Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
A três dias do final da campanha para as presidenciais, António José Seguro subiu a fasquia. Ontem, no Barreiro, pediu não só a passagem à segunda volta, mas também uma vitória na primeira volta. Bom dia, João Gama. Estás a acompanhar o candidato apoiado pelo Partido Socialista. António José Seguro vê algum significado especial em vencer a primeira volta. O objetivo seria, como será o de qualquer um dos candidatos, a passagem à segunda volta, mas qual poderá ser o significado de uma vitória na primeira volta?
Seria uma vitória simbólica. António José Seguro tem durante todos estes dias dito que quer chegar à segunda volta. O objetivo tem sido sempre chegar à segunda volta. Começou a procurar alargar a sua base de apoio nos últimos dias. Um apelo ao voto aos moderados, aos indecisos da esquerda à direita. Ontem somaram-se apoios à candidatura, como por exemplo o de Inês Sousa Real, há uns dias o de Pedro Nuno Santos, ou seja, António José Seguro está a provar que consegue ir além do apoio do Partido Socialista e além da esquerda, quer mostrar que é esse candidato agregador e por isso, vestindo aqui a pele responsável de moderado, diz que é o único moderado que está em melhores condições para chegar à segunda volta. E se é o único moderado, tem que vencer André Ventura na corrida na primeira volta, embalado pelos resultados da sondagem mais recente da RTP, mas também do tracking poll da CNN, que tem colocado António José Seguro e André Ventura taco a taco. Seguro pessoaliza a luta e diz que é importante para a democracia, lembra os valores de Abril, que a candidatura dos extremismos, ele nunca menciona André Ventura nem o chega, mas diz que a moderação tem que vencer os extremismos, portanto, seria uma vitória simbólica nessa primeira volta.
João, e precisamente será a pensar em André Ventura, porque as sondagens estão a apontar António José Seguro e André Ventura como os dois candidatos que terão mais possibilidades de chegar à segunda volta. Será a pensar em André Ventura e de facto seria diferente partir para uma segunda volta depois de uma vitória na primeira volta ou ficando atrás de André Ventura. Será nisso que António José Seguro está a pensar?
Exatamente. António José Seguro ontem disse de forma um bocadinho reveladora que uma vez que era esse tal moderado que está em melhores condições para chegar à segunda volta, a pedir um apoio, um voto, mesmo que não seja de quem considerou a sua primeira escolha. Mas o que ele quer provar vencendo André Ventura já na primeira volta é que não é apenas a candidatura dos descontentes, quer mostrar que não vence apenas André Ventura quando não houver outras posições, outros candidatos dos quais se possam escolher. Por isso, e a bem da democracia, é que diz que é preciso vencê-lo já à primeira volta e na segunda alargar eventualmente a base de apoio, uma vez que é na segunda que de facto vai ser a doer.
E falando em base de apoio, João, ontem António José Seguro disse que é bom receber o apoio do PS, mas também sublinhou que esse apoio não contamina a candidatura e referiu também o apoio dos deputados únicos do JPP e também do PAN. Aquilo que te queria perguntar é o que isto mostra sobre a relação entre António José Seguro e o Partido Socialista.
Uma relação, pelo menos com alguns perigos quentes. A Rita Tavares escreveu um artigo no Observador onde mostrava o quem é quem da candidatura e poderíamos ver muitas caras conhecidas do Partido Socialista, principalmente presidentes de federações, ou seja, uma máquina bem montada da qual António José Seguro está a aproveitar para conseguir fazer esta campanha, conseguir encher auditórios, ter alguma presença na rua, apesar de as arruadas não terem sido muito preenchidas, mas quando diz que não deixa a sua candidatura ser contaminada pelo PS, utiliza isso como um contínuo apelo ao voto que se estende à sua candidatura. António José Seguro começou esta campanha a apelar muito ao voto da esquerda, na altura para conseguir chegar à segunda volta. Sente que esse apoio está mais ou menos conseguido, mais ou menos fidelizado na sua candidatura e por isso vai alargando um bocadinho o espaço também à sua direita, cotovelando à esquerda e à direita para conseguir quase conquistar este centrão, ser um candidato charneira do sistema e da moderação. É uma coisa que tem insistido cada vez mais nestes últimos dias. Ou seja, o apelo ao voto à esquerda marcou o arranque da campanha eleitoral e agora é um apelo aos moderados e aos democratas com que António José Seguro quer chegar à segunda volta. Isso independentemente do partido, por isso afasta-se sempre do PS, diz sempre que lidera uma candidatura que é suprapartidária.
