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Dia de regresso da Liga dos Campeões, arranca a terceira jornada e com participação portuguesa. O Benfica joga hoje frente ao Newcastle, no Reino Unido. O Sporting joga amanhã em Alvalade, frente ao Marselha. Vamos falar deste jogo de logo à noite, Benfica-Newcastle. E hoje conto com a análise de Augusto Inácio, Gabriel Alves e Pedro Henriques. Eu sou o Miguel Cordeiro, vamos começar precisamente por aqui, porque Gabriel Alves, este Newcastle é uma equipa que tem crescido ao longo dos últimos três, quatro anos. Está a discutir já posições de top four, top five no Reino Unido e apresenta-se aqui como uma ótima equipa e um desafio muito complicado para este Benfica.

Boa tarde. É uma das equipas, embora vá em 13º nesta altura. Perdeu, não sei, depende daquilo como queiramos ver as coisas. Isak, fez um grande negócio, 145 milhões no cofre. E foi comprar outros jogadores, foi para o mercado, gastou 75 milhões num alemão, no Botman. Há que ter em atenção que as coisas podem não ter começado da melhor maneira, mas vai querer, obviamente, impor-se nisto que são as Champions, como todos, o próprio Benfica e todos os clubes. O José Mourinho conhece muito bem o que é a filosofia, o que é o clima inglês, o que é o clima britânico, trabalhou lá vários anos, conhece muito bem o que é o espectro de atitude colocada ao serviço do futebol pelos clubes, pelos atletas, pelos treinadores, pelas estruturas. Não é por acaso que desde o jogo com o Chaves que tem dado recados por dentro e por fora, de toda a maneira, e feitio, porque ele sabe que ali o valer tudo chama-se jogar até ao último. E basta nós também, como telespectadores, observar a Premier League inglesa, ali não há brincadeira. Olha, eu vou só contar aqui um pequeno detalhe. Aqui há uns anos estava eu a ver um jogo do Fulham com o Arsenal, em Londres, e havia um jogador do Fulham que estava caído no chão. Sabes o que o público do Fulham dizia para o seu jogador? "Go, go, go, go." Como quem diz: "Vai, vai." Ou então, se não estás bem, "Out, out, out." Parado é aqui que tu não podes estar. E era o seu público. Aqui não, latino. Palmas. Lá a filosofia é completamente diferente. Aliás, o Augusto Inácio ontem trouxe isto aqui, inclusivamente na questão da contratação, dispensa e circuladas psicológicas relacionadas com os treinadores. O Benfica vai ser uma equipa atenta, como é óbvio, tem um problema, não tem pontos nesta Champions. A equipa do Newcastle também tem pontos, mas não os tem todos, porque face ao Barcelona não conseguiu pontuar. Acima de tudo, o Benfica vai ter que ser uma equipa inteligente, porque eu não acredito, claro, que vai ter mais incidência, vai ter que ser mais contundente, vai ter que correr mais, mas vai ser acima de tudo ter inteligência para defrontar este Newcastle, porque inteligência implica esclarecimento, porque o Newcastle vai também dar tudo por tudo.

Augusto Inácio, o que esperas deste jogo? O Benfica está numa situação complicada, não é? Não conseguiu ainda pontuar sequer, vai com zero pontos nesta Champions. E este jogo é muito importante também por causa do contexto das eleições.

Boa tarde. Vai ser um jogo importante para o Benfica, porque o Benfica tem zero pontos. Quando o Mourinho diz que não é um jogo decisivo, matematicamente não, porque ainda há pontos que ainda podem o Benfica ser apurado. Mas realisticamente, olhando para os pontos que o Benfica tem e aquilo que está a jogar, não se antevê nada de bom se o Benfica perder este jogo na Inglaterra em Newcastle. Eu diria que a sorte, entre aspas, é o Mourinho para já conhecer e de maneiro o futebol inglês, sabe como é que eles desenvolvem e a sua mentalidade. Ao Benfica cabe contrariar essa força física que o Mourinho disse e ser, como o Gabriel Alves disse bem, inteligente no sentido de não ganhar a bola e perder logo a bola, porque se ganha a bola e perde a bola, vai levar com os ingleses sempre o jogo todo, porque eles são intensos. Agora, se o Benfica conseguir roubar bola, ter bola e ser também pragmático no ataque, porque o Benfica de rapidez no ataque não tem nada, a não ser o Okereke, que é aquele que dá umas chapatadas no jogo, o resto do Benfica tem que, quando ganhar a bola, principalmente o seu meio-campo, não ser filósofo de jogar para o lado e para trás, ser incisivo no ataque para tentar marcar gols, para tentar ganhar o jogo. É isso que o Benfica vai fazer. Agora, no caso do Benfica perder o jogo, sinceramente, eu gostaria muito que o Benfica ganhasse o jogo, mas sinceramente, no caso de perder o jogo, não acredito que o Benfica seja apurado.

