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Estamos a entrar na última semana de campanha, que termina precisamente de hoje há uma semana. Rita Tavares, bom dia. Acompanhas a comitiva de António José Seguro, que não tem entrado muito em despiques com adversários. Qual é a ideia aqui? É manter um perfil mais presidenciável?

É isso mesmo. António José Seguro notou-se muito, sobretudo a partir do debate com todos os candidatos esta semana na RTP, e depois daquele despique grande, aquela picardia entre os seus principais adversários, Govem L. e Luís Marques Mendes. Logo aí no debate, António José Seguro mostrou esta linha, que era tentar manter-se acima dessas questões e não entrar na lama, como ele disse ontem no comício em Portalegre, e assim tentar manter-se acima dos outros candidatos na questão do perfil. Da ideia de um perfil de alguém com mais capacidade pra ser presidente da República e manter aquela posse de Estado. Portanto, está muito a ser por aí a linha por estes dias, sobretudo, lá está, desde esse debate, aproveitando que Marques Mendes também parece estar mais na mó de baixo, como se costuma dizer. António José Seguro aparece aqui a tentar entrar por esse eleitorado que possa estar descontente com o desempenho desses candidatos, sobretudo ali no centro-direita, tentando apelar ao voto pro seu lado e usando assim esta ideia de que ele é mais presidenciável do que os outros.

Rita, antes de mais vou te pedir pra ver se não tens o microfone, talvez a bater na roupa, que vai fazendo um ruído que pode interferir com a audição. Assim está melhor, certo?

É possível. Nós estamos aqui a caminho do Gavião.

De Portalegre.

A sair de Portalegre para o Gavião. Estamos aqui no carro, portanto, é onde passamos grande parte dos nossos dias, a esta altura.

Não estão nas condições alcatifadas de estúdio como nós. Portanto, isso é possível ter feito.

Exato.

Essa postura, esse posicionamento de Seguro, a comitiva de alguma forma relaciona com a subida nas sondagens e a animação que certamente tem surgido com a boa performance no ranking da CNN TVI?

Eu ainda ontem falava com uma pessoa do Partido Socialista que me dizia que o PS é mestre em criar esta ideia e o PS está muito envolvido nesta campanha. É importante dizê-lo também, a estrutura distrital do partido em cada distrito por onde o candidato passa, nota-se isso. Os presidentes de federação estão sempre presentes e nota-se que há ali um dedo da máquina socialista. Os diretores de campanha de António José Seguro, os diretores de campanha locais, são todos do Partido Socialista por esta razão, porque é mais fácil mobilizar, ser um partido a mobilizar e a chamar as pessoas para os eventos, para os comícios, para as arruadas. Mas lá está António José Seguro, muito apoiado no Partido Socialista, tem conseguido passar essa mesma ideia.

Há pouco dizias que estavam aí de Portalegre para Gavião. Quais são os planos para hoje da comitiva de Seguro?

Os planos são extensos. Começa no Gavião, numa recepção na Câmara Municipal do Gavião. Tem um contacto depois com a população local também e depois à tarde parte para a Figueira da Foz.

Atravessa para a costa.

Exatamente, vamos para litoral. Depois Coimbra, onde vai ter uma sessão sobre igualdade no Café Santa Cruz e depois um comício no Pavilhão em Coimbra. Nós ainda seguimos para Braga, porque amanhã começa cedo lá.

Bem, vai ser uma jornada longa. A relação de Seguro com o PS nesta campanha tem estado a melhorar, claramente, isto é, tem aparecido cada vez mais figuras importantes do partido, nomeadamente aquelas que têm atribuída uma ligação maior a António Costa.

