Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Muito bom dia, 9h20. Vamos agora falar com a Raquel Patrício Gomes, representante em Portugal da Comissão Europeia e também uma das responsáveis do Summer Camp, uma iniciativa que, de resto, nos próximos dias vai ser acompanhada pela Rádio Observador em pormenor. Temos equipa no terreno, em Monsaraz, para acompanhar esta iniciativa. Raquel, muito bom dia, muito obrigado por ter vindo ao Observador. Podíamos começar por explicar o que é o Summer Camp, para quem ainda não percebeu. Que iniciativa é esta que vai acontecer em Monsaraz durante os próximos dias?

Bom dia. O Summer Camp é a escola de verão de assuntos europeus, que é organizada pela Comissão Europeia, aqui em Portugal, e que junta 40 jovens universitários com aqueles que são os protagonistas da vida da Europa em Portugal e de Portugal também na Europa, para discutir exatamente, num cenário muito pouco provável e em formatos também muito dinâmicos e pouco expectáveis, aquilo que são os maiores debates que a Europa enfrenta. Esse é o nosso objetivo, esse é o nosso formato, muito pouco usual. Não é normal ver.

Mas só ocorre em Portugal ou há iniciativas destas um pouco pelos vários países europeus?

Não, é um projeto português, da Comissão Europeia em Portugal, e é um formato português. Não vou dizer que não haja tentativas de replicar noutros países, porque há, mas é um projeto nosso.

Porque é, Raquel Patrício Gomes, uma forma de aproximar os jovens à União Europeia, tentar contrariar o afastamento que muitas vezes existe em relação aos assuntos de Bruxelas. É por aí que passa?

Passa muito por aí. Passa também pela nossa perceção de que estes sentimentos de perceber a Europa e de nos sentirmos europeus passam muito pelas experiências que temos. Não por decreto, não por diretiva, mas pelas experiências que temos junto das pessoas e pelos sentimentos também que geramos. É por isso que normalmente os jovens associam a União Europeia ao Erasmus, ao fim do roaming, ao euro. Por quê? Porque são as coisas que, de facto, têm impacto na sua vida. E a lógica aqui é pegar nestes jovens universitários, que são selecionados por candidatura.

Estamos a falar de que idades?

Estamos a falar dos 18 aos 30. Este ano temos, de facto, dos 18 aos 30, o mais novo tem 18.

E são eles que concorrem à iniciativa?

São eles que concorrem à iniciativa, livremente, explicam qual é a sua motivação. E há também aqui uma coisa que eu acho interessante no modelo, é que nós não vamos à procura só dos eurotimistas, dos bandeirinhas e dos convertidos. Gostamos de ter um grupo heterogêneo, este é o nosso terceiro ano, o tão heterogêneo quanto possível, não só em proveniência de país, mas também na sua formação e na sua ação no terreno. Pessoas que trabalham na área humanitária ou nos partidos, nas suas comunidades, com perfis muito diferentes.

E ideologias também diversas.

Muito diversas.

E vêm de vários países.

Vêm de vários locais em Portugal, são todos portugueses, esse é o nosso objetivo.

Todos portugueses.

Todos portugueses.

Portanto, estes são os participantes, os tais 40 participantes. Com quem é que eles vão falar? Isto são quatro dias.

Mais de 40 oradores.

Muito mais de 40 oradores, na verdade. Nós temos previstas 33 sessões, são grandes maratonas, com uma logística cirúrgica e às vezes até um pouquinho complicada, mas que assenta na generosidade e até na grande expectativa destes oradores em chegar a Monsaraz e encontrar um grupo de jovens heterogêneo, diferente, mas muito desafiador, e que tem a generosidade, e sublinho, a generosidade de, no mês de agosto, que é o mês tradicionalmente de férias, fazerem 300 km para estar em Monsaraz. A maior parte dos oradores fica a dormir em Monsaraz.

Durante, pelo menos, alguns dias daquele período.

Pelo menos.

Mas estamos a falar de pessoas de que perfil, entre os oradores?

Entre os oradores, tanto temos o presidente do Eurogrupo este ano, Mário Centeno, ministro das Finanças português, como temos o ministro Tiago Brandão Rodrigues, ministro da Educação, que é o terceiro ano que também está conosco. Temos o Carlos Moedas e o Julien King, comissários europeus, e aqui estamos a falar de alta política da Europa e na Europa. Mas temos, por exemplo, a Beatriz, da Ocean Hope, que tem 19 anos e que dedica os seus fins de semana a apanhar lixo na praia.

Já cá veio à Rádio Observador falar dessa iniciativa.

Muito bem. E vai estar também no Summer Camp. Mas temos eurodeputados. Um princípio também do Summer Camp é, quase que em regime de desabafo, é muito mais fácil fazer uma coisa destas numa grande cidade.

Essa era a pergunta que eu tinha para lhe fazer, por que escolheram Monsaraz?

Escolhemos Monsaraz e no ano passado escolhemos Marvão e antes disso escolhemos Monsanto, porque primeiro, o conceito assente é-

Só palavras começadas por M.