João Gama, e onde é que vai andar hoje a campanha de António José Seguro?
Nós estamos a sair agora de Lisboa. António José Seguro tem uma ação de campanha no Mercado Municipal de Vila Franca de Xira, que está marcado para daqui a pouco. Vai subindo devagarinho, tem depois de Vila Franca de Xira uma arrudada na Amadora, um contacto com a população também em Mafra e acabamos o dia com um jantar na Lourinhã.
Muito bem, João Gama a acompanhar a campanha de António José Seguro. André Ventura está a norte e a caravana do candidato apoiado pelo Chega está a ser acompanhada pelo Miguel Cordeiro. Miguel, bom dia, onde vai estar o candidato esta manhã?
Bom dia. André Ventura vai estar em Vila do Conde, vai visitar o tradicional mercado municipal das Caxinas e, portanto, vamos ter fruta, frescos, muito peixe também nesta manhã, nesta comitiva.
Promete animação. Mas ontem Ventura terminou o dia com um discurso na cidade de Berço. Mesmo em frente ao Castelo de Guimarães, o candidato apoiado pelo Chega procurou, sobretudo, mobilizar o eleitorado para dia 18 e avisar para o risco de confiar em sondagens. Há aqui o perigo destas sondagens que têm apontado André Ventura na segunda volta desmobilizarem, de alguma forma, o eleitorado do Chega e de André Ventura?
Havendo esse perigo, André Ventura quer garantir que isso não acontece. O discurso em Guimarães aconteceu duas horas antes de ser divulgada a mais recente sondagem da Universidade Católica, é preciso referir isso. Mas essa sondagem, depois, às 20h, acabou por colocar André Ventura em primeiro, com um ponto percentual de vantagem sobre Seguro. Mas também é certo, na verdade, que outras sondagens já colocavam Ventura em primeiro ou empate técnico com Seguro. Mas ontem, neste discurso, que aconteceu um bocadinho antes das 18h, Ventura quis dizer aos apoiantes que o país não se faz de sondagens. Quis dizer que é preciso sair à rua e votar no domingo. É curioso porque Ventura começa o discurso a dizer que vai ganhar, que no domingo vai conseguir vencer os adversários, mas depois avisa que ainda não ganhou. E de facto, para Ventura apontar esse cenário de vitória, para se acreditar nesse cenário de vitória, é preciso segurar o eleitorado do Chega, é preciso garantir que esse eleitorado vote. E André Ventura sabe disso. No discurso, Ventura deixou várias frases nesse sentido. Disse: "Não podem ser só as sondagens a colocar-nos em primeiro lugar, temos de ganhar." Depois diz: "Nunca fomos de ganhar nas sondagens, se nos põem a ganhar é porque estamos a dar uma tareia monumental." Diz também: "Este país não se faz com sondagens, faz-se a acreditar que podemos mudar." Há mais frases neste sentido: "Ninguém se condicione por boas sondagens, nada está ganho. Esta mudança de um país que está a acordar tem de ser incentivada, têm de ir votar e têm de levar os outros a votar." São tudo frases desse discurso em Guimarães, ainda antes da mais recente sondagem da Universidade Católica.
O certo é que, Miguel, André Ventura também voltou a apontar baterias para João Cotrim de Figueiredo.
Sim, com uma das frases que marca o dia. Disse Ventura: "João, este país não é para quem não está bem da cabeça." A frase foi mesmo assim, e surge nesse discurso também em Guimarães, o ataque mais direto. É curioso porque precisamente antes desta frase, Ventura disse que não quer fazer uma campanha a atacar os adversários. Tem dito isto toda a campanha, mas logo depois disse esta frase. Mas de facto tem sido desta forma que Ventura tem feito o ataque a Cotrim de Figueiredo depois dessa mudança de posição ou esclarecimento de posição sobre os apoios na segunda volta.
