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Vamos falar de ciência. Mais de 3 mil pessoas morreram devido à gripe em Portugal no último inverno, e este ano o Estado investiu mais de 11 milhões de euros em vacinas contra a gripe, um número que representa mais do dobro do investimento feito na época gripal passada. As vacinas vão ser dadas gratuitamente a grupos de risco do Sistema Nacional de Saúde.

E conosco temos, em direto ao telefone, Raquel Guiomar, que faz parte do Instituto Ricardo Jorge, é responsável pelo Laboratório Nacional de Referência para o vírus da gripe e também para outros vírus respiratórios. Boa tarde, doutora Raquel Guiomar. Obrigado por estar conosco aqui em direto na Rádio Observador. Como é que este vírus da gripe funciona? Já vamos falar também dos números das mortes no último inverno, mas para já perguntava-lhe, para um momento mais explicativo, como é que funciona este vírus?

O vírus da gripe é um vírus que se caracteriza por infectar a população portuguesa e também no Hemisfério Norte durante os meses de inverno. É um vírus que tem uma grande capacidade de se adaptar e de ir evoluindo ao longo dos vários tempos, de forma que o seu sucesso na infecção do homem seja realmente concretizado.

Raquel Guiomar, temos estes números também que dão conta de mais de 3 mil pessoas que terão morrido em Portugal por causa da gripe no último inverno. São dados de um relatório do Programa Nacional de Vigilância da Gripe. Estes são números que considera serem preocupantes?

Estes números vêm de um programa de monitorização da mortalidade por todas as causas e, no fundo, é mais um dado que nos indica que a gripe é realmente um vírus e uma doença que pode ter um impacto negativo na saúde da população e que devemos tomar todas as medidas que nos permitam prevenir a doença. Sabemos também que quando circula, por exemplo, o vírus do subtipo AH3, tem-se verificado que o impacto na mortalidade é mais evidente e por isso hoje quisemos também transmitir a mensagem que a vacinação e a campanha de vacinação neste inverno vai também permitir que a população utilize uma das principais armas para prevenir a doença e prevenir a doença grave.

E, portanto, estas vacinas que vão ser distribuídas, como diz a doutora Raquel Guiomar, são vacinas tetravalentes, é isso?

Uhum!

Qual é a diferença em relação às anteriores?

A vacina trivalente, tal como o nome indica, continha dois vírus do tipo A, o subtipo AH1 e o AH3, e apenas uma das linhagens do vírus influenza B. O que normalmente acontece é que nunca saberemos qual o vírus que vai predominar na época seguinte. E o que esta vacina traz de novo é que inclui não só os dois subtipos do vírus influenza A, mas também engloba as duas linhagens do vírus influenza B, que se denominaram por B Victoria e B Yamagata. E assim, no fundo, é uma vacina que contém os quatro vírus que normalmente estão associados às epidemias da gripe.

É, portanto, uma vacina mais eficaz.

É uma vacina que foi melhorada e que é a primeira vez que vai ser administrada à população portuguesa. Portanto, vamos monitorizar durante esta época, também através de um programa que monitoriza a efetividade da vacina em cada inverno e, neste momento, também está já tudo preparado para acompanhar de perto e durante o inverno, a avaliação da efetividade desta vacina.

Só mesmo para terminar. A época da vacinação arranca na segunda-feira, na vacinação contra a gripe. Espera, depois destes números que foram revelados em relação ao último inverno, que os números deste próximo inverno sejam menores no que diz respeito à mortalidade?

Sim, a taxa de vacinação, principalmente no grupo de risco dos 65 e mais anos, tem vindo a aumentar nas últimas campanhas de vacinação e, portanto, pretendemos também com esta monitorização de perto das epidemias da gripe, quer através da avaliação da intensidade das epidemias, quer através da caracterização do vírus e também desta avaliação do impacto que a gripe tem na população, que realmente haja uma sensibilização maior e que a adesão à vacina e a toma da vacina, principalmente para os grupos para os quais ela é recomendada, para os grupos de risco, seja realmente aceita e que se utilize esta possibilidade de nos protegermos para uma infecção que pode, em alguns casos, ser grave e estar mesmo associada a alguns óbitos.

Doutora Raquel Guiomar, agradeço lhe ter estado conosco. Faz parte do Instituto Ricardo Jorge, é responsável pelo Laboratório Nacional de Referência para o vírus da gripe e outros vírus respiratórios. Ora, a época de vacinação para o vírus da gripe começa na segunda-feira.