Pedro Henriques, o que é que esperas deste encontro? Quais é que são as tuas apostas para o 11, sendo que houve rotação na passada sexta-feira frente ao Chaves?

Em primeiro lugar, alguns dados estatísticos que acho que são interessantes, têm a ver com o Benfica e com o Newcastle. O facto de o Benfica, nos últimos oito jogos realizados fora de casa esta época, apenas perdeu um. Contudo, na Champions, o Benfica tem quatro derrotas consecutivas, se olharmos desta maneira. Também não sofreu gols nos últimos dois jogos. De resto, era uma marca d'água do Benfica esta época, o não sofrer gols. Por outro lado, o Newcastle também perdeu os três últimos jogos realizados na Champions, em casa. Estou a falar em casa, obviamente. Portanto, há aqui uma série de fatores e se olharmos para o José Mourinho, tendo como referência aquilo que ele fez no Dragão, percebemos que o José Mourinho prepara muito bem este tipo de jogos e joga muito com essas circunstâncias. E do outro lado, vai estar o Eddie Howe, que apenas conseguiu ganhar uma vez ao Mourinho, e o Mourinho já lhe leva cinco vitórias. Portanto, esses fatores emocionais e psicológicos com os quais o José Mourinho também trabalha muito bem, isso pode de alguma maneira capitalizar, não digo vantagem, mas pelo menos reduzir diferenças em relação àquilo que há. É sempre o favoritismo de uma equipa inglesa como o Newcastle, jogando em casa contra o Benfica, é normal que se atribua o favoritismo. Só que o Benfica, como já foi dito aqui, tem duas derrotas. Está bem que não é o jogo decisivo. O Mourinho depois explicou que ainda estão em jogo 18 pontos, pode-se passar com 11 e, portanto, se perdesse não era decisivo, mas convenhamos que uma terceira derrota.

Perdemos momentaneamente o Pedro Henriques.

Sim, estás-me a ouvir?

Já cá está.

E até para a possibilidade de playoff, seria complicado. Estava a falar dos pontos. Se o Benfica hoje perder, digamos que encerra três derrotas e passava a ser uma situação um bocadinho complicada, até olhando para os adversários que ainda faltam vir, e que são adversários pesados. Em relação ao Benfica, naquilo que é o onze, eu acho que o Mourinho não vai apresentar surpresas. Se apresentar surpresas, se calhar, tem mais a ver com a postura dos jogadores e a disposição tática dos jogadores ou aquilo que ele vai pedir, do que propriamente nesta fase, arriscar, tipo sacar o chamado coelho da cartola, o tal jogador que ninguém está à espera. E dentro dessa perspectiva, aqui vai o meu 11, patrocinado pelo #humildade, já sabem. Basicamente para dizer Trubin, Dedic e Samuel Gal 诺 s nas alas, o Otamendi que deve descansar para este jogo, na minha perspectiva, com António Silva ao centro, e depois o Rios, o Bah-Nehress e depois um trio, se é que se pode dizer assim, atrás do Pavlídis, que será do Lukebakio, o Sudakov e o Aarons. E portanto, eu acho que não vai fugir muito disso e acho que hoje é mesmo para não fugir muito isto.

Miguel, só lembrando os jogos que faltam. Para além do Newcastle, o Bayer Leverkusen, o Real Madrid e o Napoli em casa, e depois fora o Ajax e a Juventus.

Coisa pouca.