Miguel, mas haverá aqui alguma intenção estratégica neste ataque a João Cotrim de Figueiredo? Porque o que temos visto, de facto, é Ventura, e ele ontem voltou a repetir essa ideia, é um Ventura um pouco diferente a não se envolver em picardias, mas por outro lado, tem insistido nas críticas a Cotrim de Figueiredo. Qual é que será exatamente a intenção de André Ventura ao fazê-lo?
Basta olhar para as sondagens e perceber uma coisa, que Cotrim de Figueiredo, por exemplo, na sondagem da Católica aparece em terceiro, mas na Tracking Poll está em segundo. E na sondagem da Católica, mesmo estando em terceiro, está ainda dentro dessa margem em que pode haver ali um empate técnico, porque basta haver duas décimas para cima, duas décimas para baixo e percebe-se que Cotrim pode aparecer ali a discutir um primeiro ou um segundo lugar, que são os lugares que importam nesta eleição. E, portanto, quando Cotrim de Figueiredo dá esta, eu vou utilizar a expressão que utilizei ontem, esta assistência para golo, este passe para encostar, André Ventura tem que o dizer. E quando Cotrim de Figueiredo diz numa campanha eleitoral que não sabe o que lhe passou pela cabeça e faz ali quase uma mudança de opinião, uma viragem 180 graus, Ventura tem que saber aproveitar. E de facto, essa expressão de Cotrim, Ventura quis de imediato aproveitar de manhã e à tarde, então, foi muito mais claro ao dizer que o país não é para quem não está bem da cabeça. O país precisa de pessoas que tenham convicção, foi o que quis dizer André Ventura. E portanto, alimentado, claro, pelo aquilo que vão dizendo as sondagens, Ventura percebe que existe fragilidade do lado de Cotrim de Figueiredo. Não vai muito mais para além disso. Poderíamos esperar uma reação muito mais forte de André Ventura, com muito mais referências a Cotrim de Figueiredo. Não. Ele diz apenas isto sabendo que esta frase é muito eficaz, é muito clara e pouco mais precisa dizer, até porque mantendo essa linha de não querer atacar diretamente os adversários, sabendo que depois pode precisar do apoio deles na segunda volta, Ventura remete-se apenas a isto: "João, este país não é para quem não está bem da cabeça."
E Miguel, André Ventura, como disseste, vai estar nas Caxinas de manhã. Há mais alguma coisa para a agenda de hoje?
Sim, um ponto às 17h30. André Ventura tem sempre dois pontos na agenda, um ao final da manhã, um já no período final da tarde. Hoje vamos ter a tradicional Arruada de Santa Catarina, na cidade do Porto. E sim, se ficaram a pensar nisso, hoje é dia de clássico entre Futebol Clube do Porto e Benfica, às 20h45, e às 17h30 André Ventura vai descer a Rua de Santa Catarina.
Será certamente uma tarde animada para André Ventura. O Miguel Cordeiro está a acompanhar a caravana de André Ventura. O Miguel Gato está a acompanhar João Cotrim de Figueiredo, que também reagiu e acaba por ser embalado pelas últimas sondagens e com Cotrim, Miguel Gato, a colocar Marques Mendes fora da corrida presidencial.
Sim, fê-lo ontem num jantar-comício em Coimbra, onde ainda nos encontramos neste momento. Cotrim de Figueiredo fez um discurso curto, cerca de oito minutos, onde sobretudo galvanizou os resultados dessa sondagem da Católica, em que aparece no terceiro lugar. E até já faz apelos ao voto útil à direita, precisamente porque coloca Marques Mendes e também Gouveia e Melo fora da segunda volta. E portanto, o raciocínio é de que para evitar uma segunda volta entre António José Seguro e André Ventura, os eleitores da AD têm de decidir se preferem votar em Marques Mendes, que aparece em quinto lugar nessas sondagens, ou se preferem, por outro lado, concentrar os votos em Cotrim de Figueiredo e assim ter uma candidatura de centro-direita com reais hipóteses de chegar à segunda volta.
