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Muito bom dia, são neste momento 9:12, é hora de direto à campanha. Esta manhã com os repórteres que andam na estrada com as comitivas de Luís Marques Mendes, Catarina Martins e António Filipe.

E entramos na segunda e última semana de campanha, na reta final. Será uma semana decisiva para todos os candidatos. O Miguel Viterbo Dias está a acompanhar a comitiva de Marques Mendes. Miguel, bom dia. Pela forma como Marques Mendes tem procurado corrigir o discurso, vemos aqui alguma mudança no discurso do candidato, por exemplo, relativamente ao governo, que tem sido bastante associado, e agora o fato de ter dirigido algumas críticas à ministra da Saúde.

Tardaram, mas chegaram essas críticas a Ana Paula Martins. Todos nós nos recordamos no final da semana passada Luís Marques Mendes ter atirado à direção executiva do SNS, poupando Ana Paula Martins. Durante o fim de semana, foi corrigindo um bocadinho esse tiro e foi pedindo esclarecimentos e uma posição mais ativa por parte do governo. Primeiro começou por pedir esses esclarecimentos. Ontem deixou dois conselhos presidenciais a Ana Paula Martins. O primeiro, que aparecesse publicamente para explicar o que está a acontecer e a estratégia para melhorar a situação na saúde, não só no SNS, mas também na questão da assistência através do INEM. Curioso que à hora que Luís Marques Mendes deixou esse conselho, Ana Paula Martins já tinha agenda pública para hoje, daqui a uma hora, vai estar ao lado do primeiro-ministro. Ainda assim, ficou esse conselho. E depois um adicional que retire carga burocrática aos médicos. Para além disso, tentou também durante o fim de semana controlar ou reganhar o controle da narrativa, deixando algumas propostas, como é o caso da nomeação para cargos de administração no SNS por concurso público, ao invés de nomeação política, como acontece agora, numa tentativa de despolitizar o Serviço Nacional de Saúde. Portanto, foi aqui corrigindo o tiro num setor em que se entende que a percepção dos portugueses é crítica, foi corrigindo para dizer que só será amigo do governo quando as coisas são positivas, será exigente quando forem negativas. Nisso também pesa os dados das sondagens, que continuam a colocar Luís Marques Mendes fora de uma segunda volta, na tal tracking poll diária, mas que ainda assim, também a candidatura, como sempre, procura não valorizar muito, sobretudo pelo caráter específico desta tracking poll, que não é uma sondagem clássica.

Miguel, e era isso que te queria perguntar. Vês nessa mudança de discurso de Marques Mendes mais uma reação às críticas de que foi alvo ou uma reação também às sondagens, a essa sondagem em particular, que continua a dá-lo fora da segunda volta?

Por mais que se diga, as sondagens acabam sempre por influenciar a dinâmica e o ânimo dentro de uma campanha. Em Marques Mendes, isso sentiu-se algures entre terça e quarta-feira da semana passada, em que os maus números desmotivaram um pouco a campanha. Depois tentaram, ou vão tentando ganhar alguma dinâmica e esse controle da narrativa mais pela positiva, e isso foi sendo feito ao longo dos dias seguintes e também durante este fim de semana. Ainda assim, as sondagens abriram também um novo caminho naquilo que foi a conversa de Luís Marques Mendes nos comícios, e na rua e em resposta aos jornalistas, porque se antes era apenas uma campanha pela positiva, entretanto começou a introduzir-se alguma crítica aos oponentes mais diretos, sobretudo ao João Cotrim Figueiredo. Luís Marques Mendes passou a criticar abertamente João Cotrim Figueiredo e essa tentativa de ir roubar eleitorado à Aliança Democrática. Chegou a chamar-lhe o grau zero da política, a forma como, por exemplo, o Cotrim Figueiredo enviou uma carta ao governo e essa crítica aberta ao candidato apoiado pela Iniciativa Liberal passou a estar presente no discurso, o que antes não acontecia. E Luís Marques Mendes tem também a vantagem de, como diariamente tem tido convidados mais ou menos associados ao governo, mas muito associados ao governo, ministros e pessoas do PSD, deixa para esses convidados o palco para os ataques, embora, em resposta aos jornalistas, o tenha feito já também, o que não acontecia na fase inicial desta campanha para as presidenciais.

E isso, Miguel, dá-nos pistas para perceber como é que vai ser o resto desta campanha? A estratégia vai ser afinada?