É coisa pouca. Para hoje, magia, atitude, intensidade, organização, níveis de emoção controlados e uma coisa muito importante em tudo na vida e também, obviamente, no futebol, no jogo do desporto: mente.

Sim. Augusto Inácio, eu queria só analisar esta declaração de Mourinho e ao ritmo lento que descreveu ontem na conferência de imprensa. Disse que viu a equipa com um ritmo lento a entrar em Chaves e a expressão é: "Não sei se era ao que estavam habituados". Tirou-se daqui uma claro relação de que estaria a fazer uma referência clara ao trabalho de Bruno Lage e a deixar críticas a Bruno Lage. Como é que vês este posicionamento e esta frase de José Mourinho?

Eu entendo perfeitamente bem o que o José Mourinho quis dizer, porque ele entrou a meio da temporada, três meses depois da temporada. E eu também já apanhei equipas assim. E às vezes, a intensidade dos treinos que eu queria dar, os jogadores não acompanhavam. Isto não quer dizer que os jogadores fisicamente não estivessem bem com o outro treinador para o estilo de jogo e para aquilo que era a competitividade do outro treinador. Não é isso que está em causa. Agora, para aquilo que o Mourinho quer ou para aquilo, por exemplo, que eu queria também, os jogadores não estavam preparados para aquilo. As pessoas podem interpretar isso como uma bicada ao Bruno Lage, quer dizer, que a equipa está mal fisicamente. Não, para o ritmo que o Mourinho quer, os jogadores não estão prontos para isso. Mas isso não quer dizer para o ritmo que o Bruno Lage queria, que os jogadores não estivessem bem. É uma questão de interpretação, mas claramente, quem não conhece esta realidade, claramente que vai dizer que isto foi uma crítica ao Bruno Lage.

Augusto Inácio, desculpa, tudo bem, corretíssimo o que acabaste de dizer, mas há aqui um fator que também é importante ter em conta. Aquilo que é a nossa competição nacional, o que é que são os nossos campeonatos, a nossa taça, a nossa competição nacional, quando te transportas depois lá pra fora pra competição internacional. Aqui também há esse fator, que é preciso ter. Se tivéssemos uma competição nacional muito mais intensa, contundente, obviamente, reagias lá fora de outra maneira.

Estávamos mais preparados. Isso é verdade.

Sim, sendo que aqui a referência era a um jogo de taça e ele diz que não sentiu a equipa preparada ou com ritmo para um jogo de taça.

É o global.

Mas é um cheirinho, é um cheirinho de laje, é um cheirinho para si tudo. Olhe, sim, senhor.

Muito bem. Pedro Henriques, só aqui também uma abordagem a esta questão da ciclotimia psicológica. O Nottingham Forest acaba de apresentar um novo treinador. A vida não está fácil para os treinadores do Nottingham Forest. O próprio presidente diz que quer dar uma colherada ali no balneário e se for preciso, vai ele treinar. Sam Allardyce é o novo treinador, veio do Everton, assume o lugar no Forest. Forest vai jogar com o Futebol Clube do Porto na quinta-feira. Pode ter esse impacto da ciclotimia psicológica?

É assim, com o presidente, com esse tipo de discurso, eu acho que o problema não está nem no treinador, nem nos jogadores. Se calhar, está no próprio presidente. Quando o presidente acha que se for preciso, ele próprio vai dar treino, é a mesma coisa que me pedirem uma receita para a constipação. Eu dou-vos já, vou aqui ao Google.

Estava a ver quando davas.

Não, eu dou sempre. Eu vou ao Google e vou-te escrever uma aspirina fantástica. Agora, há uma coisa, eu não sou médico.

Quando tiveres a aspirar, a gente pergunta.

