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E o campeão esta com a Rádio Observador, no programa em que atualizamos a atualidade desportiva. Eu sou o Miguel Cordeiro e comigo estão o Agustinho Inácio, o Gabriel Alves, o Pedro Henriques e o João Castro. Hoje vou começar com declarações de Villas-Boas, que fala sobre a relação do futebol da Arábia Saudita com Portugal, em particular com o Futebol Clube do Porto. Com André Villas-Boas a dizer que espera agora uma melhor relação, uma vez que Sérgio Conceição vai para o futebol da Arábia Saudita, mas a criticar e a dar exemplos, que com Rodrigo Mora ficou com o negócio na cabeça, "mexeram com a cabeça do miúdo", é a expressão utilizada. Já tínhamos visto também a situação com Galeno. Gabriel Alves, faz sentido este posicionamento, que de certa forma é posicionar-se contra o futebol da Arábia Saudita e aquilo que tem feito nos sucessivos mercados de transferências?
Boa tarde. Obviamente que Villas-Boas, presidente do Porto, está dentro de dossiês que naturalmente nós não estamos. E, portanto, há fatores que são inerentes a esses dossiês, processos que talvez se fossem colocados de forma clara e transparente, pudéssemos ter uma observação mais eloquente. De qualquer das formas, é um mercado, é aquilo que é. Se ele veio a terreiro e foca essas questões, ponham-se de cautela os restantes clubes. Mormente naquilo que é correspondente aqui em Portugal, estejam atentos quando houver qualquer tipo de negociação ou qualquer tipo de tentativa de negociação. Agora, é preciso também ver o que é que se passa em relação a isso lá fora. Portanto, aos outros países que têm negócios com a Arábia Saudita. Daí que terá que ser sempre tudo muito relativo. E volto a repetir, André Villas-Boas tem pormenores e detalhes dos dossiês que eu não tenho, e acho que nenhum de nós tem, para poder aqui dizer seja o que for, para além disto. Cuidado! Se ele veio a terreiro, cuidado. É só esta a minha perspectiva.
Pedro Henriques, como é que vês este posicionamento? É óbvio que é uma declaração aqui num fórum ligado ao futebol, mas parece mostrar que há algum rancor até de André Villas-Boas em relação ao futebol da Arábia Saudita ou pelo menos algumas situações ligadas ao Futebol Clube do Porto.
Boa tarde. Bem, eu vejo isso com duas perspectivas. Uma perspectiva que, por algum motivo, pode, essa ligação ou relação com o futebol da Arábia Saudita, em relação a jovens jogadores, porque mexe-se muitos milhões e acena-se com muitos milhões e isso pode ter impacto em jogadores que já são ricos, diga-se de passagem, e que já não vivem, propriamente dito, no mesmo contexto que todos os outros jovens das suas idades. Mas percebo que haja aqui, de alguma maneira, esta questão que é: isto vai mexer com a cabeça do jogador, que durante uma semana, duas, um mês, se calhar vai andar um bocadinho desorientado na perspectiva de eu agora vou pra um sítio que se calhar desportivamente pode ser ou não melhor de onde estou, fora da Europa, mas ao mesmo tempo vai me dar aqui um aporte financeiro que me permite fazer tudo e mais alguma coisa. Por outro lado, se o negócio depois não se concretiza, a questão da decepção e de alguma maneira daquilo que isso aporta, que é depois um jogador andar desmotivado, porque o negócio não se concretizou, esteve quase, criou expectativas. Isso é sempre perigoso, sobretudo se o jogador não estiver bem acompanhado, quer na estrutura familiar, quer na estrutura desportiva. Depois, há o outro lado que eu vejo com alguma diferença em relação ao André Villas-Boas. Não me parece que seja condenável, qualquer que seja o país que tem dinheiro, que de repente queira ir buscar os melhores jogadores, transformar a sua liga numa liga altamente profissional e com muitos jogadores a pagar muitos milhões. Eu vejo sempre a coisa pelo outro lado, que é: eu acho bem que as pessoas ganhem muito dinheiro e que os ordenados mínimos sejam subidos. Nunca vou criticar quem ganha muito dinheiro. É exatamente ao contrário. O que eu tenho que fazer é como é que eu posso fazer com que aqueles que ganham pouco cheguem lá também ao topo. E parece que temos esta coisa do pobrezinho e do coitadinho, que é aquela malta ganha muito dinheiro, portanto, não pode ser, vamos baixar os ordenados. Não, temos é que subir aqueles que ganham pouco, porque os que estão lá em cima já estão bem.
Basta pensar se não faz o Porto o mesmo com outros clubes de dimensão mais pequena quando tenta contratar jogadores.