Ao que tudo indica, a estratégia continuará a ser esta de insistir na carta da firmeza e estabilidade, o tal slogan de François Mitterrand, que Luís Marques Mendes roubou, embora Mitterrand seja da área socialista, mas essa questão da firmeza e tranquilidade, porque há uma aposta forte numa maioria que quer estabilidade política, que não quer voltar às urnas, e Luís Marques Mendes vai insistir nessa matéria, que será firme com o governo, mas que o objetivo maior é que a legislatura se cumpra até o fim. E dar essa estabilidade aos eleitores que deram a vitória à AD vai ser a aposta durante esta semana. E depois, claro, o piscar de olho sempre, e que acontece nos últimos atos eleitorais, que é aos tais indecisos que só decidem em cima da hora e aos moderados que, não sendo aqueles que mais comentam nas redes sociais, que mais aparecem a falar, mas que a candidatura acredita que pode estar aí o segredo para a vitória nesses moderados que, em silêncio, querem quatro anos de estabilidade e, portanto, a insistência será por aí. Nem sempre amigo do governo, mas sobretudo a crer que este governo conclua a legislatura para voltar aos ciclos políticos normais no país.

É o que vai prometendo Marques Mendes. Por onde vai andar hoje?

Hoje estaremos na região Norte. O dia começa em Paredes e continua depois aqui pela região. São dias com contatos com a população e sessões de esclarecimento ao fim da tarde e também sempre almoços com apoiantes. A mobilização tem aumentado, começou em salas mais pequenas. Ontem, por exemplo, em São João da Madeira, uma sala maior, e esses almoços mantêm-se, sendo que depois ao fim da tarde encerra com um comício

Em que recebe convidados e figuras ligadas à AD. Ontem foi o caso, por exemplo, de Nuno Melo.

Exatamente. Vamos ver se a chuva também ajuda a campanha. As previsões não são muito animadoras. Miguel, bom trabalho. É sempre um risco. O Miguel Viterbo Dias a acompanhar a campanha de Marques Mendes. O Miguel Pereira Santos tem acompanhado Catarina Martins, a candidata apoiada pelo Bloco de Esquerda. E Miguel, Catarina Martins pegou no tema habitação, inspirada muito provavelmente também pelo debate de sexta-feira no Parlamento com novas medidas para o governo, e este tem sido um dos motes da campanha.

Sim, olá Carla. O pacote da habitação vai ser agora discutido na especialidade no Parlamento e deverá ser promulgado pelo novo ou a nova presidente da República, mas Catarina Martins já avisou que consigo não será assim. Prometeu vetar o diploma, mostrando-se particularmente preocupada com aquela questão de as rendas até €2300 serem consideradas moderadas, e acusou o governo de ser absolutamente irresponsável por estar pronto a atribuir benefícios fiscais a esses senhorios, aos senhorios que arrendarem casas a esses preços. Mas fez ainda mais, pediu aos restantes candidatos presidenciais que também se pronunciassem com a mesma clareza que diz ter tido sobre se promulgariam ou não o diploma, caso sejam eles a recebê-lo na sua secretária em Belém. Esta tem sido uma estratégia que temos visto várias vezes por parte de Catarina Martins, numas eleições em que, segundo as sondagens, terá um resultado à volta dos 3%, portanto, sem hipótese de disputar a segunda volta. A candidata apoiada pelo Bloco de Esquerda tem procurado pressionar outros candidatos, mas particularmente um, António José Seguro, para obter algumas garantias daquilo que poderá fazer caso seja eleito presidente da República.

E Miguel, Catarina Martins, que há uns dias tinha dito que não queria falar mais sobre a possibilidade de desistência, mas a candidata apoiada pelo Bloco de Esquerda continua a dirigir-se, sobretudo a António José Seguro, para de alguma forma resistir ao que têm sido os apelos ao voto útil e também alguns apelos à desistência dos candidatos mais à esquerda?

Sim, tem continuado a ser essa a estratégia. Podemos resumir assim um bocadinho, Seguro primeiro, direita depois, e um pacto de não agressão à esquerda com António Filipe e com Jorge Pinto. Tem sido mais ou menos essa a estratégia de Catarina Martins nesta primeira semana. Mas a crítica vai sobretudo, lá está, ao candidato socialista, especialmente a esta postura presidencial já durante a campanha que Seguro tem decidido adotar. A Catarina Martins tem dito que Seguro está a tentar passar pelos pingos da chuva e pede-lhe também clareza, por exemplo, sobre o pacto para a saúde que António José Seguro tem proposto. Além disso, não deixa cair a memória de Seguro enquanto líder da oposição nos anos da Troika e tem procurado pintar uma imagem dele sempre como um amigo de Passos Coelho, um amigo da direita, e para isso serviu também bem o encontro com Santana Lopes na Figueira da Foz, porque Catarina Martins lembrou rapidamente que o mesmo Santana Lopes foi demitido por Jorge Sampaio, o falecido presidente socialista, que tem sido a grande inspiração nesta campanha de Catarina Martins e faz parte dessa estratégia de procurar o eleitorado descontente com Seguro.

E essa deverá ser a estratégia de Catarina Martins, que, Miguel, hoje andará por onde?

Hoje andará por Lisboa e pela Margem Sul, num dia dedicado à ciência e à educação, por escolas e universidades desta zona de Lisboa e Margem Sul.

Tem feito muitas ações de rua, tem tido muito contato com a população, Miguel.