Pronto, exatamente, porque eu não sou médico. E é aqui que nós vivemos numa sociedade que é muito assim. E os portugueses então às vezes são fantásticos. Para já, doutor, chamam todos de doutor. Não os vi lá tirar o doutorado, mas pronto. "Então diga-me lá o que pensa sobre isto". E eles basicamente o que dizem é: "Não sei, mas passo a explicar". E nós estamos carregados de pessoas que não sabem, mas passam a explicar. E esse presidente, se calhar, é mesmo o problema do Newcastle. Mas se o homem tem dinheiro, o que ele vai fazer? Vai despedir é treinadores. Portanto, acho que foi um erro despedir. Se tens um treinador, às vezes pode não Pode ter qualidade e as coisas não estarem a funcionar, a mensagem não passar. Mas foi um erro e percebe-se que venha quem vier, o Nottingham Forest vai viver situações que não serão fáceis, porque já se percebe que o problema não é o treinador, não são os jogadores, é essa ligação do presidente com o balneário ou o que ele quer ter. Acho que não vai funcionar muito bem, mas oxalá tenham sorte.

E talvez o treinador do Rov tem que ter cuidado porque este presidente é também o proprietário do Rio Ave e do Olympiacos.

É dono de tudo.

É isso mesmo.

Quando eu era miúdo eu às vezes era o que dava a bola. E quando estava chateado com o jogo, dava uma bolinha e ia embora. Eu era o dono da bola.

Exatamente.

É o tal perigo dos negócios, do muito dinheiro no futebol.

Vamos às notas de campeão. Estamos mesmo a chegar ao final do programa de hoje. Gabriel Alves, comece desse lado.

A Champions está de regresso e tem aqui, além do Newcastle-Benfica, um encontro, independentemente de Leverkusen ser campeão alemão, não ter aquela dimensão que teve a época passada a jogar com o PSG. O jogo é na Alemanha. É um jogo interessante para olhar. E depois tem aqui outro jogo que eu também vou estar atento, que é o Villarreal com o Manchester City. Um Villarreal muito interessante, face ao poderoso City com todas as suas valências. É o regresso da Champions para mim, em quem gosta de futebol e sente o futebol. Eu dou um 16 porque é muito bom. E só dizer isto: cuidado que a Champions está, a partir de 2027, só o campeão jogará em casa terça-feira da primeira semana. Atenção a isto, os direitos televisivos vão mexer. É preciso ter atenção que na terça-feira é só para a Liga dos Campeões, o resto dos clubes que estão na Champions jogam à quarta e quinta-feira. Ainda será lançado um pacote global para a primeira equipa, oferecendo direitos a uma partida da Champions para atender a novos consumidores, tendências, audiências e expansão da competição. Atenção a isto, porque aqui fala-se muita coisa, mas olhem que lá fora está tudo a mexer.

Pedro Henriques, campeão do dia.

Também para a Champions League de uma forma genérica, mas sobretudo para aquilo que pode ser a aura do Mourinho, a maneira como ele foi recebido é uma coisa extraordinária. Ele ganhou três campeonatos pelo Chelsea, taças, taças da liga, mas tem uma aura. Não há ninguém acima do clube, obviamente, e há esse respeito, mas o Mourinho está mesmo acima de qualquer clube nesta perspectiva daquilo que ele por si só é também o tal produto, a tal marca que nós falamos. E realmente é extraordinário. E também extraordinário foi o que ele falou a dado momento por causa do senhor Bobby Robson, que tem uma ligação, ou que tinha e tem ao Benfica, para a eternidade, uma ligação afetiva à cidade e a este clube, o caso que o Benfica vai defrontar hoje. Realmente o Mourinho aqui merece também uma nota de destaque, é um treinador acima de tudo.

Para fechar, Augusto Inácio.

Para fechar, como sempre faço, o Benfica joga hoje, nota 20 para o Benfica, para que realmente consiga ganhar o jogo e trazer os três pontos para si e para Portugal, que é importante. Mas também queria dar aqui nota 20, e não fez nada de especial, o Nuno Espírito Santo. Vou dar nota 20 ao Nuno Espírito Santo, que agora entrou num caldinho do West Ham, tem uma equipa fraca e está a lutar para não descer de divisão. Isto porque eu vou dar nota 20 para o Espírito Santo? Para ver se ele salva o West Ham e para ver se o Nottingham Forest desce de divisão. Era bonito, senhor Marinakis.

Vamos ver o que acontece, ainda há muito campeonato. Esta edição de "O Campeão" fica disponível em podcast. Nós estamos de regresso amanhã.