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Pensa sobre isto. Queremos conhecer a sua opinião, 91 002 41 85, 91 002 41 85. Agora são 9h12. Carla Jorge Carvalho, estamos no Direto à Campanha. Ontem à noite houve debate entre todos os candidatos à Câmara de Lisboa. Já lá vamos, mas para já, Carla, a ronda pelos líderes partidários.

A começar por António Costa, que aproveitou ontem os 42 anos do Serviço Nacional de Saúde para defender o SNS.

Aqueles que à direita, durante anos, andaram a fazer campanha contra o Serviço Nacional de Saúde, andaram a dizer que o Serviço Nacional de Saúde era um caos. Aqueles que à direita, em vários conselhos, prometem, aliás, pagar seguros de saúde gratuitos, como se através das companhias de seguros é que nós tivéssemos acesso à saúde. A verdade é que no momento mais difícil, mais exigente, onde foi mesmo necessário provar se tínhamos ou não tínhamos capacidade de resposta, quem provou ter capacidade de resposta foi o Serviço Nacional de Saúde.

António Costa esteve em Coimbra, onde o PSD acredita que pode conquistar a Câmara ao PS. Já o líder social-democrata foi a Castelo Branco criticar a forma como o governo atuou na Dielmar.

Num caso importante, que é a falência da Dielmar, temos um governo que meteu lá cerca de oito milhões de euros, sem ter monitorizado esse dinheiro. Por um lado, não apoia as empresas e, por outro lado, mete oito milhões numa empresa para esturricar no sentido de que agora está falida. Eu não digo que, no limite, não pudesse ter feito, mas tem de ser feito com critério. Uma lógica de capital de risco, com algum critério, considerando a importância dessa empresa para o emprego local.

Rui Rio a apostar em Castelo Branco, uma autarquia que é governada pelo PS há mais de 20 anos.

Já a líder do Bloco de Esquerda esteve na Amadora, onde a luta parece ser entre a atual autarca e a candidata do PSD, Susana Garcia.

Sendo que Catarina Martins antevê uma derrota eleitoral e moral do PSD na Amadora. Catarina Martins considera que a candidata insulta o conselho ao fazer uma imitação de extrema-direita.

O PSD vai ter nestas eleições na Amadora uma derrota eleitoral, porque vai ter muito poucos votos, como sabemos. E tem também uma derrota moral, porque se deixou instrumentalizar por quem quer ter uma carreira política que não tem nada a ver com a Amadora e insulta a Amadora para fazer essa imitação de extrema-direita. O que está verdadeiramente em causa nestas eleições é outra coisa: é saber se o Partido Socialista tem maioria absoluta ou não. E a reeleição da vereadora do Bloco de Esquerda é o que pode permitir que o Partido Socialista não tenha maioria absoluta e que a esquerda possa ter uma palavra na governação da cidade e possa haver avanços determinantes em áreas como a habitação, em áreas como o transporte, como a vida do conselho, como a segurança do próprio conselho. E é para isso que nós nos apresentamos a estas eleições e é esse o combate que travamos.

Declarações da líder bloquista numa visita a uma escola na Amadora, acompanhada por Dilinda Martins, candidata ao município pelo Bloco de Esquerda. Vamos daqui a pouco, neste Direto à Campanha, fazer também esse balanço sobre as autárquicas na Amadora.

O líder do PCP esteve em Avis, no distrito de Portalegre, onde comentou o anunciado aumento do preço da eletricidade.

Jerónimo de Sousa diz que o governo está a fingir-se de morto e que o aumento da eletricidade é um golpe para as famílias e empresas.

Como é que é possível, num quadro em que essas empresas de energia ganham milhares de milhões, têm milhares de milhões de lucro em cada ano e mais uma vez se aplica um golpe nos interesses das famílias e também das próprias empresas, particularmente as pequenas e médias empresas, particularmente os pequenos e médios agricultores. Como é que o governo dá resposta? Finge-se morto. Atira para a entidade reguladora a responsabilidade para ver se escapa.