Um contato reduzido, uma estratégia que o Bloco também tem adotado nas últimas campanhas eleitorais. Existem, por vezes, algumas idas a mercados, mas passam também, sobretudo, as ações por conversas dentro de portas. Uma coisa a que a campanha de Catarina Martins tem chamado laboratórios, como se fossem já umas presidências abertas durante a campanha, mas sempre com uma dimensão bastante reduzida e em sítios e com apoiantes de Catarina Martins. Portanto, não tem passado exatamente por esse contato de rua intenso como acontece com outros candidatos.

Miguel Pereira Santos, com a campanha de Catarina Martins e a acompanhar a comitiva de António Filipe, está o Vasco Maldonado Correia. Vasco, e durante este fim de semana, o candidato apoiado pelo PCP contou com a presença de históricos comunistas como Jerónimo de Sousa, João Oliveira e também com o secretário-geral do partido, Paulo Raimundo, que apareceu pela primeira vez.

Apareceu pela primeira vez e vai dar, Bruno, o primeiro boost de energia à campanha, que bem precisava, porque até agora está a ser uma campanha mais a meio gás e sem essas figuras comunistas que creio que foram importantes no sábado no Porto, especialmente ontem em Lisboa. É sempre difícil de confirmar estes números ao certo, mas a organização da candidatura fala em cerca de 800 pessoas no Porto e mais de mil em Lisboa. Como dizia, é difícil Difícil confirmar estes números ao certo, mas o que é verdade é que se viu uma grande adesão nesses comícios, a primeira grande adesão da campanha, e com Paulo Raimundo a dar vitalidade a António Filipe, que serve até de complemento para o candidato. António Filipe é mais reservado, mais contido, é uma questão de personalidade.

É mais tímido, digamos assim.

Exatamente. E Paulo Raimundo, se já foi acusado disso mesmo no passado ou no mínimo de alguma inexperiência política, entretanto ganhou quilómetros, ganhou muitas eleições, ou melhor, passou por muitas eleições ao longo do último ano e meio, se pensarmos, duas legislativas, umas europeias, agora presidenciais, passou também pelas autárquicas.

Deu-lhe um outro traquejo até no contacto com a população, que isso também era apontado como uma fraqueza de Paulo Raimundo em comparação com Jerónimo de Sousa.

Sim, exatamente. E trouxe alguma espontaneidade ao discurso de Paulo Raimundo, que também era preciso aqui nesta campanha. Mas Bruno, ainda bem que dizes isso, e aproveitando essa deixa, não sabemos ao certo como é que António Filipe é no contacto com a população, porque ainda não houve arruadas.

É hoje que começa.

Exatamente. Hoje será a primeira, vai ser em Évora, já ao final do dia, a meio da tarde. Ao que sabemos, Paulo Raimundo não vai estar, vai ser só António Filipe a liderar essa comitiva. Vai ter consigo João Oliveira, que é natural de Évora, mas esse será também um ponto importante da campanha, diria uma nova fase, porque até aqui, e à semelhança do que o Miguel Pereira Santos dizia há bocadinho, a campanha foi baseando-se mais em sessões abertas para ouvir os mais diversos sectores, mas com esse handicap que ainda não deu para ver como é que António Filipe se relaciona com as pessoas na rua, nesse contacto mais espontâneo que acontece nessas arruadas, em que lhe pode acontecer alguém não o querer ouvir, alguém lhe responder de uma maneira que não está à espera. Essas situações são importantes também para perceber como é que António Filipe lida com os espaços em que não está tão confortável.

E Vasco, durante este fim de semana nos comícios houve algum tema dominante que tenha sido levado pelos convidados, por aqueles que participaram nesses comícios?

Sim, houve uma situação interessante. Vimos Paulo Raimundo em modo constitucionalista. Bem sabemos da ligação do PCP ao tema da Constituição. António Filipe tem também feito por isso, por se apresentar quase como o candidato da defesa da Constituição. E Paulo Raimundo foi mais longe, apresentou António Filipe como o candidato de certos artigos. Por exemplo, o artigo 65 da habitação, o artigo 70, que foi trazido ontem, que é o artigo que confere uma proteção especial aos jovens. E esse artigo foi também puxado depois por António Filipe, que aproveitou ontem para mudar um bocadinho o discurso e virá-lo para os jovens, o que sabemos ser importante, especialmente no PCP, que tem um eleitorado tradicional mais envelhecido. E creio que é interessante isso mesmo, porque quem ouviu essa mensagem de António Filipe para os jovens nessa sala, essas mais de mil pessoas, a maioria não eram jovens. E por isso é também um sinal de que António Filipe compreende que o PCP tem de ir à procura de um novo eleitorado, porque senão acabará por ser vítima da passagem natural do tempo.

Vasco Maldonado Correia a acompanhar a campanha de António Filipe, hoje pela primeira vez com uma arruada. O Miguel Pereira Santos está na campanha de Catarina Martins. Tivemos também neste direto à campanha o Miguel Viterbo Dias, que está a fazer a cobertura noticiosa da campanha presidencial de Marques Mendes. A campanha está na última semana.