Faltava-me concluir com isso. Quer dizer o seguinte: nós, já outra dia com o João Pinto falámos um pouquinho sobre isso, que era quando o João Pinto dizia: "E agora?" O João Pinto, nosso adepto. Não interessa o clube, está a pôr ali o autocarro e tal e a perder tempo e a ir para fora. Eu depois até falei: então e quando nós, em termos de né, não é o Benfica, é o Porto, jogamos com os Reais Madrids e com os Bayerns de Munique, não sei o quê, o que é que fazem? Não fazem a mesma coisa? E aqui é a mesma situação. Há a outra dimensão, que é quando o Porto, o Benfica ou o Sporting, de repente, pensam ou manda-se cá para fora o nome de um jogador que está no União de Leiria, como foi o caso ali, que foi para o Sporting. O que é que fica na cabeça desse jogador? Que de repente passa de uma realidade para poder jogar num dos melhores clubes portugueses, mesmo em Portugal, a ganhar o triplo ou o quádruplo. É exatamente a mesma coisa. Agora aqui a proporção é diferente, porque obviamente quando se mete a Arábia Saudita, estamos a falar de muitos zeros à direita. Só para dizer isto, concordo claramente com o Gabriel Alves. Há coisas que nós não dominamos, que não sabemos, e o André Villas-Boas sabe, e isso pode fazer a diferença para também este quase rancor que ele colocou em relação à Arábia Saudita.
Muito bem. João Castro, falar aqui também um bocadinho do Sporting, porque o Frederico Varandas também falou. Nesta semana de paragem de seleções, os presidentes falaram todos e estão a falar quase todos os dias, na verdade. Mas eu queria pegar aqui em declarações mais para dentro do balneário do Frederico Varandas, que diz que o Sporting está em segundo lugar por culpa própria. Vês aqui uma mensagem direta para o balneário e um recado de exigência?
Bom dia a todos. É claramente um recado de exigência, porque o presidente do Sporting acha que o Sporting tem o melhor plantel e como isso deveria estar à frente do campeonato, até porque estava a praticar bom futebol. E a verdade é que o Sporting perde cinco pontos em casa. Só com isso, o Sporting seria líder e portanto, acho que é uma boa exigência. Sabe que tem o melhor plantel, sabe o investimento que fez. Se calhar ainda falta ali um ou outro jogador, mas a verdade é que o Sporting perdeu pontos e muitas vezes por erros próprios, por erros individuais, que depois transformam-se em erros coletivos da equipa. E portanto, eu percebo essa exigência do presidente do Sporting, porque realmente, com o plantel que o Sporting tem e com os jogos que perdeu e foram jogos em casa, o Sporting poderia estar em primeiro lugar. Vou-te já dizer as minhas notas hoje, as minhas notas negativas.
Vamos a isso.
Para os três presidentes. Continuar a falar da arbitragem desta maneira e destas guerras, o futebol português não vai a lado nenhum. Eu acho que devia haver uma regra, cada clube que publicamente, nas redes sociais ou comunicados sobre a arbitragem, multa de 100 mil euros. Segunda vez, 200 mil. Terceira vez, 300 mil. Só assim é que se vai parar com estas guerrillas.
Estás a ver umas coisas do basquete, João. NBA, aqui há uns anos.
Já não há paciência para os presidentes. Quando o Villas-Boas foi eleito e pensava-se que ia se entrar numa nova era também no futebol português com os três presidentes, é tudo igual. Tudo corrido com a mesma coisa. Quando não ganham, arbitragem. E depois começam a olhar para os quintais dos vizinhos. Depois, a minha nota negativa é também para o Villas-Boas. A minha nota hoje vai ser também para o Villas-Boas, por aquela ideia de pôr o Casa Pia de Sporting no estrangeiro, jogos do campeonato português na América. Sou completamente contra. O futebol ainda continua a ser do povo que fez tudo para que o futebol se transformasse no que é. E cá, ninguém quer ver um Casa Pia-Sporting nos Estados Unidos. Ninguém quer ver um Porto-Famalicão em New Jersey. Acho que os adeptos do Porto também não querem isso, não podem ir ver o jogo ao vivo. Se fosse aos jogos de televisão, não se faz estádios, joga-se no relvado e transmite-se para todo o mundo. Portanto, nota negativa para ele.
Só para perceber, Gabriel Alves, para dar seguimento a esta conversa, só para perceber, João Castro, tens alguma nota positiva?