Jerónimo de Sousa a responsabilizar o governo. O PCP vai, de resto, levar amanhã a discussão no Parlamento, um projeto de lei para impedir o aumento do preço da eletricidade.

E comprometido no início deste Direto à Campanha, olhamos agora para o último debate televisivo entre os 12 candidatos à Câmara de Lisboa. Fernando Medina esteve no centro das críticas.

Ouviu críticas de todos os candidatos, a começar por Carlos Moedas, que garante estar cada vez mais perto de ultrapassar Fernando Medina.

Aquilo que mostram hoje as sondagens é que eu estou cada vez mais perto. Cada vez mais perto de ultrapassar Fernando Medina e de conseguir ganhar a Câmara Municipal de Lisboa. Isso é o que mostram as sondagens. E eu penso que aquilo que também está hoje completamente visível na rua é o cansaço que as pessoas têm em relação a uma governação de 14 anos socialista na Câmara Municipal, mas sobretudo uma governação sem liderança, sem gestão e uma certa arrogância de um presidente da Câmara que não ouve os lisboetas.

Carlos Moedas conclui, por isso, que é o único que pode derrotar Medina. Questionado sobre alianças à esquerda, o atual autarca diz que não é o momento de discutir o assunto. Não hostilizou a parceria dos últimos quatro anos com o Bloco de Esquerda, mas também assumiu que não fez o que faria se estivesse a governar sozinho.

Eu já dei mostras ao longo destes anos de conseguir governar, encontrar uma solução estável e uma solução que sirva os interesses da cidade de Lisboa, ocupando-se das suas principais prioridades, nomeadamente habitação, a mobilidade e também o combate à pandemia.

Já vi que não quer clarificar sua política de alianças ou entendimentos.

É óbvio que não seria a governação que faríamos se estivéssemos sozinhos, mas acho que foi uma boa governação a servir Lisboa e os lisboetas e também conseguindo abrangências e convergências com outros partidos que, não integrando a solução de maioria, também contribuíram para muitas soluções.

À semelhança de Fernando Medina, também o candidato da CDU não fala de acordos pós-eleitorais e recusa olhar para sondagens e comentadores. João Ferreira insiste que a CDU é alternativa em Lisboa.

Nós assumimo-nos corporizando uma visão alternativa de governo da cidade.

Mas a minha pergunta é se não afasta qualquer entendimento.

Nós entendemos que Lisboa tem a ganhar com uma outra governação democrática da cidade.

Isso é...

Que plasme na cidade, no seu desenvolvimento, aquela que é a vontade, que são os interesses daqueles que vivem em Lisboa, que ataque de uma forma decidida as exclusões que foram crescendo na fruição da vida na cidade, as desigualdades que foram crescendo.

Sim, senhor. Já falaremos delas, João Ferreira.

Significam uma visão diferente daquela que tem prevalecido. Este é o tempo de apresentarmos os nossos projectos.

E já vamos ouvir essas propostas.

E de esperar das lisboetas uma opção audaciosa de escolher por si e não de ir atrás de sondagens ou de comentadores.

Já do lado do Bloco de Esquerda, Beatriz Gomes Dias diz que o partido está orgulhoso do acordo com o Partido Socialista. No entanto, a candidata aponta que os avanços foram menos significativos na habitação.

Nós estamos muito orgulhosas do trabalho que foi feito e estamos muito satisfeitas com alguns resultados que foram alcançados. Claro que há muita coisa a transformar na cidade de Lisboa. A habitação é, sem dúvida, uma dimensão onde os avanços foram menos significativos, mas nós estamos muito orgulhosas do trabalho que fizemos nestes quatro anos. E o acordo só foi possível porque o PS não teve maioria absoluta. Isso foi fundamental para nós podermos garantir, por exemplo, manuais escolares gratuitos, podermos ter mudado as refeições nas escolas e termos livrado do plástico, que era a forma como as refeições eram servidas, ter garantido o acesso automático à tarifa social da água.