Pois, era isso que eu queria dizer há bocado, que é a ideia de as sondagens estarem também a animar o candidato e a caravana, faz com que isso também crie aqui aquela ideia de onda, e lá está, era o que me dizia a tal pessoa do PS, que o partido é mestre em criar esta ideia de irem crescendo e de ter uma campanha em linha ascendente. E isso também acaba por envolver mais o partido e convencer, se calhar, mais figuras do partido a aderirem à candidatura de António José Seguro de forma mais pública. Temos tido figuras do partido todos os dias na estrada, como por exemplo, Ana Catarina Mendes, quem suspeita de apoiar António José Seguro, porque ela mesmo em 2011, na sua primeira candidatura à liderança do PS, na sua única candidatura à liderança do PS, Ana Catarina Mendes esteve com o Assis contra António José Seguro, e é da linha costista, portanto, não é propriamente uma fã de António José Seguro e apareceu em Grândola. Têm aparecido outras figuras do partido. Ainda ontem vimos Álvaro Beleza, que é muito próximo e sempre foi de António José Seguro, fez parte da sua direção. Vimos Carlos Zorrinho, que é o presidente da Câmara de Évora, estávamos em Évora e é normal aparecerem sempre os presidentes de câmara e lá está os presidentes de federação do partido nos locais a apoiarem o candidato E o candidato tem a expectativa de que essas figuras possam começar a aparecer com mais intensidade, se calhar nesta última semana. Mas também é importante dizer uma coisa: António José Seguro tenta que o foco não fique nessas figuras do PS. Ele tem a ideia de manter este espírito como suprapartidário, que é para também não se acantonar no Partido Socialista, para permitir alargar um bocadinho a base. A base do Partido Socialista, vimos nas últimas legislativas, pode ser estreita. Seria suficiente para passar à segunda volta, mas ainda assim, com os anticorpos que Seguro sabe que tem dentro do partido, poderia ser uma base estreita. Portanto, ele está a tentar não ficar só nesse canto do Partido Socialista e portanto, por exemplo, nos comícios à noite, quem fala têm sido só os mandatários nacionais, que são figuras mais independentes, e o candidato. Não fala mais ninguém do partido. O partido está presente, sim, mas não está debaixo do holofote. Quem está debaixo do holofote é o candidato e é assim que ele quer continuar, a dar esta ideia, mas sim, têm aparecido figuras a participar nas iniciativas e ações de campanha.

Muito bem, fica aqui o resumo do que tem sido a campanha de António José Seguro pela Rita Tavares. Com a campanha de Marques Mendes está a Mariana Lima Cunha. Mariana, bom dia. E quanto a Marques Mendes, o candidato apoiado pelo PSD está a ter algumas dificuldades para afirmar a sua independência em relação ao governo. Ontem pareceu poupar o governo e a ministra da Saúde, centrando as críticas na direção executiva do SNS. Ontem que este tema foi quase inevitável, o tema da saúde.

Bom dia. É verdade, e eu até diria que tem havido algum ajustamento na campanha Luís Marques Mendes. Enfim, entre aquilo que foi a pré-campanha e o que é o período oficial, e também desde que começou a surgir a tracking poll diária da CNN, que tem bagunçado um bocadinho as contas na campanha. Ou seja, nós tínhamos até escrito na pré-campanha que Luís Marques Mendes estava a tentar chegar a uma espécie de equilíbrio virtuoso entre ser o candidato apoiado pelo PSD, ser um ex-líder do PSD, tudo isso, e tentando alargar um bocadinho a sua base eleitoral, fazendo aquelas que se chamavam na campanha críticas de bom senso ao governo. Ou seja, havia questões como o acesso à saúde, que se assumia que não seriam interpretadas como se fosse um ataque ao governo, eram críticas que mesmo o eleitorado da AD compreenderia. E o que nós temos visto, à medida que a campanha começa a avançar e que as sondagens não são simpáticas, pelo menos esta tracking poll, não é simpática esta evolução para Luís Marques Mendes, é de facto uma aproximação do governo, ou pelo menos não há tanta necessidade de se ir afastando e descolando do governo. Ou seja, houve a entrada do Luís Montenegro, evidentemente, e cada vez mais é visível que o aparelho do PSD, pelo menos da linha oficial do PSD e da direção atual e do governo, vão aparecendo na campanha para dar apoio a Marques Mendes. E ontem, como dizias, Bruno, eu penso que houve um momento que foi mais difícil para digerir para Marques Mendes, porque de facto, à medida que se vão acumulando estas notícias de mortes por falta de socorro atempado, e evidentemente os jornalistas vão pressionando Marques Mendes pela sua proximidade com o governo sobre se não quer ouvir a ministra da Saúde, se lhe quer exigir responsabilidades, como é que faria se fosse presidente da República. Ele tem tentado fazer aqui um equilíbrio e tem tentado chegar a uma maneira de, aparentemente, não atacar diretamente o governo. O que ontem fez foi centrar completamente as responsabilidades da direção executiva do SNS. Ou seja, os jornalistas insistiram uma, duas, três vezes em perguntar pela ministra da Saúde e Marques Mendes jogou sempre a responsabilidade toda para a direção executiva de Álvaro Almeida, dizendo até que é uma desumanidade não aparecer a dar explicações, que não abre a boca, várias expressões até muito duras com a direção executiva. E portanto, o que nós temos visto é um alinhamento, eu diria que maior, ou pelo menos mais visível entre o governo e Marques Mendes. E aliás, é bom lembrar que ainda esta semana tivemos o Hugo Soares, que é o topo do aparelho do PSD, a aparecer na campanha e a assumir que Marques Mendes é o melhor candidato para o governo, é o candidato que o governo gostaria que as pessoas que votaram AD escolhessem e, portanto, a assumir inteiramente esse apelo ao voto para mobilizar o eleitorado da AD. E isso explica-se facilmente por à medida que a campanha vê que as sondagens não estão, lá está mais uma vez a tracking poll dessa emissão diária.