Não, hoje não tenho nenhuma nota positiva. Deixa eu fazer uma coisa sobre a Arábia Saudita. O Villas-Boas esqueceu-se que só vendeu o Galeno por aquele valor, porque foi para a Arábia Saudita. Portanto, a reestruturação financeira do Porto, muito se deve também à venda que foi para a Arábia Saudita. E conforme disseram, e bem, quando o Porto vai buscar um jogador ao Famalicão, obviamente que o jogador também fica com a cabeça do outro lado. Acho que não devemos estar aqui a criticar quem é maior, na altura, e faz a maior oferta, porque isso é a lei de mercado a funcionar.
Gabriel Alves, ias acrescentar aqui ao que estava a dizer o João Castro?
A propósito da questão da arbitragem, que nós temos vindo a falar. Este é o terceiro programa. Ontem, Anthony Taylor, o árbitro, deu uma entrevista à BBC e ela hoje é muito da imprensa internacional, muito focada. Estou aqui com o Correio da Sport à minha frente. Para a primeira vez desde a final da Liga Europa de 2023. "Minha família não vai ao estádio desde aquele dia", diz Anthony Taylor. E Anthony Taylor diz que revisa aquela noite que mudou a sua carreira, os erros contra a Roma, mas não houve erros graves. As palavras de Mourinho, ele foca Mourinho, o ataque de alguns torcedores no aeroporto que, segundo ele, chocou tanto a sua família e que a partir daquele momento eles não voltaram a assistir a nenhuma partida. Budapeste, disse ele, e passo a citar: "Foi a pior situação que já enfrentei em termos de insultos, não apenas porque eu estava viajando com a minha família na época. Também destacou o impacto que o comportamento das pessoas tem sobre os outros, mesmo numa partida como aquela, onde não houve erros graves". Salienta Taylor. "Desviar o foco para alguém, para culpar, para mim, isso é a maior fonte de decepção, frustração e raiva. Não acho que o que aconteceu seja aceitável, porque tenho a certeza de que essas pessoas não gostariam que alguém se virasse e dissesse algo assim para elas ou seus filhos. Eles não veem uma partida desde então". E eu remato aqui com o parte final em que ele diz que todo fim de semana você pode ir a qualquer parque local no Reino Unido e ver um pai na lateral do campo abusando verbalmente de um jovem árbitro. Isso não é um ambiente propício para a melhoria das pessoas. Não entendo como as pessoas acham que isso é aceitável. Portanto, esta história da arbitragem, infelizmente, está a marcar o futebol ao nível global.
Augusto Inácio, vou voltar aqui à entrevista de Frederico Varandas, ou as declarações, na verdade, de Frederico Varandas. E com estes recados para o balneário, está a colocar esta exigência no plantel a garantir que a equipa mantém o foco naquilo que é a luta por ter campeonato?
Bom dia a todos. Olha, se me permites, eu vou recuar antes e para falar também daquilo do Villas-Boas com a Arábia Saudita. Eu levo, porque eu acho que é isso mesmo que aconteceu, que ele está zangado ou chateado com os árabes, porque precisamente os árabes começam uma negociação e depois nunca mais dizem nada. E este é que é o verdadeiro problema, porque isso já aconteceu comigo também. Entraram em negociações comigo e depois deixaram, desligaram completamente. E quando se fala com o empresário do jogador para os valores que podem ir para lá e depois fala-se com o detentor do passe do jogador, que é o clube, neste caso o Porto. E estão a entrar numa primeira fase em negociações e depois, se calhar, há uma contraproposta por isto ou por aquilo, de repente, deixam de estar em contato, desaparecem completamente. E depois deixa aqui o problema, que é o jogador que fica com a proposta na cabeça e será que o Porto não deixou, pediu muito dinheiro, não pediu muito dinheiro. Esse é que é o verdadeiro problema. Por isso é que o Villas-Boas está zangado com eles. Não sei se tem a ver com o Domingo Soares de Oliveira, porque o clube é o mesmo, é o Al Ittihad. O Al Ittihad do Galeno, que acabou por ir para o Al-Ahli, é o Al Ittihad do Francisco Moura, que é o mesmo que fez entre aspas, a mesma golpada ao Galeno e ao Mora, e por isso é que o Villas-Boas está zangado. É nesse sentido que eu levo a esta azia que, conhecendo como eu os conheço, tenho a certeza que foi mesmo assim como o Villas-Boas está a dizer. Ligam, fazem uma proposta e depois desligam completamente, nunca mais dizem nada. E depois deixam o problema para o clube resolver. Em relação ao Sporting e à pergunta que tu me fizeste. O presidente do Sporting sabe que tem um grande plantel e criou enormes expectativas. Se calhar, na cabeça do presidente do Sporting, digo eu, se isso pode acontecer ou não, ganhar se calhar os jogos todos. O Sporting perdeu foi com o foco do Porto. Perdeu com o Porto e perdeu bem. Agora, o presidente do Sporting não esperava perder esse jogo. Acredito também, porque os sportinguistas também acreditavam que o Sporting pudesse ter ganho. Mas isto é uma maratona. Se calhar vamos perguntar ao presidente do Sporting o que acha desta época que ainda agora iniciou. Ele vai dizer que pensava que ia ter tudo vitórias, se calhar não se preocupou, marcasse 50 gols e que tinham os melhores jogadores do campeonato e do mundo. Mas isto é aquilo que o presidente do Sporting está a dizer para o treinador, para a equipa técnica, para os jogadores, para a massa adepta, de que realmente o Sporting tem um grande plantel, tem uma grande estrutura e que o Sporting só tem que pensar em ganhar, não tem que pensar em mais nada. O futebol não é assim tão linear. Às vezes há percalços, tem de se saber ultrapassar estes percalços, mas não deixa de ser uma atitude exigente para que as pessoas dentro do clube, sejam elas jogadoras ou funcionários, estejam sempre atentos.
