar perto das pessoas e para defender que é preciso mais sentido de missão no país. É este o objetivo de Henrique Gouveia e Melo nesta campanha, fazer-se ouvir, dar voz aos portugueses e mostrar que é um rosto muito para além do processo de vacinação e do Covid. Quer apresentar-se como uma futura opção para Belém e é através das ruas que Gouveia e Melo quer tentar fazer esse processo.
E vai ser muito interessante, Nadine Soares, acompanhares nestas duas semanas a forma como os eleitores e a população se aproximam do almirante. Se a marca das vacinas ainda continua ou se já há outra mensagem associada a Henrique Gouveia e Melo. Do roteiro que conheces até dia 16, porque dia 17 é dia de reflexão, por onde é que vai andar Henrique Gouveia e Melo?
Henrique Gouveia e Melo vai dedicar muito do seu tempo ao norte do país. Hoje, como dizia, começa no Alentejo, vamos andar por Portalegre, depois começa a subir para Viseu. No entanto, vamos estar seis dias na região do Porto, depois Bragança e Braga e ainda algumas ações de campanha em Viana do Castelo e também algumas em Aveiro. A agenda de Gouveia e Melo é bastante distribuída no Norte, também Vila Real e Viana do Castelo. Depois, mais para o fim, a partir de dia 12, temos ações em Coimbra e Leiria, e mais para o final, com o aproximar do dia das eleições, Setúbal e Lisboa. E a terminar, sim, em Lisboa, esta campanha de Henrique Gouveia e Melo.
Nadine, há pouco ouvimos o Pedro Jorge Castro dizer que Cotrim de Figueiredo tinha quase uma frase para arrumar com os seus adversários. Parece que Gouveia e Melo, em vez de dispersar a atenção pelos diferentes adversários, vai se focar mais em Marques Mendes, como aliás, também indicavas pelo discurso que ele teve ontem.
Sim, Gouveia e Melo tem indicado muito esse discurso que temos, como por exemplo, os interesses particulares e privados. Ele quer marcar muito que se quer afastar desse tipo de esquemas. Diz que para a presidência, o interesse é o dos portugueses e por isso quer aqui mostrar-se como um candidato com transparência. Relembro que Gouveia e Melo utiliza muitas vezes a expressão que não tem máquina partidária nesta campanha. É um valor que Gouveia e Melo faz questão de estar sempre a reforçar, isto é, para mostrar que não está associado nem a partidos, quer estar associado a pessoas que, no entender do almirante, têm como objetivo proteger os portugueses. E é muito por aí. Gouveia e Melo quer se demarcar dos candidatos que considera ser do sistema, e por aí também Marques Mendes é o que acusa Gouveia e Melo. E isto para defender que o perigo está na opacidade e para defender que é preciso mais transparência e um candidato que esteja realmente interessado nos interesses dos portugueses e não nos interesses privados. É uma das grandes críticas deixadas por Gouveia e Melo a Marques Mendes nesta campanha.
Nadine Soares, João Gama, Pedro Jorge Castro são os repórteres que estiveram neste primeiro direto à campanha da Rádio Observador, que vai acompanhar estas eleições presidenciais do dia 18 de janeiro.