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A NASA partilhou informações sobre um planeta gasoso que, além das impressionantes dimensões, é cor-de-rosa. Tem uma massa quatro vezes maior do que a de Júpiter e localiza-se a 57 anos-luz da Terra. Os investigadores descobriram este planeta em 2013, graças a um telescópio, e estima-se que este planeta possa ter sido formado há 160 milhões de anos.
Em direto, junta-se a nós o investigador João Faria. É investigador do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço e também da Universidade do Porto. Muito boa tarde, João Faria. Além das dimensões, já percebemos que este é um planeta cor-de-rosa. Há alguma explicação para esta cor?
Boa tarde. Sim, de facto, é um planeta que tem uma cor um bocadinho atípica. A explicação é que o planeta é muito novo, formou-se há pouco tempo, ou seja, há poucos milhões de anos. Na astronomia é assim que o tempo se mede. E é isso que explica, de facto, esta cor diferente.
Isso quer dizer que ainda vai mudar de cor ao longo do tempo?
Sim, os planetas começam a arrefecer depois de se formarem e a sua cor também muda.
E queria perguntar-lhe o nome deste planeta, GJ 504b. O que isto significa?
Exatamente. O B significa que é o primeiro planeta à volta da estrela GJ 504. É assim que nós lhes damos os nomes. Se houvesse um segundo planeta, seria o C.
E o que sabemos já sobre este planeta, além daquilo que já fomos dizendo, João Faria, que nos pode aqui ajudar a perceber?
Este planeta já foi descoberto há vários anos, em 2013. Na altura, foi um dos planetas mais pequenos, de menor massa, que foi descoberto com esta técnica de imagem direta. A técnica foi tirar uma fotografia e observar o planeta diretamente. Isso é difícil de fazer, porque os planetas são longe e são bastante menos brilhantes do que as suas estrelas. Mas neste momento já conhecemos vários outros planetas. Conhecemos mais de 4 mil planetas fora do sistema solar. Alguns são como este, são grandes e são gigantes, outros são mais parecidos com a Terra. Por isso eu diria que o importante aqui, o que nós estamos à procura mesmo, é não de um planeta cor-de-rosa, mas de um planeta azul como a Terra.
Um planeta mais parecido com o nosso. Estamos a ter algumas dificuldades, João Faria, neste momento, mas vamos tentar melhorar essa ligação, obviamente, para continuarmos aqui a perceber também mais sobre este planeta. Por que se foi descoberto em 2013, só agora é que surgiram estas informações, João? Houve alguma confirmação de alguma coisa que impossibilitou isto, ou por que agora a NASA voltou a pegar neste assunto?
O que acontece, às vezes, é que existem novos trabalhos, novos estudos, ou sobre o planeta ou sobre a sua estrela. E às vezes isso permite-nos determinar com maior precisão algumas das quantidades, a massa ou o período do planeta. Foi isso que aconteceu neste caso.
E neste caso ficamos a saber que este é um planeta gasoso. O que isso significa?
Isso significa que é um planeta como Júpiter no nosso sistema solar, um planeta que tem no interior um núcleo, mas depois é maioritariamente feito de gás.
Isso ajuda-nos, por exemplo, a perceber melhor como é que funciona Júpiter ou também já sabemos quase tudo aquilo que havia para saber?
Exatamente. Ajuda-nos porque a estrela que este planeta orbita é parecida com o Sol, mas mais nova, e portanto ajuda-nos a perceber como é que Júpiter se terá formado. E como é que pode evoluir a partir daí.
Bom, nós na rádio só temos esta limitação. Não conseguimos mostrar a ilustração que a NASA partilhou sobre este planeta. Portanto, o convite para quem está a ouvir é ir até ao site da NASA, até às redes sociais, para perceber. De facto, a cor da ilustração é muito bonita, mas aqui o João Faria já nos explicou que este planeta vai também mudar de cor, portanto não é uma cor definitiva. O João Faria, do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço e também da Universidade do Porto, é investigador também da Universidade do Porto, juntou-se a nós para nos contar mais sobre este planeta. Portanto, GJ 504b. Disse bem, não disse, João?
Sim, exatamente.
Muito obrigada pela sua disponibilidade e até à próxima.
Obrigado.
Obrigada. Se tem por aí pessoas curiosas sobre este tipo de questões, pode sempre partilhar a nossa conversa de hoje. A rubrica de ciência da tarde em direto volta amanhã, mas entretanto, esta conversa com João Faria vai ficar disponível em podcast daqui a instantes, nas plataformas habituais e em observador.pt. Basta procurar pelo nome. Obrigada por ter ouvido este podcast. Se gostou, pode subscrevê-lo, pode partilhá-lo e também pode ouvir a Rádio Observador online em 98.7 em Lisboa e em 98.4 no Porto