Não são as melhores.

Sim, que não são as melhores, percebe a necessidade de mobilizar primeiro o eleitorado da AD, ou seja, em vez de se concentrar tanto em alargar a base como tinha pensado numa primeira fase, está convencido que-

De se fixar no seu eleitorado natural.

Para passar à segunda volta. Exatamente. Para passar a uma segunda volta, primeiro é preciso garantir a AD e depois é que se vai à conquista de votos novos.

Mariana, muito rapidamente em relação às sondagens, acreditas ou tens sentido que as sondagens que têm sido divulgadas, a tracking poll da CNN, têm afetado, têm pesado no ambiente em torno da campanha de Marques Mendes?

Sim, eu penso que animicamente tem. É verdade que na campanha Marques Mendes vai avisando, e é óbvio que é um dado a ter em conta que nas eleições entre Rui Rio e António Costa, que deram a maioria absoluta a António Costa, a Tracking Poll chegou a dar empate técnico, mas podia dar a vitória a Rui Rio e, obviamente, a Tracking Poll não define exatamente como é que as coisas estão neste momento, mas é óbvio que tem um impacto anímico na campanha e Marques Mendes, no fundo, também tem usado esses números para dramatizar cada vez mais. Aliás, esta semana chegou a dizer: "Sejamos francos, eu posso perder a eleição se houver esta dispersão de votos". E eu diria que tem tirado também algumas conclusões, como a dispersão de votos que a sondagem indica para Cotrim Figueiredo no que é o eleitorado base da AD. Portanto, também vai ajustando a estratégia nesse sentido.

Mariana, rapidamente hoje para a agenda de Marques Mendes. Há a reunião do Conselho de Estado e mais alguma coisa?

Sim, agora de manhã temos uma visita a um lar de idosos em Cascais, depois há o almoço com os presidentes de câmara de Lisboa, Cascais e Sintra, que são todos da sua área política. Temos o Conselho de Estado e vamos acabar com um jantar com apoiantes na Lousã.

Muito bem, ainda têm muitos quilómetros para fazer, Mariana. Bom trabalho nesta tarde a acompanhar a campanha de Marques Mendes. E a Inês André Figueiredo acompanha a de André Ventura. Inês, ontem a saúde foi tema dominante para todos. Como é que André Ventura usa este e outros temas para conseguir afirmar mais a sua candidatura?