E Miguel, João Cotrim de Figueiredo escreveu mesmo uma carta a Luís Montenegro a pedir o apoio ao presidente do PSD. Achas que é uma carta dirigida ao presidente do PSD, Luís Montenegro, ou mais aos eleitores da AD, aqueles que votaram AD e que agora parece que não estão com a candidatura de Marques Mendes?
É um pouco os dois, pode considerar-se que era a jogada que faltava. Cotrim tem utilizado como principais trunfos da campanha figuras da AD que o apoiam. Basta pensar, por exemplo, na mandatária nacional da candidatura, Liliana Reis, antiga deputada do PSD, e ontem no jantar-comício em Coimbra, voltou a ter a presença de um social-democrata, mais um apoio vindo da AD, também de um antigo deputado, Nuno Freitas. E num piscar de olhos às pessoas dentro do PSD que admiram Pedro Passos Coelho, Cotrim também tem utilizado muito a frase "Portugal à frente", que como bem sabemos, era o nome da coligação liderada pelo antigo primeiro-ministro em 2015. Portanto, este apelo agora direto a Luís Montenegro é a última tentativa de conseguir captar de vez os votos do PSD para conseguir chegar à segunda volta. Portanto, é uma carta dirigida, um apelo público. A candidatura de Cotrim de Figueiredo já veio esclarecer esta manhã que não se trata de uma carta dirigida ou enviada ao primeiro-ministro, mas sim um apelo público ao primeiro-ministro e também presidente do PSD. Acaba por ser um apelo tanto ao presidente do PSD como aos eleitores para chegar à segunda volta. E Cotrim até nessa carta faz um paralelo com as autárquicas, diz que a Iniciativa Liberal confiaram nos sociais-democratas quando apoiaram e fizeram parte da coligação de Carlos Moedas em Lisboa e Pedro Duarte no Porto. Por isso, pede agora a mesma confiança por parte do PSD.
E Miguel, depois daquele dia difícil que viveu a candidatura de João Cotrim de Figueiredo, ontem, um dia que terminou com essa sondagem animadora para a candidatura, achas que ficou para trás essa segunda-feira negra da candidatura de João Cotrim de Figueiredo ou ainda pode haver sequelas daquilo que se passou nesse dia?
Ainda pode haver sequelas, uma vez que essa sondagem que referiste não reflete ainda os efeitos desse caso, dessa segunda-feira muito difícil, negra para João Cotrim de Figueiredo, por causa da acusação de assédio sexual por parte de uma antiga assessora da Iniciativa Liberal e também por causa dos comentários que João Cotrim de Figueiredo fez no eventual apoio a uma segunda volta a André Ventura. Portanto, acho que estas sondagens, aquilo que refletem para já é que é uma candidatura de Cotrim de Figueiredo que está a crescer, esse efeito já estava refletido naquilo que era a tracking poll da CNN diária, agora também nesta sondagem da Católica, que tem uma amostra muito mais considerável, mas portanto, se calhar vamos ter que esperar dois, três dias para ver se Cotrim de Figueiredo se mantém no terceiro lugar, já com os inquiridos a saberem desses dois casos que acabei de referir.
Importa ainda saber, Miguel, por onde vai andar hoje a caravana de João Cotrim de Figueiredo.
Hoje Cotrim de Figueiredo tem apenas duas ações de campanha. A primeira é já daqui a pouco, às 10h, em Montemor o Velho. Cotrim de Figueiredo vai acompanhar o processo de fabrico de queijadas numa confeitaria, uma pastelaria de fabrico próprio e a ver se consegue adoçar a campanha depois de um início de semana que, como sabemos, foi bastante amargo, para não dizer azedo. Depois, às 17h, o candidato apoiado pela Iniciativa Liberal tem uma ação de campanha na Figueira da Foz. A única informação prestada aos jornalistas até o momento é de que se trata de um encontro com apoiantes num hotel. Esta semana, Cotrim tem tido sempre três ações por dia, uma de manhã, uma por volta da hora de almoço e outra mais ao final da tarde noite. Hoje opta por ter apenas duas ações.
Miguel Gato, que está a acompanhar a caravana de João Cotrim de Figueiredo. Neste Direto à Campanha tivemos também a campanha de André Ventura e de António José Seguro. Está de regresso o Direto à Campanha. Amanhã, depois das 9h.