Ou com castelos. O nosso princípio é não estar onde normalmente seria expectável que estivéssemos. E portanto, vamos para o interior de Portugal, na altura que é mais favorável aos estudantes, falamos do final das férias de verão. Procuramos normalmente cenários que são inspiradores, onde nós possamos também entrosar com a comunidade local. Este ano temos uma artesã holandesa, que é quase que a guardiã da tecelagem em Monsaraz, uma senhora holandesa que se radicou em Monsaraz. E temos uma interação muito grande com a comunidade local. São também oradores, mas o ano passado tivemos, por exemplo, um contrabandista de Marvão, que nos estava a explicar, na altura-

Um ex-contrabandista.

Um ex-contrabandista, claro.

Salve a redundância.

Senão saía de lá vivo, provavelmente.

Sim, exatamente. Mas para nos explicar como é que se vivia em Marvão antes de haver a União Europeia. Portanto, esta interação com a população local é muito importante. É muito importante termos alguma serenidade também. E depois termos a possibilidade de estar num castelo, sentados, numa forma se calhar menos ortodoxa do que as pessoas estariam à espera.

Portanto, é informal.

É uma coisa muito informal.

Eu estou aqui a percorrer online a brochura do Summer Camp e vejo aqui desde fadista, Cátia Carreiro, José Pinho, médico. Estas pessoas interagem nos mesmos painéis a falar de temas distintos Políticos, jornalistas, fadistas, músicos, artesãos falam transversalmente dos mesmos temas.

A nossa ideia é que toda a gente, todos nós, nós aqui que estamos à volta desta mesa, todos nós temos uma vivência da Europa e uma experiência da Europa, seja ela qual for, na nossa história, no nosso dia a dia. E portanto, temos sempre alguma coisa a dizer sobre essa nossa experiência. É o caso da Cátia Guerreiro, este ano vai estar com o grupo de cante de Monsaraz. Estamos a falar de cultura universal e cultura local, numa experiência que é muito bonita. A Cátia é embaixadora da Europa Nostra em Portugal. Mas regra geral, gostamos de pôr experiências diferentes, mesmo do ponto de vista político. Experiências diferentes, não para grandes ping-pongs ou grandes contraditórios, mas sobretudo porque acreditamos que é neste debate que estes jovens vão encontrar a sua opinião e o seu caminho sobre a Europa.

Visões políticas diferentes, mas todas elas europeístas?

É uma ótima pergunta. Quando nós temos, no caso de eurodeputados, em cima da mesa ou à volta do castelo de Monsaraz, temos uma eurodeputada do Bloco de Esquerda, que é a Marisa Matias, que seguramente terá uma visão diferente da eurodeputada Lídia Pereira. Este ano temos pela primeira vez um eurodeputado do PAN. Essa diversidade política, nós entendemos que nos enriquece o debate, porque a ausência de debate, na verdade, é aquilo que depois faz crescer um vácuo e esse vácuo depois degenera em perspetivas menos esclarecidas e em populismos, já nem vou falar de fake news e desinformações. Mas em perspetivas pouco esclarecidas. E nós não só não temos medo, como gostamos muito de trazer para a arena aquilo que são perspetivas diferentes. Aliás, uma das coisas que eu também gostava de ressalvar, desta lista grande de oradores, cinco oradores são da Comissão Europeia.

Da própria comissão, isto é, ou desempenham cargos diferentes na comissão, a vários níveis.

Sublinho, apenas cinco são da Comissão Europeia.

O apenas falhou-me.

E depois, e resultados práticos destes encontros? Discute-se muito, há muita interação informal que é importante, e depois, o que é que isso contribui para a forma como até a própria União Europeia olha para os assuntos que são discutidos?

Este último ano foi um ano muito característico, porque tivemos eleições europeias e a maior parte destes jovens foi encontrar no Summer Camp uma boa razão para se mobilizar no apoio ao voto, sobretudo com campanhas lançadas pelo Parlamento Europeu, desta vez ao voto. Houve vários jovens que, de facto, um deles inclusivamente deixou o curso de Medicina e de Filosofia em suspenso para ir fazer campanha pelo voto. Mas temos jovens que dentro dos seus partidos procuraram maiores esclarecimentos sobre assuntos europeus. Estes jovens, obviamente, são acompanhados. Ainda ontem tínhamos um dos nossos oradores a mandar aos participantes do ano anterior, uma carta com aquilo que na altura eles tinham previsto que fosse acontecer no ano de 2019. Trazemos estes jovens para ao pé da Europa, sublinho outra vez, tentar enformar aquilo que é a opinião deles e dar-lhes espaço para fazerem o seu caminho nas suas comunidades.

Raquel Patrício Gomes, da representação da Comissão Europeia em Portugal, é também uma das responsáveis por esta terceira edição do Summer Camp e vão poder acompanhar esta iniciativa aqui na Rádio Observador. Acontece em Monsaraz na próxima semana. Fiquem atentos à Rádio Observador, porque também é aqui que vamos acompanhar muitos destes painéis. Há uma equipa com a Vanessa Cruz, com o Pedro Benevides e não só, que vão para Monsaraz para nos trazer também aqui à rádio grande parte deste Summer Camp. Raquel, obrigado por ter vindo e bom fim de semana.

Obrigada eu.

Bom Summer Camp.

Obrigada.

São 9:31. Vamos a uma síntese de notícias com a Carla Jorge.

Rádio Observador. Ouça este e outros conteúdos em observador.pt/rádio e subscreva os nossos podcasts.