Ainda neste debate na RTP, o candidato da Iniciativa Liberal tentou distanciar-se de Carlos Moedas. Bruno Horta Soares afirma que o programa do partido é muito diferente do candidato do PSD e CDS. Pelo PAN, Manuela Gonzaga fala da opacidade na Câmara de Lisboa. O candidato do Chega, Nuno Graciano, voltou a falar de sinais de corrupção na autarquia. Juntam-se agora, no direto à campanha, os jornalistas do Observador, Rita Tavares e João Francisco Gomes. Bom dia aos dois. Rita, vamos começar por ti. Acabamos de ouvir alguns momentos do debate televisivo de ontem. Pode dizer-se que Medina foi, de facto, o grande alvo da noite?

Sim, sem qualquer sombra de dúvida. O Observador tem por hábito, nos debates, com todos, em todas as campanhas eleitorais, fazer uma contagem do número de ataques que foi feito por parte de cada um dos participantes, dos candidatos na corrida, neste caso, na corrida autárquica, e não houve qualquer dúvida. Foram todos os candidatos que escolheram Fernando Medina como alvo. Era, de resto, uma solução esperada, porque o incumbente acaba por estar sempre no centro de todas as críticas e não terá sido sequer uma surpresa também para Fernando Medina, que por seu lado, optou por uma estratégia também nada surpreendente, que é dizer o menos possível, responder ao que lhe é perguntado e sair sem estados de alma.

E sem estados de alma. João Francisco Gomes, tens estado esta semana a acompanhar a campanha na Amadora. Já ouvimos aqui a forma como muitos partidos estão a investir, com Catarina Martins ontem, a líder do Bloco de Esquerda, a apoiar e a dar força à candidata do Bloco à Amadora. O que destacas destes primeiros dias?

É preciso sublinhar que estes primeiros dias aqui na campanha autárquica na Amadora foram marcados por uma sondagem, que saiu na RTP na terça-feira e que deu novamente uma maioria absoluta ao PS, ou seja, mantendo-se basicamente tudo tal como está. No centro da campanha aqui na Amadora está a atual presidente da Câmara, Carla Tavares, do PS, que se vai recandidatar para um terceiro e último mandato e, por isso, tudo parece, de acordo com as sondagens e com aquilo que é a perceção geral, encaminhado para que o resultado se repita. E também por isso o PS tem tido aqui uma campanha relativamente discreta. Pelo contrário, a grande sensação na campanha eleitoral aqui na Amadora é, de facto, o PSD, com a candidata Susana Garcia, a advogada e ex-comentadora televisiva, que na verdade nem se apresenta como sendo candidata do PSD, mas sim de uma grande coligação que tem o CDS, o MPT, o PPM e a Aliança, e que tem apostado numa campanha muito barulhenta e muito agitadora nas ruas, com aqueles slogans que têm também feito manchetes da "A Amadora vai tremer, o sistema vai tremer", etc. E tem tido um discurso essencialmente securitário. Portanto, Susana Garcia, com quem, aliás, nós estivemos uma grande parte do primeiro dia, insiste muito que baseia a sua campanha numa sondagem qualitativa feita pela estrutura do PSD entre os habitantes da Amadora, que revelou que a segurança era um dos principais problemas do Conselho, a par da habitação e dos espaços públicos. E por isso tem apostado muito em prometer uma nova esquadra, super esquadra da PSP na Amadora, em reforçar a Polícia Municipal. Portanto, tem tido um discurso muito direcionado a estes principais medos da população, da criminalidade, e com uma resposta essencialmente policial e que lhe tem, segundo ela, e depois quando nós falamos com algumas pessoas com quem ela se vai cruzando na rua, e de facto há muita gente que vai confirmando estes receios, tem valido algum apoio entre, sobretudo, por exemplo, a população mais idosa, que de facto confirma que tem muito medo de viver ali. Portanto, este discurso securitário tem, pelo menos, tido algum sucesso entre alguma parte da população.

E agora vamos ter de esperar como evoluem essas campanhas e se essa narrativa e esse discurso vai ou não pegando. A Rita está praticamente em cima da hora de começar a acompanhar mais uma ação de campanha de Fernando Medina. O que é que vai fazer hoje o candidato do Partido Socialista, Rita?