Bom dia. As notícias sobre saúde que têm surgido nos últimos dias são terreno fértil para André Ventura, principalmente quando tem como grande objetivo para esta campanha repetir o resultado que o Chega teve nas últimas eleições legislativas, porque pelos números que temos visto e pela dispersão de votos, esse resultado, aparentemente, é mais do que suficiente para chegar à segunda volta. Durante as ações de campanha desta quinta-feira, tanto em Ourém como em Vila de Rei, André Ventura focou-se muito neste tema, puxou muito pela necessidade de intervenção de um presidente da República neste tipo de cenários, e aí sim faz uma ligação direta a estas eleições presidenciais, porque muitas vezes, como sabemos, parece que está a fazer campanha para as legislativas. Mas além de ter acusado Marcelo Rebelo de Sousa de andar desaparecido, acabou por sugerir que um presidente da República, neste caso, tem mesmo de chamar um primeiro-ministro, pedir-lhe explicações e, se for preciso, pedir a demissão de uma ministra, mas nunca conseguiu explicar e foi muito questionado pelos jornalistas. Nunca consegue esclarecer qual é que seria a consequência se um primeiro-ministro não aceitasse essa sugestão, tendo em conta a falta de poderes de um presidente da República. Neste caso, não pode obrigar um primeiro-ministro à demissão de um ministro, e já vimos isso num passado recente. Nesse caso, André Ventura diz apenas que neste cenário comunicaria aos portugueses que falou com o primeiro-ministro e que não foi ouvido e que deviam ser eles próprios a tirar as conclusões, mas não quis dizer, por exemplo, se as eleições seriam ou não uma opção neste tipo de caso. Mas a verdade é que André Ventura tem aproveitado muito este e outros temas, principalmente quando se vai cruzando com queixas na rua e há muitas pessoas que vão ter com André Ventura para falar de pensões, de habitação, de reformas. E o candidato apoiado pelo Chega acaba por capitalizar com os votos de quem quer castigar o governo, pelo menos é esse o objetivo. E na própria campanha, na própria comitiva, assume-se isto. Esta foi uma fórmula que funcionou no passado, não vale a pena modificar. Vão falar diretamente para o eleitorado do Chega. Ao mesmo tempo, e ao contrário do que é normal no presidente do Chega, tem sido muito pouco sonoro nos ataques aos principais adversários.

É isso, Inês. Nota-se que há pouco, ainda agora ouvimos a Mariana e a Rita, com os dois lados de Seguro e de Marques Mendes e das críticas que são feitas, sobretudo a Marques Mendes e do lado direito, André Ventura parece um pouco fora destas picardias pessoais, destes duelos. Isso acontece por quê?

Completamente. Na verdade, André Ventura já chegou a dizer que não quer desconsiderar ninguém, o que para o estilo agressivo de André Ventura é bastante irônico, porque acabou por subir e por chegar onde está pelo confronto direto com muitas personalidades políticas, mas aqui e ali, quando questionado pelos jornalistas, quando se puxa muito pelo candidato presidencial, vai deixando escapar uma ou outra crítica, mas nada de muito agressivo, nada de vocal como André Ventura nos tem habituado. E a verdade é que as campanhas de Marques Mendes, como dizias, mas também de Gouveia e Melo e João Cotrim Figueiredo, têm estado muito tempo em fogo cruzado e André Ventura tem dispensado entrar neste tipo de jogo. Mantém uma estratégia linear, ataca pouco e fazendo aqui a ligação com o que dizia anteriormente, foca-se essencialmente no eleitorado do Chega, com os temas de sempre, um pouco como se estas fossem umas legislativas, mas inserindo as sugestões sobre o que é que faria em Belém se lá chegasse.

E qual é a agenda prevista para hoje para André Ventura, Inês?

Ao contrário da Rita Tavares e da Mariana Lima Cunha, eu vou ter uma agenda muito curta. André Ventura vai ficar pelo distrito de Lisboa. Tem uma arruada em Sobral de Monte Agraço agora às 11h, que na verdade é a única agenda do dia, à exceção desse Conselho de Estado, onde sabemos que André Ventura tem assento.

Muito bem, Inês André Figueiredo, Mariana Lima Cunha, Rita Tavares a acompanharem as comitivas desta campanha presidencial. O Direto à Campanha está de volta na segunda-feira.