Muito bem. Vamos às nossas notas de campeão. Já escutámos as do João Castro. Pedro Henriques, campeão do dia.
Estava aqui a ligar. Ia dar seguimento àquilo que o Gabriel estava a falar por causa da entrevista de António Taylor e também por uma questão que para mim é bastante importante, porque ontem tivemos a oportunidade de ouvir o Rosetti, que veio falar sobre videoarbitragem, mas também veio falar de problemas estruturais da arbitragem. E, portanto, a minha nota positiva vai, porque não é só em Portugal. Ontem tivemos também a assistir de forma rápida a um espanhol que veio cá, que é o responsável pela arbitragem também em Espanha, um dos principais responsáveis, e que estão a resolver a nível das camadas jovens a questão da violência com algo que é altamente inédito, que é colocar o árbitro dentro de campo ao nível de uma autoridade que para o jogo e manda os delegados da questão do campo retirar a pessoa do campo que está apenas com insultos verbais, nem sequer é violência física. E estão aqui com uma situação que é ou eles saem do campo ou então não há jogo. E não havendo jogo, depois todos os outros não querem. O que eu quero dizer com isto, e para terminar, é uma nota 15, porque no fundo há realmente problemas estruturais na arbitragem que têm que ser resolvidos. Há efetivamente uma crítica, que essa nem merecia nota, exagerada no meu ponto de vista, porque a crítica é sempre saudável quando as coisas não correm bem, mas há também quem neste momento, em várias partes do mundo, em Portugal inclusivamente, estão a tentar resolver essas questões relacionadas com a arbitragem, por um lado melhorando a sua qualidade, mas também problemas estruturais que passam, como é o caso da violência, da segurança, etc. Portanto, uma nota 15 para também este momento que eu tento olhar para o lado positivo que é estar-se a tentar resolver e arranjar soluções, porque senão, como já foi dito aqui, o futebol caminha para um tal caminho muito difícil e depois só resoluções tipo NBA que vão conseguir resolver quando pagas 100 mil € e depois 200 mil € à segunda vez, etc.
Gabriel Alves, campeão do dia.
E à terceira vez és irradiado também. Ora bem, eu subscrevo a nota do Pedro e do Anthony Taylor pela entrevista que deu à BBC, dou-lhe 16 já, porque levanta a questão, levanta problemas internacionais, globais e a partir da Premier League, a partir de Inglaterra. Tenho aqui uma nota de expectativa só para a FIFA. A FIFA, reunida, passou de dois para quatro jogos nos vírus FIFA, nas interrupções. Também deixou de haver quatro interrupções para passar a haver três. Depois há aqui uma outra questão. Os clubes têm que ter 11 meses, 70 jogos, mundial de clubes com mais e os mundiais com mais clubes, mercado mais aberto, mais do que aquilo que já está. O que pode dizer o clube Y, Z, T. Os jogadores andam ali para jogar. Para onde é que isto vai? É a pergunta que eu deixo.
Para fechar, Augusto Inácio.
A nota 17 para o Frold, que ontem marcou um gol e deu uma assistência na Bielorrússia, 6x0 da Dinamarca, e que está a confirmar realmente a ascensão que tem tido no foco do Porto. Mas também eu queria dar a nota 14 ao André Villas-Boas. Podemos não concordar com as ideias dele, isso é uma coisa, mas há uma coisa que ele foi verdadeiro. Ele disse que os três presidentes andam à cabeçada uns com os outros. Aquilo que nós temos criticado aqui, ele também sabe que é verdade aquilo que nós temos dito. Mas o que é certo é que ele também diz que tem que se sentar e entenderem-se para bem do futebol português. Acima de tudo, a sinceridade é aquilo que eu valorizo mais.
Está feita esta edição de "E o Campeão É...".