Hoje é um dia grande, nem sequer digo isso em termos de iniciativas, mas em termos de peso político, porque vai ser o primeiro dia da campanha oficial de Fernando Medina, onde vai estar o líder do partido, António Costa. Mas começa agora às 9h30 no Lumiar, no contacto com a população, que vai do mercado do Lumiar até à Alameda das Linhas de Torres. Depois o Fernando Medina vem para o Areeiro, para mais um contacto com a população, porque vai ser dia só disso. E a próxima ação de campanha que tem é só ao final da tarde, na Praça do Comércio, onde terá a apresentação da sua comissão de honra e onde estará precisamente António Costa também a intervir pela primeira vez nesta candidatura, ele que também já foi presidente da Câmara de Lisboa durante muitos anos, que agora é primeiro-ministro e que não vai ser esta a única vez que vai aparecer aqui na campanha de Fernando Medina. António Costa vai também estar durante a próxima semana, por duas vezes, no último dia e noutra iniciativa a meio da semana.

E, portanto, temos este momento de peso político importante e não será o único com a presença do secretário-geral do Partido Socialista. Rita Tavares, no último minuto, vai haver aqui um tabu à esquerda sobre os cenários pós-eleitorais?

Acho que já há. Ontem no debate, aliás, foi um dos assuntos sobre os quais Fernando Medina foi questionado e o candidato socialista fechou o jogo. Eu acho que nesta altura ele fecha o jogo porque não sabe o que é que vem no dia 27 de setembro. Terá que esperar mesmo pelos resultados eleitorais para perceber o que os outros partidos, nomeadamente o Bloco de Esquerda e o PCP, vão querer e também perceber que resultado eleitoral ele tem e politicamente a força que ele terá perante esse resultado, se tem mais votos do que em 2017, por exemplo, porque isso também será determinante para o que sairá no dia seguinte à eleição. O peso político, o peso em votos que cada partido conseguir nesta eleição vai ser muito importante para que se forme um acordo político ou não no dia seguinte e ver quais dos partidos, se só o Bloco de Esquerda como em 2017, se também o PCP desta vez se junta a Fernando Medina, caso ele não tenha maioria absoluta. Um dado que também é importante dizer, por agora, na candidatura de Fernando Medina, ninguém acredita que seja possível, ou seja, colocam-na como um cenário improvável. Não dizem impossível, mas dizem improvável e que perante isso tem que se começar a fazer contas.

E essas contas vão ser mais certas no dia 27 de setembro, como dizes. Rita Tavares, despedimo-nos já de ti. Tens que estar daqui a dois minutos no arranque dessa campanha no Lumiar, onde já estás certamente, onde Fernando Medina começa hoje o dia de campanha. João Francisco Gomes, também tens trabalho esta manhã, vais estar com a candidata e a atual presidente à Câmara da Amadora. O que é que vai fazer hoje Carla Tavares?

Exatamente. O programa é algo de relativamente simples. Aliás, é como eu dizia inicialmente, ela tem optado por uma campanha relativamente discreta, tem percorrido algumas ruas da Amadora a distribuir panfletos e, essencialmente, e aqui fica um dado curioso, a distribuir rosas vermelhas, que o PSD já veio acusar de ser uma ideia roubada à campanha eleitoral de Susana Garcia, que distribui, por sua vez, rosas brancas. Vamos lá confirmar se de facto houve aqui alguma partilha de ideias entre as campanhas ou não, mas de facto será uma manhã, aparentemente, de acordo com o programa oficial, relativamente calma, apenas de percurso por algumas das ruas centrais da cidade, junto à estação de comboios da Amadora. E é isso que vamos ver nas próximas duas a três horas.

Podemos então falar de uma campanha mais clássica, ações de campanha mais clássicas esta manhã. João Francisco Gomes, obrigada. Bom trabalho também para ti a acompanhar a campanha para as autárquicas na Amadora. É mais um dia de campanha para os candidatos. As eleições são dia 26. O Direto à Campanha regressa amanhã à mesma hora.